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V – SYNTHESE, DISCUSSION ET CONCLUSIONS

QUESTION DE TEMPS : ETUDE DES RAPPORTS ENTRE TEMPS LEGAL,

V – SYNTHESE, DISCUSSION ET CONCLUSIONS

Em primeiro lugar far-se-á uma análise descritiva dos respondentes (frequências) e da distribuição das respostas aos itens das variáveis latentes (tendência central, dispersão, assimetria e achatamento). De seguida, adota-se os procedimentos comuns para avaliar a validade e fiabilidade das medidas, com base nos coeficientes de uma análise fatorial confirmatória que permitem calcular a variância extraída média e a fiabilidade composta (Fornell & Larcker, 1981). Finalmente, o modelo das relações estruturais entre as variáveis latentes será avaliado por estimação de mínimos quadrados parciais através do software

SmartPLS 3 (Ringle, Wende & Becker, 2015). Este método de estimação, além de não exigir

a multinormalidade das distribuições das respostas, como acontece com a estimação por máxima verosimilhança, é adequado para modelos com vários níveis de mediação entre as variáveis (Hair, Hult, Ringle & Sarstedt, 2017), como é o caso, em que se conceptualiza que a PC gera afetos que, por sua vez, têm um efeito negativo na IS. A significância dos coeficientes estruturais é estimada com recurso a bootstrapping com 1000 amostras.

Capítulo III – Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados

3.A

PRESENTAÇÃO

,A

NÁLISE E

D

ISCUSSÃO DOS

R

ESULTADOS

Neste capítulo é feita a apresentação, análise e discussão dos resultados. Em primeiro lugar, apresenta-se a estatística descritiva com a caracterização dos respondentes e das variáveis medidas. De seguida, expõe-se a avaliação da validade e fiabilidade das escalas. Finalmente, procede-se à análise do modelo de investigação, com o cálculo dos coeficientes das relações diretas e das relações totais entre as variáveis, de acordo com as hipóteses apresentadas no capítulo anterior.

3.1. Caracterização da amostra

Devido a restrições orçamentais, optou-se pelo método de inquirição online. Foram enviados pedidos de colaboração a instituições e associações de trabalhadores dos serviços de saúde, de modo a obter uma amostra composta por profissionais de diferentes áreas, trabalhando em organizações públicas, privadas e do terceiro setor. De 15 de junho até 26 de setembro de 2017 foram recolhidos 409 questionários completamente preenchidos. Como se pode verificar na Tabela 3, quase metade da amostra é composta por técnicos de diagnóstico e terapêutica, uma classificação vasta que inclui técnicos de nutrição, análises, radiologia, fisioterapia, etc. Por outro lado, nota-se uma sub-representação de médicos, correspondente a apenas 7% da amostra. É de assinalar que ¼ dos inquiridos trabalha em mais do que uma organização de saúde. Finalmente, é de registar a dispersão da distribuição das variáveis antiguidade na organização e setor a que esta pertence.

O facto de a amostra não ser representativa do pessoal ao serviço nas organizações de saúde limita a generalização dos resultados. No entanto, deve salientar-se que este estudo não tem a pretensão de produzir estimativas para a população das médias de quaisquer variáveis. O que importa são as estimativas dos coeficientes de regressão entre as diversas variáveis do modelo. Nesse sentido, não há razão para crer que os resultados sejam muito diferentes nesta

Capítulo III – Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados

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Dos 409 participantes no estudo, 199 são casados ou em união de facto e 210 correspondem a outro estado civil.

Relativamente à escolaridade, a maior parte dos inquiridos possui formação superior (337- 91,2%) contrastando com apenas 1,2 % que possui o ensino básico, o que corresponde a apenas 5 indivíduos. A maioria dos inquiridos é técnicos de diagnóstico e terapêutica (194), seguido dos enfermeiros (81), outras profissões da área da saúde (81), médicos (28) e administrativos (25).

Quanto à relação profissional, dos 409 inquiridos, 288 têm contrato por tempo indeterminado, enquanto 61 têm termo certo e 60 encontram-se em regime de prestação de serviços. No que respeita ao tempo de trabalho na organização, o resultado obtido é relativamente homogéneo, verificando-se que 24,7% tem mais de 15 anos de serviço na instituição, 23,5% trabalha há menos de 3 anos, 18,8% entre 7 a 10 anos, 16,6% de 3 a 6 anos e, por fim, de 11 a 15 anos corresponde 16,4%. Quanto ao tempo de exercício da profissão, a maior parte dos indivíduos tem mais de 15 anos de experiência na profissão (32%). Contrariamente, com menos de 3 anos de serviço, obteve-se apenas 11,2%.

Quanto ao tipo de organização, o setor público predomina com 44,3%, seguido do setor privado (30,8%) e, por fim, as instituições particulares de solidariedade social (24,9%). Verifica-se claramente que a maior parte dos inquiridos (304) apenas exerce as suas funções numa única organização de saúde, enquanto 105 trabalham em mais que uma organização de saúde.

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Tabela 4: Caracterização socioprofissional dos participantes

Frequência Percentagem Sexo Feminino 286 69,9 Masculino 123 30,1 Idade 18 a 24 34 8,3 25 a 44 279 68,2 45 a 64 88 21,5 65 ou mais 8 2,0 Estado civil Casado/Unido 199 48,7 Outro 210 51,3 Escolaridade Básico 5 1,2 Secundário/profissional 31 7,6 Superior 373 91,2 Profissão Médico/a 28 6,8 Enfermeiro/a 81 19,8 Diagnóstico/Terapêutica 194 47,4 Administrativo/a 25 6,1 Outros 81 19,8 Vínculo A termo 61 14,9 Regime de prestação de serviços 60 14,7 Tempo indeterminado 288 70,4

Tempo de trabalho na organização

Há menos de 3 anos 96 23,5 De 3 a 6 anos 68 16,6 De 7 a 10 anos 77 18,8 De 11 a 15 anos 67 16,4 Mais de 15 anos 101 24,7 Experiência na profissão Há menos de 3 anos 46 11,2 De 3 a 6 anos 68 16,6 De 7 a 10 anos 86 21,0 De 11 a 15 anos 78 19,1 Mais de 15 anos 131 32,0 Estatuto da organização IPSS 102 24,9 Privada 126 30,8 Pública 181 44,3

Trabalha noutra organização de saúde Não 304 74,3

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organização” (4,257) e “contribuir para o sucesso da organização” (4,176). Seguidamente apresentam-se as variáveis por ordem decrescente do valor da média.

Quanto à “ligação afetiva”, a média foi de 3,555, os itens mais valorizados foram o “ser fiel” (3,648) e “ligado” (3,611).

No que respeita à “troca recíproca”, a média foi de 3,508, o item mais valorizado foi “presumo que me vá retribuir (3,577).

Relativamente à “coesão organizacional”, a média foi de 3.302, os itens mais valorizados foram “união de esforços” (3,408) e “união das pessoas” (3,335).

Quanto ao “afeto positivo”, a média foi de 3.227, sendo os itens mais valorizados “determinado” (3,374) e “contente” (3,291).

No que respeita ao “conhecimento tácito”, a média foi de 3.146, sendo o item mais valorizado a “frequência de conversas informais” (3,247).

Para o “conhecimento explícito”, a média foi de 2.862 com valores semelhantes para os itens “frequência de documentos” (2,880) e “frequência relativa de documentos” (2,844).

Relativamente à “intenção de saída”, a média foi de 2.547, os itens “com que frequência pensa em deixar” (2,614) e “vontade de procurar outro emprego” (2,560), foram os mais valorizados.

A variável com média mais baixa foi o “afeto negativo” (1,970) e os seus itens, designadamente “envergonhado” (1,822), “perturbado” (1,888) e “nervoso” (1,971).

Os itens da variável “troca recíproca” assumem médias inferiores aos itens da variável “troca produtiva”. O mesmo sucede relativamente aos itens relativos a “conhecimento tácito” (3,146) e “conhecimento explícito”, apresentando este, média inferior ao primeiro (2,862). Para as variáveis “afeto positivo” e “afeto negativo”, os itens referentes a este último assumem pontuações muito baixas e, consequentemente, menor média (1,970).

As variáveis “coesão organizacional” (3,302) e “ligação afetiva” (3,555) assumem médias superiores à variável “intenção de saída” (2,547).

No que toca a Medidas de Assimetria, a distribuição apresenta-se assimétrica à direita (com valores positivos) para os itens da IS e afeto negativo e assimétrica à esquerda (com valores

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negativos) para os restantes itens. De salientar que os itens da troca produtiva apresentam pontuações muito altas e os itens de afeto negativo têm pontuações muito baixas.

Tabela 5: Estatísticas descritivas das escalas

Média Mediana Desvio

padrão Curtose Assimetria

Troca recíproca 3,508

Espero que me retribuam 3,438 4 1,077 -0,389 -0,539 Presumo que me vá retribuir 3,577 4 1,088 -0,093 -0,691

Troca produtiva 4,217

É benéfico para toda a organização 4,257 4 0,898 1,590 -1,321 Contribuir para o sucesso da organização 4,176 4 0,929 0,688 -1,054

Conhecimento tácito 3,146

Frequência de conversas informais 3,247 3 0,882 0,167 -0,225 Frequência relativa de conversas informais 3,044 3 0,913 0,307 -0,184

Conhecimento explícito 2,862

Frequência de documentos 2,880 3 1,076 -0,551 -0,008 Frequência relativa de documentos 2,844 3 1,023 -0,175 -0,013

Afeto positivo 3,227 Orgulhoso 3,117 3 0,946 -0,387 -0,202 Agradecido 3,274 3 0,927 -0,196 -0,126 Entusiasmado 3,081 3 0,977 -0,418 -0,036 Determinado 3,374 3 0,974 -0,165 -0,217 Contente 3,291 3 1,028 -0,530 -0,173 Afeto negativo 1,970 Irritado 2,112 2 0,995 0,015 0,760 Envergonhado 1,822 2 0,971 0,363 1,055 Perturbado 1,880 2 1,043 0,436 1,110 Receoso 2,064 2 0,979 -0,018 0,734 Nervoso 1,971 2 1,072 0,774 1,135 Coesão organizacional 3,302

União das pessoas 3,335 3 0,960 -0,240 -0,148

Coesão das equipas 3,313 3 0,887 0,132 -0,193

Solidez das relações 3,240 3 0,893 0,122 -0,077

Convergência 3,215 3 0,835 0,250 0,008

União de esforços 3,408 3 0,957 -0,245 -0,140

Ligação afetiva 3,555

Afeiçoado 3,509 4 1,009 -0,384 -0,375

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3.3. Modelo de medida

Antes de analisar as relações entre as variáveis latentes e assim avaliar as hipóteses estabelecidas, é necessário confirmar se as medidas das variáveis latentes são válidas e fiáveis. Admite-se que as variáveis latentes têm validade convergente se a variância extraída média for igual ou superior a 0,5 e se a fiabilidade composta não for inferior a 0,7 (Hair et al., 2017).

De acordo com os resultados da Tabela 6, todas as variáveis apresentam valor de fiabilidade superior a 0,7 com exceção da “troca produtiva” (0,682), que é ligeiramente inferior. No entanto, estando bastante próximo de 0,7 e sendo a variância extraída superior a 0,5 para os dois itens desta variável, optamos por manter a variável latente nas análises subsequentes. Quanto à variância extraída em todas as variáveis latentes é superior a 0,5, variando entre 0,5 e 0,7. Sendo o erro de medida baixo, podemos concluir que todas as variáveis latentes que integram o modelo têm validade convergente.

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Tabela 6: Variância extraída e fiabilidade composta do modelo

Pesos fatoriais Variância extraída Fiabilidade composta

Troca recíproca 0,576 0,725

Espero que me retribuam 0,882 0,778

Presumo que me vá retribuir 0,612 0,375

Troca produtiva 0,517 0,682

É benéfico para toda a organização 0,725 0,526 Contribuir para o sucesso da organização 0,713 0,508

Conhecimento tácito 0,715 0,834

Frequência de conversas informais 0,883 0,780 Frequência relativa de conversas informais 0,806 0,650

Conhecimento explícito 0,741 0,851

Frequência de documentos 0,870 0,757 Frequência relativa de documentos 0,851 0,724

Afeto positivo 0,681 0,913 Orgulhoso 0,942 0,887 Agradecido 0,805 0,648 Entusiasmado 0,819 0,671 Determinado 0,700 0,490 Contente 0,841 0,707 Afeto negativo 0,620 0,889 Irritado 0,876 0,767 Envergonhado 0,727 0,529 Perturbado 0,907 0,823 Receoso 0,619 0,383 Nervoso 0,773 0,598 Coesão organizacional 0,736 0,933

União das pessoas 0,873 0,762

Coesão das equipas 0,872 0,760

Solidez das relações 0,823 0,677

Convergência 0,854 0,729 União de esforços 0,867 0,752 Ligação afetiva 0,701 0,903 Afeiçoado 0,910 0,828 Comprometido 0,712 0,507 Fiel 0,847 0,717 Ligado 0,866 0,750 Intenção de saída 0,790 0,918

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