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Le point de synthèse régional

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III. GESTION D’UNE CANICULE

III.1. D ISPOSITIFS D ’ INFORMATION ET DE SURVEILLANCE

III.1.4. Le point de synthèse régional

A história oral é uma metodologia de relevante importância, possibilitando buscar nas experiências, novos horizontes, novas aproximações com o vivido no passado. Tal metodologia está intimamente conexa à memória e à linguagem falada ou sinalizada, podendo ser definida, dependendo da orientação do trabalho, como método de investigação científica (ALBERTI, 2005).

Assim sendo, utilizamos da legitimidade das proeminências desse método, uma vez que, entendemos que todas as formas de coletas de dados podem ser questionáveis quanto à confiança em fontes documentais sobre a fidedignidade de suas informações. Todavia, Thompson (2008) orientou que “o processo da memória depende, pois, não só da capacidade de compreensão do indivíduo, mas também de seu interesse. Assim, é muito mais provável que uma lembrança seja precisa quando corresponde a um interesse e necessidade social” (p. 153). Assim sendo:

Toda fonte histórica que deriva da percepção humana é subjetiva, mas apenas a fonte oral permite-nos desafiar essa subjetividade: descolar as camadas de memória, cavar fundo em suas sombras, na expectativa de atingir a verdade oculta. Se assim é, por que não aproveitar essa oportunidade que só nós temos entre os historiadores, e fazer informes se acomodarem relacionados o divã (THOMPSON, 2008, p.197).

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Ampliando as reflexões, Thompson (2008) ao nos informar que a história oral é um método utilizado por milênios e que muitos registros hodiernos nos chegaram por meio de contos de memórias transmitidos entre as gerações. Os relatos dos tempos narrados pelas tradições foram contados e cantados em rodas de fogueiras, traduzidos em lendas e recontados pelas gerações de nossos antepassados. Com nossas diferentes linguagens registramos as experiências coletivas (ALBERTI, 2005). A comunicabilidade de nossas histórias culturais viabilizou e viabiliza a formação do homem como ser social, assegurando relações afetivas e o convívio em coletivos (SOUSA; SANTANA, 2017).

Indubitavelmente, o pesquisador deve estar ciente que os entrevistados tornam visíveis opiniões e práticas cotidianas e constroem uma perspectiva da experiência relatada por meio da oportunidade de ser registrado nos anais do tempo e se fazer ouvir (MEIHY, 2005). Assim, o procedimento consiste em compreender que o entrevistado ao revisitar suas memórias, organiza acontecimentos, criar uma coerência que é inexistente, mas, ao buscá-las, sistematizam um sentido narrativo ao momento vivido no passado. Logo, a narrativa da história de vida é uma criação artificial de sentido (BOURDIEU, 2007). Destarte, apesar do real ser descontínuo, o entrevistado ao narrar sua própria história de vida à luz de suas convicções, esforça- se para dar significado, com causas e finalidades aos questionamentos sugeridos pelo pesquisador.

Entretanto, salientamos que nem toda a entrevista pode ser considerada um trabalho de história oral. O método exige do pesquisador as especificidades técnicas quanto ao domínio da história e das situações sociais estudadas (MEIHY, 2005). Desse modo, escolhemos uma abordagem temática, em que apresentamos um eixo reflexivo sobre o processo de inclusão na educação regular que serviu de matriz para o entrevistado seguir o percurso de resgatar lembranças e assim criar a narrativa desejada.

Enfatizamos que a partir desse método torna-se possível o registro narrativo de vidas. Ao abordamos a perspectiva do sujeito participante sobre os aspectos da história, entendemos que este método pode posicionar o sujeito no próprio eixo temático, possibilitando a sua percepção sobre as situações sociais das próprias memórias apresentadas (MONTENEGRO, 2010).

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[...] a memória coletiva é um fenômeno construído pela força de fatores externos que circunstanciam um determinado grupo, marcando sua identidade. A memória coletiva é reconhecida no cruzamento de temas comuns – identidade – das narrativas individuais. Onde se dão os pontos de afinidades temáticas, estabelecem-se as memórias coletivas. (MEIHY, 2005, p. 64).

Incumbiu ao pesquisador levar em consideração que, ao se tratar do campo da memória, o indivíduo relembra o passado seguindo a perspectiva colocada em pauta pela proposta da pesquisa. E, neste sentido, nossa entrevista foi feita de forma livre, com poucas interrupções do entrevistador.

Outro artifício importante se deu em compreender que o sujeito é influenciado pelo tempo da narrativa, que é diverso do tempo histórico, e pelas questões sociais, emocionais e individuais que circundam o trabalho da memória, ao contribuírem nos resgates das situações do passado com a argúcia do presente. Coube-nos reorganizar a narrativa para apresentar ao leitor fluidez temporal, bem como, coesão e coerências dos fatos discorridos.

Vale ressaltar que o entrevistado pode apresentar depoimentos ucrônicos15, como medida de expor ou censurar aquilo que o personagem gostaria que fosse lembrado ou que tivesse realmente ocorrido (MONTENEGRO, 2010). Assim, é possível que se perceba em algumas situações a cultura, costumes, interesses e opiniões de determinados grupos, além de aspectos que elucidem os argumentos propostos pelo entrevistador. Pois, “[...] até mesmo erros, invenções e mentiras constituem, à sua maneira, áreas onde se encontra a verdade” (PORTELLI, 2002, p. 25).

Quando nos referimos à memória, entendemos que esta seleciona, ressignifica, apaga, reprocessa e ativa experiências do passado vivido (BERGAMASCHI, 2002). Esse processo torna possível explanar versões sobre um fato, um contexto histórico, ou sobre si mesmo. A pluralidade de experiências vivenciadas pelo sujeito possibilita uma narrativa vívida e atrelada de emoções e detalhes. Coube-nos entrelaçar com outras fontes para fins de proporcionar um conhecimento verificado, constitutivo de um ser social, uma vez que a memória é formada por relações entre o individual, o coletivo e as situações em que o sujeito está inserido (ALBERTI, 2005).

15 Ucronia, termo que significa ausência ou erro de cronologia, ou um tempo ao qual nunca se

chegou. Disponível em file:///Users/ernaniribeiro/Desktop/semestre%202020/profbio/silvio/5306- Texto%20do%20artigo-16859-1-10-20171203.pdf. Acesso em 02 de maio de 2020.

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Como referido, a memória é o ponto chave desta metodologia. É através dela que conseguimos acessar versões mais criativas e subjetivas de nosso estudo, apresentando uma riqueza de informações qualitativas. A história oral registrada de um sujeito falante de língua gestual, possibilitou ressignificar as memórias, reconstruídas do passado e aproximá-lo do presente através de experiências, afetos e acontecimentos traduzidos para o formato documental. Através da língua de sinais, tivemos acesso à memória de um sujeito surdo, bem como suas perspectivas culturais, e podemos reviver a reconstrução do passado frente ao processo de inclusão e exclusão que foi vivenciado em diferentes esferas sociais, além de poder compreender suas interpretações pessoais sobre esta temática.

Compreendemos que há todo um conjunto de atividades anteriores e posteriores à gravação da entrevista. Exigiu-se antes da pesquisa de campo um levantamento de dados e preparação de um roteiro. Posteriormente, o tratamento crítico dos dados. Esse foi feito com análises de fontes documentais e bibliográficas para superar as limitações que todas as fontes possuem e, ainda, para evidenciar as potencialidades (MEIHY, 2005).

Outro fator importante consiste em entendermos que toda a memória individual é existente em uma órbita de um coletivo de memórias, e que o sujeito põe em perspectivas os acontecimentos a partir de suas idiossincrasias e caracteriza a circunstância do evento sob o olhar de suas motivações, reflexões, sentimentos, paixões que atribuímos a nós mesmos, enquanto protagonistas do evento, que são, na verdade, registradas, na maioria das vezes, pelo coletivo (HALBWACHS, 2009).

A memória se relaciona de forma simbiótica com o sentimento de identidade. Para Pollak (2009), a identidade se apresenta a partir de uma autoimagem que construímos de nós para nós mesmos. Todavia, a identidade é correlacionada com outras identidades individuais ou coletivas. A identidade se apresenta no plano material enquanto unidade física, figuração de nossos corpos, no caso dos indivíduos, ou em um plano mais amplo, como um território, no caso dos grupos identitários. Além disso, as nossas identidades são percebidas no contínuo temporal e reverberadas em sentimentos de coerências subjetivas.

Como vimos, os dados do trabalho empírico apresentado pelas narrativas do entrevistado nos possibilitam ter uma aproximação de elementos vivenciados em contextos históricos e esferas sociais específicas. Todavia, vale ressaltar que as

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narrativas são fontes ilustrativas e como tal não são a realidade em si. São retratos de experiências existentes e vividas que modelam o sujeito a ser como ele é (ALBERTI, 2009).

3.2 PROCEDIMENTOS PARA O USO DE IMAGENS COMPLEMENTARES

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