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III. Les facteurs de stress du vin et leur impact sur les bactéries lactiques

III.3. Mécanismes de résistance aux stress

III.3.4. Synthèse des protéines de stress

[...] o clima vivido pelos participantes é de conversa, risos e expectativa também, sobre o que será servido, num entrecruzamento de discursos que têm na base de sua realização a comida, a bebida e a dança. (SILVA, 1997).

Passados os cinco anos desde que assumiu, na Irmandade, o cargo vitalício de Capitoa, D. Aracilda, conhecida como Iraci para os mais íntimos, sugeriu que retomassem a tradição de marujos e marujas ir buscar a Capitoa em sua casa, para então sair pelas ruas da cidade em cortejo (Fotografias 40 e 41). O retorno do rito fora aprovado e, dessa forma, a partir de 2009, todos os marujos e marujas do quadro, particularmente, deverão ir ao encontro da Capitoa para dar início aos rituais. A vestimenta oficial desse dia é o traje azul.

Fotografias 40 e 41 – Saída da casa da Capitoa no dia 25 de dezembro. Autora: Gisele Maria de Oliveira Carvalho

Ano da foto: 2009.

No dia 25 de dezembro, por volta das 6h00, marujas e marujos começaram a chegar para que pudessem se reunir para irem, em grupo, buscar os juízes da festividade em suas casas. Ambos, juiz e juíza, devem estar de prontidão em frente as suas casas, aguardando

as marujas e marujos buscá-los, dirigindo-se em cortejo até a Igreja de São Benedito. Feito acordo prévio, caso não estejam preparados, não cabe ao grupo aguardá-los.

Interessante registrar uma boa participação dos devotos, particularmente dos mais velhos, considerando a distância da casa da Capitoa, do centro da cidade e, o fato de que a maior parte deles não possui carros. Aos poucos foram chegando marujas e marujos, acolhidos com um café da manhã servido pela dona da casa. Ao som de músicas da Marujada de São Benedito, a casa estava em festa. Ao receber os devotos, D. Aracilda apareceu com seu andador e não conteve a emoção, logo consolada e acolhida sob aplausos pelos devotos e membros da Irmandade. Além de marcar a primeira vez que recebe os devotos em sua casa para dar início ao ritual do dia 25 de dezembro, emocionou- se por acreditar que seu pedido não havia agradado a todos, sentindo-se constrangida por morar longe do centro (Fotografia 42).

Fotografia 42 – Capitoa Aracilda

Autora: Gisele Maria de Oliveira Carvalho. Ano da foto: 2009.

Por volta das 6h40, o cortejo saiu pelas ruas de Bragança, agregando marujas, marujos e comunidade devota ao longo do caminho. Ao som dos tocadores, seguiram até a casa da Juíza da festividade de 2009 para, em seguida, receber o Juiz em procissão com destino à Igreja. Na Igreja, esmoladores os aguardam para a louvação e, em seguida, dançarem no barracão até as 12h00, momento no qual seguem descalços sob o sol do meio dia, no asfalto quente (considerando o fato de estarem de pés descalços), para o local onde será ofertado o almoço pela Juíza de 2009.

O rito do almoço, que ocorre anualmente nos dias 25 (dia de Natal = nascimento) e 26 (Dia de São Benedito) de dezembro, consiste no pagamento de uma promessa. Cabe ao juiz e juíza da festividade a oferta. É certo que no dia 26 há uma maior participação da comunidade do que no dia 25, mas em ambas a comunidade se faz presente.

Os juízes são promesseiros. Devem se inscrever e aguardar numa fila/lista para pagar a promessa. O quadro atual de promesseiros como juiz e juíza estão completos até o ano de

2020. É obedecida a ordem de solicitação registrada no livro de Registro de Juiz, que fica na administração do Museu. O critério é relacionado à condição financeira de fornecer o almoço aos marujos nos dias da festividade 25 e 26 de dezembro, mas há um revezamento, uma vez o juiz é dia 25, outro ano é a juíza, e vice-versa.

Em 2009, o local do almoço promovido pela juíza foi bem agradável, avaliando que era numa quadra poliesportiva arejada, grande, e as mesas estavam bem dispostas ao longo da quadra, além da menor quantidade de promesseiros que participaram do rito, a estimar pela participação no dia 26 (Fotografias 43 e 44). A refeição primeiramente é servida para os mais antigos, membros da Irmandade, juntamente com as autoridades. São pratos feitos, servidos com refrigerante e sobremesa ao final. Posteriormente, marujos e marujas se acomodam para então fazerem a refeição. Se observou a qualidade da refeição servida, mesmo composta por um cardápio básico, que se trate do usual arroz, feijão, carne ou peixe, farofa e salada. Segundo um informante, certa vez, toda a comida ofertada pelo juiz da festividade estragou, de acordo com o mesmo “[...] ai ele foi o juiz da festa, e eu não sei o que ele fez lá pro Santo que ele fez muita comida e a comida não prestou, apodreceu” (Informante, 2009).

Fotografias 43 e 44 – Almoço da Juíza da festividade no dia 25 de dezembro. Autora: Gisele Maria de Oliveira Carvalho

Ano da foto: 2009.

Nesse ato, os marujos são os atores principais, são os homenageados, são os donos da festa, no qual o promesseiro se coloca numa atitude de servo. Na concepção de Silva, o ritual do almoço corresponde “[...] a uma combinação de situações capazes de articular uma linguagem que se caracteriza pela ambigüidade. Ao mesmo tempo em que o ritual promove os marujos ele os nega” (SILVA, 1997, p. 228). Encerrado o almoço, ao finalizar suas refeições, marujas e marujos saem com destino ao Teatro Museu da Marujada, para aguardarem a saída, em ônibus disponibilizado pela Irmandade, para levá-los até o local onde acontece a disputa.

Na tarde do dia 25 de dezembro acontece o rito da Cavalhada, em área próxima ao aeroporto municipal. Trata-se de um ritual que relembra a guerra religiosa disputada entre cristãos e mouros por territórios sagrados, revelada na atualidade, através de uma competição entre duas equipes de montaria, a Vermelho e a Azul, numa partida na qual ganha quem, ao final, obtiver o maior número de argolas (Fotografias 45, 46 e 47). Promovida pela Irmandade responsável por angariar patrocínios e prêmios, o rito da Cavalhada tem registrado um aumento significativo no número de participantes a cada ano.

Fotografias 45, 46 e 47 – Cavalhada. Autora: Gisele Maria de Oliveira Carvalho Ano da foto: 2009

A dinâmica da disputa acontece quando os cavaleiros partem em velozes arrancadas, levando na mão direita uma pequena lança de madeira, disputando seguidamente uns pelos outros. Quem consegue enfiar na lança o maior número de argolas vence a competição. A cada ano, cresce a participação e interesse da comunidade por esse ritual.

O local onde foi realizada a disputa de 2009 parecia não ser o mais adequado, considerando a forte nuvem de poeira que se formava a cada cavalgada dos cavaleiros, além da grande quantidade de mato e galhos secos espalhados por todo o espaço, ferindo, inclusive, marujas e marujos que estavam descalços. Sob responsabilidade da Prefeitura Municipal, o local deveria ter sido limpo e capinado. O que denota uma falha no diálogo entre poder público e diretoria da festividade. Além do calor excessivo, pois ainda eram 16h30, não havia local adequado para a comunidade participar como observadora ou torcedora dos cavaleiros. Fato constatado pelo número de pessoas que permaneceram no local.