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Une synthèse des modèles explicatifs du feedback dans la pratique ROM Des dimensions communes se dégagent donc de ces différentes modélisations des effets

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 82-86)

1. PARTIE THEORIQUE

1.3.2. Comment intégrer ces données et développer un modèle rendant compte de l’effet du feedback dans la ROM et dans la psychothérapie en général ?

1.3.2.3. Une synthèse des modèles explicatifs du feedback dans la pratique ROM Des dimensions communes se dégagent donc de ces différentes modélisations des effets

Eu estou aqui contando as minhas proezas, de quando eu era menina, que eu pintava na casa de meu avô e casa de minha tia! Dionéia Lima

Imagine que você está diante do mais profundo conhecedor de histórias e que através de suas contações é possível embarcar em viagens espetaculares que te levam a mundos desconhecidos e surpreendentes...

Continue a imaginar...

Há uma teatralidade nesta contação: as mãos gesticulam como que estivessem fazendo mágica, há vida nestes movimentos. Seu corpo emana uma voz que invade todo o espaço em que se encontra. Percebeu que imagens “saltam dos seus olhos”? Isto faz parte do poder deste contador...

Chegará o momento em que você estará em um outro local: um mundo desconhecido apresentado pelo contador. E no final desta viagem, talvez você se pergunte: de onde vem esse poder? Como ele consegue fazer isso?

Entre as muitas respostas optei por aquela que considero a mais agregadora, aquela que inclui todas as outras e que resume o poder do contador – se isso for possível – numa única força: a palavra.

A palavra com o seu poder de evocar imagens, vai instaurando uma ordem mágico-poética, que resulta do gesto sonoro e do gesto corporal, embalados pela emissão emocional, capaz de levar o ouvinte a uma suspensão atemporal. Não é mais o tempo cronológico que interessa e sim, o tempo afetivo (SISTO, 2012, p.32).

A importância de abordar este tema, sem a pretensão e profundidade de um antropólogo, de um etnólogo ou de um historiador, está na possibilidade de compreender os meus velhos contadores a partir da escolha da sua palavra, aquela que “testemunha quem ele é” (MATOS, 2014, p.9).

Deixando claro que o entendimento desta palavra, possuidor de um tesouro de significações, parte exclusivamente do meu universo de compreensão. A recepção do ouvinte sobre o que é dito difere de indivíduo para indivíduo.

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Pela tradição oral, os indivíduos consideravam a palavra como algo mítico, revelada e sagrada; foi o primeiro recurso disponível para o contador de histórias, portanto, é em sua essência onde ele busca fundamento.

Em sendo a matéria prima para a sua elaboração criativa, o contador escolhe e mistura as formas, as cores e os sabores que darão o tom das histórias que anseia contar e segue sendo explorada em todas as suas possibilidades e subjetividades até que o outro se sinta tocado por aquilo que ouve. Pela palavra, o contador descortina traços culturais presentes nas histórias, auxilia na aproximação dos seus ouvintes com situações que se assemelham àquelas contadas, gerando, naquele que ouve, imagens a partir das suas próprias experiências.

Tomando por base a tradição oral, cada circunstância da vida, em que passam os indivíduos, se torna um ato de ensinamento e de intensa oralidade, uma vez que eles tiram dessas ocasiões lições que podem marcar profundamente a vida e a mente dos outros. Daí a necessidade do contador de sempre buscar a fonte de alimento dessa tradição: “Certa feita, minha avó me contou que... ”.

O contador de histórias sabe bem que a palavra tem o poder de acessar as emoções, as suas e as dos outros. Ele entende que, assim como é possível escolher as palavras certas para motivar, encantar e enaltecer, é também, possível desmotivar, exortar e desmerecer, dependendo muito da contação que se pretende realizar.

As memórias reveladas pela dona Dioneia e pelo seu Rosalino, moradores do Abrigo Dom Pedro II, apresentam esta característica, evidenciando-a quando contam sobre a presença de cada um naquele local. Enquanto que ela foi deixada lá por familiares, ele se mudou para o abrigo por vontade própria, escolheu estar ali. Das palavras usadas por dona Dioneia as que me marcaram foram: tristeza, saudade, saúde e morte; o que podem revelar sobre sua jornada até aquele dia. Elas sintetizam uma história de perdas, de um sofrimento que lhe tirou o ânimo e a esperança, deixando-a com apenas um sonho: “minha esperança está no fim (...) eu tô esperando é Jeová me chamar, mas Ele não quer!”

Enquanto escutava todas aquelas memórias, através de palavras tão reveladoras, fui tomado por uma sensação de impotência, de uma tristeza atroz que me bloqueou em colocar-me no lugar daquela velha senhora. Toda aquela situação de doença e solidão fizeram-me temer vivenciar tudo aquilo na pele.

E por conta disso foi desafiador, enquanto ator/pesquisador, encarar todos esses sentimentos tão distantes de mim trazidos através das lembranças de dona Dioneia.

66 Apesar do pouco contato que tive, apenas um encontro de 1h30min, percebi que estava diante de uma história permeada de traumas e que por isso mesmo seria importante investir mais tempo no exercício de recontá-las, porém, talvez pelo temor de vivenciá- las através da contação, acabei me afastando dessas histórias durante os exercícios em

meu quarto para a criação da célula do experimento cênico.

O outro morador do abrigo, seu Rosalino, dono de uma memória prodigiosa e de uma história de vida recheada de conflitos familiares, demonstra tentar reverter as piores situações fazendo uso do bom humor. Indivíduo falante, sua contação se destaca por extrair o lado bom dos percalços que passou... o abandono da mãe, perseguições no trabalho, o filho envolvido com drogas. Tudo isso contado de uma maneira “leve”, sem “peso” nas palavras, sem autocomiseração. Destaque para as palavras: família,

sofrimento, filhos e esperança.

Lembro que a intenção aqui não é a de mensurar quem melhor soube reverter os percalços da vida, mas sim de tentar compreender o modo como cada indivíduo se coloca diante de si mesmo através das palavras.

Sobre esta questão Jorge Larrosa em Notas Sobre a Experiência e o Saber da

Experiência10, afirma que

(...) as palavras produzem sentido, criam realidades e, às vezes, funcionam como potentes mecanismos de subjetivação. Eu creio no poder das palavras, na força das palavras, creio que fazemos coisas com as palavras e, também, que as palavras fazem coisas conosco. As palavras determinam nosso pensamento porque não pensamos com pensamentos, mas com palavras, não pensamos a partir de uma suposta genialidade ou inteligência, mas a partir de nossas palavras. E pensar não é somente “raciocinar” ou “calcular” ou “argumentar”, como nos tem sido ensinado algumas vezes, mas é sobretudo dar sentido ao que somos e ao que nos acontece. E isto, o sentido ou o sem-sentido, é algo que tem a ver com as palavras. E, portanto, também tem a ver com as palavras o modo como nos colocamos diante de nós mesmos, diante dos outros e diante do mundo em que vivemos. E o modo como agimos em relação a tudo isso. (...). As palavras com que nomeamos o que somos, o que fazemos, o que pensamos, o que percebemos ou o que sentimos são mais do que simplesmente palavras. E, por isso, as lutas pelas palavras, pelo significado e pelo controle das palavras, pela imposição de certas palavras e pelo silenciamento ou desativação de outras palavras são lutas em que se joga algo mais do que simplesmente palavras, algo mais que somente palavras (LARROSA, 2002, p. 21).

10Conferência proferida no I Seminário Internacional de Educação de Campinas, traduzida e publicada,

em julho de 2001, por Leituras SME; Textos-subsídios ao trabalho pedagógico das unidades da Rede Municipal de Educação de Campinas/FUMEC. Publicado na Revista Brasileira de Educação autorizado por Corinta Grisolia Geraldi, responsável por Leituras SME.

67 A palavra pode assumir formas variadas, cujo valor é uma atribuição do grupo que a desenvolve. Assim, o leque de manifestações de linguagem é o mais variado possível, abrangendo desde a fala oral, gestual, corporal, a escrita e outros sinais sensoriais perceptíveis, do mesmo modo são variáveis as atribuições de valor de cada uma.

Portanto, explicar a palavra de um indivíduo, de uma sociedade ou de um grupo social implica, antes de qualquer coisa, investigar a produção de suas variadas formas em cada contexto sociocultural. Desse modo, é possível compreender a particularidade de cada indivíduo a partir das suas histórias e ações reveladas.

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