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Synthèse du catalyseur : l'hydrogénocarbonate de diisobutylimidazolium

Chapitre I : Synthèse éco-innovante d'oxazolidinones catalysée par des

5) Synthèse du catalyseur : l'hydrogénocarbonate de diisobutylimidazolium

Integrante do GIELLus – Grupo Interdisciplinar de Estudos Literários Lusófonos (UEPB/CNPq)1

O romancista fica aqui retratado no seu papel de cronista que não devemos confundir com o do biógrafo. Ao cronista cabem o reflexo do imaginário social e a tarefa consequente da sua transição ou interpretação, e não ater-se a dados factuais.

(Catherine Dumas, 2002, p. 111)

No entanto, advirto que sou curiosa; portanto, se a curiosidade é a mão direita da dúvida, a esquerda é o prazer da discrepân- cia. Quem não contradiz não conhece os atalhos que levem à verdade, mais depressa, ainda que com mais perigos, do que os lisos caminhos principais. Noutros momentos serei tão cingida ao facto histórico, com unha e carne. Porque sem provas não há disciplina e perde-se a liberdade pública.

(Agustina Bessa-Luís, 1985, p. 9-10)

Agustina Bessa-Luís não é, como bem se sabe, uma escritora femi- nista. Todavia, não passa despercebido ao nosso olhar o fato de que entre algumas das biografias ficcionadas que escreveu estejam mulheres. E mulheres com uma vida singular: Florbela Espanca, Marta Teles, Maria da Visitação. Neste ensaio, interessa-nos observar duas figuras femininas trazidas como protagonistas2 para o romance por esta notável escritora de Vila Meã: Inês de Castro e a Monja de Lisboa. Adotamos por opção teórico-metodológica, como romance histórico contemporâneo. Esta esco- lha, de situarmos o que alguns críticos chamam de biografia ficcionada no subgênero literário romance histórico, está vinculada à nossa ótica de que este é, na contemporaneidade, uma releitura crítica da História, a escavar, quase sempre, numa constante arqueologia em busca de outros vieses, as fendas que os textos historiográficos deixaram. Nesse caso específico, não se trata de buscar apenas as fendas da historiografia, mas também as da biografia.

Para ajustarmos melhor o objeto de estudo ao aporte teórico-metodo- lógico, lembremo-nos que o conceito de "contemporâneo", para o romance histórico, associa-se também ao de metaficção historiográfica pós-moder- na – definição amplamente divulgada por Linda Hutcheon3–, o que nos leva a esclarecer o conceito do termo pós-moderno, vocábulo este de modo nenhum consensual, visto se encontrar desde cedo espartilhado entre a ideia de uma total ruptura com sistemas totalizantes e, por conseguinte, um fim das também totalizantes "grandes narrativas". vertente encabeçada por Jean-Francois Lyotard. Esse teórico é citado por Ana Paula Arnaut4., e a ideia de Pós-moderno é entendida apenas como uma continuidade da Modernidad; conceito esse norteado pelos postulados de Walter Benja- min, sobretudo o que este teórico afirma no texto A obra de arte na era da

2

Escusamo-nos de tratar da definição teórica sobre protagonista, visto que diversos estudos no campo da narratologia já o fazem. Cf. Cristina da Costa Vieira, A construção

da personagem romanesca, Lisboa, Colibri, 2008. Cf. também Philippe Hamon, Para

um estatuto semiológico da personagem. in Maria Alzira Seixo (Org.), Categorias da

narrativa, Lisboa, Arcádia, 1976. pp. 77 – 102. E cf. Carlos Reis e Ana Cristina M Lopes. Dicionário de narratologia. 7. ed. Coimbra, Almedina, 2007.

3

Cf. Linda Hutcheon, Poética do Pós-Modernismo: história, teoria e ficção, Rio de Janeiro, Imago, 1991.

4Ana Paula Arnault, Post-modernismo no romance português contemporâneo: Fios de

reprodutibilidade técnica5

. Afigura-se-nos, pelos estudos de Ana Paula Arnaut, que a linha orientada por Lyotard6 parece ser a mais aceite nos estudos críticos de literatura portuguesa. Consideramos, portanto, para este estudo Adivinhas de Pedro e Inê7 e A Monja de Lisboa8 como ro- mance histórico contemporâneo, o que não significa um "engessamento"dos dois romances nessa nomenclatura de modo irrevogável, mas apenas uma escolha por critérios que as duas obras atendem para este ensaio.

No tocante à Inês de Castro, que já no título do romance é protago- nista, juntamente com Pedro, trata-se não apenas de uma retomada ao casal, mito português do amor que vai além da morte, mas de, também, tecer comentários sobre este amor e desmitificar de Inês a aura de vítima, a figuração que esta vai adquirindo na literatura após os versos de Ca- mões e de Antônio Ferreira. Processo semelhante o de não vitimizar a protagonista, ocorre com a elaboração de Maria da Visitação, de Agustina. Portanto, esse ensaio discorre sobre A monja de Lisboa9, Maria da Visitação, e sobre Inês como protagonistas de romances históricos contem- porâneos, na senda de alguns estudos que já publicamos sobre o tema10. São duas mulheres com história de vida totalmente diferentes. Inês em sua história de amor com o infante – e depois rei – D. Pedro, morta a mando do sogro, D. Afonso IV, tornada mito no imaginário de Portugal, nada tem de semelhante à Maria da Visitação, a mística que acabou per- seguida pela Inquisição. O que ambas poderiam ter em comum seria a paixão: a primeira teria a paixão do amor levado às últimas consequên- cias, e uma certa ambição; a segunda tem a paixão dada pela mística,

5

Walter Benjamin, A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, in Ma- gia e Técnica: ensaios sobre literatura e história da cultura (Tradução de Sergio Paulo Rouanet), São Paulo, Brasiliense, 1994. pp. 165 196.

6

Jean-François Lyotard citado por Ana Paula Arnault, op. cit.

7

Agustina Bessa-Luís, Adivinhas de Pedro e Inês, Lisboa, Guimarães, 1983.

8Agustina Bessa-Luís, A Monja de Lisboa, Lisboa, Arcádia, 1985 9Agustina Bessa-Luís, A Monja de Lisboa, Lisboa, Arcádia, 1985.

10 Cf. Aldinida Medeiros, Leonor Teles: da História para o romance. Revista

Graphos, João Pessoa, 2015 (versão eletrônica, consultada a 08 de Janeiro de 2016 em http://periodicos.ufpb.br/index.php/graphos/article/viewFile/27286/14640); e Aldinida Medeiros, Memórias de Branca Dias: um discurso necessário à memória dos judeus per-

seguidos. Revista Historiae, Rio Grande, 2015 (versão eletrônica consultada a 20 de

pelo amor ao divino. Seria o caso, tomando de empréstimo a linguagem religiosa e a nomenclatura relativa ao terço, para utilizá-la em trocadilho, de dizer que Inês tem a paixão dos mistérios gozosos e Maria da Visitação a dos mistérios dolorosos. Inês teve o gozo do homem amado, Maria teve a dor de conhecer a maldade humana em uma de suas feições mais férrea e ferina, a Inquisição. De qualquer modo, mulheres subjugadas pela mão patriarcal e judaico-cristã das respectivas sociedades em que viveram.

Portanto, se não interessou a Agustina Bessa-Luís escrever sobre es- tas figuras buscando suporte no feminismo, interessou-a fazê-lo através de uma escrita do feminino, como afirma Catherine Dumas.11 Então os dois romances, mais que falar sobre estas mulheres, cumprem também o papel de rever figuras históricas, nas palavras da própria Agustina Bessa- Luís, seria uma forma de não deixar a verdade sob a mão férrea dos textos historiográficos:

A Histoìria eì uma ficc?aÞo controlada. A verdade eì coisa muito diferente e jaz encoberta debaixo dos veìus da razaÞo praìtica e da feìrrea maÞo da anguìstia humana. Investigar a Histoìria ou os ceìus obscuros naÞo se compadece com susceptibilidades. Que temos noìs a perder?12

No tocante à questão da documentação, da pesquisa sobre o fato histórico e sobre a transformação deste em ficção, consideramos os dois romances semelhantes. Para (re)elaborar estas duas figuras femininas, o processo de escrita, como sempre vigoroso e nada fácil de classificar, de Agustina, culmina em romances em que o hibridismo é uma das marcas registradas. Não se trata apenas do híbrido entre ficção e História, mas do hibridismo que dilui os gênero romance e ensaio, pois Agustina quando “ficciona”13ensaia e quando ensaia ficciona, o que resulta em obras cujos

11

“Será possível definir uma fronteira entre biografia e romance, entre história e ficção tal como Agustina Bessa-Luís os pratica? Apesar de certos esclarecimentos que julgou oportunos, bem parece que a romancista-biógrafa queira manter a ambiguidade. Com efeito, biografias anunciadas como tal, ela não tem mais que quatro: Santo António, Florbela Espanca, Sebastião José (o Marquês de Pombal), Longos Dias Têm Cem Anos (Vieira da Silva).” Catherine Dumas, Estética e personagens nos romances de Agustina

Bessa-Luís, Porto, Campo das Letras, 202. p. 110.

12

Agustina Bessa-Luís, Adivinhas de Pedro e Inês, Lisboa: Guimarães, 1983, p. 207.

enredos nada apresentam de linear. Isto nos remete às considerações de Teresa Rita Lopes: “A arte de Agustina busca a fundura da raiz, mas também o desgarrar da asa”14. Por isso, ao denominarmos seu processo de escrita de vigoroso, é nas próprias palavras da autora que nos embasamos:

[. . . ] tenho um processo de criac?aÞo que considero desonesto. Es- crevo rapidamente. NaÞo faço resumos, quase naÞo tiro nada, a naÞo ser durante as provas em que pode haver uma ligeira emenda. Mas de modo geral, escrevo rapidamente e com um texto muito per- feito, digamos assim. Escrevo sempre a qualquer hora [. . . ]15.

Mas não se pode tomar esta assertiva do “desonesto” ipsis litteris – como, aliás, em relação a várias outras afirmações da escritora não se pode – pois sua definição de desonesto seria a escrita instantânea, no sentido de que não faz vários esboços do texto.

Observando este processo de escrita, embora notemos que os dois romances históricos aqui escolhidos estão fundamentados em pesquisas, como ela conta não apenas no início do romance A Monja de Lisboa, mas também em Florbela Espanca, ao explicar a pesquisa documental feita para a biografia de Florbela, ressaltamos que ela não se detém aos limites impostos ao texto pela linha delimitadora do que encontra nos registros histórico. E tal aspecto é corrente quando se trata de sua forma de escrever romance histórico.

Ao observar o processo de escrita agustiniano sobre o romance A

Monja de Lisboa, Aparecida de Fátima Bueno explica:

[. . . ] o que num primeiro momento é dito com convicção, logo de- pois é atenuado através de suposição. O que contribui para uma complexidade da leitura, pois, de fato, é muito difícil ao leitor dis- cernir quando a autora se apoia em documentos históricos ou na sua imaginação nas conjecturas que tece sobre os fatos.16

14

Teresa Rita Lopes, Prefácio, in Catherine Dumas, Estética e personagens nos ro-

mances de Agustina Bessa-Luís, Porto, Campo das Letras, 202, p. 13.

15 Agustina Bessa-Luís in Aniello Angelo Avella (Org.), Um concerto em tom de con-

versa: Agustina Bessa- Luiìs e Manoel de Oliveira, Belo Horizonte, UFMG, 2007, p.

69.

16

Aparecida de Fátima Bueno, Florbela Espanca e Maria de Meneses, duas mulheres

Ainda que esta seja uma questão importante, não é o cerne da dis- cussão, visto que para nós nada há de problemático se os dois romances em estudo têm mais de imaginação e menos de História ou vice-versa, pois o que buscamos, ao contemplarmos estas duas obras como romance histórico contemporâneo, não é saber até onde vai a veracidade histórica. Tanto faz a escritora utilizar-se pouco ou muito desta veracidade, ao fim e ao cabo, a maneira comoo que Agustina soma ensaio e ficção torna difícil saber qual os tons e as matizes que ela realmente usa para a mulher como protagonista, no sentido de que não se tem um perfil realmente definido nem de Inês nem de Maria da Visitação. Assim, pensamos que seu manejo hábil da instância narradora seria o de não entregar, logo a partida, ao leitor, uma imagem definida de suas protagonistas:

Daí a interveniência constante da narradora, na forma narrativa, configurar um aspecto que a autora utiliza para dar a sua tese o aspecto de verdade. Por isso mesmo, eì que as Adivinhas, cuja tese a ser provada pela narradora eì a bigamia de Pedro, se constitui um texto de liberdade sobre o tema, de revisaÞo da histoìria sem comprovaì-la, deixando ao sabor do narrataìrio a tarefa de desven- dar ou naÞo o que ali se lhe sugere.17

Confirma o trecho acima a assertiva de Aparecida de Fátima Bueno: “Quanto à Monja, o problema todo está centrado na existência ou não das chagas, que ora Agustina crê terem existido, ora levanta a possiblidade de embuste.”18 É justamente o que encontramos no romance Adivinhas de

Pedro e Inês, em que a tese da bigamia assume um tom ensaístico, mas

a composição da personagem, no âmbito do ficcional, oscila para duas definições: foi vítima da política por amor a D. Pedro, ou foi a ambição pelo trono, através do amor ao infante que que a levou à morte? Vejamos em excertos o que afirmamos:

de Janeiro de 2016 em <http://periodicos.ufpb.br/index.php/graphos/article/viewFile/2728 6/14640>), pp. 45-56.

17

Aldinida Medeiros, Nem musa nem medusa: poder e ação na escrita em li-

berdade de Agustina Bessa-Luís, Anais do V Seminário Internacional Mulher e

Literatura (versão eletrônica consultada a 15 de Janeiro de 2016, disponível em http://www.telunb.com.br/mulhereliteratura/anais/wp-content/uploads/2012/01/aldinida_ medeiros.pdf), s/p.

Ao chamarem Ine?s ‘colo de garc?a’, naÞo se sabe se isso foi apenas galanteio ou se tinha tambeìm o sentido injurioso introduzido na liìngua francesa em 1175. A garc?a eì a uìnica ave que acasala fora do tempo da procriac?aÞo; daiì o seu nome ser aplicado aÌ prostituta.19

Como se vê, levanta-se a hipótese, sob uma provável indiferença da voz narrativa, de Inês situa-se no campo semântico das barregãs, das mulheres que usavam o status de concubina para ascenderem ao trono ou estar em posição privilegiada nas Corte de qualquer rei, mas, em outras passagens atenua tais aspectos. No capítulo intitulado “Ninho de Garças”, fala da criação das mulheres, especifica os moldes como Inês fora criada, o que a torna personalidade resultante desse mundo de jogos políticos. No percurso criado para a tese da bigamia, Inês teria se apaixonado por Pedro ainda menina, pois o teria conhecido muito jovem, antes do infante conhecer a futura esposa, Constança Manuel. É essa faceta do sutil que tentamos apreender no discurso da voz narrativa:

Assim viu Ine s o infante, algum dia, quando ela tinha quinze anos e ele idade aproximada. Encontrou-a depois muitas vezes, sentada ao lado de sua prima, Teresa Albuquerque, a bordar paramentos; uma outra dama, que conhecia a corte de França, canta chansons de toile; pesa um teìdio, entre domeìstico e galante nessas horas de visitas [. . . ].”20

Por vezes, há elementos para interpretarmos que esta voz narrativa vai assumir o discurso puro da acusação, ou o tom de que Inês sabia todo o tempo agia por interesse mais que por amor. Estas modulações voltam-se, em um discurso semelhante a hipótese – ou não – da inocência de Maria da Visitação: “De tudo o que se colige ressalta a natureza de sor Maria, a evolução de uma psicose narcísica para uma adaptação à realidade que se fez despertar qualidades raras de inteligência, atenção e sabedoria quanto à normas morais e estéticas.”21 Se neste excerto atribui estas características, de inteligência e sabedoria, mais adiante desfaz ou, pelo

19

Agustina Bessa-Luís, Adivinhas de Pedro e Inês, op, cit. p. 60.

20

Agustina Bessa-Luís, id., p. 57.

21

menos, torna confusa esta imagem para falar desta protagonista como “[. . . ] uma mulher débil, muitas vezes sucumbida pela doença com repugnâncias alimentares que traduzem seu estado neurótico.”22 Tais modulações, no discurso narrativo, leva-nos a compreender este jogo composicional das protagonistas como um processo no qual a forma de elabora vai seguindo um jogo de sedução.

Somemos nosso ponto de vista às palavras de Maria de Fátima Ma- rinho:

A intromissão consciente da narradora na diegese vai ao ponto de entrar em diálogo com personagens do passado (D. Branca, primeira mulher de D. Pedro e por ele repudiada; o monge branco que teria assistido aos últimos momentos do rei; o Dr. João das Regras), a fim de conseguir justificar teorias que quase considera como certezas. [. . . ] Por estes exemplos vemos a facilidade com que a narradora transforma em certeza certas hipóteses, levando o leitor incauto (e não só) a acreditar piamente nesta nova versão da História consa- grada. 23

Sabendo da postura de Agustina em não adotar qualquer tipo de panfletarismo em suas obras, reivindicamos para ela uma olhar oblíquo e dissimulado em relação à sua forma de o leitor, lembrando aqui as inúme- ras seduzir possibilidades que nos apontam os estudos de Hans Robert Jauss24, embora não estejamos a enveredar para uma leitura dos romances pela Estética da Recepção. Ao falarmos em olhar oblíquo e dissimulado remetemo-nos mesmo à definição que Machado de Assis atribui à per- sonagem Capitu. Isto significa dizer que em nossa perspectiva a nossa autora, enquanto criadora de protagonistas com perfis complexos, que se apresentam em modulações, teria a caracterização dada à protagonista Machadiana, com a ressalva que o oblíquo e dissimulado está no plano composicional da narrativa para não se ter uma exata definição das prota- gonistas que cria. Contudo, encontramos no ensaio de Catherine Dumas uma explicação voltada para o hibridismo dos gêneros romance e biografia

22

Id., ib., p. 174.

23

Maria de Fátima Marinho, O romance Histórico em Portugal, Porto, Campo das Letras, 1999, p. 178.

24

Hans Robert Jauss, A história da literatura como provocação aí teoria literária, Tradução de Sérgio Tellaroli. São Paulo, Ática, 1994.

que, semelhante em reflexão adotada por Aparecida de Fátima Bueno, nos leva a crer numa explicação, através dos gêneros literários - o tal processo exterior composicional ao qual nos referimos –, a uma imagem difusa da protagonista com um possível intuito de não torná-la nem tão real, como lhe ditaria a documentação histórica consultada, nem tão ficcional, como lhe permite o universo romanesco.

Todo este exposto, até então, fica como o ponto inicial para desenvol- vimento a porteriori, visto que estamos no mais alvor da nossa aurora de leituras sobre protagonistas femininas no romance histórico de Agustina Bessa-Luís.

Por ora convém apenas concluirmos que, se nenhum dos dois romance se constitui um texto em que as questões de gênero – o lugar do feminino em uma sociedade patriarcal, machista e opressora – percorre qualquer trilha pelos estudos de gênero, não pode passar despercebida a importân- cia que fica para a História da Literatura o registro de figuras históricas como Inês de Castro, Maria da Visitação. Não se pode ignorar que ambas as obras, Adivinhas de Pedro e Inês e A Monja de Lisboa, permitem-nos conhecer muito da história de vida destas protagonistas e que isto já é, de algum modo, resgatá-las na História, ainda que por meio da ficção.

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