d’intelligibilité de la parole dans les domaines de l’acoustique et des
1.5 Synthèse et discussion
O ensino na área da Saúde, de modo geral, forma profissionais que comumente assumem cargos de gestão nos serviços assistenciais e / ou de ensino. Não raro é possível contemplar médicos, odontólogos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e fonoaudiólogos, por exemplo, ocupando cargos administrativos. Nessa macroárea profissional há proprietários de clínicas, consultórios e de serviços de assistência hospitalar. É comum também ver enfermeiros assumindo funções administrativas na direção de unidades de Enfermagem nos mais diversos âmbitos da Saúde (não apenas assistenciais, mas também educacionais, de consultoria e de auditoria em Saúde).
Sendo assim, tais profissionais necessitam estar preparados para as possibilidades de enfrentamento de cargos com desempenho de funções administrativas. Ademais disso, cada classe profissional em Saúde agrega aos conhecimentos administrativos o seu know how técnico − que um administrador sem formação em Saúde possivelmente não tem −, possibilitando que muitas decisões importantes para a saúde da população sejam tomadas de forma devida. Assim, estudar formação profissional de Enfermagem na área de Administração é contribuir, ainda que indiretamente, para os rumos da saúde de populações atendidas por serviços geridos por enfermeiros.
Em se tratando de Enfermagem, o Quadro 2 mostra a necessidade iminente de análise curricular, visando a promoção dos ajustes da teoria à prática, isto é, das disciplinas vivenciadas durante a formação acadêmica aos cenários e possibilidades de atuação profissionais. Nessa perspectiva e segundo Henriques (2005), é possível perceber movimentos na direção da criação de novos modelos de ensino em Saúde, objetivando suplantar estruturas de ensino obsoletas, que não mais se adequem às necessidades mercadológicas das diversas classes profissionais envolvidas.
Na área de Enfermagem, é clara a divisão entre ensino e serviço. Evidência disso são os esforços do Ministério da Saúde para integrar formandos das Instituições de Ensino Superior (IES’s) aos diversos setores do Sistema Único de Saúde (SUS) – (CECCIN, 2003). O mesmo não ocorre entre as IES’s e os serviços de saúde locorregionais, entre os quais o fechamento de parcerias tem ocorrido com dificuldades. Tal situação é ambígua ao considerar que o profissional é formado para o mercado de trabalho, e esse requer profissionais experientes, contudo muitas organizações de saúde não aceitam participar do processo de treinamento e de educação dos futuros profissionais (PERES, 2006).
Considerando a formação profissional e as demandas de mercado no âmbito gerencial, tem-se a desafiadora tarefa de estabelecer competências para o ofício gerencial do enfermeiro. Estudos sobre essa temática têm revelado a necessidade de discussão, visando responder as demandas gerenciais que existem na prática (CUNHA; NETO, 2006). Moraes (2003) menciona que o termo competência não é novo, e que tem sido entendido como o conjunto de esforços olvidados para obtenção dos ajustes no processo formativo com relação às demandas do mercado de trabalho.
O mundo vem passando por diversas transformações nos contextos social, cultural, econômico e político. No setor saúde, percebe-se uma série de deficiências, cujas causas são
diversas. Por essa razão, comumente a área de Saúde tem sido objeto de muitas pesquisas (BUENO; BERNARDES, 2010).
Essas deficiências clamam por mudanças na formação profissional e nos modos de atuação dos profissionais de Saúde. Porém, entende-se que tais transformações devem ocorrer em todas as profissões daquela área, evitando com isso a segregação a partir da perspectiva isolada de cada ocupação nesse contexto (HENRIQUES, 2005).
No caso da Enfermagem, a profissão tem sido marcada por mudanças significativas no que tange à multiplicidade de atuações e de alocações disponíveis para os profissionais. Não apenas se multiplicam os campos de atuação para a Enfermagem, mas também têm sido requeridas dos enfermeiros competências de Gestão. Conforme expôs o Quadro 1 apresentado anteriormente, são demandadas do enfermeiro atribuições expressamente gerenciais.
E apesar de o enfermeiro usufruir (conforme mostrou o Quadro 2 acima) carga horária insuficiente de disciplinas teóricas que abordem assuntos relacionados à gestão, esses enfermeiros parecem conseguir desempenhar funções administrativas. Resta-nos saber que mecanismos de superação esses profissionais têm utilizado para superar as dificuldades que se lhes apresentam no exercício profissional.
Portanto, este trabalho vem também alertar docentes universitários, instituições de ensino superior e os órgãos reguladores da educação superior no Brasil, para a importância da formação administrativa do enfermeiro, destacando nessa formação, as áreas que têm sido relegadas a segundo plano ou que não têm recebido a devida atenção frente às reais necessidades de atuação gerencial vivenciadas pelo enfermeiro em sua prática gerencial.
Dessa forma, o presente estudo contribui para uma possível reestruturação curricular nas disciplinas da área de Administração em Enfermagem, na medida em que aborda as dificuldades sentidas pelo enfermeiro no desempenho de funções gerenciais, e essas podem advir de deficiências na formação profissional durante a Graduação.
A partir de levantamento na literatura científica, os estudos foram agrupados a partir do objeto: análise e proposição curricular do ensino de Administração em Enfermagem (FRANCISCO; CASTILHO, 2006; SANNA, 2007; PERES; CIAMPONE, 2006; CIAMPONE; KURCGANT, 2004; VALE; GUEDES, 2004); análise de modelos de gestão (SPAGNOL; FERRAZ, 2002); análise da produção de conhecimento ou da história sobre gerenciamento em enfermagem ou sobre ensino de administração em enfermagem
(KURCGANT; CIAMPONE, 2005; FORMIGA; GERMANO, 2005; SANNA, 2003); descrição de percepção de profissionais da Enfermagem sobre aspectos administrativos (SPAGNOL; FERRAZ, 2002); elenco de tendências e perspectivas de Administração em Enfermagem ou do ensino de Administração em Enfermagem, com repercussão sobre a produção de conhecimento nessa área (SPAGNOL; FERRAZ, 2002; GAIDZINSKI; LEITE; TAKAHASHI, 1998; KURCGANT; CIAMPONE, 2005) e relatos de experiência e de percepções de graduandos e/ou de docentes sobre o ensino de Administração em Enfermagem (CIAMPONE; LEITE; GAIDZINSKI, 1996; GRECO, 2004; MEIRA; KURCGANT, 2009; GAIDZINSKI; LEITE; TAKAHASHI, 1998).
Portanto, na literatura científica não houve – nos levantamentos feitos pela autora – estudo que fosse impulsionado por uma pergunta de pesquisa como aquela a que este estudo lança-se a responder, o que colabora com a compreensão da relevância deste aos campos acadêmicos e profissionais de Administração e de Enfermagem.
2 Referencial Teórico
Nesta seção serão abordados os estudos que proporcionaram o embasamento teórico deste estudo.