4.3 Synthèse sonore
4.3.4 Synthèse de l’antara Ayarachi
6.1 - I
NTRODUÇÃOTendo por base a homogeneidade nutricional, os glúcidos podem simplificadamente ser agrupados em estruturais e não estruturais. No sistema
analítico das soluções detergentes (ROBERTSON e VAN SOEST, 1981), os
hidratos de carbono estruturais estão associados à fracção do detergente neutro (NDF) que consiste em celulose, hemicelulose e lenhina. Neste sistema, a fracção solúvel em detergente inclui amido, açúcares, pectinas, galactanas, frutanas e outros glúcidos. Tendo em conta o impacte que a produção do ácido
láctico tem no rúmen, VAN SOEST et al. (1991) subdividem esta última fracção
em glúcidos cuja degradação promove (amido e açúcares) e não promove (pectinas, galactanas, ß-glucanas) a produção de ácido láctico pela flora ruminal.
As pectinas são um grupo complexo de polissacarídeos heterogéneos,
coloidais, muito ramificados e hidratados, onde a unidade de ácido
(COULTATE, 1996; COLL et al., 1992; THEANDER et al.,1989).As pectinas têm a
particularidade de fixar catiões (Ca++), apresentando consideráveis
propriedades de gelificação (JARRIGE et al, 1995), o que poderá dificultar a sua
quantificação nos alimentos. VAN SOEST et al. (1991) propõem um método
eficaz para a determinação da concentração de ácido galacturónico. Segundo TANIGUCHI et al. (1999) e BEM-GHEDALIA et al. (1989) a degradação ruminal das
pectinas é muito elevada.
A polpa de citrinos e a polpa de beterraba são dois sub-produtos que contêm apreciável quantidade de pectinas. Constituem a principal fonte de hidratos de carbono e representam, na polpa de beterraba, cerca de 20% do
total da energia bruta (CHAMBERLAIN e WILKINSON, 1996).
A polpa de citrinos é proveniente da produção de laranja, limão, lima e toranja e apresenta teores de gordura e proteína que aumentam com o conteúdo da polpa em semente. Valores de gordura total superiores a 2,2%
indicam que a polpa tem grande quantidade de sementes (CHAMBERLAIN e
WILKINSON, 1996).
Na formulação de regimes alimentares para animais criados em sistemas intensivos de produção, o grão dos cereais constitui, normalmente, o principal
ingrediente fornecedor de amido (CHAMBERLAIN e WILKINSON, 1996; WEBSTER,
1993; WILSON e BRIGSTOCKE, 1981). No entanto, raramente ultrapassam 50%
do total de matéria seca dos regimes alimentares elaborados para ruminantes. Em regimes alimentares para vacas leiteiras, e devido à importância que o amido tem na alimentação destes animais, a utilização dos cereais pode, por vezes, ser superior.
Na alimentação de ruminantes, os cereais podem ser substituídos por outras fontes de hidratos de carbono mais económicas, alimentos como a polpa de citrinos que, para além de ter pouco amido, contém grande quantidade de
pectinas, glúcidos estruturais altamente digestíveis. Segundo ZEOULA et al.
(1999), a percentagem de amido na polpa de citrinos é de apenas 8,4% enquanto que no milho, no sorgo e na mandioca é respectivamente de 79,3, 83,4 e 91,4%.
Também em sistemas extensivos de produção de ruminantes pode haver necessidade de utilizar, em certos momentos, alimentos menos dispendiosos
com capacidade para fornecer energia à população microbiana do rúmen afectando o menos possível o ecossistema ruminal. A utilização de polpa de citrinos associada a palhas e fenos tem como principal função disponibilizar rapidamente, para a população microbiana do rúmen, maior quantidade de glúcidos estruturais facilmente fermentescíveis que potenciem a degradação dos alimentos forrageiros. Vários trabalhos têm sido publicados referindo a utilização da polpa de citrinos como suplemento na alimentação de ovinos (BARRIOS URDANETA et al., 1999; MONTEIRO et al., 1998; FONSECA, 1997;
FEGEROS et al., 1995; RIHANI et al., 1993a; RIHANI et al., 1993b), de bovinos
(YAAKUB et al., 1999; CARVALHO et al., 1998;CASTRO eZANETTI, 1998; HENRIQUE
et al., 1998; BELIBASAKIS e TSIRGOGIANNI, 1995) ou em ensaios laboratoriais
com licor de rúmen (ROCHA FILHO et al., 1999; TANIGUCHI et al., 1999; HALL et
al., 1998).
Como os alimentos forrageiros utilizados são normalmente pobres em proteína bruta, a existência no rúmen de uma fonte de azoto não proteico facilmente hidrolisável como a ureia, associada à presença de glúcidos
estruturais facilmente fermentescíveis, permite a utilização do NH3 resultante
para a síntese de proteína microbiana.
A suplementação proteica é um procedimento muito comum em sistemas de produção de ruminantes que utilizam forragens de fraca qualidade. Vários autores, trabalhando com bovinos, constataram que a suplementação crescente com uma fonte de proteína digestível no rúmen aumentava a
ingestão de matéria orgânica a partir de forragens de fraca qualidade (KÖSTER
et al., 1996; SCOTT e HIBBERD, 1990), estando muitas vezes associada a um
aumento da taxa de passagem e da taxa de digestão dos alimentos (MATHIS et
al., 2000; MCCOLLUM e HORN, 1990).
No entanto, a utilização de suplementos de azoto não proteico na alimentação de ruminantes é muitas vezes menos eficiente em termos metabólicos do que a utilização de fontes de azoto proteico. Parte da ineficiência da utilização do azoto não proteico, é atribuída ao excesso de amoníaco produzido que é absorvido pela parede do rúmen e, no fígado, é convertido em ureia que é depois excretada no leite e na urina do animal (CHALUPA, 1972 e BLOOMFIELD et al., 1960 citados por RIHANI et al., 1993b).
Os resultados obtidos com a suplementação proteica vão depender do tipo de animal, da forragem e das características do suplemento utilizado.
Um dos métodos in vitro que melhor retratam o processo fermentativo que ocorre no rectículo/rúmen é o método da produção de gás in vitro descrito por BEUVINK et al. (1992). O equipamento utilizado permite automatizar a medição
da degradação dos alimentos forrageiros através da determinação da quantidade de gás produzido durante o período de incubação, numa mistura de
licor do rúmen mais solução nutritiva tampão (RODRIGUES, 1999; CONE et al.,
1994; THEODOROU et al., 1994; BEUVINK, 1993; PELL e SCHOFIELD, 1993;
BEUVINK e SPOELSTRA, 1992).
Vários modelos matemáticos têm sido utilizados para traduzir, de forma
evidente, a evolução da produção de gás (CONE et al., 1997; GROOT et al.,
1996; SCHOFIELD et al., 1994; FRANCE et al., 1993; BEUVINK e KOGUT, 1993). O
modelo a usar deve incluir parâmetros com significado biológico e deve ser de fácil aplicação.
O objectivo deste trabalho foi avaliar a cinética da fermentação de dois alimentos forrageiros, feno de prado natural e palha de trigo, quando suplementados com polpa de citrinos e ureia, por forma a serem obtidos os níveis de 12 e 16% de proteína bruta.