5. ÉVALUATION DES IMPACTS DU SNIT
5.3. Synthèse
A formação do professor sempre foi um tema polêmico pela própria amplitude do termo. Estar formado nos passa a idéia de acabamento de alguém pronto e moldado para executar tarefas ou agir em situações previamente estabelecidas. Segundo Zabala (1998, p. 89): “esta concepção é coerente com a crença de que a aprendizagem consiste na reprodução da informação, sem mudanças, como se tratasse de uma cópia na memória do que se recebe através de diferentes canais”.
Nesta situação, a formação profissional do professor contribui fortemente para treinar pessoas que irão transmitir conhecimentos e conseqüentemente manter uma determinada hierarquia social, com poucas ou nenhuma possibilidade de preparar o aluno para intervir na sociedade e melhorá-la, uma das razões fundamentais do processo educativo.
Apenas mantida a tônica reprodutivista, o processo educativo fica comprometido com a manutenção da situação social vigente, com quase nenhuma possibilidade de transformação, pois quando “a formação possui conotação de moldagem e conformação, tem o defeito de ignorar que a missão do didatismo é encorajar o autodidatismo, despertando, provocando, favorecendo a autonomia do espírito.” (MORIN, 2004, p.10).
Certamente, sob esta visão, os saberes do professor não podem ser resumidos a sua formação acadêmica, mesmo que seja muitas vezes a ela atribuída. Com isso, não se está desqualificando nenhum título obtido em qualquer nível de formação, pois agir dessa forma seria tão grave quanto declarar que após o término da faculdade o professor nada mais tem a aprender. O que estamos defendendo é a necessidade de aperfeiçoamento e reflexão constante que leve em conta também sua prática.
O fato de que o conhecimento de um determinado professor resume-se basicamente. em sua racionalidade, dificulta que esse educador atinja um dos principais objetivos da tarefa educativa progressista, que é a construção de uma sociedade mais justa; porém, para trabalhar com o educando, é preciso ir além da cientificidade de qualquer disciplina. Dessa forma, é possível “conseguir dar às pessoas maior clareza para ‘lerem o mundo’, e essa clareza abre a possibilidade de intervenção política.” (FREIRE, 2001, p.36).
É nesse sentido que o professor não terá êxito em fazer o seu aluno perceber a importância ética e social da educação, apenas aprofundando o conteúdo em sua disciplina, sem qualquer consideração pelas próprias dificuldades de entendimento do aluno, uma vez que muitas dessas dificuldades são situações criadas pela falta de um equilíbrio entre as habilidades formais e as próprias políticas do professor. Fica evidente que nossas práticas e saberes precisam ser constantemente resignificados, pois a nossa intervenção modifica o aluno e a nós mesmos, somos diferentes a cada aula, da mesma forma que o aluno nunca é o mesmo.
Portanto, não tem sentido a repetição ou ênfase exagerada em disciplinas e condutas a serem observadas. Nada é tão oposto à tarefa educativa quanto a delimitação arbitrária de currículos e conteúdos estabelecidos previamente, sem qualquer possibilidade de intervenção pelos sujeitos envolvidos no processo.
Podemos ler em Paulo Freire sobre os saberes demandados pela prática educativa em si mesma. Qualquer que seja a opção política do educador e educadora, ensinar exige: rigorosidade metódica, pesquisa, respeito aos saberes dos educandos, criticidade, estética e ética, corporificação das palavras pelo exemplo, risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação, reflexão crítica sobre a prática, reconhecimento e assunção da identidade cultural.
Ensinar não é transferir conhecimento e exige: consciência do inacabado, reconhecimento do ser condicionado, respeito à autonomia do ser do educando, bom senso, humildade, tolerância
e luta em defesa dos direitos dos educadores, apreensão da realidade, alegria e esperança. Convicção de que a mudança é possível, exige curiosidade.
Ensinar é uma especificidade humana e exige: segurança, competência profissional e generosidade, compromisso, compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo, liberdade e autonomia, tomada consciente de decisões, saber escutar, reconhecer que a educação é ideológica, disponibilidade para o diálogo. Enfim ensinar exige querer bem aos educandos. Os educadores e educadoras devem assumir o compromisso de tornar gente mais gente!
A Escola é o espaço privilegiado para o estabelecimento de relações significativas com todas as áreas do conhecimento de modo a preparar o aluno para assumir- se também como sujeito de sua história e da história da humanidade, compreendendo o papel revolucionário da ciência para a destruição das condições geradoras de exclusão, as quais, frutos da práxis humana, só através dela serão superadas (KUENZER, 2002, p.49).
A Escola, portanto, deve comprometer-se com a elaboração de um projeto pedagógico que defina conteúdos e processos metodológicos que favoreçam a articulação da base comum do currículo à base diversificada, de modo a desenvolver no educando capacidades relacionadas a procedimentos técnicos e tecnológicos que promovam sua inserção no mundo do trabalho, seja na escola ou fora dela.
Os poderes públicos, frente às reivindicações da classe trabalhadora que luta por escola de qualidade para si e para seus filhos, devem assumir o compromisso de desenvolver políticas que assegurem esse direito para todos. Daí decorre a necessidade de ações concretas como:
- cumprir as determinações da legislação em vigor, que assegura o direito de escolarização para todos, atendendo à demanda existente em suas especificidades;
- fortalecer os movimentos populares que lutam por escolarização dos seus integrantes; - consolidar os Fóruns de Educação que têm como princípio norteador a universalização
da educação básica e profissional;
- apoiar as diferentes iniciativas de alfabetização das organizações não governamentais e contribuir para seu aperfeiçoamento;
- ampliar o transporte escolar como facilitador do acesso da classe trabalhadora aos processos de escolarização;
- oferecer a maior quantidade possível de interações entre o educando e as diferentes áreas do conhecimento, sem deixar de considerar as especificidades da comunidade escolar;
- melhorar as condições materiais do processo de ensino e aprendizagem, através de espaços físicos adequados, mobiliário, equipamentos e materiais didáticos;
- lutar de forma incessante pela superação do fracasso escolar;
- desenvolver programas de formação continuada para os profissionais que atuam na educação de trabalhadores.
Esses compromissos assumidos pelo Estado decorrem do reconhecimento que embora haja limitações, a Escola é fundamental para o trabalhador e seus filhos por apresentar-se como uma alternativa viável de apropriação do saber sistematizado. A universalização do acesso e da permanência na escola somente ocorrerá mediante a mobilização da classe trabalhadora exigindo do poder público o cumprimento da lei.
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GRUPO DE TRABALHO:
ALEXANDRE CAMPREGHER - CEJA - Ibirama EDISON LUIZ LESSAK - SED/DIEB
ELENISE IGNACZUK - CEJA - Mafra
ELISABETE DUARTE BORGES PAIXÃO - SED/DIEB HELENA ALPINI ROSA - SED/DIEB
IVANETE STEFFENS - CEJA - Maravilha JANE MOTTA - SED/DIEB
MARIA CRIPPA SKOVRONSKI - GEECT - Chapecó MARIA DAS GRAÇAS LOCKS - SED/DIEB
TATIANA BORGES ANSELMO GARCIA - CEJA - Tubarão VALDA MARIA DE MENDONÇA JACQUES DIAS - SED/DIEB
COORDENADOR:
PEDRO POLIDORO - SED/DIEB
CONSULTOR: