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Syntaxe : alias de colonne

Dans le document Introduction aux bases de données (Page 22-29)

Ainda é preciso dizer que a Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é um direito de todas as crianças brasileiras. Esse direito é garantido não apenas com o acesso das crianças a creches e pré-escolas, mas, sobretudo, com a qualidade da educação pública. Do nosso ponto de vista, para que essa qualidade seja efetivada é necessário considerar, além dos aspectos legais que orientam as práticas voltadas as crianças pequenas, suas perspectivas sobre a educação que lhes é oferecida.

Com base nas experiências vivenciadas no decorrer dessa pesquisa e de nossa vida profissional podemos afirmar que as crianças são sujeitos capazes de produzir discursos sobre as práticas destinadas a elas. Elas querem, desejam e precisam ser ouvidas no contexto educacional. Suas falas são importantes pois revelam o que lhes tem sido possível apreender na escola e nos apontam em que devemos melhorar na busca dessa educação de qualidade.

Nesse sentido, os adultos responsáveis pela educação e cuidado das crianças pequenas em instituições de Educação Infantil precisam estar atentos a sua voz. As crianças têm diversas formas de dizer, sejam por palavras, expressões, gestos... Na verdade, o que precisamos é ter uma escuta sensível a elas. E isso não é dado naturalmente, essa escuta é desenvolvida no dia-a-dia, mediante estudo e reflexão sobre as práticas. A partir desse entendimento, nos “aventuramos” a desenvolver uma pesquisa com crianças, cuja finalidade foi ouvir as crianças e, assim, analisar as experiências e os sentidos que elas atribuem à escrita na Educação Infantil.

Acreditamos que as crianças tem o direito de se apropriar das práticas culturais de forma significativa. A escrita é uma das práticas culturais com as quais as crianças se relacionam. Desse modo, apropriar-se da escrita enquanto linguagem é tornar próprio algo que já faz parte de suas vidas e que as constitui enquanto sujeitos.

Destacamos, contudo, que a falsa dicotomia entre ensinar ou não a escrita na Educação Infantil não foi o foco do nosso estudo. Apesar disso, nos posicionamos a esse respeito defendendo que a linguagem escrita precisa ser vivenciada de forma significativa pelas crianças no contexto da Educação Infantil, mas não devem ser vistas como a atividade central nessa etapa educativa. A escrita é apenas umas das linguagens com as quais a criança se relaciona. Uma linguagem supervalorizada em nossa sociedade, mas que não deve ser o foco da Educação Infantil e nem tão pouco ocorrer em função de aprendizagens futuras, com o objetivo de apenas preparar as crianças.

Consideramos que as vivencias com a escrita, assim como outras experiências vividas pelas crianças ao longo de sua infância, tem sentido em si mesma.

Nessa investigação, partimos do pressuposto de que os sentidos atribuídos à escrita pelas crianças tem relação com as experiências que vivenciam na escola e fora dela. Apreender esses sentidos no contexto escolar foi o nosso desafio.

Os dados construídos nas entrevistas, observações e análise documental revelaram, por vezes, um discurso docente que se distancia das práticas e, por outras, desconhecimento da natureza simbólica, funcional e social da escrita e, em função disso, dos seus modos de apropriação e desenvolvimento.

Os procedimentos metodológicos adotados mostraram-se pertinentes à desafiadora proposta de fazer uma pesquisa com crianças. Essa escolha decorreu de inquietações enquanto professora na busca por um espaço educativo em que as crianças tenham centralidade.

Conforme destacado no decorrer do capítulo 4, as experiências com a escrita no contexto pesquisado submetem as crianças a atividades de cópias de palavras e repetição de letras isoladas, destacando letra por letra numa prática que visa a associação dos sons às grafias. Desse modo, a aprendizagem da escrita prevaleceu como um processo em que se aprende por meio de cópia, sendo negadas as possibilidades de autoria às crianças.

Contudo, ao longo dessa investigação, as crianças – sujeitos coparticipantes da pesquisa – demonstram interesse pela linguagem escrita mesmo sem haver uma demanda explícita da professora. Elas pediam para escrever em meu caderno e para que eu escrevesse coisas para elas. Essas crianças nos ajudaram a construir uma resposta, ainda provisória, para nossa questão. Com suas falas, apontaram seus sentidos sobre o ato de escrever - sentidos que muitas vezes se entrecruzaram. Para elas escrever é desenhar e pintar; é usar os instrumentos da cultura escrita; é fazer letras; é fazer nomes próprios; é fazer tarefas vinculadas à escola; é estudar para ser inteligente; é fazer “coisas de adulto”; é algo que se faz para outra pessoa e, finalmente; é algo que é vivido fora da escola.

Seus sentidos são fontes de reflexões. Alguns parecem estar entrelaçados com as experiências vivenciadas pelas crianças na escola. Contudo, seria impertinente pensarmos que tais sentidos foram elaborados apenas no contexto escolar. Uma vez que as próprias crianças nos indicam a cultura do escrito como algo que faz parte de suas

vidas em espaços extraescolares. Em suas falas, por vezes, as crianças apontaram que a escrita fora da escola lhes era mais significativa.

Consideramos que é preciso problematizar, urgentemente, algumas práticas fossilizadas na escola, práticas que existem pelo fato da tradição escolar exigir, mas que são desprovidas de função para as crianças, tanto quanto para os adultos. Afinal, qual a finalidade de fazer agendas diariamente? É possibilitado às crianças compreender/saber a função daquele suporte textual? Qual a finalidade de escrever o nome próprio num crachá em casa? Qual função social tem exercido a escrita nessas práticas “educativas”?

As discussões realizadas nessa investigação apontaram para a necessidade de expandir o debate sobre o trabalho com a escrita na Educação Infantil. Assim como Vygotsky (2007, p. 144) nos indica, o ensino da escrita deve ser incorporado como algo “relevante à vida” das crianças, uma necessidade deve ser despertada nelas para que a escrita não seja um mero “hábito de mãos e dedos, mas uma forma nova e complexa de linguagem” (VYGOTSKY, 2007). Precisamos refletir sobre as especificidades do trabalho com a escrita, ampliando o debate em torno da necessidade de desenvolver práticas pedagógicas que garantam o trabalho com as interações e brincadeiras, assim como está posto nas Diretrizes Nacionais Curriculares para a Educação Infantil (DCNEI, 2009).

Esse trabalho foi movido por uma inquietude interior e nos possibilitou crescer em nossa vida profissional e pessoal. Ao ouvir as crianças pudemos desconstruir algumas ideias e nos refazer enquanto professoras e pesquisadoras. Acreditamos que esse estudo poderá trazer contribuições às práticas pedagógicas de profissionais comprometidos com as crianças, infâncias e com uma educação pública de qualidade.

Dans le document Introduction aux bases de données (Page 22-29)

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