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A apresentação dos trabalhos finais aos menores da APC foi uma ideia apresentada pela orientadora do contexto, que juntamente com a equipa técnica consideraram pertinente as outras crianças e jovens conhecerem os trabalhos realizados pelos jovens e aprenderam algo mais.

O primeiro a apresentar foi o FJ, depois o grupo de sábado e por fim o grupo de segunda-feira. A apresentação do FJ correu bastante bem e não houve barulho. O jovem começou por ler a música que desenvolveu, terminando a cantá-la. Todos gostaram do seu trabalho, porque foi diferente e tinha rimas interessantes. No fim da sua apresentação o jovem chamou quatro voluntariados, pedindo-lhes para mencionarem uma palavra que estivesse relacionada com o que foi apresentado, e de seguida fez um improviso recorrendo a essas palavras e ao tema em geral.

Quanto ao grupo de sábado a R foi a que esteve notoriamente mais à vontade, não se limitando a ler o power point. A jovem explicou por palavras suas as coisas e levantou questões como “Porque devemos poupar?”. Nesta questão uma das jovens respondeu “Porque estamos em crise”. R aproveitou e aconselhou os seus colegas a não gastarem o dinheiro da mesada em coisas desnecessárias, mas sim em coisas importantes. R intervinha também quando os colegas do seu grupo estavam a apresentar, de forma a completar informação ou a esclarecer melhor as coisas. Por exemplo, quando a S1 estava a abordar a questão da autonomia e referiu que um bebé não é um ser autónomo, a R repidamente interveio e falou sobre a situação do L, uma criança de três anos que a APC acolhe. A jovem explicou que quando o L chegou à APC tinha dois anos e com essa idade não se é autónomo, porque precisasse da ajuda de

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outras pessoas, e que estas olhem por ele e cuidem dele, dando por exemplo de comer ou para trocar as fraldas.

Na apresentação deste grupo já se verificou algum barulho. Todavia, o grupo, principalmente a R e a S1, tomaram a iniciativa e falaram com os seus colegas para fazerem pouco barulho e os respeitarem.

O último grupo a apresentar foi o da segunda-feira e como este é constituído por sete pessoas nomearam dois porta-vozes, a An e a Ml. As jovens decidiram primeiro passar o vídeo, questionando posteriormente os seus colegas sobre o mesmo. Dado que ninguém comentou, a An dirigiu-se a uma criança e disse

«‘Como te tratamos agora, anos mais tarde vais tratar os teus filhos. Vais ter que ter a tua própria responsabilidade. Terás de o alimentar, de tratar dele e de o educar’. A orientadora intervém e acrescenta que a responsabilidade passa também por não se esquecer de entregar a caderneta à professora quando as doutoras pedem para fazer isso. TG acrescenta ‘Ou para não se esquecerem de tomar a bomba’ » (NT 83).

De uma geral e independentemente dos grupos, as informações que os jovens passaram resumiu o que foi refletido nas sessões.

Relativamente aos direitos e deveres mencionaram que “todos deveremos ter os mesmos direitos e deveres para uma melhor orientação a nível pessoal e social”, “deveremos também conhecer e respeitar os direitos e deveres que cada cidadão possui para um melhor ambiente na sociedade, e para uma convivência mais saudável. Assim, seremos mais alegres uns com os outros”. Explicaram que “se não houver direitos e deveres também não há respeito”, e estes são fundamentais porque “ajudam para uma estabilidade social, a ter uma vida mais organizada e uma vida melhor”.

Quanto à educação referiram que esta “é essencial para o trabalho e para outros locais, assim como, nas relações, e baseia-se em respeitar os outros”. Mencionaram que a educação promove o desenvolvimento e ajuda o indivíduo a sair “melhor preparado para o trabalho” e “a saber o que é moralmente correto e o que não é”. Possibilita igualmente um “melhor emprego”, uma “maior qualidade de vida”, sendo um elemento fundamental “para um bom ambiente na sociedade”.

Em relação ao respeito referiram que este é um dever fundamental e deve ser algo mútuo. Esclareceram que o respeito passa por “ter educação e boas maneiras”, “saber ouvir os outros”, “não magoar ninguém seja fisicamente ou psicologicamente”, “não gozar nem insultar as pessoas”, bem como ter consideração e “um sentimento positivo de estima por uma pessoa ou entidade”. Neste seguimento, mencionaram alguns exemplos como a cedência de lugares específicos nos transportes públicos, o

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respeito pelas regras e não ser malcriado. Reconheceram ainda a importância do ato de respeitar, argumentando que ajuda a “proporcionar um melhor ambiente”, “facilita a interajuda/colaboração entre a sociedade” e vai “melhorar a relação entre as pessoas”, uma vez que o respeito “passa por saber falar bem com as pessoas e tratá-las bem”.

Quanto ao poupar os jovens mencionaram que se deve praticar este ato mais controlado e ponderado da gestão monetária, pois “é o dinheiro que conquista a comida que pões no prato”. Esclareceram que poupar permite alcançar “uma melhor vida financeira” e “ter dinheiro para as necessidades principais”. De seguida, apresentaram aos seus colegas algumas estratégias para pouparem.

No que toca à autonomia argumentaram que esta é alcançada quando fazemos as coisas sozinhos e quando demonstramos “responsabilidade pelas nossas coisas ou pelas coisas dos outros”. Acrescentaram que para uma pessoa ser autónoma tem de ter “poder de decisão”, e que “quanto maior autonomia temos, mais liberdade ganhamos”, quer de ação quer de expressão. Abordaram que a autonomia é benéfica, porque as ajuda as pessoas na sua vida em geral e «as pessoas ao serem autónomas sentem-se bem e realizadas”. Clarificaram também que uma pessoa pode ser autónoma em determinados domínios e noutros não, e que “a autonomia não se vê por idades”, há outros elementos em conta como a história de vida.

Relativamente à responsabilidade mencionaram que ser responsável passa por “tratar das nossas coisas e das dos outros” e pela pessoa respeitar as suas obrigações, promessas, direitos e deveres, bem como assumir um compromisso e fazer de tudo para o cumprir. Recorrendo a alguns exemplos explicaram quando uma pessoa é ou não é responsável. Assim, disseram que uma pessoa é responsável quando chega a horas e quando uma doutora lhes pede para entregar uns papéis à escola e eles fazem-no. Os jovens reconheceram e esclareceram que a responsabilidade “é essencial para a nossa vida social, porque se não formos responsáveis ninguém confia em nós, e por sua vez vão-se afastar, e provavelmente iremo-nos sentir excluídos da sociedade”. Agirmos com responsabilidade ajudará no futuro, por exemplo, a terem auto-gestão, assim como a “saber viver em conjunto”. Acrescentaram que é igualmente fundamental, pois “se não tivermos responsabilidade andamos sempre com a cabeça no ar e não prestamos atenção ao que fazemos”. Abordaram ainda que uma responsabilidade acrescida significa maior poder, autonomia e liberdade.

Os jovens concluíram que os conceitos abordados “são muito úteis para o desenvolvimento pessoal e social” e os ajudarão na construção da sua vida. Entendem

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que estes conceitos “se relacionam entre si são importantes, porque nos ajudam para uma vida futura e na relação entre as pessoas. Ajudam ainda a tornarmo-nos melhores pessoas com mais princípios, valores e conhecimentos, assim como, a conviver com outras pessoas no mesmo espaço”.

Depois de todos os grupos já terem apresentado a R coloca um vídeo que a S1 durante o período das apresentações me tinha pedido se podia apresentar, afirmando que estava relacionado com os temas. Respondi-lhe que sim, pois considero positivo aproveitar estas iniciativas dos jovens. Após assistirmos o vídeo que era sobre a fome a R perguntou aos seus colegas o que entenderam sobre o mesmo. G foi o primeiro a participar, referindo que as pessoas devem poupar e não gastar dinheiro em coisas que não precisam para terem dinheiro para a comida. Neste seguimento, a R chamou a atenção que não se deve deitar o lanche ao lixo nem deixar apodrecer na mochila, como já aconteceu. De seguida, o Cz interviu referindo que «‘quando estamos mal e dizemos que

estamos fartos disto e daquilo, há pessoas que estão bem piores’» (NT 83). Este vídeo

possibilitou-lhes conhecer uma outra realidade, que lhes chamou a atenção para a vida difícil e com necessidades que muitas pessoas levam, alertando que não se deve desperdiçar comida e que devemos garantir que gerimos o dinheiro da melhor forma para que seja possível ter dinheiro para gastar na alimentação.

O que apresentei nesta seção foi o conteúdo reflexivo das várias sessões, que foi influenciado por alguns elementos como a minha ação, o comportamento e o grau de participação dos jovens. De seguida, irei apresentar e avaliar alguns desses elementos. Ou seja, farei uma breve avaliação do processo de implementação do projeto que, naturalmente teve influência nas reflexões anteriormente apresentadas. Vejamos, numa sessão em que os jovens se encontram mais agitados e distraídos não se produz tanta reflexão.

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CAPÍTULO V – REFLETINDO E AVALIANDO AS EXPERIÊNCIAS DO ESTÁGIO

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