6.4 Variations temporelles
6.4.1 Sur une journ´ ee
Nas secções anteriores já nos fomos referindo à utilização desta estratégia de formação e de avaliação em Portugal. Passamos a organizá-la e compilá-la.
O conceito de portfolio surge entre nós, segundo Sá-Chaves (2005:7) porque os seus promotores, à semelhança do que se passava noutros países, aceitam a coerência que este instrumento de formação mantém com uma nova racionalidade subjacente ao
paradigma crítico-reflexivo e ecológico na formação de profissionais capacitados para responderem às situações de incerteza e de imprevisibilidade que caracterizam os contextos de trabalho e de vida.
Ao construírem um portfolio de matriz reflexiva os seus autores discorrem sobre as soluções para os problemas com os quais se deparam e tornam-se, mais do que aplicadores e reprodutores de soluções, autores das suas práticas. Este sentido de autoria comporta não só uma responsabilização e um reconhecimento perante os outros e o próprio, mas também envolve uma viragem fulcral na construção da profissionalidade e, desse modo, na
estruturação da identidade própria, no modo singular como cada qual equaciona e procura resolver e gerir os problemas e os dilemas que cada profissão pressupõe e apresenta. (idem, ibidem)
Subjacente ao mesmo estão também princípios, por nós já mencionados, que privilegiam a pessoa que aprende não apenas como indivíduo, mas como um ser que interage e se auto-implica num contexto onde o conhecimento se torna disponível. A interacção e a auto-implicação ocorrem consigo próprio, mas também com outros sujeitos com quem partilha as suas reflexões e dos quais também recebe pontos de vista reflectidos. Beneficia assim das vantagens decorrentes do efeito multiplicador dessas trocas na construção e consciencialização do conhecimento – o efeito de espelhamento que essas conversas providenciam, enriquecendo cada um dos sujeitos nele implicados.
Acresce que é também assumido que a formação de cada indivíduo é de natureza
inacabada pelo que o portfolio, também ele sempre em construção, pode ser a estratégia de formação a privilegiar quando se pretende que os formandos encontrem um instrumento onde essa continuidade possa ser registada e acrescentada sempre que o sintam como desejável.
Como Sá-Chaves afirma, a utilização do portfolio recria de uma forma não standard os pressupostos de uma filosofia formativa percebida como qualificante das
pessoas e dos contextos nos quais as práticas tiveram [têm/terão] lugar (op. cit., p.11). Foi no início do primeiro Curso de Complemento de Formação em Supervisão
Pedagógica e Formação de Formadores, na Escola Superior de Educação de Viseu que tivemos contacto com a construção dos portfolios reflexivos, quando Idália Sá-Chaves colaborou na leccionação da disciplina de Supervisão I. Em consequência, adoptámos e mantivemos esta designação e grafia, apesar de, no contexto português, a palavra ‘portfolio’ poder surgir com uma grafia diferente: “porta-fólio” (Ceia, 2001; Sá-Chaves, 1998) e “portefólio” (Vieira et al, 2006, 2004), ainda que, no que respeita ao seu conteúdo e estruturação, não se verifiquem divergências de vulto.
No nosso entender, o portfolio reflexivo deve ser um instrumento que permita que os seus autores reflictam coerentemente sobre o seu passado (acção já decorrida até o iniciarem), o seu presente (as práticas desenvolvidas e a formação em que estão inseridos e a investigação que a mesma pressupõe), para se tornarem capazes de reflectir, prospectivamente, para a acção que os espera. No contexto de formação referido no parágrafo anterior esperávamos que os formandos, no final do curso, estivessem mais aptos a reflectir sobre as suas futuras acções supervisivas – bem mais latas do que aquelas que o conceito de “supervisão” tinha englobado até ao momento. Funções não inspectivas, na acepção mais “primitiva” e “castradora” do termo, e funções que se alargassem para além de supervisão da formação inicial, vulgo, estágio.
Em Portugal e à semelhança do que sucedera ou estava a suceder nos países já mencionados, também estes portfolios foram sendo introduzidos na formação de professores e de outros profissionais.
A compilação de estudos/experiências com portfolios reflexivos organizada por Sá- Chaves (2005) informa-nos sobre alguns contextos profissionais onde os mesmos foram construídos. Inclui estudos de profissionais, em Portugal e no Brasil, em diferentes níveis de formação (inicial, complementar e pós-graduada em cursos de mestrado e doutoramento), quer nas áreas da Educação como da Saúde.
Na Tabela 3, sintetizamos informação sobre vários dos contextos onde tem ocorrido a utilização de portfolios (reflexivos) entre nós, nela incluindo os referidos por Sá-Chaves e outros, anteriores e posteriores:
Tabela nº 3 – Uso de portfolios no contexto português
Contexto de Formação Investigadores
Inicial
Esc. Sup. Enfermagem Ângelo Fonseca – Coimbra (1994-1997) Univ. Évora – Professores de Biologia e Geologia (1999-2001) Univ. Aveiro – Estágios no Ensino Secundário (2001-2002) Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas – Departamento de Estudos Anglo-Portugueses (2001) Univ. Vigo + Univ. Minho – Introdução à Estatística – Matemática
Aplicada
Univ. Porto – Fac. Ciências, Depart.º Química Univ. Porto – Fac. Engenharia – Engenharia Civil
Apóstolo, 2005 Grilo e Machado, 2005 Nunes e Moreira, 2005 Ceia (2001)
Novegil Souto e De Sousa (2007)
Pereira e Paiva (2003) Soeiro (2009)
Complementar
Esc. Sup. Enfermagem Ângelo Fonseca – Coimbra (1998-2000) – Projecto de Desenvolvimento Pessoal
E.S. Enfermagem – Santarém
E.S. Educação – Viseu – Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores (1999-2004)
Univ. Aveiro – In-Service Language Teachers Programme
Marinheiro, 2005 Gonçalves e Serrano, 2005 Amaral, 2005 Gonçalves e Andrade, 2007 Pós-Graduada Mestrados
Fac. Psic. C. Educaç. – Lisboa – Ciências da Educação Univ. Aveiro – Gestão Curricular
Univ. Aveiro – Supervisão Univ. Minho – Educação
Veiga-Simão, 2005 Schenkel, 2005 Paiva, 2005 Coutinho e Bottentuit Jr., (2008) Doutoramento
Univ. Aveiro + Univ. Rio Grande do Sul Dias, 2005
Outros
Univ. Minho (IEP) – Transformar a Pedagogia na Universidade Digital Portfolio as a Strategy for Teachers’ Professional
Development (Projecto Comenius 226464-CP-12005-1-PT- COMENIUS-C2-1)
Avaliação dos professores – Relatório da OCDE
Instituto Piaget – Avaliação e Formação de Professores do Ensino Superior
Vieira, 2004
. Laranjeiro (2006) Santiago et al (2009) Nogueira e Lamas (2009)
7. Vantagens e desvantagens da utilização dos portfolios reflexivos e dificuldades