Partie 2. De l’école des Mercedes à l’école-foyer Bartolomé Cossío Les
B. Sur le terrain Reprendre le contrôle du personnel
Ó estrela da poesia Ilumine nossas almas Que a nave do pensamento Navegue por ondas calmas Pra contarmos os dez 10 anos De história do Banco Palmas
Antes de falar do Banco Vamos falar do Palmeira Um bairro de Fortaleza Com histórias de primeira No ano setenta e cinco Começou essa doideira
Pela prefeitura expulsos De seus barracos na praia
Juraram que o novo lar Ganhava do Himalaia A alegria durou pouco Era tudo uma tocaia
No meio da mata verde Entre palmeiras e flores Numa estrada de piçarra Um barulho de motores Eram caçambas trazendo Os primeiros moradores
Todos de área de risco Verdes Mares, Lagamar Centro, Alto da Balança Moura Brasil, Beira Mar
Urubu, Poço da Draga Aqui vieram morar Fizeram suas moradas Lona, plástico, papelão Água vLQKDG¶XPULDFKR E a luz de lampião
Transporte? Pau-de-arara Pense numa confusão
Veio um dia uma doutora Bem vestida em alto luxo De repente passou mal Com desarranjo no bucho Como não tinha banheiro Salvou-VHDWUiVG¶XPDUEXVWR
No começo foi difícil Mas o tempo foi correndo Fizeram casas de taipa E o povo foi vivendo Em vez de se acomodar A turma foi se mexendo
Nas casas não tinha água Também não tinha energia Mas não ficaram parados Presos na monotonia Buscaram com união Melhorar a moradia
A água de um carro pipa Não dava pra todo mundo Luz elétrica não havia Era um escuro profundo
Se chovesse, ³DUULpJXD´ Era um lamaçal imundo Largados no abandono Ali naquele lugar
Viram que somente eles Podiam se ajudar
Uniram as suas forças Sem se cansar de lutar
Transformaram uma Rural Na ambulância da área Ela depois de servir A saúde comunitária
Transformou-se com o tempo NR³&DUURGD)XQHUiULD´
Veio um magote de padres Que se juntou a peleja: Escola, Casa de parto O Chafariz, a Igreja Um caixão comunitário Eta luta bem fazeja
O conjunto foi crescendo Veio o grande desafio Água encanada e tratada Porque a água do rio Igual do carro pipa Fez o povo doentio
Duas grandes passeatas Foram bater na CAGECE Disseram para o governo Ou o senhor dá ou desce
Ou o Palmeiras tem água Ou o desmantelo cresce A água de Fortaleza Pelo Palmeiras passava Se o povo explodisse o cano Toda a cidade secava
O governo se rendia E o povo comemorava
O Palmeiras finalmente Tinha sido urbanizado Uma história de conquista De um povo organizado Mas não era o paraíso O povo tava liso
Que mussum ensaboado
Foi aí que a ideia De um banco começou Ideias que eram soltas A inteligência amarrou Esse nome Banco Palmas Foi Deus que abençoou
Agora neste momento Nós aqui vamos falar Da história desse banco Que nasceu no Ceará Dentro de uma favela Crescendo com seu lugar
No começo se ouvia: - É um bando de abestado Como se criar um banco
Se aqui só tem quebrado Mas começamos os trabalhos Com os dois mil emprestado
Noite de inauguração Grande feste e alegria Empréstimo a cinco clientes A imprensa noticia
Só que o banco quebrou Logo no primeiro dia
Pede aqui, pede acolá Doação do estrangeiro Avaliaram o projeto
Foi chegando algum dinheiro Só quem não acreditava Era o governo brasileiro
Grande foi a confusão Com a moeda social Deu policia, deu processo Briga com o Banco Central E a pobre da moeda
Foi parar no tribunal
Ainda bem que o juiz Sábio e intelectual Inocentou a moeda Não viu nela nenhum mal Ainda disse em despacho: ³,VVRDTXLQmRWHP/DODX´ Aqui com a moeda Palmas Se compra em todo o lugar
Só não tem serventia Para ir ao shopping gastar A riqueza do Palmeira No Palmeira há de ficar!
A força do Banco Palmas Está no consumidor
Que gasta os seus trocados Com o nosso produtor E assim se forma a rede Chamada Prossumidor
É filho desses 10 anos Nosso cartão PALMACARD Com ele você consome Tudo na comunidade Remédio, gás de cozinha Confiança e amizade
Mulheres se organizaram Produzindo artesanato O cliente pede a peça A PALMART faz no ato Estamparia e fuxico Bonito, bom e barato
PALMALIMP é a empresa Que produz desinfetante Detergente, cera líquida Excelente amaciante Nossa água sanitária Limpa tudo num instante
Pra gerar emprego e renda
Curtir a vida sem traumas Um novo empreendimento Vem alegrar nossas almas Produzindo arte e cultura Companhia Bate Palmas
Companhia Bate Palmas Reúne artistas locais 7HPHVW~GLRID]&'¶V Instrumentos musicais Montagem de espetáculos E cada vez cresce mais
Engenhoca de pipoca Troca-se numa motoca Carne de fazer paçoca Por goma de tapioca É também desses 10 anos O clube de troca-troca
Vendo o povo produzindo Todo mundo se apaixona A associação abriu Uma loja bem bacana Temos produtos na loja E nas barracas de lona
A Feira do Banco Palmas Em frente à Associação Além de vender produtos Conta com a animação Hip-hop, batucada Quadrilhas de São João
PALMATEC é a escola Da sócio-economia Da história do Palmeiras Das lutas do dia-a-dia A mútua cooperação É sua filosofia
Ë filha do Banco Palmas A INCUBADORA FEMININA Mulheres alimentadas
Trabalhando a auto-estima Não se vê no Palmeiras Moleque de perna fina
Outro filho dos 10 anos Projeto PALMORICÓ Hortas e ervas que curam E galinhas carijó
Estão de volta aos quintais As riquezas da vovó
Fizemos nestes 10 anos Grandes compras no atacado Essas COMPRAS COLETIVAS Do comércio organizado
Fazem nossa cesta básica Mais barata no mercado
Nosso bairro é mais humano A nossa gente é mais gente Produzindo o necessário Arte, roupa, detergente... Provando que é possível
Um sistema diferente
Uma união feliz
Fez o negócio bombar
Banco Palmas com SENAES Mais o Banco Popular
Os bancos comunitários Começaram a se espalhar
Serra, sertão, litoral, No morro, na ladeira Assentamento rural
Quilombola e quebradeiras Tem banco em todo canto É a Rede Brasileira
Tem que ter cabeça forte Tem que ser Brasil total Só mesmo a força do povo Vence as barreiras do mal Tem que ter uma vanguarda De mudança cultural
10 anos de Banco Palmas Não cabe num folhetim Mas podemos afirmar Foi mais ou menos assim A história de um povo 4XHSUDYLGDGLVVH³VLP´
(Criação coletiva do Fórum de Cultura do Conjunto Palmeiras, 2008, 43 versos).