• Aucun résultat trouvé

SUR LA PORTÉE DE L’EFFET DÉVOLUTIF DU RECOURS

B. Sur les commissions sur « AOCT »

II. SUR LA PORTÉE DE L’EFFET DÉVOLUTIF DU RECOURS

2.2.1 A Longevidade

Existem várias abordagens para definir e codificar a longevidade. Baltes e Smith (2006) caracterizam essa fase existencial como terceira e quarta idade, a primeira é baseada em parâmetros populacionais e a segunda em parâmetros pessoais. Denomina-se de quarta idade as pessoas com idade igual ou superior a 75 anos. Neste ponto de corte, 50% das pessoas da mesma idade cronológica não se encontram mais vivos em países em desenvolvimento. Rodrigues (2000) também utiliza essa mesma nomenclatura (quarta idade), sugerida por um geriatra chileno, quando aborda o aspecto cronológico para pessoas com 78 a 105 anos.

Para Papalia e Olds (2000) os especialistas em gerontologia denominam de “velhos velhos” as idades de 75 a 84 anos e os “velhos mais velhos” com 85 ou mais. Outra denominação é de Pietro (1986), que designa de senilidade conclamada ou velhice quem tem 70 anos de idade, fase onde se encontra o velho ou ancião no sentido estrito e, de grande velho ou longevo, para a pessoa com mais de 90 anos. Alguns psicólogos abordam a maturidade tardia em três novos ramos: idoso jovem (65 a 74 anos); idoso velho (75 a 85 anos) e a manutenção pessoal (acima de 86 anos) (RODRIGUES, 2000).

A longevidade, portanto, para ser definida, depende do ponto de referência da pessoa e ou profissional que atua na área gerontológica. Cleto (2009) salienta que a pessoa saudável ativa pode considerar o início de sua velhice a partir dos 75 anos, quando a idade de aposentadoria foi estabelecida em 65 anos por meio da legislação providenciaria (EUA), aceitava-se essa idade como inicio da longevidade. Isto define, geralmente, a idade cronológica do ser longevo em nossa sociedade. Contudo, as idades funcionais e fisiológicas diferem entre as pessoas e, portanto, não podem ser padronizadas. Na verdade, o que está em jogo é a autonomia, ou seja, a capacidade de determinar e executar seus próprios desígnios.

No mesmo sentido, Papalia e Olds (2000) salientam que alguns gerontólogos se referenciam à idade funcional como aquela que define o funcionamento da pessoa num ambiente físico e social em comparação a outras da mesma idade.

Quanto ao fenômeno da longevidade, Carnes, Olshansky e Grahn (2002) citam três aspectos biológicos que evidenciam este fenômeno: os declínios fisiológicos associados com a reprodução, os parâmetros fisiológicos associados ao envelhecimento (sendo evidenciada uma perda de 80% da capacidade funcional próxima há 80 anos) e as diferenças entre indivíduos jovens e velhos que podem ser distinguidos pelas patologias detectadas.

Camarano, Kanso e Mello (2004) e Manton, Stallard e Tolley (1991) abordam três linhas de pensamento para a longevidade: a primeira é a tradicional, que relaciona a expectativa de vida próxima ao limite biológico (85 anos). Destacam que existem freios biológicos, que limitam a vida humana, e que esses não são afetados pela influencias na mortalidade por causas específicas. Salientam, ainda, que as mudanças no estilo de vida e a adoção de medidas preventivas de saúde são as principais responsáveis pela ampliação da expectativa de vida. A segunda é a visionária, que evidencia os avanços na pesquisa biomédica como um meio de contribuir para o aumento dos limites e a esperança de vida, podendo atingir valores entre 100 e 125 anos, ou entre 150 e 200 anos. A última é a empirista, que afirma não existir um limite para a duração da vida, pois a mortalidade está declinando em função dos avanços da medicina. Sugere que a senescência acarretada pela idade é multidimensional e está associada à doença crônica degenerativa (CAMARANO; KANSO; MELLO 2004; MANTON; STALLARD; TOLLEY, 1991;).

Estudos de Farinatti (2008) revelam que são muitos fatores que contribuem para a longevidade humana evidenciando os fatores genéticos, socioambientais e comportamentais. Os principais fatores socioambientais e comportamentais que influenciam para um envelhecimento saudável e consequentemente contribuem para um aumento da longevidade são os hábitos alimentares, a espiritualidade, o humor, o apoio social e o estilo de vida (MIURA, 2011; PATRICIO et al., 2008; FARINATTI, 2008).

Outros fatores que colaboram para o aumento da longevidade são os avanços na área de saúde, como o diagnóstico precoce de doenças, os remédios e as técnicas de medicina mais eficazes (KUMON et al., 2009).

2.2.2 Características da Longevidade

Caselli e Lipsi (2006) em seus estudos identificaram que a longevidade na região da Sardenha (Itália) pode estar relacionada à diminuição da mortalidade por doenças cardiovasculares. Yates et al., (2008) e Motoji, (2006) relatam que a redução da mortalidade por acidente vascular cerebral e câncer no estômago nos longevos vem contribuindo para o aumento da expectativa de vida.

Embora as mulheres sejam mais suscetíveis a contrair doenças incapacitantes, essas estão mais preparadas para enfrentar as doenças do que os homens. Afirmam que a doença que mais se manifesta nas pessoas longevas é a artrite (PERLS et al., 2007).

As mulheres vivem mais que os homens cerca de cinco anos (CAPRI et al., 2008). Um estudo na Grécia salienta esta diferença de gênero, pois dos 489 centenários participantes, 77% eram mulheres. Os pesquisadores destacam que as mulheres que atingiram essa longevidade têm menos autonomia do que os homens, este fato pode estar associado à inatividade e a diferença de massa muscular entre os sexos, que pode contribuir para a mulher atingir o seu limiar muscular mínimo mais rapidamente. Acrescem ainda, que o homem dessa geração sempre foi mais atuante na sociedade do que as mulheres (DIMITRI et al., 2005).

De acordo com Sebastini et al., (2010) o fator genético influencia a longevidade, sendo que 20 a 30% do tempo de vida das pessoas são determinados por componentes genéticos. Já Francheschi et al. (1991), relata que esta população possui características biológicas que os tornam mais resistentes a processos de degeneração, constituindo, assim, uma elite biológica.

É importante destacar que as pessoas longevas, ao atingir essa idade, conseguiram superar a mortalidade infantil, as doenças da era pré antibiótica, além das doenças crônicas degenerativas (CAPRI et al., 2008). É possível chegar à longevidade com uma condição ótima de vida. Em sua pesquisa Dimitri et al. (2005) encontraram centenários gregos relativamente saudáveis, com autonomia e socialmente ativos.

Estudos realizados apontam algumas características similares entre as pessoas longevas. Perls et al. (2002a) sugerem que a longevidade pode estar relacionada às características familiares, pois verificaram registro de ancestrais idosos na maioria dos casos. Capri et al. (2008) acrescentam que esta longevidade pode estar mais

relacionada à ascendência por parte materna. Hayflick (1997) aponta que 87% das pessoas com mais de setenta anos tiveram pelo menos um dos pais ou avós com mesma idade; 48% dos nonagenários e 53% dos centenários tiveram progenitores nessa faixa etária.

Ao lado da influência genética, não pode, entretanto, ser esquecida a ação de fatores ambientais semelhantes para os membros de uma mesma família, como o estilo de vida, hábitos nutricionais e até atividades profissionais parecidas. As pessoas longevas relataram hábitos saudáveis de vida, com realização de atividades físicas, assim como nutrição com dieta hipocalórica, como a dieta mediterrânea rica em azeite de oliva, o que pode também ter contribuído para a sua longevidade, (CHAIM; IZZO; SERA, 2009; DIMITRI et al., 2005; HAYFLICK,1997).

Perls et al. (2007) e Zeng, (2003) salientam que a capacidade de administrar situações adversas com humor, satisfação pessoal e a estabilidade conjugal são atributos favoráveis a longevidade. Destacam ainda, que a maternidade/paternidade tardia, após 35 ou 40 anos pode também influenciar para se atingir uma idade longeva.

As características do envelhecimento fisiológico dependem significativamente de fatores ligados ao estilo de vida que a pessoa assume desde a infância, principalmente no que diz respeito à ingestão alimentar e à atividade física e ocupacional. Nesse sentido, Leite, (2000) afirma que, apesar das perdas funcionais, orgânicas e mentais, uma pessoa longeva que tenha tido hábitos de vida saudáveis pode vir a ser uma pessoa com autossuficiência para tarefas diárias e com capacidade adaptada para manter relações intelectuais e sociais com o meio que o rodeia.

A manutenção de um estilo de vida saudável como: alimentação balanceada, exercício regular, uso moderado de álcool, abstenção do fumo, controle da pressão arterial, espiritualidade e baixo nível de estresse contribuem para longevidade (YATES et al., 2008; WILLCOX et al., 2008)

A maioria dos efeitos do envelhecimento acontece por imobilidade e má adaptação. Sabe-se que uma contínua atividade intelectual, como a leitura, exercícios de memória, palavras cruzadas e jogo de xadrez contribuem para a manutenção da memória. Além disso, um estilo de vida ativa, como a prática regular de atividade física e uma dieta saudável são regras básicas para a manutenção da memória (CARDOSO; CAVOL; VIEIRA, 2007; MATSUDO, 2001).

A interação de fatores ambientais, culturais e genéticos contribuirá, portanto, para se atingir uma idade longeva de qualidade. Mais estudos, nesta faixa etária poderiam oferecer subsídios da importância da influencia mútua dos fatores genéticos, ambientais e psicossociais como determinantes da longevidade humana e também no desenvolvimento de novas atitudes de prevenção, como métodos mais refinados e com diretrizes para envelhecer de forma mais bem sucedida (CAPRI et al., 2008; DIMITRI et al., 2005).

2.3 PROGRAMA DE ATIVIDADE FÍSICA E LONGEVIDADE

Documents relatifs