Como doença responsável por ser a segunda causa de morte da população brasileira e mundial que teve, ao longo da história, aumento de sua incidência associado tanto ao nível socioeconômico elevado (próstata, mama e intestino) quanto a pobreza (estômago e colo de útero), fez com que medidas de prevenção, controle e atenção adquirissem protagonismo nas políticas públicas
relacionadas ao câncer. Há evidências científicas suficientes para prevenir 40% dos casos dessa doença existentes no mundo, principalmente por vários tipos serem largamente evitáveis (24,74,256). Nos casos daqueles cujas causas podem estar relacionadas à situações de risco presentes no contexto do trabalho todos são potencialmente evitáveis (108).
A prevenção representa a estratégia com maior potencial em ações de saúde pública para reduzir os índices da doença, além de representar o método com melhor custo benefício em longo prazo. Integrada com ações que promovam a melhoria e qualidade de programas, linhas de cuidado e políticas de outras doenças crônicas e contextos cuja saúde dos indivíduos pode ser afetada, como condições de vida, trabalho e ambiente, hábitos e padrões culturais específicos, eficiência dos sistemas de saúde, a prevenção primária torna-se a mais eficiente estratégia de combate ao câncer e controle da exposição aos fatores de risco de indivíduos e coletividades (74,256).
Alguns sujeitos do estudo percebem a necessidade de um profissional médico atuante na instituição para desenvolver atividades educativas e de cuidados em saúde. Ainda está centralizada no médico a ideia de obter acesso às ações voltadas para a promoção da saúde e prevenção de doenças, com pouco entendimento da importância de uma equipe multiprofissional que seja capaz de contemplar as demandas dos trabalhadores em todas as dimensões. Identifica-se, portanto, nos discursos que também está representado para o grupo, que na consulta médica individualizada encontra-se espaço para obter acolhimento quanto as vulnerabilidades visíveis e invisíveis presentes no cotidiano do trabalho.
Eu acho que deveria ter uma equipe aqui, uma equipe médica (E1).
Uma equipe médica, uma equipe pra informar, tinha que ter, porque nós não temos. (G1)
Se o X funciona 24h deveria ter uma equipe médica aqui para isso 24h. Porque você não tá correndo risco só de passar mal, por um mal paralelo, aqui você tá correndo risco de passar mal por tudo. Então, deveria ter uma equipe médica aqui só pra isso, prontificada só pra isso, pra atender o funcionário, principalmente aqueles que correm maior risco de contaminação. (G1)
E um médico que acompanha! Porque, infelizmente, nós temos um médico aqui que chega às 6h e vai embora às 7h. Isso quando chega nesse horário.
Porque geralmente chega 5h, 5h e pouca e vai embora 6:30h. O horário que o pessoal tá chegando, que era pra ele tá aqui, ele já foi embora. (G1)
É aquiescente na literatura em saúde que a centralidade das ações na figura do profissional médico é ultrapassada, e incapaz de garantir a universalidade, integralidade e equidade das dimensões assistenciais em saúde, principalmente as de caráter educativo e preventivo. O trabalho interdisciplinar e dialógico é gerador de mais qualidade nos modelos assistenciais em saúde, pois descentraliza a atenção no procedimento e na dimensão biológica, com vista a romper com a fragmentação do indivíduo e conceber cuidados e práticas capazes de contemplar ao máximo a complexidade e multideterminação da vida humana (257,258).
As ações e intervenções em saúde, higiene e segurança no contexto do trabalho deve ter como base a participação de uma equipe multiprofissional, que integre trabalhadores e gestores, e que considerem às demandas singulares do local. A abordagem deve ser transdisciplinar, intersetorial e, principalmente, coletiva para que haja integração de todos os sujeitos pertencentes a determinada realidade, um comprometimento homogêneo e coparticipação na implementação de práticas seguras e preventivas. E, nesse cenário, o profissional enfermeiro possui conhecimentos e atribuições consoantes com essas exigências e qualificações, com habilidades para intervir em defesa de ambientes e processos de trabalho saudáveis (259,260).
As inquietações dos participantes quanto a prevenção dos riscos laborais para o câncer estão ancoradas na ausência de mecanismos educativos, que transfiram informações e conhecimento que os empoderem de um saber capaz de gerar autonomia e poder de negociação com os empregadores.
[...] essa conscientização aí, conversar, explicar, ensinar o que pode ser feito, o que não pode, o que pode ocorrer se não usar o equipamento. Melhorar a estrutura, uma pessoa pra ficar de olho, pra " oh, você tá errado, tem que fazer assim, assim, assim". Tem ali um, mas... (E4)
O que eu tenho a dizer é o seguinte, é preciso que mude as estruturas. A coisa não pode ser feita conjuntural não, ela tem que ser estrutural. É colocar profissionais que conheçam das áreas que estão atuando, entendeu? E que tenham isso aqui, respeito, que sejam responsáveis, entendeu? Pra que? Pra que possam fazer o treinamento das pessoas que entram nos setores, pra fazer a prevenção. É por causa disso que eu disse essas palavras, respeito, responsabilidade e prevenção são fundamentais em todo, toda a estrutura. Porque senão vai acontecer o seguinte, igual a P1 disse, entram pessoas aqui sem conhecimento ou com conhecimentos
superficiais que não vão absorver o que não é realmente de prevenção. (G1)
Então, é preciso antes de começar, iniciar o trabalho no X, é preciso de ter uma equipe pra receber, uma equipe de treinamento, entendeu? O lixo não é urgente não, não é urgente. Coletar lixo não é urgente! O que acontece é o seguinte, tem que haver etapas a serem respeitadas, principalmente, no treinamento, porque o treinamento é a base de tudo. Porque amanhã ou depois, essa equipe que treinou, treinando uma certa quantidade de elementos que vão ser inserido no serviço de coleta, eles podem ser multiplicadores da questão da prevenção e da segurança. Por quê? Vão fazer, informar essas outras pessoas que estão entrando no serviço público, entendeu? E dando orientações que vão ser benéficas, tanto pras pessoas que estão fazendo manuseio dos resíduos, quanto pessoas que estão no entorno. (G1)
E o treinamento, treinamento das pessoas. Por que? À partir dessa palestra aqui, desse círculo pra gente dividir os conhecimentos e as ansiedades de todos nós, nós possamos partir daqui pra uma prevenção, reivindicar os exames periódicos, entendeu? Pra que daqui pra frente possa melhorar a nossa condição de trabalho. (G1)
Nas falas percebe-se a demanda do grupo pela educação permanente, capacitação em serviço, para que possam se proteger dos riscos que os exponham ao desenvolvimento do câncer.
A educação continuada é uma ferramenta que tem como escopo o desenvolvimento de habilidades e capacidades humanas para o desempenho adequado das atividades que são de sua competência técnica e comportamental. É uma estratégia que aumenta a proficiência das habilidades motoras, cognitivas e interpessoais, ampliando a motivação para o trabalho e a segurança (261).
Apesar dos trabalhadores reconhecerem a importância do treinamento para protegê-los dos riscos presentes no desempenho de suas atividades laborativas, não há por parte dos gestores um compromisso com a reorientação organizativa do serviço que vise implementar medidas educativas e integrativas. Esta conduta dificulta o desenvolvimento de atitudes proativas e criativas dos trabalhadores, e favorece a presença de sentimentos, pensamentos e comportamentos inseguros e reducionistas.
Capacitar o trabalhador é estratégia essencial para o desenvolvimento do seu pensamento crítico acerca do seu papel na instituição, dos seus direitos e deveres que os permitam atuar com competência e qualidade, reduzindo riscos e vulnerabilidades. É, portanto, investir na melhoria dos processos de trabalho e avançar nas relações interpessoais.
Urge a necessidade de empoderar de forma permanente esses trabalhadores para romperem com o processo de marginalização que as macroestruturas políticas e econômicas condicionam e determinam ao ambiente e processo de trabalho que vivenciam, expondo-os, cotidianamente, aos múltiplos fatores de riscos para o câncer e outros adoecimentos.
E cabe aqui ressaltar que esse empoderamento deve vir por meio da educação que utilize métodos dialógicos e de cogestão, os quais favoreçam o exercício do poder-com-outro (power-with) e não reproduzam práticas pedagógicas que se proponham a exercer o poder-sobre-o-outro (power-over). Educação empoderadora é um caminho sem volta para a transformação e a inclusão social, que instrumentaliza os indivíduos para lutar contra as inúmeras formas de opressão, submissão e exploração da força de trabalho, bem como favorece o fato de torna-los sujeitos reflexivos, autônomos e socialmente solidários (142,262).
No entanto, o empoderamento é altamente influenciado por elementos estruturais dentro da organização. Um ambiente de trabalho capacitador garante que funcionários tenham acesso às informações, recursos, suporte e oportunidades para aprender e crescer. Outros fatores que facilitam o acesso a essas estruturas de capacitação incluem características específicas do trabalho e relações interpessoais que promovem uma comunicação eficaz (263). E, nesse sentido, os trabalhadores da instituição pesquisada não estão amparados e respaldados por essa estrutura.
Reflete-se, a partir dessa realidade, que há uma lacuna entre o conhecimento produzido e sua aplicação na prática. Disseminar e incorporar evidências de pesquisas na realidade das práticas em saúde, inclusive no campo da saúde do trabalhador, é uma tarefa árdua. Exige a presença de profissionais de saúde capacitados e comprometidos em compartilhar conhecimentos, com o objetivo de melhorar a capacidade da força de trabalho para proteger a sua saúde e enfrentar os condicionantes do adoecimento. E, também, é necessário incluir os trabalhadores na etapa de planejamento estratégico, que os tornem agentes participativos no processo de negociação e tomada de decisão (264).
No entanto, a abordagem metodológica deve buscar o rompimento da lógica individualista, que normatiza e culpabiliza o indivíduo pelo seu estado de saúde. É fundamental que os dispositivos de ensino utilizados ultrapassem o mero compartilhamento de informações e que tenham como princípio norteador a
reciprocidade dialógica, que respeitem as diferentes formas de pensar, valorizem vivências, culturas, hábitos e experiências e, acima de tudo, reconheçam que nenhum indivíduo é constituído de um espaço em branco (265).
Porém, nossos atores sociais representam a palestra como a melhor forma de obter o conhecimento. Inclusive, um dos discursos destaca que a participação deve ser obrigatória para que ocorram mudanças de mentalidade coletiva. Interessante destacar também, que alguns dos sujeitos sugerem estratégias para estruturar a consecução das palestras, bem como os temas que precisam ser trabalhados. É marcante nas falas o destaque à baixa escolaridade, que para os sujeitos do estudo funciona como um elemento impeditivo para a compreensão da importância de atividades educativas para melhorar a saúde e a qualidade de vida. Novamente, a centralidade do profissional médico como executor de atividades educativas emerge nas falas.
A gente vê tanto sofrimento, pessoas aí que poderia evitar um câncer no dia de hoje. Num tá tendo palestra, ou a palestra não chega naquele lugar, ou porque tem ali um patrão ignorante, né? Ou porque tem uma empresa ali que não responsabiliza, que não quer nem responsável pela saúde do servidor, né? Então, eu acho que não vai lá é por causa disso, pela ignorância que a pessoa... o tempo do dinheiro é muito corrido, é muito corrido. Então, quando a pessoa não dá tempo de você explicar, né? Como a saúde, como a vida é bela, né? Você adoece muito rápido (E7)
Acho que umas palestras, explicando, às vezes chamando até a própria pessoa que, às vezes, tá com aquele risco, é que tem aquela resistência maior. Conversar com a pessoa no particular, tudo direitinho, explicar o que é que pode ser prevenido, para poder dar mais um conforto e uma segurança para poder a pessoa fazer exame. Acho que uma campanha explicativa, entendeu? Por um curto tempo. Vamos supor de 6 meses. Na época avaliar, fazer um... avaliar um perfil de idade, se a pessoa tá aproximando dos 40. Ou, então, com 65 tem que fazer o exame com... vamos supor, de seis em seis meses, de ano em ano. Uma campanha explicativa ativa, entendeu? Para poder quebrar esse tabu e esta resistência. Acho que eles precisam, nem só aqui, como em outro setor. Mas eu falo, aqui dentro deveria ter este trabalho de conscientização (E22).
Eu acho que ela deveria promover, conforme eu falei, é palestras. Trazer pessoas adequadas, qualificadas para poder fazer, dar uma palestra para o pessoal, explicar direitinho. Porque, às vezes, a pessoa não tem tanta informação, sabe o básico, mas a fundo... Deveria investir mais, explicar direitinho, dá umas palestras pra falar com o pessoal "cuida, pois pode acontecer isso, pode vim um câncer", porque a pessoa não dá importância (E25).
Ah, tem que ter uma palestra, um médico mesmo de rocha. O doutor M não faz nada. Você vai lá e ele fica brigando com você. Não arruma nada! Se tivesse uma parte assim, vamos supor, a prefeitura tem um plano de saúde,
ele tinha que vim aqui fazer uma palestra sobre isso aí. Eles não vem não. Assim, fica difícil! A não ser que tivesse um médico que viesse fazer isso. Aqui não tem nada disso não. Aqui eles fazem mais palestras é negócio de motorista, é não sei o quê, é bobeira. Mas sobre saúde tem pouca coisa! Fala nada, porque aqui quando morre um, só lembra no dia. Depois passa dois dias, deixa para lá e pronto acabou (E26).
Mais palestras, entendeu? Conversar mais com a gente. Por mais assim, a idade de uns é mais elevada, é mais cabeça dura. Tentar colocar qual a importância deles pra a empresa, até mesmo pra família deles. Porque muitos não esquenta a cabeça, né? Deixa vir. Mexe no lixo e tal. Então, deveria evitar isso. Mas, infelizmente, parece que vem de longos tempo deles. Para você implantar hoje uma ideia, conscientizar o seu coletor é bem difícil (E28).
Então, a primeira coisa séria é chegar e você ter uma palestra de como usar o equipamento, o que a empresa tem para oferecer. Não tem aqui! Eu nunca tive isso aqui, entendeu? Aqui não tem isso. Então, na outra empresa eu sei disso, eu trouxe de lá para cá isso (E30).
Por que não vem alguma palestra, fazer uma orientação? Isso aí não precisa ser feito assim todos os dias, né? Vamos pegar aí um ano, faz 4 vezes no ano, 3 vezes no ano, a pessoa já tá mais ou menos orientada ela já sabe o que vai fazer, né? É um tipo de prevenção, um cuidado a mais que a pessoa vai fazer. E, hoje, isso não se tem aqui no X. Que eu gostaria que tivesse pra poder a gente tá pelo menos assim... amanhã falar assim "eu tô com meus exames legal". Todo mundo acha que tá com os exames legal porque não tá sentindo nada. Na hora que cair não sabe o que tá acontecendo. Então, eu acho que falta isso, um pouco de orientação. Deveria ter uma pessoa pra poder dá esse suporte, né? Além da orientação, trazer pessoas que possam trazer informação. [...] Aí, eu acho que seria muito bom pra poder... pro pessoal tá mais consciente.(E31)
Eu acho que palestras, palestras, porque muita gente aqui, a maioria, os mais antigos, não tem muita cultura, não é só de inteligência. É um povo mais antigo com a mente mais fechada. Tem gente aqui tem a oportunidade, igualzinho os exames foram feitos exames de próstata, o PCA. Teve muita gente que não quis fazer "não, vou perder a minha masculinidade". Assim, é gente de mente pequena, só que, só a palestra não adianta não. Aqui não adianta, aqui tinha que ser como se fosse uma coisa obrigatória, entendeu? Você não pode só dar a opção, se você quiser ir, você vai não. Tinha que ser uma coisa obrigatória se não for vai perder o dia (E36).
Eu acho que a primeira coisa é palestra, educação. Que você educando o seu funcionário e mostrando para ele o que quê se pode na realidade, mostrando o que se pode pegar. Acho que a partir dali, ele cobraria mais do seu encarregado, do seu chefe “Oh fulano, estou precisando disso”, porque acontece isso. A gente teve a palestra, assim, assim, assado. À partir do momento que não tem educação, aí fica complicado, porque a pessoa é leiga, tá mexendo com aquilo ali e assim vai. Ao mesmo tempo que ele tá mexendo, ele tá colocando a mão na boca (E38).
Ah, acho que poderiam ser mais atenciosos, porque tá faltando um pouco de... como é que eu vou dizer? Prevenção mesmo. Trazer mais pessoas pra poder tá orientando a gente, fazer preventivo, por exemplo. É ensinar a
gente a fazer o autoexame, detectar algum tipo de mancha, observar a pele da gente, trazer mais esclarecimentos. Porque eu creio que muita gente aqui, por conta do trabalho, às vezes, não para pra pensar nisso, em prevenir. Às vezes, não vai no médico, não pensa nisso. Então, seria bom assim, uma vez no mês, ou então de 3 em 3 meses desse uma orientação. Eu fiz o hemograma completo na casa da saúde mulher, mas até agora eu não sei pra quem que eu vou entregar esse exame, porque eu não sei a quem vou me direcionar, pra mostrar esse exame. Então, seria bom se tivesse mais, mais palestras, entendeu? (E48)
Quanto mais palestras assim, pra gente seria melhor, né? Produtos químicos que a gente lida indiretamente ou diretamente, né? O uso do uniforme, algumas providências que a gente pode tomar para poder evitar alguns certos tipos de acidentes. Quando eu entrei, não passaram nada disso pra gente, não! Eles simplesmente deram uniforme: “Pessoal, trabalha aí”, a gente coletava o lixo e jogava dentro do caminhão. Foi a gente no dia a dia, com os outros funcionários mais antigos que falavam: “Toma cuidado com isso!”. (E52)
Então, eu acho que através de palestras, entendeu? Mas, não é uma palestra, faz este ano e uma no ano que vem não, tem que ser assim, coisas assim mais incisiva, não é verdade? Para que as pessoas se interessasse mais, né? Você dá uma palestra hoje e a outra só no ano que vem. Aí, a pessoa nunca se interessa, né? Então, eu acho assim, tendo assim frequentemente seria melhor. Acho que é uma das formas de você está conscientizando em relação câncer, né? E, também, em relação ao câncer e o local de trabalho também.(E56)
Eu acredito que o primeiro passo é informação, palestras, entendeu? Até chegar! Não adiantou? Aí, você parte para outros meios, entendeu? Mas aqui não temos palestras. (GF1)
Eles poderia fazer assim, pelo mesmo duas vezes por ano, uma palestra, uma orientação pra o funcionário, fala assim "oh gente, isso é risco procês, vocês tem que ter cuidado com vocês mesmo". (GF2)
Eu penso que aqui tinha que ter, tipo assim, prestar mais atenção nos funcionários, como se fosse para prevenir, igual o negócio do câncer, fazer umas palestra, explicar mais o serviço, conversar com as pessoas, porque aqui só bate o cartão e vai trabalhar. Some. Eles não preocupam com você, não. Acho que tinha que parar mais… para todo mundo, vamos trazer uma pessoa especializada para conversar, fazer uma palestra, explicar os cuidados que tem que tomar, o que você tem que fazer. Eu penso nisso assim. (GF3)
Esse tipo de metodologia – palestras – em geral, faz uso de abordagem focada na reprodução de conhecimentos técnico-científicos, de forma passiva e pouco interativa, oferecendo pouco ou nenhum espaço aos indivíduos para colocarem suas dúvidas, sentimentos, valores, angústias e questionamentos. Assim, a aquisição de mudanças significativas no nível de conhecimento é comprometida.
É imperativo que as metodologias de ensino-aprendizagem ofertem espaços para discussões e reflexões que abarquem aspectos culturais, históricos, psicossociais e ambientais de indivíduos e grupos. Fazer com que o conhecimento provoque transformações efetivas requer métodos criativos e inovadores que sejam capazes de criar um ambiente de compartilhamento interativo e contextualizado (266). Metodologias ativas, participativas e problematizadoras intentam romper com a herança do modelo cartesiano nas práticas educativas em saúde, centradas apenas na transmissão de informação entre educador e educando, sem incorporar o indivíduo como autor e sujeito de sua própria mudança (266).
No que diz respeito a ideia de intervenções em educação e saúde deve- se considerar as representações sociais dos sujeitos coletivos, que elaboram e constroem pensamentos influenciados pelas trajetórias e experiências compartilhadas no grupo (267). Nesse sentido, a obtenção de propostas pedagógicas com efeitos expressivos sobre a ampliação e apropriação da percepção de risco ocorre por meio de uma aproximação com o universo social, simbólico e cultural da população o qual se pretende atingir, incentivando-a a participar ativamente desse processo de educação em saúde (265).
A informação permite debater, sensibilizar e apontar os riscos, criando momentos que propiciam a reflexão sobre as ideias e valores pessoais. O processo educativo quando estruturado para prover uma discussão crítica-reflexiva, propicia a adoção de comportamentos conscientes frente a prevenção dos fatores de riscos