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Superstrat diélectrique sur antenne Kathrein

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Andréa tem 28 anos, nasceu em Camaçari e foi criada pelos pais. Tem dois irmãos, um homem e uma mulher: o mais velho tem 30 anos e a mais nova tem 26 anos48. Teve uma infância boa,

apesar das dificuldades financeiras que sua família enfrentava. Não precisou trabalhar quando criança, mas começou a estudar muito tarde, aos 8 anos. Contou que passou um tempo vivendo com uma tia evangélica que a forçava a frequentar a igreja, motivo de sua recusa atual: “não tenho nada contra, mas odeio evangélico”, ela enfatizou. Não lembra com que idade começou a trabalhar como manicure na vizinhança, segundo ela, “pra tirar algum dinheiro”. Trabalhou em uma creche por um tempo e depois trabalhou como empregada doméstica por alguns anos. Em Candeias, município próximo a Salvador, trabalhou como zeladora em uma escola. Ainda mora com os pais e o irmão e o sustento da casa é garantido pelo trabalho dela, do pai e do irmão (a irmã é casada e mora em Simões Filho). Sua tia e primos moram na vizinhança. Ela não tem filhos e considera a mãe como sua única dependente: “depende de tudo, de médico, remédio, dinheiro, ajuda nas tarefas domésticas”. Tem vontade de ter filhos, mas acha muito complicado ser mãe no mundo de hoje e com as dificuldades financeiras que tem: “por enquanto, está fora de cogitação”, ela ponderou. Quando nos conhecemos, ela estava desempregada e conseguia, por mês, cerca de 400 reais fazendo faxina. Três meses depois da conclusão do curso, nos encontramos para que eu pudesse fazer uma entrevista; na ocasião estava animada, pois havia conseguido ser admitida em uma empresa que intermedia serviços de cuidados voltados para idosos, fornecendo mão de obra qualificada para famílias que precisam desse tipo de profissional. Andréa apresentou o certificado do curso de cuidador, fez um treinamento e estava esperando ser chamada para trabalhar como cuidadora49.

47 No curso de cuidador de idosos, em Salvador, conheci algumas mulheres que se mostraram disponíveis para

participar da pesquisa. Entre elas, algumas já trabalhavam como cuidadoras de idosos e por isso serão apresentadas logo mais, no subitem “cuidadoras contratadas”. Aqui apresento apenas o perfil de duas alunas do curso que ainda não possuíam experiência como cuidadora remunerada, apesar de já terem experiências como cuidadoras familiares de parentes idosos.

48 Contou que pai ficou ausente por 11 anos e que por muito tempo ela o odiava: “agora que estamos nos

aproximando mais, quem me criou mesmo foi minha mãe”. Ela e os irmãos odiavam o pai, pois ele era muito distante e pouco amoroso. A relação começou a mudar quando ele teve um AVC “e descobriu que tinha filhos”, pois foram eles que cuidaram do pai quando ele precisou: “quem percebeu os sintomas, levou pro hospital e ficou cuidando dele em casa fui eu, apesar dele ter abandonado a gente”.

49 Andréa me explicou que “precisa ter cliente. Quando aparece uma família que bate com nosso perfil, eles

chamam e eu estou esperando isso”. Muito animada, contou que há uma semana a empresa entrou em contato dizendo a ela que procurasse aprender a aferir pressão, medir temperatura e fazer teste de glicemia pois a família onde ela provavelmente iria trabalhar tinha uma idosa que precisava desse acompanhamento diariamente. Andréa entrou em contato com a professora Eliana para aprender a fazer o teste de glicemia, pois durante o curso não

Sobre sua experiência no curso, afirmou que ainda há muito a aprender e mencionou algumas preocupações: “essas coisas mais técnicas, esses aparelhos novos que eu não sei usar direito, mas principalmente ter equilíbrio emocional pra enfrentar essas situações delicadas de família”. Avaliou sua saúde como boa, mas não tem assistência médica particular e costuma ir ao médico para fazer exames anualmente através da rede pública de saúde. Considera importante ir ao médico, não tem problemas de saúde e segue as recomendações do médico apenas quando concorda com ele. Costuma sair de casa, gosta de conversar com a cunhada que é sua grande amiga, mas tem poucos amigos íntimos. Gosta muito de namorar e passear. Não gosta de ficar em casa. Quando tem um tempo livre conversa com a cunhada

Amanda

Amanda tem 24 anos, declarou-se negra e Testemunha de Jeová. Nasceu em Salvador. Foi criada pelos pais e tem quatro irmãos, um homem e três mulheres – a mais velha tem 35 anos e Amanda é a caçula. Contou que brincou muito na infância e sofria algum bullying por ser “gordinha” na época. De todo modo, falou com alegria sobre esse tempo onde corria, pulava e cantava. Começou a trabalhar aos 9 anos, cuidando de crianças da vizinhança cujos pais pagavam uma módica quantia (200 reais) para ela ficar em suas casas quando estes precisavam se ausentar. Esse dinheiro era compartilhado com sua família, sendo uma atividade regular e desenvolvida ao mesmo tempo em que ela frequentava a escola: “e até os 16 anos foi isso o que eu fiz”. Também ajudava em casa, realizando tarefas domésticas. Aos 17 anos voltou a Salvador (morava em Barra do Pojuca com toda a família) e começou a trabalhar numa lan house. Depois trabalhou como vendedora, auxiliar de dentista e também como promotora de vendas na empresa que produziu o curso de cuidador de idosos que participamos (Amanda abordava pessoas na rua falando dos cursos). Concluiu o ensino médio e estava casada há um ano com um rapaz de 28 anos que trabalhava como zelador. Amanda, na ocasião da entrevista, trabalhava há 3 meses como assistente comercial – encontrei-a na Estação da Lapa vendendo plano de telefone celular. Ela e o marido recebem, cada um, um salário mínimo e juntos custeiam as despesas da casa. Amanda não tem dependentes nem considera depender de ninguém. Explicou- me que não quer ter filhos porque é uma grande responsabilidade “emocional, financeira e espiritual”. Disse que só terá filhos se não precisar trabalhar fora de casa e puder se dedicar exclusivamente à educação de seus rebentos, porque não quer que outras pessoas criem seus filhos.

houve tempo para essa aula. Andréa afirmou que o curso despertou seu interesse na profissão de cuidadora de idosos e que quer mesmo trabalhar nessa área.

Perguntei se já havia cuidado de parente idoso e ela respondeu que não, mas depois perguntou: “sogra não é parente não, né?”. Ponderando sua resposta, ela afirmou ter cuidado da sogra, inclusive acompanhando-a em hospital, além de ir à casa dela para fazer companhia. Também cuidou de todos os sobrinhos em algum período, quando um deles tinha 10 anos e o outro 9. Avaliou sua saúde como maravilhosa (não tem assistência médica). Disse-me que vai pouco ao médico, só quando está doente mesmo. Não acha necessário ir tanto ao médico, embora considere importante ir e fazer exames regularmente. Tem problemas de saúde, como depressão e ansiedade generalizada. Aos 15 anos fez tratamento com medicamentos e terapia, mas depois achou que não devia continuar porque as medicações apenas pioraram seus sintomas: “tomei pavor de médico que trata problemas emocionais”, confessou. Participa de seu grupo religioso (Testemunhas de Jeová) fazendo serviço de pregação nas ruas, reuniões regulares e congressos locais. A mãe também é da mesma religião. Costuma sair de casa com frequência, gosta de comer fora, ir à praia, viajar e dançar. Também viaja com frequência para visitar a mãe no interior. Disse que tem mais de 5 mil amigos no mundo inteiro: “as Testemunhas de Jeová estão em mais de 235 países, então em todo lugar nós temos amigos”. Também tem muitos amigos que não são da religião. Costuma fazer e receber visitas com frequência. Gosta de pregar, como ela considera: “ensinar as pessoas o que vamos ter oportunidade de viver no mundo depois desse mundo aqui”. Não gosta de trabalhar: “queria ser rica e não precisar trabalhar”. O tempo livre é gasto cuidando de casa, ouvindo música, vendo filmes, mas não gosta de internet.

2.1.1.4. Cuidadoras Contratadas (alunas do curso de cuidador de idosos)50

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