Apresenta-se, neste momento, a caracterização do contexto onde foi desenvolvido o estudo, cidade de Rio Branco, de modo a contextualizar a investigação no espaço geográfico e político. O Estado do Acre, cujo nome origina-se de Aquiri, transcrita pelos exploradores desta região da palavra Uwakuru do dialeto dos índios Ipurinã, surgiu a partir do seringal fundado em 28 de dezembro de 1882, pelo cearense Neutel Maia. O Acre é o 15º Estado brasileiro em extensão territorial, e de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), ocupa uma área de 164.122.280 Km2, tem uma população total de 733.559 habitantes apresentando uma densidade demográfica de 4.47 hab/km2. Possui 22 municípios sub-divididos em 5 regionais que aglomeram municípios respeitando suas peculiaridades ecológicas, econômicas e produtivas.
Rio Branco se localiza a 9°58'29" sul e a 67°48'36" oeste, numa altitude de 153 metros acima do nível do mar. A cidade é cortada pelo rio Acre, que divide a cidade em duas partes denominadas Primeiro e Segundo Distritos. O município localiza-se na microrregião de Rio Branco, mesorregião do Vale do Acre. Limita-se ao norte com os municípios de Bujari e Porto Acre e com o Estado do Amazonas, ao sul com os municípios de Xapuri e Capixaba, a leste com o município de Senador Guiomard e a oeste com o município de Sena Madureira.
Rio Branco é capital do estado, distando 3.123 quilômetros da capital federal, Brasília. Principal município do estado, de acordo com uma estimativa do IBGE possui uma população de 348 354 habitantes, o qual a coloca como a sexta maior cidade da Região Norte e a 66ª maior do Brasil. Sua área territorial é de 9.222.58 km², sendo o quinto município do estado em tamanho territorial. De toda essa área, 44.90 km² estão em perímetro urbano.
O povoamento da região de Rio Branco se deu no início do século XIX, com a chegada de nordestinos. O desenvolvimento do município ocorreu durante um grande período dado pelo Ciclo da Borracha. Nesta época ocorreu ainda uma miscigenação da população, com traços do branco nordestino com índios Kulinaã, sendo que houve também influência de povos vindos de outras
regiões do mundo, como portugueses, espanhóis, turcos, libaneses e vários outros.
A capital recebeu este nome em homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, que tornou-se amplamente conhecido pelo seu título nobiliárquico: Barão do Rio Branco. Antes estabelecida no Seringal Volta do Empreza, a prefeitura teve sua sede transferida em 1909 para onde se localizava o Seringal Empreza. Em 1912 a Vila Pennápolis, que se chamava assim em homenagem ao então Presidente do Brasil, Afonso Pena, teve seu nome alterado para Rio Branco, em homenagem ao diplomata que anexara o Acre ao Brasil.
A Prefeitura de Rio Branco, divide a cidade em 7 áreas urbanas, denominadas regionais. Cada regional possui peculiaridades, já que foram definidas com base em fatores sócio econômicos, comprendendo bairros e conjuntos habitacionais com características semelhantes. Elas são numeradas de I a VII, sendo que cinco delas se localizam no 1º distrito: II, III, IV, V, VI; e outras duas no 2º distrito: I, VII. As regionais são compostas por um total de aproximadamente 167 bairros. De acordo com informação da Prefeitura de Rio Branco as regionais são compostas por um determinado número de bairros que varia de 10 a 33 bairros, a saber: Regional I, 10 bairros; Regional II¸ 26 bairros; Regional III¸ 29 bairros; Regional IV, 33 bairros; Regional V, 33 bairros; Regional VI, 16 bairros e Regional VII, 20 bairros.
A seguir apresenta-se o mapa da cidade de Rio Branco, demarcado pelas sete regionais.
Figura 1. Mapa de Rio Branco por regionais de bairro.
Segundo o IBGE (2010), a população pertencente a faixa etária objeto do estudo (15 a 19 anos), totaliza 66.955 mil jovens, dos quais 33.422 são do sexo masculino e 33.555 do sexo feminino.
Convém salientar que o estado do Acre, sobrevive da agropecuária e extrativismo que se definem como atividades do campo rural e que contribui de forma indireta para a economia local, a geração de empregos e oportunidades, mas que não são suficientes diante da falta de indústrias, comércio e outros tipos de organizações que possam interceder no desenvolvimento de ações, políticas e programas dedicados à população. Pode-se inferir que o estado é pobre e suas ações via de regra dependem do governo federal, haja vista que, diante do acima referido, a arrecadação de impostos é insuficiente para a
sobrevivência e realização do necessário ao desenvolvimento das políticas. Nesse sentido, vale aqui enfatizar que a cidade de Rio Branco, assim como os demais municípios do Estado, não desenvolvem programas específicos e sim alguns poucos oriundos do Governo Federal, como por exemplo o Pró-Jovem, o Pronatec e o PELC.
O Estado do Acre conta hoje com Assessoria Especial de Juventude, a nível municipal e estadual e com o Conselho Municipal e Estadual de Juventude que vem empreendendo ações para a construção da política estadual de juventude. Acompanhando o cenário nacional, a Assessoria de Juventude do Estado do Acre realizou todas as conferências municipais de juventude, reunindo os jovens acreanos e discutindo com eles a construção de um futuro de cidadania e reforço de direitos para todos. Um dos avanços que podemos relacionar é a aprovação da Lei 1839/2011 que cria o sistema municipal de juventude.
Apesar de pequenos avanços, ainda é necessário um maior entendimento e integração dos diversos grupos constituídos no sentido de que eles devem pensar uma política para todos, partindo de todos, sem a separação político partidária que hoje se assiste. Em pretérito bem recente, por ocasião das eleições municipais, o que se assistiu foram duas juventudes separadas por ideologias partidárias, fazendo seus planos e metas em seminários distintos.