Partindo da potência instalada atualmente em Portugal de FER e com o objetivo de diminuir a volatilidade da produção renovável foi possível constatar que se chegou a um ponto em que não existe mais espaço para o investimento numa maior potência instalada de eólica e mini-hídrica em Portugal. Ao invés, o que terá de acontecer para possuir uma maior diversificação das fontes renováveis será efetuar um enorme investimento em PRE fotovoltaica fazendo diminuir assim o risco referente a inúmeras situações, sendo estas constituídas por variabilidades de recursos naturais, por intermitência de tensão e frequência prejudiciais para o sistema elétrico.
A diversificação das fontes de energia elétrica tem como principal objetivo a diminuição do risco do suprimento de energia oferecendo uma maior segurança no abastecimento. A aplicação da teoria do portfólio às FER permitiu calcular qual a proporção de cada tipo de tecnologia no conjunto das FER disponíveis em cada região, com o objetivo de maximizar a produção e minimizar a sua variabilidade ao combinar tecnologias negativamente correlacionadas consegue-se diminuir o risco/volatilidade da produção total.
Deste modo, e relativamente aos resultados provenientes das carteiras ótimas verificou- se não ser necessário instalar mais potência eólica e mini-hídrica no sistema elétrico nacional. Pelo contrário, para se possuir um portfólio de FER com menor volatilidade em Portugal Continental é necessário aumentar a potência instalada de PRE fotovoltaica.
Verificou-se que quanto maior for o investimento de energia renovável em Portugal, maior terá que ser o aumento de capacidade instalada de PRE fotovoltaica no SEN, tanto para um ano seco como para um ano húmido. Apesar de esse investimento de potência fotovoltaica poder existir, a energia renovável total continua a não chegar para satisfazer o consumo tanto para um ano seco como para um ano húmido, ou seja, por meio dos resultados constata-se que a percentagem de renovável no SEN continuará a ser inferior ao consumo, independente do valor de investimento.
No que se refere à potência entregue à rede verificou-se que a produção de energia a partir das centrais hidráulicas e fios de água é superior nos anos húmidos, possuindo valores mais baixos para as estações mais quentes. Constatou-se, ainda, em comparação com o cenário húmido que o cenário seco apresenta uma diminuição em cerca de 63%
da potência entregue à rede pelas centrais hidroelétricas (fios de água e PRE hidráulico), sobretudo devido à falta de precipitação. No caso das centrais fotovoltaicas verifica-se o contrário, ou seja, a sua produção é maior no ano seco em que os valores de radiação solar são maiores. O aumento da potência instalada de centrais fotovoltaicas será assim importante para complementar a produção das restantes renováveis nas alturas do ano em que esta é menor.
Considerando as várias fontes com origem solar que podem suprir eletricidade a energia fotovoltaica é sem sombra de dúvida a mais disponível. Portugal apresenta três vantagens para investir nesta tecnologia, sendo uma delas a sua localização privilegiada, a escassa potência instalada de PRE fotovoltaica introduzida no sistema elétrico, quando comparando com PRE eólico e hídrica e caso exista este aumento de potência instalada de PRE fotovoltaica, faz com que o sistema elétrico possua uma maior diversificação relativamente ao fornecimento de energia elétrica em comparação com outras fontes de energia.
A produção de energia elétrica por via fotovoltaica, com uma potência entregue quase proporcional à irradiância solar, pode revestir-se, assim, de grande importância para a gestão do SEN, porque a energia produzida é quase na sua totalidade entregue à rede nas horas de ponta e cheia do diagrama de carga nacional.
No entanto, existem limitações técnicas e de custo que impedem a alta penetração desta mesma fonte fotovoltaica, mesmo quando existe um bom potencial para o aproveitamento do recurso solar, como é o caso de Portugal. Embora, atualmente, a intermitência não seja um problema grave, pois as fontes de energia solar representam uma pequena parcela da produção de energia total, no futuro, um aumento da penetração de grandes centrais fotovoltaicas numa rede elétrica local é suscetível de introduzir novos problemas técnicos, tais como flutuações de tensão, degradação da qualidade da energia elétrica e até mesmo problemas de estabilidade.
Desta forma, para uma integração bem-sucedida da energia com origem solar na rede elétrica, torna-se indispensável o desenvolvimento de medidas eficazes para superar estes desafios técnicos e controlar a variabilidade com diferentes níveis de penetração fotovoltaica no SEN.
Se por suposição, o valor de potência instalada em Portugal, no ano de 2014, fosse 5.5 vezes superior à existente no ano de 2012, ou seja, da ordem de 2255 MW, a extrapolação dos resultados, permite prever que a potência máxima entregue pelas centrais fotovoltaicas nesse ano poderia ter sido 10 vezes superior, ou seja, da ordem de
1196 MW. Este valor equivaleria sensivelmente à potência entregue pelas centrais hidroelétricas nesse mesmo ano de 2012. Tal situação, a longo prazo, iria conduzir a maiores quantidades de água armazenada nos reservatórios, ou seja, o que equivaleria a ter mais energia armazenada e potência disponível no SEN, permitindo por um lado, satisfazer mais eficientemente os picos de consumo do diagrama de carga e, por outro, compensar diminuições da produção nas centrais que utilizam fontes renováveis resultantes de variações de disponibilidade de recurso. As centrais fotovoltaicas podem, pois, constituir uma parcela importante na satisfação da potência solicitada à rede elétrica e pode complementar o aumento (em curso) da potência de bombagem instalada nas centrais hidroelétricas reversíveis para satisfazer os picos de consumo no diagrama de carga.
Pelas razões apontadas pode-se concluir que a nível nacional a instalação de centrais fotovoltaicas em larga escala pode complementar a produção de energia a partir das centrais hidroelétricas, nas horas de cheia e ponta, uma vez que a produção de energia elétrica por via fotovoltaica, está em geral em fase de expansão, com a diminuição de precipitação e dos recursos hídricos disponíveis, sendo maior no verão e, em geral, em anos de seca.