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5 OPTICAL MODEL PARAMETERS

5.5 Summary of codes and data files

O AMOR É A EMOÇÃO FUNDADORA DOS PROCESSOS COGNITIVOS E SIGNIFICA O RECONHECIMENTO DO OUTRO COMO UM LEGÍTIMO OUTRO NA CONVIVÊNCIA, DENTRO DE UM DOMÍNIO DE CONDUTAS INTERATIVAS.

1 2 . O d o m ín i o d a s e m o ç õ e s é parte da episteme das ações de um processo cognitivo. As emoções, juntamente com os conceitos, fazem parte das premissas com as quais os sistemas autopoiéticos de ordem superior, os seres humanos, interatuam no ambiente. As ações são determinadas pelas emoções presentes num domínio de convivência. Quando mudam as ações é porque houve uma mudança da emoções presentes no processo de aprendizagem. Ou quando mudam as emoções, mudam as ações e estratégias. Isto porque para haver uma história de interações recorrentes — a ontogenia dos sistemas vivos —, num espaço físico

determinado pelo alcance das condutas e perturbações mútuas, é necessário haver uma emoção que determine a continuidade deste domínio de conduta. As emoções são dinâmicas corporais, ditadas por um fundamento biológico, que especificam os domínios de ação no qual nos movemos. Existem duas emoções fundadoras presentes na deriva ontogênica dos seres vivos: o amor e o ódio, a aceitação ou o rechaço. O amor é a emoção que define um espaço de conduta que aceita o outro como um legítimo outro na convivência, e o ódio é a emoção que define um espaço de negação da legitimidade do outro. Amor e ódio, nesta definição biológica, não são faces de uma mesma moeda. A alternativa a ambos é a indiferença. A indiferença significa a falta de um padrão de reconhecimento e não a negação da legitimidade, pois para isto é necessário o reconhecimento prévio. Um domínio de emoções é determinado pela extensão da atuação de padrões de reconhecimento da pertinência entre as unidades e seu ambiente externo.

13.

A l e g i t i m i d a d e d o o u t r o é uma das idéias-chaves para o entendimento da cognição como um processo pedagógico. Um sistema vivo reconhece o outro como legítimo num ambiente de convivência mútua através do reconhecimento de um padrão de pertinência. Pertinência é o fenômeno físico da existência de parte de si no outro. Assim, quando um sistema vivo, através de sua capacidade cognitiva individual, reconhece no outro — sistemas ou componentes -- seu próprio padrão de existência, estabelece-se a pertinência e com ela o reconhecimento da legitimidade do outro, ou seja, sua aceitação no acoplamento estrutural de ambas as unidades. Num domínio de condutas interativas -- onde seja possível observar a ontogenia dos sistemas vivos -- O

acoplamento estrutural de uma unidade com o seu ambiente acontece pelo reconhecimento mútuo entre u n i d a d e e a m b i e n t e da legitimidade e da pertinência física e biológica de cada um no operar do outro, criando um espaço de cooperação fundamental para o desenvolvimento do processo cognitivo. Quando se reconhece a legitimidade do outro para a convivência num mesmo espaço epigênico, significa que as condutas de cada um dos sistemas vivos estão interatuando entre si, na busca de sua plenitude biológica.

A força do amor num processo cognitivo é, portanto, responsável pela criação de um ambiente de afetividade e cooperação, no qual estratégias cognitivas -- racionais ou exclusivamente biológicas — estarão sempre associadas e determinadas por um domínio de emoções que leva a uma aceitação ou a uma negação do outro como um legítimo outro na convivência do processo. Somente quando a emoção fundadora é o amor há desenvolvimento processual cognitivo, pois este exige a cooperação entre as unidades envolvidas. Num ambiente de competição e de negação da legitimidade do outro, a cognição fica restrita à sua função biológica no interior da unidade e não acontece enquanto processo. Do mesmo modo, num ambiente onde os sistemas autopoiéticos não reconhecem padrões de pertinência e comportam-se de forma indiferente, também a cognição não acontece enquanto processo.

O reconhecimento de padrões de pertinência destaca-se, então, como a estratégia cognitiva fundamental para o estabelecimento de processos cognitivos. Inclusive para a construção inicial do domínio de emoções, já que as primeiras emoções acontecem exatamente no operar deste reconhecimento de padrões de pertinência. Estes padrões, como veremos a seguir, não possuem apenas uma essência física e biológica, mas também uma forma estética.

UMA ABORDAGEM COGNOTVA AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 8 4

O CAMINHO DA BELEZA NOS PROCESSOS COGNITIVOS

Nesta caracterização da cognição como um processo vimos inicialmente o argumento segundo o qual o sujeito cognoscente é um sujeito histórico, resultante da história de suas mudanças estruturais ao longo de sua existência. Depois vimos que estas mudanças acontecem num processo de convivência, num domínio de condutas interativas, em uma co-deriva ontogênica, na qual o desenvolvimento cognitivo exige um ambiente de cooperação e afetividade, construído a partir do reconhecimento de padrões de pertinências físicas e biológicas e do reconhecimento à legitimidade do outro no processo. O que vamos argumentar agora, sempre com base nos fundamentos biológicos apontados pelo trabalhos de Maturana e Varela, é que um terceiro elemento, além do histórico e do afetivo, colabora para o entendimento da cognição como um processo, qual seja, o da estética como padrão resultante da autopoiésis dos sistemas vivos. Para tanto vamos introduzir a idéia de c a m in h o d a b e l e z a, como uma representação epigênica da ontogenia da natureza, e a de d o m í n io d e e x p e r iê n c ia e s t é t ic a, que nos permitirá trabalhar a estética como um espaço pedagógico de criação cognitiva, vivenciado e experimentado por cada ontogenia.

e n t e n d e n d o o c a m in h od ab e l e z a

O CAMINHO DA BELEZA É A TRILHA DE SIMETRIA, ORDEM E HARMONIA DEIXADA POR TODAS AS ONTOGENIAS POSSÍVEIS DA NATUREZA E EXISTENTE NUM DOMÍNIO DE EXPERIÊNCIA ESTÉTICA VIVENCIADA PELO OBSERVADOR.

14.

O c a m in h o d a b e l e z a é o resultado do acoplamento estrutural do

universo. Toda unidade ou sistema autopoiético natural realiza seu operar seguindo e replicando padrões de ordem e simetria dentro de uma expansão harmônica. É a estética do belo presenteada de todas as formas e a todo momento pela natureza e pelo universo. Na natureza, a s im e t r ia

é a responsável pela sensação de beleza. Ela resulta da forma e portanto da estética dos acoplamentos estruturais, pois estes acontecem através do reconhecimento do padrão de pertinência física e biológica dos componentes. Quando uma molécula de proteína é sintetizada por uma célula ou quando um átomo de oxigênio liga-se a dois átomos de hidrogênio, estes acoplamentos acontecem num processo cognitivo dado pela pertinência estética entre as estruturas destes componentes, formando uma simetria geométrica do componente ou da unidade autopoiética. Atuam na composição da simetria dos acoplamentos estruturais as quatro forças elementares presentes no universo, as forças

nucleares forte e fraca, a força eletromagnética e a força da gravidade. A

o r d e m, por sua vez, é resultado do processamento energético dos sistemas

vivos, que sempre apresenta um balanço de energia positivo, produzindo mais do que necessita para sua autopoiésis. Daí dizer-se que o c a m in h o

d a b e l e z a é o caminho do menor esforço. Na verdade é o caminho do

menor gasto energético. A sobra de energia é armazenada na forma de organização, de aumento da ordem interna do sistema, daí serem os sistemas vivos sistemas negüentrópicos, com uma entropia negativa. Este aumento de ordem e organização obedece, evidentemente, ao padrão estético da simetria que o determina. Finalmente, a h a r m o n ia é o

resultado do movimento homeostático da autopoiésis, formando e definindo a banda de variação e os limites difiisos do domínio de existência de cada ontogenia. É da figura deste movimento harmônico, variando dentro de dois extremos, que resulta a noção do ‘caminho do meio’ como o melhor caminho de realização de uma ontogenia dentro de inúmeros caminhos possíveis. Como veremos na epistemologia deste trabalho, este ‘caminho do meio’ será concebido como um caminho estratégico, ecológico e difuso. Podemos pensar, então, a beleza da natureza e do universo como resultado de um padrão estético que se realiza e se replica num processo de cognição e num domínio de existência dado por todas as multidimensionalidades das ontogenias possíveis. A trilha deixada por este padrão estético é o caminho da beleza que pode ou não ser observado e apreendido por um observador, dependendo de seu próprio domínio de experiência estética.

15.

O d o m ín io d e e x p e r iê n c ia e s t é t ic a diz respeito ao mundo vivido

pelo observador e o grau de afinidade deste com o caminho da beleza. Quando comparamos a beleza da natureza com a feiura de nossas cidades temos clara a diferença entre o caminho da beleza e um domínio de experiências estéticas. Este domínio pode dissociar-se do caminho da beleza e criar o padrão estético da feiúra, no qual as formas perdem a coerência entre simetria, ordem e harmonia, perdendo a conectividade com o fluxo da vida e do universo. Esta estética do feio é, então, reproduzida cognitivamente no domínio de existência do observador, através de suas distinções e reflexões, e passa a ser um padrão de reconhecimento. A beleza assim como a feiúra são padrões estéticos subjetivos construídos num processo cognitivo de aprendizagem com o próprio viver. Tanto uma quanto a outra podem ser utilizadas pedagogicamente. Claro está que uma pedagogia comprometida com a estética do belo procurará introduzir distinções que permitam ao observador verificar a coerência de seu domínio de experiências estéticas.

UMA. ABORDAGEM COGNITIVA AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 8 6

3.3.3 - A COGNIÇÃO COMO EPISTEME

Já vimos a cognição como uma função e como um processo. Agora veremos sua caracterização como uma episteme. Na caracterização como função, procuramos mostrar a cognição como a capacidade de aprendizagem dos sistemas vivos com o seu próprio operar autopoiético, ou seja, a cognição como uma função interna ao sistema; na caracterização como processo, procuramos mostrar a cognição como a capacidade de aprendizagem dos sistemas vivos com o seu operar num ambiente epigênico, ou seja, a cognição como um processo no qual unidade e ambiente apreendem e se reconhecem mutuamente. Finalmente veremos a cognição como uma capacidade de aprender com o próprio aprendizado, formulando os pressupostos de como se explica uma observação.

Pode-se entender a filosofia como o estudo da natureza das coisas. Quando esta ‘coisa’ é o conhecimento, tem-se a epistemologia, que é o estudo da natureza do conhecimento. O radical do termo epistemologia é episteme e significa as premissas com as quais explicamos coerentemente nossas observações. Conhecer a episteme de um conhecimento significa conhecer o conhecimento deste conhecimento. Vamos caracterizar a cognição como uma episteme através de três fundamentos biológicos e respectivas conseqüências epistemológicas extraídos da obra de Maturana e Varela: a s e p i s t e m e s d o o l h a r, d o p e n s a re d oe x p l ic a r.

A EPISTEME DO OLHAR

OU, O QUE O OLHO DO OBSERVADOR DIZ PARA O CÉREBRO DO OBSERVADOR ?

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. Nem tudo. Ou melhor, nada. Ou mais precisamente: indica perturbações. A idéia de que a visão e os demais sentidos ‘captam e passam informações para o cérebro ’ é derrubada pela epistemologia do ‘modelo autopoiético’. O cérebro, bem como o sistema nervoso e os sentidos, incluindo a visão, são sistemas determinados estruturalmente com um operar na forma de uma circularidade, fechada ao reconhecimento de qualquer outra pertinência que não aquelas possibilitadas pela biologia de seus próprios componentes e estrutura. As ‘informações’ externas atuam não como um código ou imagem mas sim como uma perturbação sináptica que determina, engatilha um câmbio estrutural no interior do sistema, dentro das possibilidades do próprio sistema. O que vemos e o que sentimos é estruturalmente determinado deste dentro, e o que não vemos, não sabemos que não vemos.

Quando realizamos a experiência do ponto cego(23) (ver Figura 2.2), temos clara esta afirmação. E assim como não se vê aquilo que não se vê, também não se sabe que não se sabe aquilo que não se sabe.

EXPERIÊNCIA DO PONTO CEGO

Segure esta página a uns 30 cm de seus olhos. Feche o olho esquerdo e fixe o olho direito na estrela à sua esquerda. Sempre olhando para a estrela, desloque a folha lentamente para frente ou para traz e observe o que acontece com o ponto preto. Ele desaparece! Esta cegueira que não se percebe é devida ao fato de a imagem do ponto negro projetar-se sobre um ponto da retina na qual as fibras nervosas não possuem células sensoriais óticas.