V. Applications en synthèse
V.1 Piégeage d’énolate de magnésium
4. Asymmetric NHC as chiral ligands for A.C.A
4.2 Sulfonamide based modified Hoveyda’s binaphthol .1 Hoveyda’s ligand synthesis
A fase de habitação pode ser caracterizada como um dos períodos de povoa- mento mais intensos iniciado no ano de 1493. Nesse mesmo ano, Álvaro de Caminha foi indicado como capitão-donatário da ilha e mantido no posto até o ano de 1505
3No que concerne às datas das chegadas dos portugueses às ilhas de São Tomé, Princípe e
Ano Bom, não há um consenso, oscilando entre as datas de 1470 e 1478 para São Tomé, 1479 para o Príncipe e 1507 para Ano Bom (CAMPOS, 1971; FERRAZ, 1979).
(FERRAZ, 1979). De acordo com as descrições fornecidas por Valentim Fernandes, em 1506 (apud BRÁSIO, 1953), além dos escravos, as pessoas que chegavam a São Tomé, nesse período, habitavam a ilha, geralmente, devido a uma das seguintes razões: por estar a serviço da Coroa (portuguesa) ou por causa do comércio com a região da Guiné. No entanto, a maioria era degredada que, por cometer crimes graves em Portugal, era enviada para São Tomé para povoar a ilha (BRÁSIO, 1953, FERRAZ, 1979). Além desse contingente, por volta de 1500, Portugal envia 2000 crianças judias4 para São Tomé, cujos pais foram expulsos da Espanha, a fim de
convertê-las em ‘boas’ católicas (FERRAZ, 1979:16). Como muitas crianças mor- reram, por questões de salubridade nas embarcações e por motivos de saúde após a chegada à ilha, somente cerca de 600 crianças sobreviveram, entre meninos e me- ninas (BRÁSIO, 1953, 4: 33-45). No que diz respeito aos aspectos gerais do meio social nesse período, Hagemeijer descreve:
Devido às tarefas de povoamento e à ausência de uma actividade económica de envergadura, a sociedade de habitação caracterizava- se por um baixo número de povoadores, essencialmente de sexo masculino, que recorria a mão-de-obra africana, em maioria numé- rica, para as tarefas domésticas, rurais e obras (HAGEMEIJER, 2009:2).
Em relação à fase de habitação, Hagemeijer (1999) afirma que havia dois tipos de escravos: os escravos de casa que possuíam fixação permanente na ilha e os es- cravos de resgate, despachados como mercadoria para a feitoria da Mina. De acordo com Hlibowicka-Weglarz (2012: 178), a presença dos escravos de casa era de cará- ter permanente, devido ao trabalho prestado aos colonizadores. Tal grupo possuía mais contato com os povoadores e, por essa razão, desempenhava um papel-chave no processo de crioulização na ilha. Já o segundo grupo de escravos, os escravos de resgate (HAGEMEIJER, 1999), era constituído por escravos sequestrados das regiões costeiras do litoral africano e tratados como mercadoria. Embora alguns desse segundo grupo tenham sido vendidos, outros, retidos para pagar os soldos
aos primeiros colonizadores, a maioria deles era usada como moeda de troca para a feitoria da Mina, onde os escravos eram reexportados (HLIBOWICKA-WEGLARZ, 2012: 178). Segundo Hlibowicka-Weglarz (2012: 178), a presença dos escravos de resgate nas ilhas era temporária e, inicialmente, não devia ultrapassar o período de cinquenta dias, no entanto, em razão da falta de embarcações, os escravos passa- vam muitos meses em São Tomé, trabalhando como mão-de-obra temporária nas plantações e, participando, de certo modo, no processo de crioulização.
Dessa maneira, através do contato entre falantes de português, em menor nú- mero, com os falantes de várias línguas de origem africana, em maior número, a fase de habitação foi um período propício para a crioulização. Os fatores condicionantes para o surgimento de tal crioulo podem ser correlacionados diretamente ao contato mais intenso entre portugueses e escravos e à necessidade imediata de comunicação, fazendo com que os escravos buscassem se aproximar do código linguístico usado pe- los povoadores portugueses (FERRAZ, 1979; HAGEMEIJER, 2009). Desse modo, surge uma língua emergencial do contato entre os portugueses e os escravos que, posteriormente, expande-se, sendo promovida à posição de primeira língua dos des- cendentes desse contato. Assim, surge o protocrioulo do Golfo da Guiné. Ferraz (1979), referindo-se à língua emergencial que surge nessa fase, afirma:
O primeiro crioulo, o São Tomense original, depois se transformou em quatro crioulos por meio da separação geográfica, e possivel- mente também por causa de diferenças que também poderiam ter existido em alguma extensão no substrato (FERRAZ, 1979: 9, tradução nossa5).
Quanto à possível proveniência do contingente populacional de São Tomé, com base em amostras de DNA, Tomás et al. (2002:397-411) encontraram uma maior distribuição de Banto (36.4%) e Benin (52.3%). Desse modo, os primeiros escravos em São Tomé teriam vindo do antigo Reino de Benin, onde hoje se localiza a Nigéria. Segundo Hagemeijer (2009), desde o final do século XV, Portugal mantinha relações
5This first Creole, the original São Tomense, later changed into four Creoles through geo-
graphical separation, and possibly also because of differences which might have existed to some extent in the substratum (FERRAZ, 1979: 9).
diplomáticas e comerciais com o Reino de Benin e relações amigáveis com o Congo, com o último em menor grau nesse período. Assim sendo, é possível relacionar a fase de habitação a uma predominância do resgate de contingente escravo, sobretudo, no Delta do Níger, mais precisamente no Reino de Benin, em que, segundo Hagemei- jer (2009: 2), falava-se edo, língua do grupo edoíde. Ladhams, em contrapartida, descreve um cenário linguístico mais complexo no Delta do Níger, tendo em vista que o Reino de Benin, no século XVI, dominava uma região ocupada pelo itsekiri (falantes de uma língua yoruboide) em conjunto com o porto de Ughoton e o Rio Forcados. Com isso, as pessoas dessas áreas, além da língua, são reconhecidas como edo muito embora não necessariamente fizessem parte do mesmo grupo etnolinguís- tico. Nessa perspectiva, considerando as áreas, no Delta do Níger, de onde saíam as levas de escravos, havia comunidades linguísticas diversas como: edo, itsekiri e ijo (LADHAMS, 2007: 6-7). Assim, os escravos, provenientes do Delta do Níger, que chegavam a São Tomé, nem sempre eram edo e, por conseguinte, não falavam necessariamente línguas edóides. Soma-se a isso o fato de que os mercadores de escravos podem ter sequestrado mão-de-obra fora da região linguística do Delta do Níger. Desse modo, o input linguístico apresentado pelo influxo cativo nos primeiros anos de colonização de São Tomé é complexo e possui contornos de difícil precisão (cf. LADHAMS, 2007: 7).
Somadas aos fatores que contribuíram para um cenário favorável à criouliza- ção, estão as políticas de povoamento desenvolvidas por Portugal. Desde o inicío da ocupação portuguesa, no fim do século XV, os condenados em São Tomé recebiam, cada um, sob decreto régio, uma mulher escrava (CORTESÃO, 1968: 33). Quinze anos mais tarde, o rei Manuel reforça a permanência de tal decreto, concedendo li- berdade para as mulheres dadas aos condenados, assim como para os filhos gerados dessa união (BRÁSIO, 1952, 1: 331-332). Essas últimas medidas trouxeram, como consequência, a formação de um novo estrato social: um segmento que, outrora escravo, agora torna-se livre e detentor de status (FERRAZ, 1979). Sobre essa nova sociedade, um anônimo descreve (1550): “Esses, então chamados Filhos da Terra,
estavam frequentemente entre os mais abastados e mais poderosos dentre os morado- res de São Tomé, possuindo centenas de escravos e outros empregados (ANÔNIMO: 1550: 52, grifos do autor).” Hagemeijer advoga que esse segmento de alforriados teria sido mais do que testemunha, constituindo-se como um importante eixo no processo de crioulização:
É plausível que esta comunidade de forros, escravos que recebiam a carta de alforria, com uma identidade própria, tenha estado na origem e consolidação da nova língua que se falava na ilha. O crioulo ter-se-á rapidamente difundido para as roças, no regime de plantação, tornando-se a língua-alvo dos escravos recém-chegados para efeitos de comunicação (HAGEMEIJER, 2009: 4).
No tocante às atividades econômicas, a partir de 1500, os portugueses começa- ram, paulatinamente, a adquirir os direitos sobre o tráfico dos escravos, ganhando, no começo, o papel de intermediário para conseguir, em 1515, os direitos exclusivos (HLIBOWICKA-WEGLARZ, 2012: 178). A partir de 1515, Hagemeijer (1999: 77) afirma que o tráfico de escravos no Golfo da Guiné passava obrigatoriamente pelas ilhas antes de seguir para a Casa da Mina. Assim, nesse período, São Tomé se transformou em um grande entreposto atlântico dos escravos que abastecia não só os mercados da Mina e de Lisboa, como também os mercados das Américas para o trabalho nas plantações da cana-de-açúcar (HLIBOWICKA-WEGLARZ, 2012: 178-179).
Em 1515, a fase de habitação chega ao fim, podendo ser caracterizada como o período em que o contato entre europeus e africanos era mais próximo se comparado ao regime que se inicia em seguida: o regime de plantação (GARFIELD, 1992). Dessa maneira, pode-se observar que, desde o início da ocupação portuguesa, as condições foram favorecedoras para uma crioulização rápida. O contato promovido pelo povoamento de São Tomé teve como resultado o surgimento de uma língua crioula de base lexical portuguesa, o protocrioulo do Golfo da Guiné que se ramificará em quatro línguas. Tal ramificação começa a ocorrer na fase de habitação, pois a Ilha do Príncipe e a ilha de Ano Bom passaram a ser povoadas nesse período. Assim, o PGG começa a sofrer divisões, pois, para uma direção, os grupos de falantes foram
levados para a ilha do Príncipe; outros para a ilha de Ano Bom e, por fim, um grupo de falantes, incluindo escravos do Congo e da Angola, fugidos dos engenhos e escravos recém-chegados ao arquipélago, constituíram uma comunidade quilombola, originando as comunidades dos Angolares (FERRAZ, 1974, 1979; SEIBERT, 2004; HAGEMEIJER, 2009). Dessa maneira, ao considerar as diferenças prováveis de substratos, com traços banto e do grupo edoide, o angolar apresentaria componentes mais marcadamente banto, ao passo que o lung’ie, devido ao Príncipe ter recebido um maior número de escravos do Delta do Níger, apresentaria um componente mais marcadamente edo (FERRAZ, 1979: 14-16).
Na próxima subseção, será observado, em maiores detalhes, como ocorreu a fase da sociedade de plantação e suas implicações histórico-linguísticas.