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2. RÉSULTATS

2.6. Modalités d’usage des IgIV et des IgSC

2.6.4. Suivi du traitement

As análises de similares feitas a seguir visam conhecer o que está sendo feito atualmente ou o que já foi feito no passado que se assemelha com o presente projeto, seja em relação ao tema, ao suporte, ao estilo, etc.

Esta análise serve para visualizar de um modo geral as características que pretende-se apropriar na criação desse projeto e analisar as características que são próprias dos projetos analisados mas que não serão contempladas nestas releituras. Decidiu-se classificar as análises de similares em dois grupos: O primeiro grupo traz as referências de acordo com o tema - a mulher, a representatividade feminina e a representação da pin-up-, enquanto que o outro grupo traz referências de acordo com o suporte - neste caso, a pele.

As seguintes tabelas de análise apontam como o título o nome do projeto e o autor(a), seguido de um subtítulo que especifica se a análise de similares é em relação ao tema ou ao suporte. Os tópicos de análise são o contexto do qual a obra foi produzida, o estilo e a técnica que o material foi produzido, o público alvo e o suporte utilizado para o projeto.

O último tópico, o mais importante quando se trata de uma análise de similares, refere-se às características que pretende-se apropriar daquele projeto para este projeto de releituras.

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Figura 23 - Hilda - Duane Bryers

Fonte: www.messynessychic.com

Hilda foi uma criação do ilustrador Duane Bryers e foi a única Pin-Up atípica, plus-size da época que fez parte dos calendários estadunidenses de 1950 até o começo de 1980, ganhando notoriedade na década de 60.

É valido ressaltar que Hilda é uma excessão à norma e a personagem é baseada em características que são consideradas cômicas. Dessa forma, a Hilda cita a norma por deixar claro – pela comicidade – que não faz parte desta.

As imagens de Hilda acima inseridas na tabela foram escolhidas como exemplos pois denotam naturalidade nas ações e o contexto é formado por elementos da natureza, características das quais o presente trabalho pretende-se apropriar. A personagem não olha diretamente para o espectador, realizando ações sem estar sendo “vigiada”.

Pode-se perceber, em cada imagem em particular que a personagem Hilda está inserida em um contexto bem específico, com muitos elementos ao redor que delimitam a narrativa em que a personagem está inserida. Esta característica de aproximar a personagem de uma pequena narrativa por meio da imagem se

assemelha com a forma como Gil Elvgren pintava a maioria de suas pin-ups, que geralmente são contextualizadas com objetos domésticos, do American way of life, trazendo referências do período histórico. Entretanto, os elementos de fundo da personagem Hilda são, muitas vezes, da natureza, o que diferencia dos artefatos domésticos muito utilizados por outros pintores da época que produziam imagens de Pin-Ups.

Contudo, pode-se dizer que o que mais diferencia Hilda da maioria do material produzido nessa temática na época - década de 50 - é a naturalidade na expressão corporal e facial, que funcionam como formas de não tornar a personagem central objetificadas e sexualizadas como se observa na maioria das Pin-Ups de Elvgren. Geralmente isso ocorre - como pode-se perceber nas duas imagens de Hilda acima - pelo fato da personagem não olhar diretamente para o suposto espectador, realizando uma ação sem “se importar” se está sendo visualizada, ou seja, sem posar, agindo naturalmente.

Figura 24 — Livro “Outras meninas” de Manu Cunhas.

Fonte: www.catarse.com.br

O livro “Outras meninas”, das imagens referidas na figura 19, retrata em aquarela a complexa relação da mulher e seu corpo. Com a autoria de Manu Cunhas, o projeto foi construído com a colaboração anônima de depoimentos de diversas mulheres, falando sobre a relação que possuem com o próprio corpo, além de uma foto nua, ambas referências usadas para as ilustrações em aquarela presentes no livro.

Nas imagens produzidas por Manu Cunhas, as mulheres representadas também agem com naturalidade, expressão corporal e facial suaves, não se importando se existe algum suposto espectador, ou seja, posam mostrando o corpo, mas não é de uma forma sexualizada.

Duas imagens sobre o livro foram selecionadas. Uma delas por ser a capa do livro e outra por representar uma mulher gorda de costas, com uma expressão corporal tranquila, e não se escondendo.

Figura 25 — Men-Ups - Rion Sabean

A série fotográfica ilustrada na figura 25, do estudante de fotografia Rion Sabean é chamada de “Men-Ups”, na qual o autor quis misturar estereótipos de gênero mostrando homens com características consideradas masculinas em poses que geralmente são reservadas para as mulheres Pin-Ups, inclusive também inspiradas nas expressões corporais das Pin-Ups de Gil Elvgren. Segundo Sabean (2012), estas poses são muito reconhecidas culturalmente, especialmente com a

associação imediata à feminilidade.

Na análise individual dos aspectos visuais de cada imagem, a expressão corporal e facial se mostra ser muito pertinente para análise, pois se as imagens dos homens comportando-se como Pin-Ups causarem espanto ou estranhamento por parte do espectador, no sentido de que as posições nada têm a ver com a atividade ou a narrativa em que estão inseridos, isso significa, segundo Sabean, que as mulheres estão sendo objetificadas quando são representadas desta forma.

Na primeira imagem vê-se um homem posando com as pernas para cima porém a narrativa dos elementos que compõe a imagem comunica que ele provavelmente estaria trabalhando com uma pá, o que torna a sua posição sem sentido para a ação que estaria executando.

Na segunda imagem vê-se um homem sentado em uma tora de árvore com um machado depositado ao lado e alguns pedaços mais finos de madeira. Pelos elementos que compõe a imagem, deduz-se que o personagem deveria estar trabalhando ao utilizar aqueles objetos, porém o homem encontra-se sentado em cima da tora com apenas as pontas dos pés tocando o chão - se assemelhando muito às poses das Pin-Ups - e com as mãos nos joelhos.

O que diferencia esta análise de similares das outras é que pela femilinização da figura masculina, há um deslocamento da posição de leitura marcada pelo olhar masculino heterossexual. Então por isso, as poses e as expressões faciais e corporais que os homens fazem nas fotos parecem artificiais: Por conta da recepção e interpretação da leitura. Pois as características de masculinidades e feminilidades são tão bem delimitadas que há um estranhamento quando essas características são invertidas.

Figura 26 - Yara Floresta

Fonte: Instagram @yarafloresta

Yara Floresta é uma tatuadora da cidade de Curitiba que trabalha no estúdio Covil. A figura da mulher nua é um tema muito recorrente nas suas tatuagens, mas a nudez é exposta de forma naturalizada, e não objetificada ou sexualizada. Este efeito é obtido pois a artista explora composições e temáticas, que geralmente contam com elementos florais, que fazem com que o corpo nu seja percebido de uma forma biológica e natural, e não remetendo à algo sexual.

Uma das estratégias que Yara utiliza nas suas composições para que o corpo nu feminino não seja representado de forma sexualizada, é aproximar a figura feminina com temas místicos – que não se dão segundo as leis naturais ou físicas – e aproximar as mulheres representadas com um sagrado feminino - uma filosofia, um estilo de vida que promove ensinamentos sobre aspectos físicos e mentais da figura feminina. É a consciência dos ciclos femininos, como o da menstruação, da capacidade de criação e acolhimento, gestação, e da força da mulher.

Yara utiliza traços e pontilhismo, feitos apenas com tinta preta e utilizando a técnica da máquina rotativa.

Fazendo uma análise individual das imagens, pode-se perceber a presença da temática botânica e de elementos da natureza para a composição dos desenhos, que possuem uma mulher como elemento central da imagem. A mulher representada por Yara diferencia-se das Pin-Ups analisadas em relação ao estilo, uma vez que a representação feminina desta artista possui menos detalhes e é representada até de uma forma mais estilizada, pois não há tantos detalhes para os traços do rosto e corpo, ou cabelo, que é preenchido e chapado de preto, ou as pernas e braços sendo representados – como na primeira figura da análise – praticamente sem detalhes, apenas traçado e um leve pontilhismo uniforme.

Entretanto, percebe-se uma aproximação com todas as outras análises de similares acima, - exceto Men-Ups - quando o enfoque é na expressão corporal e facial, suavizadas, num momento individual e particular em que as personagens representadas não parecem se importar com a existência de um espectador. Isso faz com que o corpo nu - apesar de ter partes íntimas cobertas por folhagens e outros elementos da natureza, dos quais pretende-se também apropriar para este trabalho, criando composições que incluam florais e folhagens - seja representado de forma não sexualizada.

Figura 27 - Pétala Cavalcanti

Pétala Cavalcanti é uma tatuadora do Maranhão, que utiliza muito da imagem da mulher e das plantas em suas composições para tatuagem.

Pétala - e a Yara, na análise anterior - foram selecionadas como análise de similares em relação ao suporte, porém, o estilo de suas tatuagens também é um aspecto similar a ser considerado - utiliza apenas tinta preta, caracterizando o blackwork, utiliza traçados médios e finos e alguns pontos.

O que pretende-se absorver desta referência é algumas características do traçado na tatuagem – como o pontilhismo e o cabelo preenchido e chapado e preto - a naturalidade e os momentos de “amor próprio” em que se percebe que a personagem está inserida, e a presença de elementos da flora na composição da tatuagem.