Programme de Chimie de la voie PCSI
4. Suivi cinétique de transformations chimiques
Foi Maldonado também influenciador da estrutura curricular da primeira escola de design do Brasil, a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), que abre em 1962 com uma visão curricular muito próxima da Escola Superior de Ulm, principalmente por possuir, em seu corpo docente, professores formados pela escola, como Alexandre Wollner e Carl Heinz Bergmiler, que auxiliam na estrutura curricular dos cursos.
A ESDI foi uma das primeiras escolas de nível superior em Design, que oferecia os cursos de Desenho Industrial e de Comunicação Visual. A estrutura do curso se dava da seguinte forma: no primeiro ano, os estudantes realizavam disciplinas comuns às duas formações, podendo, no segundo ano, escolher sua especialização que se daria até o quarto e último ano de estudo, sendo:
O curso de Desenho Industrial refere-se à criação e planejamento de objetos de uso doméstico, meios de transporte, aparelhos e máquinas operacionais. O curso de Comunicação Visual visa à criação e planejamento gráfico dos meios de comunicação visual, tais como: diagramação de livros, jornais, revistas; exposições; embalagens de produtos, sinalização urbana e
22 Nesta produção, procuramos nos debruçar de maneira mais consistente no método de projeto de design de interiores devida sua carência de produção científica. A escolha dos métodos de design abordados nesta produção permeia a própria experiência profissional e acadêmica desses autores. Eles são também contemplados no sentido de construir uma base reflexiva de desenvolvimento das metodologias de design até chegar ao recorte no design de interiores. A análise crítica dos autores citados como principais pesquisadores dos métodos e de suas gerações pode ser encontrada na dissertação de Lacerda (2012).
visualização de empresas (papéis, marcas etc.). (ESTRUTURA CURRICULAR..., 2016, n.p.).
Apesar da influência advinda da Escola Superior de Ulm, observada em algumas das mesmas disciplinas oferecidas em ambas as instituições, a ESDI já formata a apresentação curricular em tópicos, como observado nas Figuras 31 e 32, diferente da estrutura esquemática circular presente na Bauhaus e na Escola de Ulm, levando-nos a pensar que sua estrutura didática era ainda mais racionalista que as duas anteriores. Ademais, as disciplinas do campo de humanas foram reduzidas, mas ainda se encontram presentes em algumas séries, principalmente pela necessidade de se firmar condições sociais para a modernização capitalista industrial.
Figura 31– Estrutura curricular do curso de Desenho Industrial da ESDI, primeira e segunda séries
Figura 32 – Estrutura curricular do curso de Desenho Industrial da ESDI, terceira e quarta séries
Fonte: Disponível em: < http://www.esdi.uerj.br/arquivos/imagens/esdi60.pdf >.
Muito da ânsia por se tornar um país adequado ao crescimento industrial e pelos incentivos do governo de Carlos Lacerda acaba por prejudicar a escola em alguns pontos, já que, assim como no período do liceu de artes e ofícios, que importava manuais estrangeiros, a ESDI acaba por enaltecer as soluções internacionais ao invés de procurar criar uma própria identidade nacional do design.
Corroboramos essa ideia de Niemeyer, quando cita:
[...] o Brasil passava por um período de transição no qual havia que se criar as condições sociais para que a indústria firmasse posição como um importante setor de nossa economia, permitindo a modernização capitalista do pais. Com isso, havia a necessidade, já mencionada aqui, de afirmação de uma “unidade nacional” por meio da valorização de nossas fontes históricas, étnicas e culturais. Precisávamos traçar nosso perfil para que nos apresentássemos a nós mesmos. Porém, com os rumos que o pais tomou, aquela necessidade de conhecimento e de consolidação nacional foi suplantada pela alienação da realidade brasileira e a adesão a valores estrangeiros. (NYEMEIER, 2007, p.105-106).
Apesar de contar com poucos professores estrangeiros, a ESDI era amplamente percebida como uma transplantação do modelo ulmiano para o Brasil e, mesmo diferindo de Ulm em muitos sentidos, os esdianos não tinham nenhum interesse em desmentir essa associação que emprestava a realidade precária da instituição uma aura de modernidade e eficiência, sem falar da credibilidade automática que o brasileiro costuma atribuir a qualquer iniciativa de origem estrangeira.
A importação também se dava principalmente pela apropriação de metodologias estrangeiras, como a Pesquisa Operacional, já mencionada como principal fonte de ensino na Escola Superior de Ulm pelo professor Rittel. Como expressa Niemeyer (2007, p.106):
No planejamento do curso foram introduzidas as disciplinas introdução a lógica matemática, investigação operacional (ou pesquisa operacional) e teoria da informação. A investigação operacional visava sobretudo à preparação do designer para uma função gerencial na produção, enfocando as questões de operacionalização do projeto industrial, da maximização da produtividade e o emprego da automação.
É assim reforçada, a ideia de que o designer, pela sua formação multidisciplinar, possuiria todo o embasamento teórico-cientifico para decidir e apontar as melhores soluções nos avanços industriais, perdendo sua característica de reflexão. O curso possuía um enfoque, segundo Niemeyer (2007), nas disciplinas de desenho técnico e acabaria perdendo o potencial de discussão em torno da individualidade, da emoção e da influência sociocultural do designer.
Apesar de, no Brasil, a ESDI abrir com base no funcionalismo/racionalismo, afastando o ensino do campo de disciplinas em artes, aparentando, assim, uma tendência à abertura de escolas que a cada sucessão se tornam mais “industriais”, outras instituições ao redor do mundo buscam, após o fechamento da Bauhaus, um resgate das disciplinas em artes que foram oferecidas no período de Gropius, como é o caso do Black Mountain College.