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À la conquête du Duché de Milan

10. À la suite de l’affrontement

“Quando um indivíduo lê um texto, a pessoa desenvolve o que Kintsch apelidou de um modelo de situação. Este modelo é uma representação mental dos conteúdos do texto que tem em consideração o que o indivíduo já sabe acerca do tópico do texto.”(James F. Voss and Jennifer Wiley,

2000: 377).

Para a análise das narrativas dos alunos, usando o mesmo processo de Greene (1994) e Anne Britt et all (1994), categorizamos cada frase/oração do texto.

Na investigação de Greene, a análise dos ensaios dos estudantes incluía a

organização (nível de estrutura) que estruturou o ensaio que fizeram, a origem da informação (o grau com o qual os estudantes confiaram na informação emprestada e

incluída), e o recurso à autoria (atitudes retóricas).

No entanto, uma vez que o nosso estudo não contempla a investigação sobre o

recurso à autoria, apenas faremos referência à organização e origem da informação.

Assim, no trabalho de Greene (1994), para a análise da organização, cada ensaio dos estudantes foi lido e analisado com o objectivo de marcar as características da lógica fundamental, ou estrutura, informando um ensaio dado. Segundo Haswell (1986: 403) o método de análise consistiu em identificar o nível-tope da estrutura, que é,

“aquele que arruma as ideias coerentemente abracando o maior número de palavras do corpo principal do ensaio” A análise de cada ensaio consistiu em encontrar a

organização principal que subordina todo o assunto e relações no ensaio (ligações causais etc.). As categorias usadas para classificar o nível da estrutura incluem

“recolha, causalidade, resposta (resolução do problema), comparação e descrição”

(Greene, 1994: 146). As duas estruturas identificadas nos ensaios dos estudantes foram: “recolha e resolução do problema”.

Para examinar a origem da informação nos textos finais dos estudantes – informação emprestada e incluída – Greene (1994) construiu um padrão de unidades de assuntos nos textos e ensaios dos estudantes. Greene pretendia aferir até que ponto os estudantes confiaram na informação do texto que leram, utilizando-a nos seus ensaios e em que medida os estudantes introduziram informação do seu conhecimento prévio.

O conteúdo semântico de cada texto e cada ensaio dos estudantes foi analisado gramaticalmente dentro de unidades de assunto numa modificação do procedimento de analisar condições ou frases num discurso escrito de Ackerman (1989) e Kroll (1977). Para delimitar a unidade de análise, ela tem, segundo Greene (1994), de responder ao seguinte: Pode a proposição ser considerada uma sentença completa e factualmente correcta nos ensaios dos estudantes? Por exemplo, um nome e um verbo da frase foram considerados como uma unidade, incluindo (quando apresenta) um complemento directo, preposicional ou adverbial. Proposições e frases ligadas por conjunções coordenadas (e, ou, mas, nem) são consideradas unidades separadas se poderem ficar separadas nos ensaios dos estudantes.

Cada unidade de análise nos ensaios dos estudantes foi depois classificada como

está condizente com o texto que leram; adicionada sempre que essa informação não está presente na leitura que fizeram.

Outro estudo em que nos baseamos para a definição da metodologia de análise foi o desenvolvido por Britt et all (1994).

Britt et all (1994) analisaram textos históricos usados nas suas experiências. Numa primeira selecção não contemplaram os acontecimentos principais. Esses acontecimentos principais são acontecimentos essenciais à compreensão da narrativa.

Alguns dos textos que analisaram eram muito longos. Desse modo, distinguiram os acontecimentos contidos nos textos. Os acontecimentos foram distinguidos em termos da importância que cada um tinha para a medula da narrativa. Os acontecimentos

centrais eram aqueles que deviam ser mencionados para contar uma narrativa completa

mas resumida; os acontecimentos secundários eram aqueles que podendo ser omitidos numa narrativa resumida não afectavam a sua coerência e compreensão.

Num dos estudos de Britt et all (1990) os acontecimentos principais e secundários foram combinados numa única categoria – acontecimentos principais, uma vez que o texto deste estudo tinha pouquíssimos acontecimentos secundários. Por isso, os textos construídos pelos estudantes eram pequenos e estavam centrados nos acontecimentos mais significativos. Outros acontecimentos foram classificados como informação de suporte, a qual inclui acontecimentos que apoiam e reforçam a informação principal e detalhes específicos. Os acontecimentos são classificados como acontecimentos de

suporte porque contextualizam a maior parte dos acontecimentos principais. Baseados

num acordo experimental, os eventos foram classificados como principais ou de suporte depois de terem sido estudados vários textos sobre os mesmos acontecimentos.

Informação de suporte também contém detalhes específicos como datas, termos de negócios e localidades.

É importante realçar que embora Britt et all (1994) tenham referido alguma informação (acontecimentos principais) como mais central do que outra (informação de suporte: detalhes e acontecimentos de suporte) não significa que esta informação seja menos importante. A distinção que Britt et all (idem) fazem é que acontecimentos principais contam a história central e a informação de suporte pormenorizam a história central. A distinção veio de uma convicção de que uma componente importante da capacidade de ler textos históricos é a habilidade de organizar a informação em história principal e limitações ou elaborações.

A análise de Britt et all (ibidem) resultou em quatro tipos de informação:

principais acontecimentos centrais; principais acontecimentos secundários; principal informação de suporte; e informação de suporte secundária.

No nosso estudo, e como já referimos anteriormente, usamos o mesmo processo de Greene (1994) e Anne Britt et all (1994). Categorizamos cada frase/oração do texto. As categorias estabelecidas encontram-se na Tabela 1:

Categorias Indicadores AC = Acontecimento Enunciados que enunciam um acontecimento

AC + PE = Acontecimento

+ Personagem

Enunciados que enunciam um acontecimento e referem os seus intervenientes

PE = Personagem Enunciados que se referem exclusivamente a uma ou mais personagens

TE = Tempo Enunciados que referem datas de acontecimentos

ES = Espaço Enunciados que referem o local onde determinado acontecimento ocorreu

ER = Enunciados de Referência Enunciados que relatam princípios/ valores da época que nos permitem entender melhor determinados comportamentos

AV = Avulso Enunciados que, não sendo principais e fundamentais ao enredo, complementam a informação central, ajudando, também, de algum modo, o leitor na percepção da leitura

TR = Trama Enunciados que relatam a existência de conflitos, intrigas, tramas Tabela 1: Categorias de análise das narrativas dos alunos

O Texto Prosa foi organizado por episódios, respeitando a autoria dos seus nomes. Na Banda Desenhada, os nomes dos episódios foram estabelecidos tentando a máxima correspondência entre os dois textos (Ver anexo 8).

Para a categorização e posterior análise das respostas dos alunos na Ficha de Trabalho (Ver Anexos 5 e 9) também foram estabelecidos alguns critérios.

Na 1ª questão “Como recompensou D. Afonso Henriques de Leão e Castela os

serviços de D. Henrique?” existem as seguintes possibilidades: Respostas Certas, Respostas Incompletas, Respostas Erradas e Não Respondeu (Ver Tabela 2).

Categorias Indicadores

Respostas Certas D. Afonso de Leão e Castela deu a D. Henrique a sua filha D. Teresa em casamento e o governo do Condado Portucalense como recompensa pelos serviços prestados

Respostas Incompletas D. Afonso de Leão e Castela deu a D. Henrique a sua filha D. Teresa em casamento como recompensa pelos serviços prestados ou D. Afonso de Leão e Castela deu a D. Henrique o governo do Condado Portucalense como recompensa pelos serviços prestados

Respostas Erradas Não cumprem os requisitos de Respostas Certas e Respostas Incompletas

Não Respondeu Questões que ficaram por responder Tabela 2: Categorias de análise da Ficha de Trabalho – 1ª questão

A 2ª questão “Completa a árvore genealógica de D. Afonso Henriques” contempla a possibilidade de Respostas Certas, Respostas Erradas e Não Respondido (Ver Tabela 3).

Categorias Indicadores

Respostas certas Pai D. Henrique

Origem do Pai França e/ou Borgonha

Mãe D. Teresa

Origem da Mãe Leão e Castela

Filho D. Sancho

Respostas Erradas Não cumprem os requisitos de Resposta Certa Não Respondeu Espaços que ficaram em branco

Tabela 3: Categorias de análise da Ficha de Trabalho – 2ª questão

Na 3ª questão “Imagina a conversa que D. Afonso Henriques e seu pai tiveram,

antes deste morrer.” existem as seguintes categorias: Independência/Alargamento do Território, Independência, Promessa, Coloquial e Brancos (Ver Tabela 4). Estas

Categorias Indicadores

Independência/Alargamento do Território

Enunciados que refiram a Independência e o Alargamento do Território

Independência Enunciados que refiram a Independência

Promessa Enunciados que apresentem conteúdos relacionados com o pedido de promessa que D. Henrique fizera a seu filho D. Afonso Henriques e com a própria promessa que D. Afonso Henriques assume perante os pedidos do pai

Coloquial Enunciados que não cumpram os requisitos das categorias

Independência/Alargamento do Território, Independência e Promessa

Brancos Espaços pertencentes às personagens que ficaram em branco Tabela 4: Categorias de análise da Ficha de Trabalho – 3ª questão

A questão n.º 4 era subdividida em duas partes: “Na Batalha de S. Mamede, junto

ao castelo de Guimarães, D. Afonso Henriques lutou contra as tropas de sua mãe. Estava em jogo a independência do Condado Portucalense. a) Quais as razões que levaram D. Teresa a defender a ligação ao reino de Leão e Castela? b) Quais as razões que levaram D. Afonso Henriques a lutar pela independência?” Nesta havia a

possibilidade de existirem Respostas Certas, Respostas Erradas e Não Respondeu (Ver Tabela 5).

Categorias Indicadores

Respostas Certas a) D. Teresa defendia a ligação ao reino de Leão e Castela porque era filha do rei de Leão e Castela ou D. Teresa defendia a ligação ao reino de Leão e Castela porque o Rei de Leão e Castela pai de D. Teresa

b) D. Afonso Henriques lutou pela independência porque não se esquecera dos pedidos do pai

Respostas Erradas Não cumprem os requisitos de Respostas Certas

Não Respondeu Questões que ficaram por responder Tabela 5: Categorias de análise da Ficha de Trabalho – 4ª questão

Na 5ª questão, “Preenche os espaços em branco com acontecimentos que

consideres os mais importantes. Não te esqueças que têm de obedecer a uma ordem cronológica.” os conteúdos apresentados pelos alunos foram agrupados em três

Categorias Indicadores

Familiar Enunciados que refiram acontecimentos do foro familiar e pessoal como, por exemplo, casamento de D. Henrique com D. Teresa, o nascimento de D. Afonso Henriques e D. Sancho, o ritual de armar cavaleiro do D. Afonso Henriques e o casamento deste com D. Mafalda

Batalhas Enunciados que falem de batalhas, como a de S. Mamede, conquistas de Santarém, Lisboa e Arcos de Valdevez

Política Enunciados que falem de medidas ou actos de teor político, económico e religioso, como, por exemplo, o legado de D. Henrique a Afonso Henriques para a independência de Portugal, a recusa de D. Afonso VII em aceitar a independência de Portugal, o Tratado de Zamora, política de alargamento territorial e a construção de igrejas

Tabela 6: Categorias de análise da Ficha de Trabalho – 5ª questão

Esta questão também pedia aos alunos que colocassem os acontecimentos por ordem cronológica. Nesta parte da questão, as respostas poderiam ser consideradas

Respostas Certas ou Respostas Erradas. Respostas Certas são todas aquelas em que os

alunos apresentem os acontecimentos por ordem cronológica. Respostas Erradas são aquelas em que os acontecimentos não são apresentados por ordem cronológica.

A 6ª questão colocava a seguinte tarefa: “Para a Independência de

Portugal foram importantes três aspectos: - alargamento do território;

- reconhecimento pelo Papa da Independência de Portugal; - desenvolvimento da agricultura e do comércio.

Na tua opinião, qual destes três aspectos foi o mais importante para a independência de Portugal? Porquê?”

Nesta questão os alunos teriam, primordialmente, que seleccionar a frente mais importante para a independência de Portugal. Como tal, calculamos quantas vezes cada frente foi seleccionada. Os alunos também teriam que justificar as suas “escolhas”. Relativamente a esta parte da questão, aferimos quais os argumentos expressos e o tipo de relação estabelecida entre a frente seleccionada e o argumento apresentado.

A 7ª questão, “Faz um desenho que mostre/ Conta por palavras tuas a estratégia

militar que D. Afonso Henriques e os seus homens usaram para conquistar Lisboa.”

variou no modo de apresentação. Os alunos que trabalharam o Texto Prosa tiveram de fazer um desenho, enquanto que os alunos que trabalharam o texto em Banda

Desenhada fizeram-no através de um texto. No entanto, quer num grupo quer no outro foi contabilizado o número de referências/ presenças dos elementos que considerámos indicadores de uma compreensão da estratégia utilizada para a conquista de Lisboa.

Através da observação da Tabela 7, verificámos que há elementos comuns aos dois grupos de trabalho, mas também há elementos singulares. A existência de elementos singulares é normal. Os alunos, que elaboraram o desenho, tinham que desenhar o Castelo dado que foi o último refúgio dos Mouros. Por seu lado, os alunos que elaboraram o texto não necessitavam de mencionar o Castelo e as lutas para descreverem correctamente a estratégia adoptada. Para estes alunos (Texto em Banda desenhada) era pertinente fazer referências escritas à Resistência dos Mouros e à

Rendição à fome e sede, enquanto que para os outros (Texto Prosa) tornar-se-ia difícil

apresentar estes dois elementos através do desenho (Ver Tabela 7).

ELEMENTOS T.P. (Desenho) T.B.D. (Texto)

Guerreiros em terra X X

Guerreiros (barcos) no rio X X

Castelo X

Mouros X X

Luta X

Máquinas X X

Resistência dos Mouros X

Rendição dos Mouros (fome e sede) X

Referência ao Cerco X X

Tabela 7: Categorias de analise da Ficha de Trabalho – 7ª questão – Texto Prosa e Texto B.D.

No Estudo Definitivo, a Ficha de Trabalho sofreu algumas alterações (Ver Conclusões do Estudo Exploratório: 182).

A 2ª questão “Completa a árvore genealógica de D. Afonso Henriques” sofreu uma pequena alteração. No estudo exploratório, os alunos teriam de preencher o espaço dedicado à mulher de D. Afonso Henriques. No estudo definitivo esse espaço já se encontrava devidamente preenchido. No entanto, relativamente ao espaço dedicado ao nome da mulher de D. Afonso Henriques, são consideradas Respostas Certas todas aquelas que indicam D. Mafalda; Respostas Erradas aquelas que não cumprem os requisitos das Respostas Certas e Não Respondido consideram-se todos os espaços que ficaram por preencher.

A 3ª questão do Estudo Exploratório, “Imagina que conversa tiveram D. Afonso

Henriques e seu pai, antes deste morrer” foi analisada de modo diferente no estudo

Definitivo. A análise a esta questão, no estudo exploratório, foi efectuada por categorias substantivas. As categorias encontradas são as seguintes: Alargar o Território,

Governar o Condado Portucalense e Independência. Estas categorias foram criadas

recursivamente com base nas respostas obtidas.

Em Alargar o Território incluem-se todos os enunciados que refiram o Alargamento do Território.

Em Governar o Condado Portucalense incluem-se todos os enunciados que se refiram à Governação do Condado Portucalense.

Em Independência incluem-se todos os enunciados que refiram a Independência. A 4ª questão do Estudo Exploratório foi abolida no Estudo Definitivo (Ver Conclusão do Estudo Exploratório: 182). Nessa questão “Completa os espaços em

branco com as palavras destacadas” analisámos cada espaço individualmente. Para

cada um dos espaços existem as seguintes possibilidade de respostas: Respostas Certas,

Respostas Erradas e Não Respondeu.

Por Respostas Certas entendem-se aquelas que estão conforme o exemplo:

“Após a morte do Conde (D. Henrique), a viúva (D. Teresa) aceitou sujeitar-se ao reino de (Leão e Castela), enquanto seu filho (D. Afonso

Henriques) comportava-se como seu falecido (pai) e investiu-se cavaleiro

na Catedral de Zamora.

O rei Afonso VI de (Leão e Castela) recusava-se a admitir a

(independência) do Condado (Portucalense). Obrigou-o a (prestar vassalagem) e cercou o castelo de (Guimarães).”

Respostas Erradas são aquelas que não cumprem os requisitos das Respostas

Certas. Não Respondeu consideram-se todos os espaços que ficaram por preencher. A 5ª questão do Estudo Exploratório sofreu algumas alterações no Estudo Definitivo. Essas alterações foram determinantes quanto aos critérios de análise. No Estudo Exploratório, a questão “Porque é que na Batalha de S. Mamede, junto ao

castelo de Guimarães, D. Afonso Henriques lutou contra as tropas de sua mãe?”

contempla as seguintes possibilidades: Respostas Certas, Respostas Incompletas,