4 Se déplacer activement à Laval
4.5 Et pour la suite ?
O ano de estágio começou no dia 4 de setembro de 2017, aquele que apelido como “dia D”. Foi nesse dia que um turbilhão de sensações assaltou o meu coração. Entrei na escola, em conjunto com as minhas colegas de estágio, para uma primeira reunião com o professor cooperante. Nessa altura fomos surpreendidas pelos EE do ano transato. Estes fizeram-nos uma visita guiada e foram impecáveis, conforme ilustra o excerto do diário de bordo que se segue:
“Este foi o primeiro ano que o professor cooperante decidiu trazer os estagiários do ano anterior para fazer a receção aos novos, e penso que foi bem melhor. Com eles tivemos oportunidade de fazer perguntas e conhecer a escola de uma forma mais descontraída. Eles foram impecáveis, foram dando algumas dicas sobre o processo, sobre o que os professores do departamento lhes faziam, como os tinham recebido, o método de trabalho do professor cooperante, e de várias experiências com as turmas… (Diário de Bordo, 28 de setembro).”
Com a presença dos EE do ano transato, apareceram as primeiras angústias e receios, uma vez que estes eram muito bem vistos por toda a comunidade escolar, ou seja, a fasquia estava bem alta! Mas, não era apenas isso que me preocupava.
A transição de aluno para professor, quando ainda somos estudantes, não foi, de todo, uma tarefa fácil. Foi uma fase crítica, que exigiu diversos ajustes e adaptações das experiências que trazia da faculdade para a realidade escolar. Como refere Queirós (2014, p. 72), no início do meu percurso, apareceram “sentimentos como o medo de falhar, precisar de muito tempo para resolver problemas (…) ter de enfrentar diversos problemas e solucioná-los no momento”
A primeira grande angústia surgiu na incerteza de como seria a primeira aula que iria lecionar. Via essa aula com enorme relevo uma vez que ditava o primeiro encontro com aquela que seria a minha turma residente. Estava bastante nervosa e apreensiva acerca daquilo que iria acontecer, mas rapidamente isso mudou, tal como espelha este pequeno excerto do diário de bordo:
“Após uma breve explicação daquilo que ia ser feito, o professor cooperante e as minhas colegas abandonaram o espaço da aula e eu fiquei sozinha com a turma. Na minha opinião, esta situação foi muito benéfica para mim, pois libertou-me de várias pressões que o professor cooperante, inocentemente, acaba por criar. Ficar ali sozinha com os alunos, apesar de não parecer à primeira vista, foi muito
gratificante e fez com que os pequenos nervos desaparecessem por completo. (Diário de bordo, reflexão pós aula, 14 de setembro de 2017).”
Segundo Batista e Queirós (2013), a escola é um espaço de imprevisibilidade, um espaço onde os EE são obrigados a tomar decisões e agir de acordo com cada situação específica. A busca incessante pela solução certa a cada constrangimento que apareceu levou-me a refletir, pois “aprender a ensinar é um processo longo e difícil, por envolver múltiplas dimensões tais como o pensar, o fazer, o sentir, o partilhar e o decidir” (Queirós, 2014, p. 78).
Tendo como referência esta opinião, assim como a opinião do professor cooperante, não existem receitas para o ato de ensinar. Existem sim práticas ajustadas às realidades que nos vão aparecendo, isto é, são os alunos e as suas características que ditam quais as estratégias e métodos a utilizar na prática pedagógica.
Face a estes aspetos, as minhas primeiras preocupações materializaram- se nas questões da ligação entre a teoria e a prática, isto é, entre o conhecimento e bagagem que trazia da faculdade e a realidade da escola. Neste âmbito, Machado (2011, p. 10) defende que a “formação de professores [será] consistente [porque] interliga a teoria e a prática, encara a teoria como conceptualização da prática e desenvolve nos formandos, atuais ou futuros professores, o saber praticar, sabendo que só é capaz de praticar quem sabe a teoria do que pratica”. Por sua vez, Bento (1995, p. 51) refere que “a teoria é uma prática pensada, imaginada e refletida, e que a prática é uma teoria ou conjunto de conhecimentos à vista, uma prática culminante no horizonte da teoria”. O equilíbrio entre a teoria e a prática é, de facto, algo difícil, mas com elevada importância para os futuros professores.
Quanto à prática propriamente dita, a primeira grande dificuldade teve a ver com a avaliação dos alunos, algo que falarei, com mais profundidade, num dos próximos capítulos deste trabalho, mas deixo um pequeno excerto do diário de bordo que espelha aquilo que senti no momento:
“Esta foi a primeira aula em que me senti perdida. Apesar de ter mostrado aos alunos segurança no que estava a dizer e a fazer, por dentro sentia que nada fazia sentido. No momento, tomei diversas opções que me pareceram as mais adequadas, mas tanto na aula como agora penso que podia ter feito de outras formas. Quero com isto dizer que na minha cabeça ia um turbilhão de sensações. (Diário de Bordo, 26 de setembro, 2017).”
De facto, quando cheguei à escola e fui confrontada com as situações da realidade escolar, não consegui implementar todas as ideias e conceções que levava da faculdade, isto porque o controlo e relação com a turma e a gestão do tempo de aula eram variáveis que não controlava e que precisava de o fazer. Assim sendo, o ensino foi mais centrado no professor e não tanto nos alunos, tal como é possível verificar nos excertos seguintes do diário de bordo:
“Outro ponto fraco, ou negligência da minha parte, foi a gestão da aula. Não sei mesmo o que aconteceu, ainda agora estou a tentar perceber, mas a verdade é que não reparei que estava a exceder o tempo de aula. Penso que foi por estar envolvida no jogo que acabei por me “perder”. Estava preocupada em dar feedback e ensinar através do jogo, que posso ter-me enganado ao olhar para o relógio. Não consegui terminar a aula, ficando a faltar um jogo a um grupo de trabalho e o exercício final da aula. Mais uma vez, houve um grupo de trabalho prejudicado, o que não pode acontecer. Na próxima aula será este grupo a começar o jogo, para repor o tempo perdido na aula de hoje.” (Diário de bordo, 10 de outubro de 2017).
“Estive em vários momentos preocupada com a minha colocação pois não queria ficar de costas para nenhum dos grupos, mas mesmo estando com estas preocupações em alguns momentos tornou-se impossível fazê-lo.” (Diário de bordo, 24 de outubro de 2017).
Em suma, ao longo desta caminhada que foi o estágio profissional fui-me tentando adaptar às necessidades dos alunos e caminhei no sentido de encontrar os melhores resultados para as suas aprendizagens.