• Aucun résultat trouvé

Suggestions pour l’évaluation Observation : Sentiments ressentis

Segundo a Lei n.º5/1997, de 10 de fevereiro, artigo 3º, ponto 4 “o número de crianças por cada sala deverá ter em conta as diferentes condições demográficas de cada localidade”. O Despacho 5048-B/2013, artigo 18º, afirma que as turmas de educação pré- escolar são constituídas, no máximo, por vinte e cinco crianças e no mínimo por vinte crianças.

O grupo onde decorreu a minha prática de ensino supervisionada era um grupo homogéneo, de quinze crianças, com três anos de idade, sendo que quatro eram rapazes e onze raparigas. Nesta fase inicial da nossa prática de ensino supervisionada, as crianças eram irrequietas, faladoras, brincalhonas e muito diferentes umas das outras no que toca a interesses e escolhas. Nenhuma das crianças era portadora de necessidades educativas especiais (NEE), mas existia uma criança no grupo alérgica que era alérgica a vários alimentos, sendo necessário que estivesse exposto na sala os alimentos que esta não podia ingerir e o procedimento a ser tomado se alguma reação alérgica acontecesse. O grupo mantinha-se atento e com imenso cuidado em relação a esta criança, principalmente na hora dos lanches.

De uma forma geral, o grupo era assíduo e pontual, apesar de quatro crianças que, sendo assíduas, não eram pontuais, o que tornava difícil o acolhimento da manhã na sala. Destas quinze crianças, apenas quatro tinham frequentado a creche, enquanto as outras onze não o tinham feito. O facto de a maior parte do grupo não ter frequentado a creche fez com que fosse difícil a adaptação ao jardim-de-infância, o que fez com que o primeiro período fosse de estabelecimento de novas rotinas e de comprimento de regras. Por isso,

“a educação e o cuidado nas creches possibilitam que a criança tenha oportunidades de conhecer e aprender coisas em relação ao mundo a sua volta (…). A rotina tem que ser usada para dar a criança uma segurança quanto às atividades que são desenvolvidas na creche, para que ela aprenda sobre o espaço a sua volta” (Rocha, Serrão, Feyes & Pereira, 2011, p.11).

52

Quanto ao agregado familiar das crianças, apenas sete crianças viviam com os pais. Seis crianças tinham um dos pais emigrados, uma tem os pais divorciados e ainda outra que vive com os avós paternos, que a retiraram de uma instituição. Maioritariamente, as crianças eram filhos únicos, pois apenas cinco crianças tinham irmãos, fazendo assim com que a média de pessoas no agregado familiar seja de três pessoas. A família é assim a primeira intermediária entre o ser humano e a sua cultura, constituindo o primeiro vínculo para relações afetivas, sociais e cognitivas (Dessen & Polonia, 2007).

Neste grupo, a média de idade dos pais era, aproximadamente, de trinta anos, sendo a média das mães aproximadamente vinte e oito anos. As habilitações académicas das mães iam desde o 1ºciclo até ao ensino superior, havendo uma maior incidência de profissões em domésticas e professoras. Quanto aos pais, as habilitações literárias também iam do 1ºciclo até ao ensino superior, com profissões muito variadas, mas a maioria trabalhava no estrangeiro. A maioria das crianças residia em meio urbano.

Das quinze crianças do grupo, apenas cinco frequentavam o prolongamento da manhã e da tarde devido aos horários pouco flexíveis dos trabalhos dos pais. Apenas quatro crianças não almoçam na escola.

No que respeita à comunicação e à participação, este grupo comunicava bem e era bastante participativo. Por vezes esta comunicação era desorganizada, pois a criança acabou de sair do estádio pré-verbal, onde as suas ações e evoluções eram realizados sem que houvesse linguagem (Piaget, 1972 cit. por Pádua, 2009). Desta forma a passagem da ação ao pensamento verbal acontece de forma lenta e trabalhosa (Piaget, 1970 cit. por Pádua 2009) pelo que a educação pré-escolar deve acompanhar e auxiliar.

As crianças tinham bastante interesse e curiosidade acerca do mundo que as rodeava, fazendo sempre muitas perguntas e observações sobre assuntos variados. Apesar de todo este interesse e curiosidade, as crianças do grupo tinham algumas dificuldades de concentração, mesmo em assuntos e brincadeiras que lhes despertavam interesse.

Em diversas atividades e situações, a falta de capacidade de concentração interferiu no processo de aprendizagem das crianças e, por vezes, foi necessário recomeçar a atividade em questão, ou sentar o grupo todo para haver um diálogo sobre um dado assunto. A capacidade de aprendizagem do grupo era difícil, devido, segundo a educadora cooperante, aos diferentes interesses e comportamentos das diferentes crianças do grupo.

53

O comportamento do grupo caraterizava-se por ser barulhento e desorganizado, pois todas as crianças dentro da sala pensavam e queriam ser o centro das atenções. Isto devido ao egocentrismo da criança na fase de desenvolvimento em que cada uma se encontrava, o que, segundo Piaget (1931, cit. por Dayan, 1994) resulta da indiferenciação entre si e o restante grupo. Apesar destas caraterísticas, o grupo era muito meigo, afável e extrovertido e dinâmico.

Globalmente, o grupo apresentava interesse pelo corpo humano, o que levou a que surgisse um projeto sobre alguns sistemas do corpo humano. Este era o seu principal interesse, até que, durante algum tempo, se criou a “área do hospital”, onde as crianças gostavam muito de brincar.

Outros dos interesses do grupo eram a área da pintura, a área das construções e a área da dramática, criadas no início do 2.º período com a minha chegada. Na primeira área verificou-se uma grande evolução, ao nível da motricidade e do conceito de espaço, disposição e organização, nos trabalhos que faziam. Na segunda área foi notória que a criatividade das crianças foi projetada da sua mente para os objetos, produzindo novas e diferentes composições. A terceira área foi criada pois havia uma grande variedade de dedoches e fantoches na sala, até que se escreveu uma história em “big book” inventada pelo grupo. Esta área auxiliou muito na evolução da linguagem e ordenação das ideias do grupo, com a invenção de brincadeiras e de histórias pelas crianças.

Quando já nos encontrávamos perto do final do ano letivo, todo o grupo se encontrava desconcentrado, tanto nas atividades como nas brincadeiras nas áreas, desencadeando problemas de comportamento nas crianças. Estas situações fizeram com que eu e a educadora cooperante mudássemos de estratégia, deixando assim o grupo aproveitar os últimos dias para brincarem mais uns com os outros.

Entende-se, por isso, que quando o educador estabelece uma relação com cada criança, individualmente, está a criar um ambiente facilitador para a sua inserção no grupo de crianças e para que estas criem relações entre si, nunca podendo esquecer que cada criança tem caraterísticas próprias (Ministério da Educação, 1997).