cas dos Cenários Atual e Futuro
Renata Ribeiro do Valle Gonçalves
Raquel Ghini Emília Hamada
Introdução
O SIG (Sistema de Informações Geográficas) é uma poderosa ferramenta computacional que manipula dados geograficamente referenciados (georreferenciados), que são mantidos em formato digital.
Segundo Eastman (1997), o SIG tem um enorme impacto em todos os cam- pos que utilizam e analisam dados distribuídos espacialmente. Aos que não estão familiarizados com a tecnologia, é fácil vê-lo como uma caixa mágica. A velocidade, a consistência e a precisão com as quais ele opera realmente impressiona e é difícil resistir ao seu forte caráter gráfico. Porém, para os analistas experientes o SIG torna-se simplesmente uma extensão do pensa- mento analítico, é uma ferramenta, tal como a estatística.
As vantagens mais comuns da utilização do SIG são que os dados, uma vez inseridos no sistema, são manipulados com rapidez; além disso, o sistema permite diferentes análises dos dados de forma mais eficiente, utilizando ferramentas matemáticas e estatísticas sofisticadas e também com menor subjetividade que se fossem realizadas de forma manual. O SIG também possibilita processos de tomada de decisão, facilita a atualização dos dados e produz mapas com rapidez.
Diversos grupos de pesquisa, em diferentes países, trabalham com modelos climáticos globais de características similares. Segundo Marengo (2001), esses são modelos de clima de alta qualidade, em que os processos atmosfé-
ricos, oceânicos e terrestres são representados da melhor forma possível, dado o conhecimento científico atual e os meios computacionais existentes. Este trabalho teve como objetivo elaborar mapas das variáveis climáticas do Brasil dos cenários atual e futuro, utilizando a ferramenta de SIG, de forma a avaliar sua possível alteração advinda do processo de mudanças climáticas globais.
Material e Métodos
Na elaboração dos mapas das variáveis climáticas a fonte de dados do clima atual foi obtida no CPTEC-INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no período de 1961 a 1990, de mais de 500 estações meteorológicas operadas pelo INMET, CPTEC e outros centros estaduais de meteorologia. Para o clima futuro, foram selecionados dois cenários, A2 e B2, centrados nas décadas 2020 (entre 2010 a 2039), 2050 (entre 2040 a 2069) e 2080 (entre 2070 a 2099), utilizando a média aritmética de seis modelos (ECHAM4, HadCM3, CGCM2, CSIRO-Mk2, CCSR-NIES, GFDL-R30) (Tabela 1). Esses dados do clima futuro estão disponíveis no site do IPCC-DDC (http://ipcc- ddc.cru.ea.ac.uk/).
Modelos ECHAM HadCM3 GFDL CGCM CSIRO CCSR
Resolução espacial 2,8X2,8 3,7X2,5 3,7X2,2 3,7X3,7 5,6X3,2 5,6X5,.6 Grade 128X64 96X73 96X80 96X48 54X56 64X32 Tm X X X X X X Tmax ND X ND X X X Tmin ND X ND X X X RS X X X X X X Precip X X X X X X UR ND X ND ND ND ND
Tabela 1. Modelos utilizados de cenário futuro, resolução espacial, tamanhos de grade
e variáveis estudadas
Fonte: IPCC (2005) (ND – Não Disponível). Tm: temperatura máxima, Tmax: temperatura máxima, Tmin: temperatura mínima, RS: radiação solar, Precip: precipi- tação, UR: umidade relativa.
Para analisar as mudanças climáticas do cenário em relação ao futuro as variáveis utilizadas foram temperatura média (ºC), temperatura máxima (ºC), temperatura mínima (ºC), precipitação (mm/dia), umidade relativa (%) e radi- ação solar (W/m2). Os mapas foram elaborados mês a mês para o clima atual
e clima futuro.
Para elaboração dos mapas foi utilizado o SIG Idrisi 32, software desenvolvi- do pela Universidade de Clark - EUA. Os dados das variáveis climáticas foram inseridos no banco de dados do SIG, adotando-se o sistema de coordenadas geográficas latitude e longitude, com resolução espacial de 0,5º X 0,5º. Os dados do clima atual foram interpolados em ponto de grade.
Os dados do clima futuro foram disponibilizados em formato de grade, de diferentes resoluções espaciais. Posteriormente, esses dados foram interpolados pelo método de Inverso do Quadrado da Distância, de forma a terem a mesma resolução espacial de 0,5o X 0,5o.
Resultados e Discussão
Os mapas elaborados foram de temperatura média, temperatura mínima, temperatura máxima, precipitação, umidade relativa, radiação solar, para o clima atual (1961 a 1990) e para o clima futuro (2020, 2050 e 2080 – cenários A2 e B2). Exemplos de alguns dos mapas elaborados estão nas Figs. 1 a 4.
2020 2050 2080
Atual
A2 B2 A2 B2 A2 B2
2020 2050 2080 Atual
A2 B2 A2 B2 A2 B2
Fig. 2. Precipitação (mm/dia) para o clima atual e futuro no mês de outubro.
2020 2050 2080
Atual
A2 B2 A2 B2 A2 B2
Fig. 3. Umidade relativa (%) para o clima atual e futuro no mês de outubro.
2020 2050 2080
Atual
A2 B2 A2 B2 A2 B2
Fig. 4. Radiação Solar (W/m2) para o clima atual e futuro no mês de outubro.
Os mapas são representações sobre o clima atual e futuro, descrevendo como se modificará o clima do Brasil em decorrência de uma determinada alteração da composição da atmosfera, resultante das atividades humanas. Tais representações do clima futuro, baseadas em um conjunto de suposi- ções, incluem tendências futuras de demanda energética, emissões de gases de efeito estufa, mudanças no uso do solo e aproximações nas leis que regem o comportamento do sistema climático sobre grandes períodos de tempo.
Analisando os mapas do clima futuro em relação ao clima atual, o aquecimen- to pode variar por região, sendo acompanhado por mudanças na precipitação, umidade relativa e na radiação solar, que podem incluir incrementos ou reduções em diferentes regiões do país. Observe-se que essas informações são muito importantes para os estudos de impactos de doenças de plantas.
Conclusão
As temperaturas média, mínima e máxima e radiação solar poderão aumen- tar, já umidade relativa e precipitação poderão diminuir no decorrer dos anos variando de região para região, isto é, observa-se uma mudança na distribui- ção destas variáveis com comportamento diferenciado nas diversas regiões do país ao longo dos meses dos anos.
Referências
EASTMAN, J.R. Idrisi for Windows: user’s guide - version 2.0. Worcester, MA: Clark University, 1997.
INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (INMET). Disponível em: <http://www.inmet.gov.br/>. Acesso em: 15 abril 2005.
INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Data Distribution Centre. Disponível em: <http://ipcc-ddc.cru.uea.ac.uk/>. Aces- so em: 15 abril 2005.
MARENGO, J. A. Mudanças climáticas globais e regionais: avaliação do clima atual do Brasil e projeções de cenários climáticos do futuro. Revista