• Aucun résultat trouvé

Subsequent Events

Dans le document 01 TO OuR SHaREHOldERS (Page 28-32)

Diante da indisponibilidade de longas séries temporais para registros instrumentais, principalmente no que diz respeito às regiões tropicais, torna-se fundamental a utilização de ferramentas paleoceanográficas capazes de fornecerem medidas precisas do clima e ambientes pretéritos. Pesquisadores por todo o mundo, utilizado diversas espécies de corais maciços para esta finalidade, têm obtido resultados relevantes neste sentido. No entanto, parece haver um consenso na comunidade científica especializada da necessidade de gerar calibrações específicas para diferentes espécies. Além disso, comprovadamente, as condições ambientais locais têm mostrado sua influência no controle sobre os padrões de crescimento de uma determinada espécie, fato este também demonstrado através dos resultados obtidos neste estudo. Deste modo, é bastante razoável perceber que para utilizar o coral como uma ferramenta paleoceaográfica de modo correto e eficiente, além de uma calibração específica a nível de espécie, torna-se necessário realizar calibrações para a região que se deseje estudar.

Os resultados obtidos no presente estudo evidenciaram uma correlação positiva significativa entre as séries temporais mensais de TSM OSTIA e Densidade nas colônias de S.

stellata (YCB: R = 0,64; p < 0,05, n = 136; GAR: R = 0,74; p < 0,05, n = 136 ). As análises de

regressão mostraram que, para o sitio de amostragem YCB, cerca de 40% da variabilidade na densidade mensal pôde ser explicada pela TSM OSTIA, enquanto no sitio de amostragem GAR este valor foi de aproximadamente 55%. A relação linear observada permite sugerir que para cada 1 °C de elevação na TSM média haverá um acréscimo de 0,08 e 0,04 g.cm-3 na densidade mensal média das colônias dos sítios de amostragem YCB e GAR, respectivamente. Desta maneira, esta

última observação evidencia uma resposta mais pronunciada das colônias de S. stellata do sítio de amostragem YCB a uma ocasional elevação na TSM. Corroborando com os resultados obtidos, Carricart-Ganivet (2004), ao avaliar o efeito da TSM sobres os padrões de crescimento em corais da espécie Montastraea annularis no Golfo do México e Mar do Caribe, encontrou uma correlação positiva significativa de grau bastante elevado entre a série temporal anual de TSM e a Densidade (R = 0,93; p < 0,05, n = 6). Por outro lado, o aumento da densidade em função da elevação da TSM observada neste estudo é contrastante com os resultados obtidos por Lough & Barnes (2000). Estudando os Porites maciços na região do Indo-Pacífico, este último autor encontrou uma correlação negativa de grau moderado a alto entre a série temporal anual de TSM e a Densidade (R = - 0,69; p < 0,00, n = 44). Mesmo com a adição de novos dados referentes a mais cinco sítios de amostragem em relação aos utilizados por Lough & Barnes (2000), inclusive daquele que apresentou a média de TSM mais elevada (29,5 °C) dentre todos, Lough (2008) constatou que não houve qualquer alteração na relação linear significativa entre a TSM média anual e a Densidade em Porites da região do Indo-Pacífico.

Diante da comprovação realizada neste estudo de que existem benefícios significativos na utilização do sensor remoto MODIS em detrimento ao SEAWIFS, as considerações abaixo irão referir-se apenas ao banco de dados proveniente deste primeiro.

A variável ambiental PAR representa a quantidade de luz disponível (radiação) para a realização do processo de fotossíntese. Deste modo, espera-se que quanto maior for o valor de PAR numa determinada região em um dado momento, melhor será o desempenho fotossintético dos corais maciços. Vale ressaltar que existe um limite de radiação a partir do qual ela passa a ser danosa para estes organismos. No presente estudo, a espécie S. stellata respondeu exatamente desta maneira. Através dos resultados obtidos, ficou comprovada a existência de uma correlação positiva significativa entre as séries temporais mensais de PAR e a Densidade em suas colônias (YCB: R = 0,68; p < 0,05, n = 84; GAR: R = 0,70; p < 0,05, n = 84). As análises de regressão mostraram que, para o sitio de amostragem YCB, cerca de 49% da variabilidade na densidade mensal pôde ser explicada pela variável PAR, enquanto no sitio de amostragem GAR este valor foi de aproximadamente 55%. A relação linear observada entre estas variáveis sugere que para cada 10 Einstein.m-2.dia-1 de elevação no valor médio de PAR haverá um acréscimo de 0,10 e 0,04 g.cm-3 na densidade mensal média das colônias dos sítios de amostragem YCB e GAR, respectivamente. Do mesmo modo como ocorrido para a TSM, uma projeção de aumento na quantidade de radiação fotossinteticamente ativa disponível evidencia uma resposta mais pronunciada na densidade das colônias de S. stellata que habitam YCB.

Considerada como uma medida relativa da turbidez da água, a variável ambiental K490 é utilizada como um indicativo da quantidade de material em suspensão na coluna d’água. Diversos

trabalhos, utilizando-se do conceito do gradiente existente entre as regiões costeiras e o mar aberto, têm demonstrado o efeito da elevação do grau de turbidez das águas sobre as características de crescimento dos corais por todo o mundo. Por exemplo, Lough & Barnes (1992) detectaram um aumento da densidade média dos esqueletos dos corais do gênero Porites na Grande Barreira de Corais Australiana quanto mais distante da costa. Da mesma maneira, Risk & Sammarco (1991) também observaram um aumento significativo na densidade média dos esqueletos de corais da espécie Porites lobata na mesma localidade quanto mais distante da costa. Assim, é consistente considerar que maiores valores de K490 estarão atrelados a menores densidades esqueléticas em colônias de corais maciças, e vice-versa. Corroborando com as considerações e trabalhos supracitados, os resultados obtidos neste estudo evidenciaram uma correlação negativa significativa entre as séries temporais mensais de K490 e Densidade nas colônias de S. stellata (YCB: R = - 0,53; p < 0,05, n = 84; GAR: R = - 0,57; p < 0,05, n = 84 ). As análises de regressão mostraram que, para o sitio de amostragem YCB, cerca de 28% da variabilidade na densidade mensal pôde ser explicada pela variável K490, enquanto no sitio de amostragem GAR este valor foi de aproximadamente 32%. A reta de ajuste gerada a partir da análise destas variáveis permite inferir que para cada 0,1 m-1 adicionados ao valor médio da variável K490 haverá um decréscimo de 0,21 e 0,05 g.cm-3 na densidade mensal média das colônias dos sítios de amostragem YCB e GAR, respectivamente. Desta maneira, a redução na densidade em decorrência de uma possível elevação no valor de PAR é mais pronunciada no sitio de amostragem YCB.

A variável ambiental CHLO representa a concentração de clorofila na superfície e, em última análise, é também indicativa da quantidade de material em suspensão (fitoplâncton) na coluna d’água. Análises realizadas entre as séries temporais de CHLO e K490 obtiveram uma correlação quase perfeita (YCB e GAR: R = 0,99; p < 0,05, n = 84), evidenciando comportamentos praticamente similares para estas duas variáveis. Considerando este fato, espera-se que, assim como ocorre para a variável K490, uma elevação no valor de CHLO das águas de uma determinada região sejam acompanhadas por uma redução nas densidades esqueléticas dos corais maciços, e vice-versa. Através dos resultados obtidos no presente estudo, ficou comprovada a existência de uma correlação negativa significativa entre as séries temporais mensais de CHLO e a Densidade das colônias de S. stellata (YCB: R = -0,53; p < 0,05, n = 84; GAR: R = - 0,55; p < 0,05, n = 84). As análises de regressão mostraram que, para o sitio de amostragem YCB, cerca de 28% da variabilidade na densidade mensal pôde ser explicada pela variável CHLO, enquanto no sitio de amostragem GAR este valor foi de aproximadamente 30%. A relação linear observada permite sugerir que para cada 1 m-1 adicionados ao valor médio da variável CHLO haverá um decréscimo de 0,12 e 0,03 g.cm-3 na densidade mensal média das colônias dos sítios de amostragem YCB e GAR, respectivamente. Desta maneira, esta última

observação evidencia uma resposta mais pronunciada das colônias de S. stellata do sítio de amostragem YCB a um ocasional aumento na concentração de clorofila superficial.

É interessante observar que, independente da variável testada contra a série de densidade mensal (TSM, PAR, K490 ou CHLO), o grau de correlação e regressão foi sempre mais elevado em GAR, mesmo que em pequenas proporções. Além disso, possíveis alterações nos valores médios destas variáveis potencialmente causam mudanças mais significativas sobre a densidade esquelética das colônias de S. stellata que habitam YCB, evidenciando a maior sensibilidade deste sitio de amostragem à estes tipos de intervenções.

Comparando os resultados obtidos, todas as variáveis ambientais analisadas mostraram- se correlacionadas significativamente, umas mais e outras menos, com a densidade mensal dos esqueletos do coral da espécie S. stellata em ambos os sítios de amostragem. A série de densidade mensal apresentou as melhores preditividades para as variáveis TSM OSTIA e PAR, de forma bastante semelhante, seguidas de K490 e CHLO, nesta ordem. Tal fato evidencia que a TSM e PAR exercem maior influência sobre o padrão de densidade dos esqueletos do coral S.

stellata em comparação às outras variáveis.

Diante do discutido, o uso da espécie de coral S. stellata como indicador proxy de temperatura e turbidez da água do mar neste trabalho mostrou-se válida para as duas sub-áreas avaliadas. Neste contexto, comparando a sua utilidade com a de outras espécies avaliadas na costa do Brasil, é possível observar virtudes e defeitos. Por exemplo, citando a espécie

Mussismilia braziliensis, utilizada tanto por Kikuchi et al. (2013) quanto por Oliveira (2007) em

estudos na região do Arquipélago de Abrolhos, percebe-se que a presença de bandas de densidade mais largas nesta espécie permitem uma melhor identificação dos padrões de bandamento e, consequentemente, da definição dos ciclos anuais. Entretanto, em função da sua taxa de crescimento/extensão linear reduzida, a espécie S. stellata tem a capacidade de armazenar uma quantidade maior de informações por comprimento do seu esqueleto. Domingues (2010), utilizando tanto a espécie S. stellata quanto a Mussismilia braziliensis na região da BTS e do Arquipélago de Abrolhos, concluiu que o carbonato precipitado por estas espécies possuem grande potencial em prover informações sobre o passado de seus ecossistemas.

Por fim, as diferenças encontradas nas calibrações das duas sub-áreas analisadas reafirmam a idéia de inexistência de uma calibração universal e, consequentemente, da necessidade de gerar calibrações especificas para uma determinada espécie em uma determinada região. Ainda, uma abordagem multi-proxies é a forma mais eficiente de separar as influencias combinadas das variáveis ambientais nos registros dos esqueletos dos corais. Apenas desta maneira, o uso dos corais maciços, inclusive da espécie S. stellata, como uma ferramenta

paleoceanográfica eficiente e acurada poderá colaborar, de fato, na reconstrução de climas e ambientes pretéritos.

Dans le document 01 TO OuR SHaREHOldERS (Page 28-32)

Documents relatifs