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A Escola Oficial Zheng Guanying situa-se na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, a zona mais a norte de Macau, contígua à China Continental e onde se localiza a fronteira das Portas do Cerco. Nesta freguesia, a maior e a mais densamente povoada (c. de 40% do total dos habitantes da RAEM vive aqui), encontram-se zonas visível e marcadamente chinesas, como o Bairro da Areia Preta, o Toi San, o Iao Hon, os Novos Aterros da Areia Preta e o Fai Chi Kei. Tradicionalmente, é uma área habitacional da classe trabalhadora e de instalação de imigrantes, mesclada com edifícios industriais. Entretanto, o espaço tem sido melhorado gradualmente através da construção de bairros residenciais modernos (Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro; Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais de Macau). O perfil sociodemográfico da população desta zona da cidade é esboçado nos seguintes termos por Silva (2011:114):

“É nesta freguesia que se acentua mais a concentração de residentes não nascidos em Macau, sendo, na sua maioria, os que vêm do “outro sistema”, o que equivale a dizer do Continente chinês, e o que explica largamente o acentuado acréscimo populacional que tem vindo a registar. De facto, de acordo com os dados dos Intercensos 2006, do total de residentes na freguesia de Nossa Senhora de Fátima apenas 36.9% nasceu e sempre residiu em Macau, sendo mais de metade (58.3%) dos residentes desta freguesia oriundos da China Continental.

Embora grande parte dos migrantes da China Continental venha da Província contígua sendo a sua língua corrente, tal como em Macau, o cantonês, é também

nesta freguesia que podemos encontrar o maior número de falantes de outros dialectos chineses, nomeadamente o dialecto de Fujian.”

Criada em 1987/88, a Escola Primária Luso-Chinesa de Tamagnini Barbosa era uma das instituições que ensinava a língua portuguesa em Macau. Esta escola luso-chinesa, que ministrava o ensino primário com a vertente de aprendizagem em ambas as línguas e podia lecionar educação pré-escolar, foi extinta no início de 2011. Neste mesmo ano foi criada pela Ordem Executiva n.º 46/2011 a Escola Oficial Zheng Guanying (fig. 3.1), que entrou em funcionamento nas instalações da extinta Escola Primária Luso-Chinesa de Tamagnini Barbosa.

Figura 3.1 Fachada da Escola Oficial Zheng Guanying. Foto de Smart Education.

A EOZGY iniciou a sua atividade no ano letivo de 2011/2012 e apesar de se comprometer a manter aulas em língua portuguesa, a ênfase foi dada ao ensino

do mandarim (pǔtōnghuà), adotando esta língua como língua veicular de ensino

e sendo a única escola oficial de Macau a disponibilizar tal opção. A instituição começou por oferecer aulas de ensino infantil e ensino primário e a partir do ano letivo 2015/2016 passou a ministrar ensino secundário, sendo também atualmente a única escola de Macau a disponibilizar a oferta educativa integrada da escolaridade gratuita de 15 anos (do ensino infantil ao secundário complementar).

Trata-se, portanto, de uma instituição recente que espelha uma nova conceção da relação sociedade-escola-educação, já que consiste num projeto piloto que enfatiza a importância da aprendizagem de línguas estrangeiras em Macau.

Efetivamente, a Zheng Guanying integra o projeto em fase de estudo piloto que visa a reforma curricular e põe em prática o objetivo do governo da RAEM de diversificar o sistema escolar e dar um novo rumo às escolas oficiais. Introduz novos conceitos, novo modelo de gestão e de sistema curricular e pretende oferecer uma opção alternativa aos alunos que ingressam nas escolas oficiais (Aranda, 2014).

Na mostra “Ponte Sino-Portuguesa: Exposição sobre o ensino de línguas e culturas”, que reuniu informação e trabalhos de alunos das escolas da rede da Direção dos Serviços de Educação e Juventude e que esteve patente na galeria Zhizhan do Centro de Recursos Educativos da DSEJ entre junho e julho de 2014, a EOZGY foi apresentada da seguinte forma (fig. 3.2):

Figura 3.2 Cartaz de apresentação da EOZGY na exposição Ponte Sino-Portuguesa. Foto da autora do estudo, 2014.

No caso de Macau, onde a população fala maioritariamente cantonense e onde o chinês e o português são línguas oficiais, sendo o mandarim (não obstante o seu

estatuto de língua oficial na RPC) a língua segunda mais falada e o português apenas falado por 4% da população, esta aprendizagem multilingue proposta pela EOZGY reveste-se de especial importância (cf. 2.6 e 2.6.1).

Trata-se de uma escola secular e inclusiva, com indivíduos de várias proveniências; a demografia dos estudantes e das famílias é variada, assim como a dos docentes que nela trabalham, com diferentes origens nacionais representadas. Cerca de cinquenta por cento do pessoal docente tem conhecimento de uma língua não materna e os cargos de liderança, nomeadamente o de diretor e de sudiretor, são ocupados por pessoas que falam mais duas línguas para além da sua língua materna. As atitudes em relação à língua por parte do pessoal auxiliar e pais, observadas pela investigadora, são globalmente positivas e as questões linguísticas têm destaque no projeto educativo da escola. Os professores e alunos falam frequentemente tanto as suas línguas maternas como uma língua de intercomunicação nos corredores e espaços comuns da escola e isso é acolhido naturalmente pela comunidade escolar.

Nas várias zonas da escola há sinalização e informação trilingue (fig. 3.3),

assim como diversos placares para estimular o uso das várias línguas, à semelhança do que é apresentado na fig. 3.4 (o tipo de atividade proposta varia ao longo do ano letivo, mas o objetivo está sempre associado à familiarização dos alunos com o uso das línguas ensinadas na escola):

Como ilustra a fig. 3.5, a própria ementa do refeitório reflete o amiente multicultural existente na escola e a vontade de o promover, combinando elementos das diferentes gastronomias:

Figura 3.5 Ementa do refeitório da EOZGY. Foto da autora do estudo, 2016.

Segundo os dados fornecidos em conversa pela diretora da escola, a população escolar da EOZGY é composta essencialmente por alunos locais, de língua materna chinesa (cantonês); a percentagem de cerca de 10% de alunos estrangeiros da escola é constituída por portugueses, brasileiros, coreanos, japoneses, italianos, filipinos e singapurianos. Note-se ainda que cerca de 15%

dos alunos chineses vive em Zhuhai, ou seja, na cidade fronteiriça contígua, na China Continental, sendo a sua língua materna o mandarim.

De acordo com os Dados Gerais das Escolas no ano lectivo de 2013/201451,

publicados pela DSEJ, a escola contava no ano letivo de 2013/2014 com 194 alunos, distribuídos pelos seguintes níveis de ensino (fig. 3.6):

Figura 3.6 Número de alunos da EOZGY no ano letivo de 2013/2014 por nível de ensino. Vista Geral da Educação em Números 2013/2014.

Segundo a informação disponibilizada pela direção da escola, neste ano letivo os alunos encontravam-se distribuídos da seguinte forma pelas turmas:

Tabela 3.1 Distribuição dos alunos por nível e turma (2013/2014)

Ensino Infantil Ensino primário

Total de alunos 91 Total de alunos 103 Turmas I1A - 15 I1B -17 I2A – 13 I2B - 13 I3A - 17 I3B - 17 Turmas P1A - 14 P1B - 14 P2 - 24 P3 - 18 P4 - 17 P5 – 16

51 Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Vista Geral da Educação em Números

2013/2014,

http://portal.dsej.gov.mo/webdsejspace/internet/category/teachorg/Inter_main_page.jsp#Inter_ma in_page.jsp?id=46100

No ano letivo seguinte, conforme os Dados Gerais das Escolas no ano lectivo de 2014/201552, a escola viu aumentar o número de matrículas, tendo contado com um total de 233 alunos. O nível primário foi aquele onde se verificou o maior aumento de inscrições:

Figura 3.7 Número de alunos da EOZGY no ano letivo de 2014/2015 por nível de ensino. Vista Geral da Educação em Números 2013/2014.

Neste ano letivo os alunos a distribuição de alunos pelas turmas era a seguinte:

Tabela 3.2 Distribuição dos alunos por nível e turma (2014/2015)

Ensino Infantil Ensino primário

Total de alunos 95 Total de alunos 138 Turmas I1A - 15 I1B -16 I2A – 16 I2B - 16 I3A - 16 I3B - 16 Turmas P1A - 17 P1B - 15 P2 - 30 P3 - 25 P4 - 18 P5 – 17 P6 – 18

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