• Aucun résultat trouvé

Le style parental des pères auteurs de violence conjugale

Da análise comparativa realizada entre os dados coletados na base de dados do IBGE e da CONAB(2016), e análises das respostas dos proprietários das fazendas investigadas, infere-se que, muito embora a região do Cerrado tenha grande influência no volume vendido de café especial para o Brasil, o diferencial pela venda dessa produção não chega obrigatoriamente ao produtor.

Isto decorre em grande parte porque os produtores vendem seu café como bica corrida (venda tradicional), ou seja, apenas fazem o primeiro beneficiamento pós colheita. Neste tipo de processo de colheita, não se privilegia a separação seletiva dos grãos com melhor qualidade.

Na Costa Rica, por exemplo, país onde os produtores (de uma determinada região) recebem do governo uma unidade de beneficiamento para uso coletivo, para a safra de 2015/2016 foram produzidas 1.634 mil sacas de café de 60 quilos e exportados 995 mil sacas.

 Área da propriedade  Área plantada  Produção total em sacas  Produtividade  Empregados fixos  Troca de insumos

 Percentual de café vendido com valor agregado  Custo por saca

 Custo por hectare  Certificação

 Quantidade sacas colhidas . DIMENSÃO ECONÔMICA DIMENSÃO SOCIAL DIMENSÃO AMBIENTAL  Número de tratores  Uso de Irrigação  Uso de adubação química  Uso de adubação orgânica  Uso de inseticida

 Área colhida mecanicamente  Uso da análise de solo  Colheita seletiva  Uso de tabelas de controle  Orientação técnica  Controle de custos  Quantidade de mão de obra

 Tipo de mão de obra

 Cumprimento de normas trabalhistas  Oferecimento de alojamento e moradia  Acesso à água potável

 Equipamento de segurança  Registro em carteira  Previdência social  Treinamento e capacitação

 Herdeiros com continuidade na atividade  Filhos de colaboradores permanecem na

Diferentemente, o Brasil na região do Cerrado Mineiro, produziu 7.401 mil sacas de café no mesmo período de 2015/2016, porém as estatísticas demonstram fraco desempenho nas exportações de café diferenciado brasileiro; para aquele período apresenta-se uma exportação total de 2.170 mil de sacas de café de 60 quilos, segundo CECAFE(2017).

Ou seja, enquanto a Costa Rica exporta 61 % do café especial, o Cerrado Mineiro exporta apenas 30%. Tal constatação coaduna com as evidências retratadas e analisadas na coleta de dados.

Quando da venda da produção com valor agregado, as fazendas investigadas destoam da média retratada nas referências para o Cerrado Mineiro. Apenas a fazenda 01 efetiva vendas do café produzido tipo especial no mercado, mesmo assim com 25% de sua produção. Ainda apenas a fazenda 01, utiliza 20 hectares de sua área para outras plantações, no caso milho.

A comercialização do café produzido em bica corrida (tradicional) pelas fazendas 02, 03 e 04 e em menor escala pela fazenda 01, faz com que a informação sobre a qualidade da bebida do café produzido, muitas vezes seja completamente perdida ou ignorada pelo produtor e, consequentemente não seja reconhecida como parte da remuneração recebida.

Assim, torna-se comum o produtor perceber poucos incentivos para produzir cafés de qualidade superior, pois além de não privilegiar a qualidade do seu café, ainda não recebe uma remuneração que o valorize e incentive.

Embora as fazendas 02, 03 e 04 se auto denominem como produtoras de café especial, observa-se uma priorização da gestão das propriedades para uma produção em escala na busca por maior produtividade é comum às três fazendas. Nestas propriedades, a produção de café diferenciado e especial é vendida ao mercado, em conjunto com os demais grãos colhidos, sem haver um aprimoramento na separação dos grãos de melhor peneira e menor defeito.

Quando da coleta de dados nas fazendas pesquisadas, as áreas de assistência técnica (privada ou pública), observam que o proprietário rural prefere oferecer sua produção total ao mercado, ao invés de se “preocupar” com pequenos lotes diferenciados e especiais, muito embora tenha consciência da necessidade, benefícios e custos da inovação e tecnologia aplicados em suas propriedades.

As análises de gestão econômica das fazendas investigadas não observam variações consideráveis entre os custos por saca, bem como na produtividade por hectare em 2016, ano de coleta dos dados.

Percebe-se que a produtividade média do Cerrado Mineiro (IBGE, 2016) é bem superior à média brasileira, sendo que sua maior produtividade está associada, principalmente, a uma cafeicultura moderna, com utilização apropriada de irrigação, mecanização (topografia favorável) e adubação.

As áreas de produção das fazendas 01 e 02 são equivalentes em 42 ha, alcançando uma produtividade de 40 e 45 sacas por hectare. Destaque para a produtividade da fazenda 03, por se tratar de período de maturação produtiva da cultivar, fazendo com que a bienalidade negativa característica do café, não se apresente nesta safra de 2016 especificamente.

Nas análises para a determinação de equilíbrio entre as dimensões social, ambiental e econômica, para os 36 indicadores analisados, a Fazenda 01 atende 94 % e as Fazendas 02, 03 e 04 atendem 80 %.

Quando as dimensões são analisadas individualmente, percebe-se que existem oportunidades de melhoria na dimensão econômica mais acentuadamente e ambiental, pois estão mais distantes do eixo referencial zero, conforme o gráfico 1.

Gráfico 1: Análise das dimensões sociais, ambientais e econômicas por fazenda

A aplicação do modelo AHP para a produção do café na região investigada, caracterizou-se pela harmonia com as demais análises dos dados recolhidos junto ao

IBGE/CONAB(2016), bem como com as respostas dos proprietários rurais ao modelo de análise do equilíbrio das dimensões sociais, ambientais e econômicas.

Na análise comparativa entre Certificação ou Mecanização (AHP), como opção de investimento, 26,2% dos proprietários indicou ter preferência por obter certificação e os demais 73,8% reconheceram oportunidades de melhoria no aperfeiçoamento da mecanização em suas propriedades.

Observa-se que nas prioridades dos proprietários o controle de custos (44,5%) é a variável de maior importância e influência para suas decisões produtivas e de mercado. Os produtores estão em conformidade com as boas práticas agrícolas que demandam a atenção do mercado consumidor, de acordo com as respostas aos questionamentos sobre gestão ambientais e sociais.

A análise de solo e a assistência técnica, ambas com 10,9% de influência para as decisões produtivas dos proprietários, tem prioridade superior à colheita seletiva (4,9%), que pode proporcionar maior qualidade para a bebida e grão produzidos.

A Figura 5 consolida as prioridades gerais nas tomadas de decisão e seu respectivo grau de influência para os proprietários e aplicação em sua gestão das propriedades.

Figura 5: Prioridade dos Fatores para Tomada de Decisão em Fazendas Cafeeiras

As análises da gestão de capital social das fazendas 01 e 02 apresentam nos indicadores de empregados fixos, tratores e safristas pequenas diferenças, que refletem a

linha de gestão do ambiente da produção individual de cada propriedade. Nestas variáveis de capital social e tecnologia, a fazenda 01 (vende 25% de sua produção para o mercado de qualidade e preço diferenciados), apresenta diferencial de alocação para os custos de produção, sendo que tem 20 ha da sua área total com produção de milho.

Porém nas análises de número de empregados das fazendas 03 e 04, percebe-se uma predominância de mão de obra tradicional e intensiva, indicando um paradoxo, pois não se observa o total aproveitamento deste capital social intensivo quando da venda da produção com valor agregado ou colheita seletiva

De acordo com Santinato et al.( 2008), CONAB( 2016), IBGE(2016) e BRADESCO(2016), a colheita mecanizada de café reduz, em média, 30% os custos de colheita em relação à manual. Importante salientar que a colheita mecânica melhora a qualidade do café colhido, o mesmo não acontece no caso da colheita manual, pois não é viável economicamente fazer uma separação do “café-cereja” (fruto maduro) e do fruto verde.

No Cerrado os custos com mão de obra representam 40% e os gastos com defensivos e fertilizantes respondem por 22% (BRADESCO, 2016).

Comparativamente, na região Sul de Minas Gerais os custos com mão de obra aplicados a cultura do café respondem por 53% dos custos operacionais e a utilização de defensivos e fertilizantes por 24%.

Os custos com mão de obra, nesta região são elevados pois a maior parte da colheita é manual, em razão da topografia da região que dificulta a operação com colheitadeiras (BRADESCO, 2016).

Como a cafeicultura do Cerrado se desenvolve em áreas relativamente planas, a mecanização está presente em todas as etapas da produção, desde o preparo do solo, tratos culturais, fitossanitários e nutricionais, até chegar à colheita (ORTEGA & JESUS, 2011).

Pode-se considerar a fazenda 02 mais intensiva em mecanização e a fazenda 01 mais intensiva em capital social, respectivamente 25 empregados fixos e safristas contra nove empregados fixos e safristas da fazenda 02 (Tabela 9).

A utilização de mão de obra intensiva pode proporcionar a oportunidade de uma colheita seletiva para lotes de café, que auferem valor agregado.

Tabela 9: Comparativo Capital Social x Mecanização x Produtividade Indicadores/2016 Fazenda 01 Fazenda 02 Fazenda 03 Fazenda 04 empregados fixos 5 2 60 12 Tratores 1 3 26 5 empregados safristas 20 7 40 15 produção total /scs 2100 1800 60000 3652 *receita total/000R$ 1066900 883315 29443800 1792146

**receita total 000R$ 294000 n/a n/a n/a

***Perda de receita 252000 8400000 511280

área de produção/000/ha 42 42 1300 160

produtividade sc/ha 40 45 75 30

Fonte: Dados de pesquisa

* estimado de acordo com índice de preços CONAB/CACCER

**estimado pelo preço de venda informado pela fazenda 01, calculados em 25% da produção como venda com valor agregado

*** pela não venda de café especial (pelo menos 25%)

Quanto à percepção dos agricultores proprietários sobre seus padrões de vida e de seus colaboradores, não houve diferença estatisticamente significante. As quatro fazendas cumprem as normas básicas de boas práticas agricola, bem como interagem em conformidade legal quanto aos beneficios e obrigações de seus colaboradores.

Os aperfeiçoamentos a título de conhecimento e informação, permeiam a cadeia de valor da cafeicultura brasileira de modo geral e singular.

4.2.4 CONCLUSÕES

Os resultados reconhecidos nas análises propostas indicam que a gestão do ambiente de produção e do capital social são diferenciais dinâmicos para a diversidade, o pioneirismo e o empreendedorismo da região na busca e manutenção de uma produção de qualidade.

As respostas às hipóteses do trabalho respondem que: encontra-se na predisposição do produtor à venda em bica corrida(commodities) e a não percepção do valor agregado ao produto pelo produtor. E uma segunda resposta apresenta-se nas oportunidades reconhecidas, quando da análise do equilíbrio das dimensões sociais, ambientais e econômicas nas fazendas pesquisadas.

A análise dos indicadores de vantagem competitiva permite indicar oportunidades para novas fontes e práticas de gestão de negócio, principalmente no que

tange à avaliação e promoção da rentabilidade nas vendas do produto e posicionamento no mercado especial e diferenciado.

Nota-se também que pequenas ações no sentido de implementar micro inovações para aperfeiçoamento das rotinas e organização das propriedades cafeeiras pesquisadas, com a exploração do potencial dos diversos stakeholders da cadeia de valor no beneficiamento e processamento do café, podem gerar resultados positivos. Uma maior disponibilidade de grãos especiais, com melhoria em custos e na remuneração das vendas em lotes específicos traz melhores perspectivas para a rentabilidade do negócio e conseqüentemente na qualidade de vida da comunidade e do entorno.

Do ponto de vista conhecimento e capacitação do capital social das fazendas analisadas (proprietários e mão de obra), encontra-se oportunidades para iniciativas de competitividade e na qualidade do produto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRADESCO – DEPEC - CAFÉ DEZEMBRO DE 2016, disponível em http://www.economiaemdia.com.br/vgn-ext-

templating/v/index.jsp?vgnextoid=29fece2f8d741310VgnVCM100000882810acRCRD acessado em janeiro de 2017

BARUCH, L. Intangibles: management, measurement and reporting. Washington, D.C.: Brookings Institution Press, 2000.

CAFÉ DO CERRADO. Cerrado mineiro: a primeira denominação geográfica para café. 2010. Disponível em: www.cerradomineiro.com.br , Acesso em: março 2017.

COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (Conab). Acompanhamento da safra brasileira de café, safra 2016, segunda estimativa. 2016. Disponível em: . Acesso em: março/2017.

CRONBACH, L.J., MEEHL, P.E. Construct validity in psychological tests. Psychological Bulletin, v.52, n.4, p.281-302, 1995.

FARINA, M. M. Q. E. 1997 Competitividade e coordenação de sistemas agroindustriais: um ensaio conceitual. Revista Gestão e Produção, v.6, n.3, p.147-161.

FUNDAÇÃO PRO CAFÉ, JACTO, 2004 acessado em março de 2017, disponivel em http://fundacaoprocafe.com.br/sites/default/files/publicacoes/pdf/1%20-

%20Evolu%C3%A7%C3%A3o%20da%20colheita%20mec%C3%A2nica%20do%20caf% C3%A9%20da%20planta.pdf.

GONÇALVES, Carlos A.; FILHO, Cid G.; NETO, Mário T. R. Estratégia empresarial: o desafio nas organizações. São Paulo: Saraiva, 2006.

HILL, P. Tangibles, intangibles and services: a new taxonomy for the classification of output. Canadian Journal of Economics, Montreal, v. 32, n. 2, 1999.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. PESQUISA DE INOVAÇÃO (IBGE) 2011. Rio de Janeiro. 2013. Disponível em: < http://www.pintec.ibge.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=45&Item id=12> Acesso em: abril de 2017.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Levantamento sistemático da produção agrícola. 2010. Disponível em: . Acesso em: março/2017.

JARDIM, G. F. Estruturas de governança e a capacidade de inovação em pequenas empresas: caso da indústria brasileira de torrefação e moagem de café. São Paulo, 2012. 104 p.

LASTRES, H.; CASSIOLATO, J. E. Innovation systems and local productive arrangements: new strategies to promote the generation, acquisition and diffusion of knowledge. Innovation and Economic Development, v. 7, n. 2, 2005.

MARSHALL, A., Principles of economic.8thedition.Londres: Macmillan,1920.

OCDE. Manual de Oslo: Diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3ª ed. Tradução e publicação FINEP, 2005.

ORTEGA, A. C. e JESUS, C. M., Território Café do Cerrado: transformações na estrutura produtiva e seus impactos sobre o pessoal ocupado. RESR, Piracicaba, SP, vol. 49, nº 03, p. 771-800, jul/set 2011 – Impressa em novembro 2011

PRAHALAD, C. K. 2010. Why Sustainability is now the key driver of Innovation. Harvard Business Review. Disponível em:< http://hbr.org>. Acessado em: março,2017. PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1985.

SANTINATO, R.; FERNANDES, A. L. T.; FERNANDES, D. R. Irrigação na cultura do café. 2. ed. Belo Horizonte: O Lutador, 2008.

SCHMITZ, H. Aglomerações produtivas locais e cadeias de valor: como a organização das empresas influencia o aprimoramento produtivo. In: LASTRES, H.; CASSIOLATO, J. E.; ARROIO, A. (Comp.). Conhecimento, sistemas de inovação e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/Contraponto, 2005

STEENSMA, H. K. Acquiring technological competencies through inter-organizational collaboration: na organizational learning perspective. Journal of Engineering and Technology Management, v. 12, p. 267-86, 1996.

TEEB - The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB), disponível em http://www.teebweb.org/, acessado em março de 2017.

UFLA – OBSERVATORIO BUREAU DE INTELIGÊNCIA COMPETITIVA DO CAFÉ, 2016 – Centro de Inteligência em Mercados de Administração e Economia.

UNICAFFE, 2017 Inovações na Agricultura. FEA – PENSA – USP. WEBER, M. Economia y sociedad. México: Ed. Fondo de Cultura, 1964.

4.3 ARTIGO 3 - KEY DRIVERS PARA APERFEIÇOAMENTO DAS ESTRATÉGIAS DE COMPETITIVIDADE NA CAFEICULTURA BRASILEIRA: DIFERENCIAIS DAS MESORREGIÕES CAMPINAS E DO SUL DE MINAS

4.3.1 INTRODUÇÃO

Empurrados pelos players globais, os produtores brasileiros de café, especialmente cooperados e ou em associações, têm investido para que suas áreas de produção estejam em conformidade com aspectos legais e padrões socioambientais. Para tanto, utilizam-se das certificações e /ou processos de melhoria contínua em sua produção, como ferramentas de garantia de diferencial para o produto.

A cafeicultura brasileira tem se movimentado no sentido de aumentar as oportunidades de participação no mercado e as possibilidades de melhoria, que se apresentam nas inovações e tecnologias socioambientais aplicadas à gestão. Com isso o rendimento médio da produção de café brasileira, no período de 2006 a 2016, cresceu aproximadamente 23% e a área colhida decresceu aproximadamente 12%. Estes indicadores pontuam que as melhorias contínuas aplicadas a produção de café vêm possibilitando uma expansão de mercado e resultados positivos para os proprietários rurais, sem a dependência de novas áreas produtivas.

Mesmo ainda considerado uma "commodity", o café ganha status de "speciality" no mercado internacional. Razão para isso está nas exigências cada vez maiores dos consumidores, ou seja, preferência por produtos que possuam características de bebida e aroma específicos e que agreguem conceitos de ecologicamente corretos ou qualidade diferenciada (CECAFÉ, 2014).

Os concorrentes do café brasileiro, como por exemplo o Vietnã, um gigante emergente asiático, apresenta dificuldades com a implantação da certificação Fairtrade. Isto porque seus pequenos produtores rurais não possuem tradição de se organizarem em associações e/ou cooperativas, bem como paralelamente ainda é baixo o retorno da iniciativa do governo em oferecer subsídios produtivos para a sustentabilidade da produção(rastreabilidade do produto e segurança alimentar, assegurando, ao mesmo tempo, o bem-estar dos produtores).

Na Colômbia (principal produtor de cafés especiais), ainda que lentamente, investimentos na produção de cafés de qualidade, incremento em políticas de assistência técnica, comércio e capacitação aos produtores, vem revertendo-se em share no mercado

global e consequentemente preços diferenciados para o café. Contudo o panorama dos últimos anos de baixa produção, influenciado principalmente por fatores climáticos e renovação dos cafezais colombianos, vem abrindo oportunidades de crescimento e solidificação, nesse nicho de mercado de cafés especiais.

O Brasil e o Vietnã respondem juntos por 75% da produção atual mundial de café. Em um comparativo de produtividade o Brasil e o Vietnã produzem aproximadamente 23 sacas/ha ou 1,38 tons/ha, e o restante do mundo aproximadamente 9 sacas/ha ou 0,54 tons/ha (IBGE, 2013).

A ênfase nas adequações das propriedades rurais e dos sistemas produtivos para a certificação, permitiram a melhoria no gerenciamento e na sustentabilidade das empresas agrícolas de café de um modo geral, além de elevarem o grau de participação das mesmas nos mercados internacionais. Empresas processadoras de café como Kraft, Nestlé, Sara Lee, Tchibo e Starbucks, estão fortemente comprometidas com a ampliação da oferta global por café especial, e buscam novos fornecedores para a crescente demanda por cafés sustentáveis.

Verifica-se assim um movimento global do setor para os principais focos de intervenções coletivas na cadeia de valor do café, incrementando a extensão rural, a assistência técnica, o treinamento e a capacitação dos produtores, preparando-os para o acesso a linhas de crédito disponíveis aos pequenos e médios produtores organizados.

Nota-se que as parcerias são fundamentais para a introdução e desenvolvimento de melhorias contínuas nas propriedades rurais cafeeiras. Traders/ exportadores, cooperativas / associações e torrefadores/processadores, são os principais agentes da cadeia pontencializadores das mudanças organizacionais produtivas e a assistência técnica e extensão rural, os principais influenciadores para as transformações em inovações e tecnologias no campo.

Alguns estudos de BUAINAIN et al. (2014), permitem inferir que, o agricultor familiar e os médios produtores no Brasil, principalmente os cooperados e ou associados, desfrutam diferencialmente de assistência técnica, parcerias público privadas para mercado, difusão de tecnologias e conhecimentos para certificações e boas práticas agrícolas, que refletem em melhoria contínua, redução de custos e eficiência na produção rural.

As cooperativas agropecuárias surgem alternativamente à inserção na modernização tecnológica do campo, acabando por incorporar os produtores à lógica e

dinâmica das atividades agroindustriais, fortalecendo a agregação de valor aos produtos primários e ampliando a participação do produtor nas cadeias produtivas.

As cooperativas também atendem aos interesses do Estado, de um lado como instrumento da penetração do capitalismo no campo e de outro desencadeando um desenvolvimento econômico regional, segundo o modelo agroindustrial-exportador implantado nos anos de 1970 no Brasil (MEDEIROS, 1995 e 1997).

Contudo não é apenas a cooperativa com seus princípios filosóficos que atraem os agricultores à associação, mas as vantagens econômicas que isso pode significar, uma vez que para o mercado de café atual a concorrência não está mais em baixo custo e produção em escala, mas principalmente na qualidade do produto mantendo-se os custos baixos (produção por posicionamento).

Assim, neste mercado para o Brasil e demais concorrentes, perder oportunidades de agregar valor ao café significa perda de participação no mercado (interno e externo) em longo prazo.

Desta maneira, evidenciar se o principal entrave competitivo brasileiro, para o ingresso no mercado de cafés especiais, está na coordenação da competência coletiva entre os atores (stakeholders) dos segmentos do agronegócio, e ainda, se as oportunidades na exploração entre os agentes da cadeia produtiva, permitem a criação de produtos com maior valor agregado (que incorporam valor socioambiental e de qualidade ao produto), coaduna com os objetivos deste estudo.

Tradicionalmente, na gestão organizacional das propriedades, a qualidade do café (que permite a agregação de valor) está relacionada a fatores como clima, solo, altitude, além dos sistemas de produção e beneficiamento utilizados pelos produtores. Porém, na atualidade, com uma produção influenciada pela inovação e tecnologia, novos parâmetros diferenciados, como a incorporação de atributos de natureza física, sensorial, ética, ambiental e social são considerados para a composição do novo mix de qualidade percebida ao produto, e oferecido ao consumidor.

Assim o reconhecimento das melhorias tecnológicas em gestão dos ativos produtivos e no capital social humano, são novos desafios organizacionais para mensurar, quaisquer tipos de efeitos de bem-estar, provocados pela inter-relação dos elos da cadeia de valor da produção de café, nas propriedades rurais brasileiras, em relação ao conhecimento e capacitação necessários reivindicados pelo mercado de posicionamento (BARRET, 2008; MARKELOVA et al., 2009).