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CHAPITRE I Problématiques des ondes de choc en milieu confiné

I.3. Interaction choc-structure : état de l'art

I.3.4. Structures urbaines

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre o número de anos de estudo completos da mãe e a sintomatologia psicopatológica da mãe”, uma vez que neste estudo maior número de anos de estudo completos está associado a menor somatização, menor sensibilidade interpessoal e menor índice de sintomas positivos.

Estes resultados vão ao encontro do exposto pela literatura, em que se propõe que mães com maior escolaridade apresentam menor risco em experimentar níveis elevados de sofrimento psicológico (Mensah & Kiernan, 2010; Ramchandani et al., 2008). Desenvolve-se a hipótese de que mães / mulheres com maior escolaridade podem

realizar uma atividade laboral mais estável e economicamente gratificante, permitindo a sua estabilidade socioeconómica, o que por sua vez pode ser percursor de bem-estar e promover a sua estabilidade emocional. Na amostra deste estudo 81.7% das mães encontra-se a realizar atividade laboral.

5. Há diferenças na sintomatologia psicopatológica do pai consoante a composição do agregado familiar?

Analisando os resultados confirmamos a hipótese alternativa: “há diferenças na sintomatologia psicopatológica do pai consoante a composição do agregado familiar”, uma vez que neste estudo pais cujo agregado é composto por mãe, pai, criança e outros apresentam maior ansiedade fóbica, comparativamente a pais cujo agregado é composto por mãe, pai e criança.

A organização social, económica e emocional de cada um dos membros do agregado familiar consequente ao nascimento de uma segunda criança, assim como a dificuldade em atender às várias necessidades de duas crianças (pelo menos) (Oliveira & Lopes, 2010) e às necessidades de outros membros do agregado familiar (tios, avós, por exemplo) podem explicar as diferenças encontradas na sintomatologia psicopatológica paterna consoante a composição do agregado familiar. Deve ainda ser tido em atenção que, de acordo com a literatura, a estrutura familiar influencia a ocorrência de alterações da saúde mental parental (Mensah & Kiernan, 2010).

6. Há diferenças na sintomatologia psicopatológica da mãe consoante a composição do agregado familiar?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há diferenças na sintomatologia psicopatológica da mãe consoante a composição do agregado familiar”, uma vez que no presente estudo mães cujo agregado é composto por mãe, pai, criança e outros apresentam maior ansiedade, comparativamente a mães cujo agregado é composto por mãe, pai e criança. Estes resultados podem ser analisados à luz das perspetivas com que foram analisados os resultados do pai, na questão anterior.

7. Há diferenças na sintomatologia psicopatológica do pai quando a criança constitui o seu primeiro filho?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há diferenças na sintomatologia psicopatológica do pai quando a criança constitui o seu primeiro filho”, uma vez que pais cuja criança não constitui o primeiro filho apresentam maior ansiedade fóbica, mais obsessões-compulsões e maior número de sintomas psicopatológicos (TSP), comparativamente a pais cuja criança constitui o primeiro filho. De acordo com a literatura, o facto de o pai ter outro filho constitui um fator de risco para a ocorrência de sofrimento psicológico e alterações da saúde mental (Ramchandani et al., 2008). Por outro lado, o nascimento de uma segunda criança implica uma organização do agregado e dos membros do mesmo a nível social, económico e emocional; e atender às várias necessidades de duas crianças não constitui tarefa fácil (Oliveira & Lopes, 2010). O sistema familiar, tal como outro sistema, procura a homeostasia, tornando-se, por vezes, resistente à mudança que um novo membro pode exercer no sistema. Simultaneamente, o nascimento de uma segunda criança implica a emergência de um novo subsistema, a fratria. Atendendo a que a idade máxima das crianças em estudo é 24 meses, é possível que alguns agregados familiares ainda se encontrem em processo de organização face ao nascimento de uma segunda criança, o que pode contribuir para o desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica paterna.

8. Há diferenças na sintomatologia psicopatológica da mãe quando a criança constitui o seu primeiro filho?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há diferenças na sintomatologia psicopatológica da mãe quando a criança constitui o seu primeiro filho” uma vez que, neste estudo, mães cuja criança não constitui o primeiro filho apresentam mais obsessões-compulsões, maior sensibilidade interpessoal, maior ansiedade, maior somatização, maior hostilidade, maior ansiedade fóbica, maior índice geral de sintomas (IGS) e maior índice de sintomas positivos (ISP), comparativamente a mães cuja criança constitui o primeiro filho. Estes resultados podem ser analisados à luz das perspetivas com que foram analisados os resultados do pai, na questão anterior.

9. A sintomatologia psicopatológica do pai está relacionada com a idade atual da criança?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre a sintomatologia psicopatológica do pai e a idade atual da criança”, uma vez que maior idade da criança está associada a menor hostilidade paterna. Uma possível explicação para estes resultados pode estar na exigência associada aos cuidados parentais realizados, no sentido de que cuidar de uma criança com 2 meses, por exemplo, é diferente de cuidar de uma criança com 24 meses.

10. A sintomatologia psicopatológica da mãe está relacionada com a idade atual da criança?

Também nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre a sintomatologia psicopatológica da mãe e a idade atual da criança”, atendendo a que neste estudo maior idade da criança está associada a menor índice de sintomas positivos (ISP) por parte da mãe.

Estes resultados podem ter por base a exigência associada aos cuidados parentais realizados., tal como parece suceder nos resultados referentes ao pai.

11. A sintomatologia psicopatológica do pai está relacionada com a sintomatologia psicopatológica da mãe?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre a sintomatologia psicopatológica do pai e a sintomatologia psicopatológica da mãe”. Neste estudo, com exceção do Índice de Sintomas Positivos (ISP) e da sintomatologia característica da dimensão “Ansiedade Fóbica”, há uma associação significativa positiva entre a sintomatologia psicopatológica do pai e da mãe, ou seja, maior sintomatologia psicopatológica do pai está associada a maior sintomatologia psicopatológica da mãe; simultaneamente, menor sintomatologia psicopatológica do pai está associada a menor sintomatologia psicopatológica da mãe.

Os resultados estão em concordância com o exposto na literatura (Lung et al., 2009; Ramchandani et al., 2008). Na amostra deste estudo 80% dos progenitores são

casados. Um casamento para ser percecionado como satisfatório pelo casal é pautado por proximidade e existência de estratégias de resolução de problemas adequadas, coesão, comunicação, satisfação com o estatuto sócio-económico e perceção de que o outro conjugue proporciona o apoio necessário (Norgren, Souza, Kaslow, Hámmerschmidt, & Sharlin, 2004). Por isso, é de esperar que a existência de um casamento com esta dinâmica relacional possa explicar o porquê de, neste estudo, menor sintomatologia psicopatológica paterna estar associada a menor sintomatologia psicopatológica materna. A existência de uma relação problemática entre o casal pode justificar que maior sintomatologia psicopatológica paterna esteja associada a maior sintomatologia psicopatológica materna. Deve ainda considerar-se que, de acordo com a literatura, encontrar-se em união de facto está associado a maior sofrimento psicológico nos progenitores, comparativamente a casais casados (Mensah & Kiernan, 2010).

12. A idade do pai está relacionada com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação aceitamos a hipótese nula: “não há associação entre a idade do pai e o comportamento de retraimento social da criança”.

De acordo com a literatura, um progenitor com mais idade pode ter mais tempo para construir e organizar a sua vida económica, estabelecer relacionamento estável e, dessa forma, proporcionar à criança melhores condições para o seu desenvolvimento (Lung et al., 2008), o que poderá diminuir a probabilidade de a criança desenvolver retraimento social. Tendo por base esta perspetiva, o facto de não existir associação entre a idade do pai e o comportamento de retraimento social pode constituir um fator de proteção para a criança, uma vez que o facto de o pai ter menor idade não implica ocorrência de comportamento de retraimento social.

13. A idade da mãe está relacionada com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre a idade da mãe e o comportamento de retraimento social da criança”, verificando-se que maior idade da mãe está associada a menor pontuação total na escala

de retraimento social, menor atividade de auto-estimulação (menor pontuação no item que avalia), maior expressão facial e maior nível geral de atividade corporal da criança (menor pontuação nos itens que avaliam estes dois componentes).

De acordo com a literatura, a gravidez após os 35 anos pode ser percecionada pela mulher como uma experiência pautada por sentimentos de satisfação e realização pessoal e familiar, em resultado da possibilidade de poder planear a gravidez e da segurança que a mulher sente em relação ao companheiro, à criança e à família (Oliveira et al., 2011). Os mesmos autores realizaram um estudo acerca da gravidez após os 35 anos de idade, tendo verificado que, com uma carreira profissional e relação amorosa estáveis, as mulheres foram capazes de adaptar o seu estilo de vida e ritmo de trabalho em função da realização de cuidados à criança e do tempo em que contactavam com a mesma. Por tudo isto podemos desenvolver a hipótese de que mães mais velhas possuem maior estabilidade, o que facilita a realização de cuidados maternos e a satisfação das necessidades da criança a vários níveis, o que está em concordância com a perspetiva de Lung et al. (2008). Esta é uma possível explicação para a relação entre idade da mãe e comportamento de retraimento social da criança.

14. O número de anos de estudo completos do pai está relacionado com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação aceitamos a hipótese nula: “não há associação entre o número de anos de estudo completos do pai e o comportamento de retraimento social da criança”. A análise destes resultados encontra-se descrita juntamente com a análise realizada aos resultados obtidos em relação à mãe.

15. O número de anos de estudo completos da mãe está relacionado com o comportamento de retraimento social da criança?

Nesta questão de investigação confirmamos a hipótese alternativa: “há associação entre o número de anos de estudo completos da mãe e o comportamento de retraimento social da criança”, visto que maior número de anos de estudo completos da mãe está associado a menor expressão facial, menor contacto visual e menor vivacidade na resposta da criança à estimulação (maior pontuação nos itens que avaliam estes

componentes) assim como está associado a maior pontuação total da criança na escala de retraimento.

A análise dos resultados desta questão e da questão anterior não deve incidir tanto na relação em si mas sim naquilo que as variáveis significam na prática, ou seja, um elevado número de estudos pode implicar a realização de uma atividade laboral especializada e exigente, potencialmente originadora de sintomatologia psicopatológica, que por sua vez pode conduzir à manifestação do comportamento de retraimento social por parte da criança. Por outro lado, a literatura propõe que o nível educacional parece influenciar os cuidados maternos (Kolobe, 2004) e que baixo nível educacional materno e a existência de crenças e atitudes rígidas face ao desenvolvimento da criança constituem fatores de risco ao mesmo (Sameroff, 1998), o que não suporta os resultados encontrados neste estudo e reforça a necessidade de analisar os mesmos de forma mais aprofundada.

16. Há diferenças no comportamento de retraimento social da criança consoante a composição do agregado familiar?

Analisando os resultados confirmamos a hipótese alternativa: “há diferenças no comportamento de retraimento social da criança consoante a composição do agregado familiar”, uma vez que crianças cujo agregado familiar é composto por mãe, pai e criança apresentam menor expressão facial e menor contacto visual (maior pontuação nos itens que avaliam estes componentes) comparativamente a crianças cujo agregado familiar é composto por mãe, pai, criança e outros.

É proposto na literatura que pertencer a uma família com muitos elementos pode interferir com a qualidade do desenvolvimento da criança (Sameroff, 1998). No entanto, os resultados deste estudo parecem realçar a importância da existência de outros cuidadores, uma vez que crianças que residem apenas com mãe e pai apresentam mais indicadores de retraimento social. Na literatura é ainda proposto que a qualidade do ambiente familiar está relacionada com o desenvolvimento da criança (Kolobe, 2004), tal como a existência de outros cuidadores parece proporcionar vários benefícios à criança (Abel, et al., 2005).

17. Há diferenças no comportamento de retraimento social da criança quando

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