Origem: O fator altitude começou a ser preocupação a partir de fatos que ocorreram nas
Olimpíadas do México no ano de 1968. Então no Brasil, Lamartine Pereira da Costa, desenvolveu o Altitude Training.
Características Básicas: É um método de preparação orgânica que visa a obtenção da
resistência aeróbia e anaeróbia, em função de um fator que se chama altitude. Neste método a altitude atuará como carga de um exercício.
Considerações fisiológicas: a altitude afeta principalmente os aparelhos respiratórios e
circulatórios. Nas altitudes elevadas o ar é mais rarefeito devido a queda na pressão do oxigênio, produzindo um desequilíbrio homeostático no organismo. Para suprir esta diminuição da oferta de oxigênio, o organismo inicia uma maior produção de glóbulos vermelhos (expelidos pelo baço), a este fato dá-se o nome de hiperglobulimia.
Segundo Grover (1983), a altitude além de diminuir a resistência também reduz a capacidade funcional do SNC, pois, o cérebro reage de forma sensível a falta de oxigênio, afetando assim o desempenho cognitivo, afetivo e coordenativo.
Alimentação: é um aspecto importante a ser considerado. Em decorrência do aumento da
intensidade e da carga crescente ocorre uma maior degradação de glicogênio. O erro na alimentação pode gerar rapidamente sintomas de sobretreinamento, portanto, o ideal é haver um maior abastecimento de carboidratos para reconstituir as reservas de glicogênio. Há também uma grande perda de água e eletrólitos que devem ser repostos.
Vantagens:
- Liberação de eritropoitina, o que aumenta o número de eritrócitos, facilitando o transporte de oxigênio;
- Aumento na quantidade de mioglobina;
- Aumento na quantidade de oxigênio recebido pelas células;
- Aumento no desempenho físico nas primeiras semanas após o retorno ao nível do mar.
Desvantagens:
- Perdas de peso devido a desidratação;
- Diminuição dos líquidos intra e extra celulares devido ao aumento da ventilação que ocorre para compensar a baixa pressão atmosférica;
- Produção baixa de hormônios devido ao estresse aumentado;
- O efeito da síntese de ATP é afetado devido a falta de líquidos suficientes; - O sangue torna-se mais viscoso o que dificulta o trabalho do coração;
- Aumento dos hormônios: cortisona, glucagon e catecolaminas que têm efeitos catabólicos no tecido.
Controle da sobrecarga: neste método a altitude atuará como carga de exercício. A
progressividade da carga ocorrerá pela maior quantidade e intensidade de trabalho, junto com a assimilação dos diferentes níveis de altitude. É um método de preparação orgânica que visa a obtenção da resistência aeróbia e anaeróbia, em função de um fator que se chama altitude.
- Esforço de subir correndo uma montanha (contra- resistência); - Queda parcial da pressão de O2.
Fundamentalmente, a exploração da altitude para este tipo de preparação física não se resume em treinar nas alturas, mas sim, passar de um nível para o outro, de modo a encontrar uma progressiva queda na pressão parcial de O2.
A progressividade da carga ocorrerá pela maior quantidade e intensidade de trabalho, junto com a assimilação dos diferentes níveis de altitude.
Constata-se que, de acordo com a quantidade de trabalho exigida durante os treinamentos, o maior rendimento deve ser produzido pelo esforço executado entre 500 e 1500m acima do nível do mar, percorrendo-se uma distância de 20 a 40 km diários, levando-se em consideração subida e descida.
Programa - base semanal para um atleta que suporta uma carga de 1500m de altitude e uma quilometragem de 150 km semanais:
2a – feira 3a-feira 4a-feira 5a-feira 6a-feira Sábado Domingo 20km subida Interval- Training Tempo- Training 20km subida Interval- Training 20km subida Tempo- Training 20km descida Exercícios com pesos 20km descida Exercícios com pesos 20km descida (Gaya et al.,1979).
Fontes para pesquisa:
DANTAS, Estélio H. M. A Prática da Preparação Física. Rio de Janeiro: Shape, 1998; GHORAYEB, Nabil & BARROS, Turíbio. O exercício. Preparação fisiológica, avaliação
médica, aspectos especiais e preventivos. São Paulo: Atheneu, 1999;
MELLION, M. B. Segredos em medicina desportiva: respostas necessárias ao dia-a-dia em centro de treinamento, na clínica, em exames orais e escritos. Porto Alegre: Artmed, 1997.
POWERS, Scott K. & HOWLEY, Edwardt. Fisiologia do exercício, teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho: Manole, 1ª edição brasileira.
RODAHL, Kaare. Tratado de fisiologia do exercício. 2ª ed. São Paulo: Guanabara, 1990; WEINECK, J. Biologia do esporte. São Paulo: Manole, 1991;
Métodos para o treinamento de força: POWER-TRAINING
Origem: É um sistema de treinamento por musculação proposto em 1959 pelo Belga
Raoul Mollet.
Características Básicas: Visa essencialmente o desenvolvimento da potência física ou
muscular. É executado sob a forma de circuito, mas caracteriza-se por constituir-se num trabalho de musculação.
Parâmetros visados ou esportes visados: Utilizada praticamente em todos os esportes,
Vantagens:
- Rápido aumento da potência em fase do trabalho com cargas elevadas; - Aplicável a qualquer desporto;
- Respeita a individualidade biológica;
- Motiva os atletas em decorrência da variedade dos exercícios; - Impede o surgimento de zonas débeis ou deformações no esqueleto; - Proporciona melhoria do preparo neuromuscular.
Desvantagens:
- Necessita que se complete com um método de preparação orgânica; - Impede o desenvolvimento de partes isoladas do corpo;
- Sua mensuração não é convincente;
- Carece de uma mensuração fisiológica mais apurada;
- Não focaliza os esforços dentro de um mesmo sistema energético
Controle da sobrecarga: O princípio fundamental de referência deste método é o da
sobrecarga. Neste método podem ser programados exercícios com: - o uso de halteres;
- com bolas de medicinebol; - com o uso do próprio corpo.
Na composição e aplicação do power-training deve-se obedecer algumas regras:
- Uma sessão de power-training é composta de: aquecimento (5 a 8 minutos), Power- training propriamente dito (30 minutos) e exercícios de alongamento e flexibilidade (compensação);
- Os exercícios devem ser executados de modo explosivo; - Cada exercício deve ser seguido de um intervalo;
- Há necessidade de um intervalo entre as séries de exercícios, podendo durar de 2 a 5 minutos, mas sempre com o caráter de recuperação;
- No uso de halteres, pode se colocar exercícios generalizados e exercícios de efeitos localizados.
- Ao final da sessão, os atletas devem realizar exercícios de soltura;
- As cargas individuais que serão impostas nos exercícios serão resultados de testes, e ainda em função do peso corporal, grau de treinamento e estado de desenvolvimento muscular.
- O número de estações são, de preferência, 12; entretanto, como o treinamento é estritamente individual poderá chegar a 20;
Fontes para Pesquisa:
BARBANTI, V. J. Teoria e Prática do Treinamento Desportivo. 2ª ed. Edgard Blüncher: São Paulo, 1997;
DANTAS, Estélio H. M. A Prática da Preparação Física. Shape: Rio de Janeiro, 1998; FERNANDES. O Treinamento Desportivo. 2ª edição. Editora Pedagógica: São Paulo,
1981
TUBINO, Gomes. Metodologia científica do Treinamento Desportivo. Ebrasa: São Paulo, 1979;
PLIOMÉTRICO
Origem: De origem soviética, o treinamento pliométrico propagou-se na década de 60,
através de estudos publicados por Popov e posteriormente por Verschighanskij.
Características básicas: A característica principal deste método de treinamento é que este
tipo de trabalho é aplicado enfaticamente para o desenvolvimento da força explosiva dos membros inferiores.
Considerações Fisiológicas: O treinamento Pliométrico também é chamado de
excêntrico- concêntrico ou treinamento de força dinâmica negativa. Baseia-se no princípio de que “quanto mais um músculo for pré-estirado do seu tamanho natural, antes que ocorra a contração maior será a carga que o músculo poderá vencer”. Quando a seqüência de ações excêntrica- concêntrica é realizada rapidamente o estiramento realizado armazena energia elástica. A soma da energia elástica à ação concêntrica é uma das formas de justificar a maior força gerada.
Outra razão é o reflexo que resulta em um recrutamento mais rápido ou de mais fibras musculares envolvidas no movimento através do envolvimento de todo o sistema neuromuscular e não exclusivamente do tecido contrátil, o que irá produzir um movimento de explosividade aumentada.
Aplicação da sobrecarga: a sobrecarga é feita com a utilização do colete lastrado sendo
que o lastro pode variar entre 1 e 20 kg. Antes de iniciar o treinamento Pliométrico, deve-se assegurar que o atleta possui a base de força indispensável para realizar o trabalho. Para tanto, o atleta deve conseguir fazer, ao menos, 3 repetições de meio-agachamento com o dobro do seu peso corporal (PC); realizar no mínimo 3 rep. de supino com 0,9 do PC e 3 desenvolvimentos com 1,1 do seu PC.
Volume: segundo a escola Alemã, não haverá sobrecarga; as séries e o número de repetições, de 5 a 7 para atletas de médio rendimento e de 8 a 10 para alto rendimento; já para a escola Soviética, será feito o uso de sobrecarga; o número de séries de 3 a 6 e repetições iguais ao da escola Alemã.
Freqüência: deverá ser efetuado de 2 a 3 vezes na semana sendo que os resultados aparecerão após a 10ª semana de treinamento.
Esportes visados: Estudos feitos por cientistas russos evidencia o treinamento para
velocistas e saltadores. O treinamento pliométrico também é usado na ginástica olímpica, na patinação, no fisiculturismo, em esportes de combate e os que necessitam de uma boa impulsão, como o voleibol, handebol e basquetebol.
Vantagens:
- Aumento do nível de força máxima; - fácil aprendizagem;
- Aumento da força explosiva;
- Diminui a duração do momento de transição;
- Melhora a performance do movimento, proporcionando um aparelho motor melhor preparado.
Desvantagens:
- É exaustivo, pois trabalha sempre com força máxima; - Freqüentemente ocorre lesões;
É importante registrar algumas indicações, sobre a forma de regras para a utilização do treinamento;
- Os exercícios devem ser parcelados e introduzidos de forma progressiva no que diz respeito ao grau de dificuldade;
- A aplicação do princípio da sobrecarga neste tipo de trabalho deve ser feita, utilizando- se cargas complementares nos atletas. Deve ser evitada a exigência de grandes aumentos de alturas e distâncias para os saltos;
- A altura máxima de caída para atletas entre 65-75kg será entre 80-90cm. Essa pontuação permite por referência a organização do trabalho pliométrico com atletas de outros pesos e estágios atléticos.
Fontes para pesquisa:
DANTAS, Estélio H. M. A Prática da Preparação Física. Rio de Janeiro: Shape, 1998; McARDLE, W. B., KATCH, F. J & KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia,
nutrição e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara, 1991;