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2.3 Les formalismes de modélisation

3.1.3 Structure de données et détail des fonctions

Identificando as condicionantes e potencialidades do espaço em estudo, o programa de intervenção tem como base o objetivo de promover a intervenção no local cuidadosamente analisado e descrito anteriormente, atendendo às suas características.

A dinâmica da água na paisagem e sobretudo em meio urbano, bem como a sua compreensão, fazem parte integrante desta proposta, assim como o seu próprio ritmo e “comportamento” segundo as características do espaço ao logo de toda a área em análise. Este programa de intervenção tem como base a criação de uma estrutura hidráulica e arquitetónica ao longo dos percursos estudados, descritos e desenhados, mas também, ao longo de outro tipo de percursos, salientar o panorama visual único que a zona nos oferece, quer pela linha de separação de águas, quer por linhas igualmente de cotas elevadas onde o contacto visual com o rio é bastante forte. Estas estruturas hidráulicas tem o objetivo de conduzir e coletar as águas pluviais que o sistema de drenagem ancestral de águas pluviais não consegue satisfazer, mas também, com a criação de cisternas “não aparentes” e cisternas “aparentes” e visíveis com planos de água, coletar esta, e descarregar faseadamente a água e reduzir os problemas nas zonas de cotas inferior, onde o declive é praticamente nulo ou desprezível, evitando assim a acumulação das águas pluviais nesses locais. Estas cisternas não são de descarga imediata no rio, pois assim é possível através de métodos de fitodepuração, depurar e “limpar” a água através de uma cisterna (naturalizada) com vegetação característica para este efeito antes de efetuar a descarga para o rio.

Assim, a proposta de intervenção em espaço público, tem como base a introdução de um novo sistema de drenagem aparente (em alguns casos, em outros, como as situações de cruzamento, esta está aparente, mas com uma estrutura em grelha metálica de modo a permitir o atravessamento viário), um sistema de cisternas não aparentes, um sistema de cisternas aparentes com espelho de água, e uma cisterna de fitodepuração, promovendo as seguintes vantagens:

• Redução de contaminações do sistema de águas pluviais;

• Redução de escoamento desorganizado e difuso ao longo das encostas

• Controlo da velocidade de escoamento pela introdução de patamares ao longo dos canais mais declivosos, bem como a introdução de cisternas

• Aumento do tempo de concentração da água quer na bacia hidrográfica quer nas sub-bacias;

• Redução do consumo de água pela autarquia local através da coleção da água nas cisternas, que representará diversos usos;

• Valorização das dinâmicas da água em espaço urbano, entendendo-a como um elemento integrante deste espaço e unificando-o;

• Representação de um recurso mesmo em época seca, através da sua coleção em cisternas

A reinterpretação da antiga linha de costa, nomeadamente a linha afeta à primeira fase de aterro, é pensada nesta proposta com propriedades de estrutura hidráulica e arquitetónica de coleção da água proveniente das encostas e escoamento controlado desta através de uma ligeira pendente para a convergência com o Vale de São Bento, o que se aplica para ambas as encostas (no Bairro Alto e na Lapa/Janelas Verdes), onde aqui encontra uma cisterna aparente. Desta cisterna, a água será conduzida para uma outra cisterna não aparente, de onde seguirá com descarga controlada e faseada para a ultima cisterna onde esta água será tratada e purificada antes de ser descarregada no rio.

Relativamente às linhas onde as vistas são privilegiadas no contacto imediato com o rio, estas representam linhas de cota elevada, onde daqui temos contacto visual com o rio e com a margem sul do rejo, como um limite em terceiro plano. Nestes locais, a proposta passa por assinalar o espaço com pontuações de vegetação arbórea de crescimento e desenvolvimento da sua copa em altura, de modo a assinalar este espaço, remetendo-o assim para a ideia de verticalidade mesmo quando o contacto com o Vale de São Bento e o Rio Tejo não seja imediatamente apreendido.

Sobre a linha de elétrico, esta é um percurso de articulação auxiliado por meio mecânico (o elétrico). Esta linha é bastante característica da área em estudo, pois representa um percurso semi-circular, onde este assume várias características, desde linha de maior cota (linha de festo) a linha de atravessamento de um talvegue (no Vale de São Bento) e coincidente com linhas de talvegue. Desta forma, onde este percurso auxiliado por meio mecânico é coincidente com uma linha de água e consequentemente com o sistema de drenagem aparente proposto, onde existe cisterna coincidente com estas três linhas, existirá um sistema hidráulico onde se aproveitará a energia gerada pelo escoamento da água para gerar energia que irá auxiliar o movimento do elétrico.

Relativamente aos logradouros, estes são bastante representativos das zonas permeáveis na paisagem, a par dos jardins públicos (muito menos representativos), onde nestas áreas se promove a infiltração, condicionando assim qualquer outro planeamento que tenha como objetivo impermeabilizar estas áreas ou outra utilização não adequado às estratégias definidas por esta proposta. As situações onde a infiltração não pode ser promovida quer pelas características hidrogeológicas não favoráveis ao mesmo, quer pela já impermeabilização do logradouro em si podem refletir-se em situações de retenção de água quando este logradouro tende sobretudo para uma situação de pedogénese com um estrato vegetal bem definido, ou para situações de retenção de água onde existe grande impermeabilização deste. Esta metodologia, visa reduzir o escoamento dos logradouros para as ruas e assim não sobrecarregar todo o sistema de drenagem. A recarga artificial de fundo para os logradouros permeáveis com características hidrogeológicas favoráveis a infiltração e circulação de água é igualmente proposta.