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3- LA CONSTRUCTION DU SENS DES PRATIQUES

3.1 La structure et le contexte dans lesquels les deux services oeuvrent

Para desenvolver a observação, com certeza não basta dizer à aluna que para cuidar do cliente ela precisa observar. É preciso que ela experimente e problematize a observação, que perceba como ela pode ser desenvolvida, que tenha consciência de que está observando e que o faça de forma planejada, sistematizada, consciente e reflexiva. Assim a professora precisa perguntar-se: Como procedi para que a aluna realmente apreendesse este conteúdo, o intemalizasse como habilidade? Compreendesse a observação como algo realmente importante e necessário, como uma habilidade que pode ser desenvolvida? Deixei claro que ela não vai ser avaliada por “ser ou não ser” observadora, mas que ela está no curso justamente para desenvolver esta competência? Problematizei, a partir do concreto, suas experiências de observação? Problematizei, levando-a a refletir sobre as facilidades e dificuldades de sua utilização? Sobre as estratégias para melhor observar? Sobre como vencer dificuldades neste sentido?

É preciso indagar também como a minha relação/interação com a aluna dificultou ou facilitou tal aprendizagem? Para observar é preciso “tranqüilidade”, uma vez que nossas expectativas, motivações, emoções podem alterar o resultado de nossas observações. É comum as alunas queixarem-se de que ficam tão nervosas na realização de procedimentos, pela postura de algumas docentes, que “não enxergam nada” ...

Ainda em relação a habilidade de observar podemos refletir sobre como é a partir de seu desenvolvimento que a educanda pode conseguir enxergar o paciente como um todo. Matheus, Fugita e Sá (1996) salientam que cabe à professora propiciar um tempo, respeitando as diferenças individuais, para que a aluna se habitue ao ambiente e vá mostrando a ela, o que, como e para quê observar. Concomitantemente ao decorrer da prática, a aluna precisa ir adquirindo conhecimentos que possibilitarão observar sinais e sintomas, alterações de comportamento, maneiras de agir, necessidades afetadas, crenças e valores de cada paciente, seus objetivos e desejos. É através destas observações e conhecimentos que vai aprendendo a cuidar de um paciente por inteiro.

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Como será melhor discutido posteriormente, as alunas acreditam que o ensino no curso ainda está muito centrado nos procedimentos técnicos, dificultando o exercício da observação com vistas a uma abordagem mais holística.

Em nossa disciplina temos empregado algumas atividades que, no nosso entendimento, permitem o desenvolvimento da observação consciente ao mesmo tempo que a aluna aprende outros conteúdos. Por exemplo, ao trabalhar a importância da orientação pré-operatória na redução da ansiedade do paciente cirúrgico, as alunas observam os pacientes com o auxílio de um roteiro que as leva a investigar expressões/sintomas de ansiedade, capacidade do paciente de verbalizar estes sentimentos, tipo de orientação recebida e seu efeito, ausência de informações. Após o exercício de observação, realizado em pequenos grupos no campo de estágio, alunas e professoras reúnem-se no grande grupo para socializar e problematizar a experiência, construindo conhecimento sobre o preparo emocional do paciente para a cirurgia e sobre a observação e investigação, enquanto habilidades essenciais para o cuidado

As alunas identificam alguns momentos em que foi desencadeado um processo sistematizado de observação. Entre estes momentos, destacam os espaços reservados para discutir sobre o que foi visto e realizado nos estágios, quando então conseguiam “abrir mais os olhos”, “enxergar outras coisas da unidade” além dos procedimentos realizados e das prescrições médicas executadas. Percebem que com o auxílio das docentes e com a troca de experiências entre as colegas podiam “enxergar” outras necessidades dos pacientes, os outros pacientes da unidade além daquele sob sua responsabilidade, o trabalho da enfermeira, suas funções assistenciais, educativas e administrativas, dificuldades e facilidades no exercício destas funções, o relacionamento da equipe com o cliente, o relacionamento entre a equipe multiprofissional, as relações de poder, o conflito e as estratégias usadas para o seu enfrentamento. Também salientam, como adequado para o desenvolvimento da habilidade de observar, os momentos em que acompanhavam de perto o trabalho da enfermeira ou faziam a avaliação dos pacientes através de exercícios sistematizados realizados em algumas disciplinas do curso. Algumas destas atividades estão descritas em Cestari (1999) e foram lembradas pelas alunas neste estudo:

Rosa-choque: “Parece que a gente aprendeu a observar, e assim conseguimos entender um pouco o que é ser enfermeira, o que nos espera quando a gente se formar. Não dá pra deixar isso só pra quando chegar em administração. ” Azul-liberdade: “Porque ser enfermeira não é só dar medicação e ver sinais-vitais, é um todo, né?”

Vermelho-dinâmico: “Quando eu passei a observar o trabalho da enfermeira, eu me apavorei com a responsabilidade, responsabilidade de organizar um serviço, agilidade pra resolver as coisas na hora que aparecem... ” Percebem também que a observação pode ficar mais aguçada quando trabalham em duplas, compartilhando conhecimentos, dúvidas e pontos de vista com a colega, e quando a ênfase do estágio está na leitura da realidade e não na produtividade, na contabilidade de quantos procedimentos realizou, com quantos pacientes ficou ... A observação ainda pode ser facilitada pela continuidade do estágio, quando ficam vários dias por semana na mesma unidade, e quando são estimuladas a cuidar do mesmo paciente também por dias consecutivos. Referem que intercalar os dias em diferentes setores, pode confundi-las prejudicando a leitura da realidade e o melhor conhecimento dos pacientes. Algumas disciplinas preocupam-se em proporcionar um contato mais profundo da aluna com o campo de prática, através de módulos de estágio que chamamos de “intensivos”, permitindo que fiquem por cinco dias semanais na mesma unidade e durante um turno inteiro de trabalho. Infelizmente, outras disciplinas retrocederam neste aspecto, inclusive o estágio complementar do primeiro semestre deste ano que, sendo realizado de forma intercalada com o estágio da disciplina de Administração, impediu que as alunas ficassem mais do que dois dias por semana em uma mesma atividade. É necessário frisar que ambas as disciplinas, tanto as que inovaram como as que retrocederam, adotaram novas medidas em relação aos estágios sem consultar o colegiado, sem discutir com as colegas ou argumentar sobre a repercussão de suas propostas para o ensino, demonstrando mais uma vez nossa desarticulação e as contradições evidenciadas no curso.

E nós professoras? Como temos observado nossas alunas? Observamos suas “necessidades afetadas”, suas dificuldades, os “sinais e sintomas” de seu desenvolvimento no processo de “ser mais”, suas crenças e valores, seus desejos e objetivos? Estamos aprendendo a observá-las por inteiro para poder cuidar/educar de forma mais holística? Borba (1997) e Freitas (2000), ao estudarem a mesma realidade, desenvolvem interessantes propostas neste sentido.

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