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Structure aux interfaces

3.4 Liquides ioniques

3.4.4 Structure aux interfaces

Na tabela 5 apresenta-se o resultado da análise dos manuais escolares selecionados para este estudo, no que respeita à informação que incluem relativa às características pessoais e profissionais dos cientistas.

No que respeita à vida pessoal dos cientistas, constata-se que apenas um dos manuais escolares (M9D) apresenta informação classificada em todos os aspetos específicos considerados. Os restantes manuais, tanto do 9º como de 10º ano, não fazem referência a características pessoais dos cientistas (ou seja, a atitudes dos cientistas ou ao seu caráter), centrando-se apenas em dados biográficos (nomes dos cientistas, datas de nascimento ou de morte ou curtas biografias) e em episódios da vida pessoal (onde nasceram, onde e o que estudaram ou prémios Nobel que receberam). O manual M10L é o que apresenta maior número

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de referências (30) à vida dos cientistas e fá-lo em número superior a M9D (23) que é o manual que, neste aspeto, se destaca entre os manuais escolares de 9º ano.

Tabela 5 Tipo e organização da informação histórica acerca dos ‘Cientistas’ (f)

No que respeita aos dados biográficos, da análise efetuada, constatou-se que nos manuais escolares de 9º ano, os cientistas mais referenciados são Demócrito, Dalton, Thomson, Rutherford e Bohr. Contudo, Dalton, Rutherford e Bohr são referenciados em todos os manuais escolares, enquanto que Demócrito e Thomson são mencionados em todos os manuais escolares, excepto em um (M9A). Surgem, ainda, em alguns dos manuais escolares analisados, referências a outros cientistas que intervieram na história do Átomo, como por exemplo, Chadwick, De Broglie, Heisenberg, Schrödinger, entre outros. Nos manuais escolares de 10º ano os cientistas mais referenciados são Thomson, Rutherford, Bohr (comuns ao 9º ano) e Schrödinger (referenciado em poucos manuais de 9º ano). Todos estes cientistas são referidos em todos os manuais escolares de 10º ano analisados.

As diferenças encontradas nos manuais escolares dos dois níveis de escolaridade, no que respeita aos dados biográficos, parecem estar relacionadas com o conteúdo histórico abordado, nomeadamente a valorização dos modelos mais recentes da história do Átomo, no caso dos manuais escolares de 10º ano e,os modelos de Thomson e de Rutherford, no caso dos manuais de 9º ano. O facto de nos manuais de 10º ano se valorizarem os modelos mais recentes da história do Átomo estará relacionado com o próprio programa da disciplina, conforme se referiu na secção 1.2.4, no qual se recomenda a lecionação do modelo mais atual do átomo, sendo este modelo incluído nos respetivos manuais escolares.

Por outro lado, para além do nome e das datas de nascimento ou de morte dos cientistas, alguns manuais escolares (M9A; M9D; M10M; M10P) apresentam curtas biografias de cientistas relevantes na evolução do Átomo. No excerto seguinte apresenta-se, a título de exemplo, um

Aspetos

considerados específicos Aspetos A B C Manuais escolares 9º ano D E F G H I Manuais escolares 10º ano J L M N O P Q Vida dos cientistas Dados biográficos 3 4 7 11 2 4 50 4 5 10 14 6 7 8 11 7 Características pessoais - - - 2 - - - - Episódios da vida pessoal 3 7 6 10 1 4 2 2 4 4 16 6 4 4 6 4 Características profissionais dos cientistas Famosos ou génios - - - 11 - - - - Pessoas comuns - - - 1 - - - -

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extrato de uma curta biografia de um cientista apresentada num manual de 9º ano:

“Ernest Rutherford (1871-1937) Nasceu em Nelson, na Nova Zelândia, onde iniciou os estudos em Matemática e Física. Doutorou-se na Universidade de Cambridge, sendo aluno de J. J. Thomson, que o convenceu a investigar a radioactividade. Descobriu as partículas α e β , conseguindo demonstrar a sua natureza. […] Recebeu o Prémio Nobel da Química em 1908. Realizou um velho sonho dos alquimistas: a transmutação artificial de um elemento noutro. […] (M9A, p. 20).

No que respeita às características pessoais dos cientistas, a título de exemplo, e, relativamente a Erwin Schrödinger, surge, num manual de 9º ano, o seguinte excerto:

“Aquando da ocupação da Áustria pelos nazis, em 1933, decidiu deixar o seu país, por ser contra a perseguição aos Judeus.” (M9D, p. 211).

No que concerne a episódios associados à vida dos cientistas, a título de exemplo, apresentam-se os seguintes excertos, onde se mencionam nacionalidade, naturalidade, receção de prémios, idade, etc.:

“Ernest Rutherford, físico e químico inglês, nasceu na Nova Zelândia, onde iniciou os estudos em Matemática e Física. […].” (M9D, p. 210).

“Em 1911, as experiências levadas a cabo pelo cientista neozelandês Ernest Rutherford […], prémio Nobel da Química em 1908 […]” (M10L, p. 87);

“Albert Einstein […], físico teórico de origem alemã, recebeu o prémio Nobel da Física, em 1921 […]” (M10, L, p. 96);

“Friedrich Hund (1896-1997), físico alemão, morreu com 101 anos.” (M10J, p. 70).

No que respeita às características profissionais dos cientistas, apenas o manual M9D lhes faz referência, predominando, contudo, as referências a cientistas como pessoas famosas ou génios (11) relativamente às referências em que estes profissionais são considerados pessoas comuns (1). Neste último caso são mencionados aspetos como falhar em exames, necessitar de trabalhar para sobreviver, ter família, etc.. No primeiro caso, as referências são do tipo:

“Max Planck, além de ser um físico brilhante, distinguido com o prémio Nobel da Física em 1918 […].” (Manual M9D, p. 212).

Estão também neste grupo as referências que salientam Rutherford, por ter “sido um dos pioneiros da Física Nuclear” (M9D, p. 210) ou Einstein, por o seu nome ser “usado como sinónimo de génio”( M9D, p.213).

No segundo caso, a referência a Thomson que diz que este cientista “casou-se e teve dois filhos.” (M9D, p. 210), apresenta-o como uma pessoa normal, que faz coisas que os não cientistas fazem.

Constata-se assim que os manuais escolares de 9º ano são muito semelhantes aos de 10º ano no que respeita ao tipo de informação sobre os cientistas, mas verifica-se uma tendência

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para essas referências serem mais frequentes no 10º ano. Contudo, foi no 9º ano que se encontrou o manual (M9D) com maior número de referências históricas sobre os cientistas, distribuídas por todos os aspetos específicos considerados.

Nestes aspetos, os resultados da análise de manuais no que respeita ao conteúdo histórico incluído na abordagem do Átomo são semelhantes aos obtidos por outros que analisaram outros temas (Pereira & Duarte, 1988; Amorim, 2009) ou manuais completos (Solbes & Traver, 1996; Leite, 2002; Baptista, 2006; Pereira & Amador, 2007; Ternes, Scheid & Güllich, 2009; Vidal, 2009).

A redução do conteúdo histórico a biografias foi já apresentada, nesta investigação, como um possível problema quando se inclui a História das Ciências no ensino das ciências (secção 2.3.3). De acordo com Esteban (2003), a análise da História das Ciências não se deverá reduzir a uma série de dados acumulados, onde se poderão incluir os biográficos, sendo necessário que os mesmos venham acompanhados de uma análise das suas inter-relações e influências recíprocas, necessárias à compreensão do modo como o conhecimento científico efetivamente evolui.

O facto de as características pessoais e das características profissionais dos cientistas serem abordadas em poucos manuais escolares, aliado ao facto de que, quando o fazem tendem a exagerar pela positiva, faz com que os manuais escolares contribuam pouco para a construção de uma imagem adequada dos cientistas e, antes, fomentem o perpetuar de imagens estereotipadas sobre os mesmos.

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