4 Linear Oligomers .1 Concept
4.4 Structural Studies in Vesicles
3.5.1 Clima
O município do Ipojuca, de acordo com Kayano e Andreoli (2009), inclui-se na região de clima litorâneo úmido (que se estende do litoral da Bahia ao do Rio Grande do Norte), com chuvas ocorrendo em torno de 50% de maio a julho (STRANG, 1972).
A localização latitudinal do município, mais precisamente na zona intertropical, na faixa de maior incidência solar do planeta, confere-lhe temperaturas estáveis ao longo do ano com amplitude térmica anual de, no máximo, 5°C, ou seja, as temperaturas são praticamente constantes entre o verão e o inverno (GIRÃO et al., 2013). A temperatura média anual é de 26° C; com temperaturas mínimas e máximas podendo chegar a 18°C e 32°C respectivamente.
Os mecanismos dinâmicos que influenciam as chuvas no leste do Nordeste (ENE) são classificados em mecanismos de grande escala, responsáveis, em geral, pela maior parte da precipitação observada, e mecanismos de meso e microescala que completam os totais precipitados (MOLION; BERNARDO, 2002).
São considerados mecanismos de grande escala: os Sistemas Frontais (SF) e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). De mesoescala: as Perturbações Ondulatórias no Campo dos Ventos dos Alísios (POA) – também conhecidos como Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL) –, Complexos Convectivos e Brisas Marítimas e Terrestres. Já os de microescala, relacionam-se com as circulações orográficas e pequenas células convectivas.
A costa oriental do Nordeste do Brasil, ao longo da maior parte do ano, constitui-se em uma região sob influência da Massa Tropical Atlântica (mTa), caracterizada como uma massa tropical quente e úmida por conta de sua área de origem, sobre o Atlântico Sul, derivada da célula de alta pressão subtropical (o anticiclone semifixo do Atlântico Sul) (GIRÃO et al., 2013).
Ao longo do ano, a influência da mTa sobre a costa pernambucana sofre perturbações derivadas da circulação atmosférica secundária. Tais perturbações atmosféricas, na borda oriental do Nordeste do Brasil, alteram as condições de tempo dominante e estão associadas
aos deslocamentos da ZCIT, Frentes Frias (FF), Ondas de Leste ou DOL, Linhas de Instabilidade (LI), Brisas Terrestres e Marítimas, Vórtices Ciclônicos da Atmosfera Superior (VCAS) e os ventos vale-montanha (GIRÃO et al., 2013; SOUZA, 2011).
Vários estudos tentaram explicar a concentração das chuvas entre o período de abril a julho no Leste do Nordeste do Brasil (Eneb), como Kousky (1979), que associou o máximo de chuvas à maior atividade de circulação de brisa que advecta bandas de nebulosidade para o continente à ação das frentes frias, ou seus remanescentes, que se propagam ao longo da costa. Cohen (1989) e Ferranti et al. (1990) associaram a quadra chuvosa à ação dos Distúrbios Ondulatórios, e Molion e Bernardo (2002) identificaram que 60 a 70% das chuvas que caem no período mais úmido (AMJJ) é pelo deslocamento da Zona de Convergência do Leste do Nordeste (ZCEN), alimentada pela convergência de umidade dos alísios; e que perturbações ondulatórias nos ventos alísios, tanto do hemisfério sul quanto do hemisfério norte, brisas marinha e terrestre e convecção local, associada à topografia e à convergência de umidade, completariam o quadro de fenômenos de escala menor, responsáveis por 30% a 40% do total pluvial (MOLION; BERNARDO, 2002).
Desse modo, o principal mecanismo atuante no leste do Nordeste do Brasil e no município do Ipojuca são os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL) ouOndas de Leste – OL, os quais são sistemas de escala sinótica, que ocorrem na baixa troposfera tropical, e quando se formam na região do Oceano Atlântico Sul apresentam deslocamentos para oeste intensificando-se à medida que se aproximam da costa leste da região Nordeste do Brasil (CHOU, 1990; SILVA, 2010). Esses sistemas oscilam com periodicidade variando entre três e nove dias, e velocidade de propagação entre 10 a 15 m/s (MEKONNEN; TRORNCROFT; AIYYER, 2006; ALVES; MARQUES; OYAMA, 2008; MACHADO et al., 2012).
Os meses de junho e julho representam os meses de maior precipitação no litoral de Pernambuco, consequentemente no município do Ipojuca, tendo como causas os eventuais avanços das Frentes Frias e, principalmente, instabilidades provocadas por cavados barométricos gerados sobre o Atlântico, que avançam rumo a oeste, fenômeno conhecido como Ondas de Leste (GIRÃO et al., 2013).
Causam muita precipitação, principalmente, nos meses de abril a agosto. A intensidade e frequência das ondas de leste (OL) dependem da temperatura da superfície do mar (TSM), do cisalhamento meridional do vento, e da circulação troposférica no Atlântico Tropical (ARAGÃO, 2004). Mesmo de pequena amplitude, as OL podem trazer chuvas intensas e inundações.
Outro sistema importante são as brisas, as quais são a parte superficial de uma circulação térmica causada pelo aquecimento diferencial dos oceanos e a superfície sólida da terra. A brisa é chamada de terrestre quando o vento superficial sopra da superfície terrestre para o mar (à noite) e marítima quando ocorre do mar para a terra (durante o dia). Os ventos alísios que sopram, principalmente do quadrante nordeste-sudeste, são fatores importantes na modulação das brisas na região tropical. Os sistemas de brisa são observados com maior definição nos meses de outono e inverno (abril a julho), especialmente quando da atuação de sistemas meteorológicos que ocorrem nessa época do ano (ARAGÃO, 2006). Em geral, produzem chuvas de intensidade fraca a moderada.
As áreas entre a costa e até 300 km têm um máximo diurno de precipitação associado à brisa marítima. A brisa marítima é máxima quando existe um contraste maior entre a TSM e a temperatura da terra. Isso ocorre no fim do outono e no início do inverno (maio, junho e julho). A parte leste do NEB, incluindo Ipojuca, sofre a influência dos sistemas de brisa em praticamente todo o ano (SOUZA, 2011).
3.5.2 Geologia
As informações dos aspectos geológicos que serão apresentados para o município do Ipojuca foram retiradas do mapeamento geológico feito para o município na escala 1:25.000 pelo Grupo de Engenharia Geotécnica de Encostas, Planícies e Desastres, o Gegep (COUTINHO, 2014; GONÇALVES, 2014), além de informações encontradas em Pfaltzgraff (1998), CPRM (2001) e Girão (2007).
O município do Ipojuca está inserido no Domínio Geológico-estrutural denominado Província Borborema, o qual é limitado ao sul pelo Cráton do São Francisco, a oeste pela Bacia do Parnaíba e a norte e leste pelas Bacias Marginais Costeiras (ALMEIDA et al. 1977). De acordo com Santos et al. (1995), podem-se encontrar dentro dessa Província o Terreno Pernambuco Alagoas (TPA), o Segmento Leste do TPA e a Bacia Pernambuco.
O arcabouço geológico e estrutural da Zona da Mata de Pernambuco é organizado pelos lineamentos Paraíba, ao norte, e Pernambuco ao sul, os dois na direção E-W. O setor compreendido entre os dois lineamentos se estende entre os paralelos 7.° e 8.° de latitude sul. Assim, os elementos estruturais da Zona da Mata Pernambucana são marcados por meio do seu limite sul, o Lineamento Pernambuco, a divisão entre a Zona da Mata Norte e a Zona da Mata Sul.
Desse modo, o município do Ipojuca está inserido em dois contextos geológicos distintos: 1) embasamento cristalino, representado pelo terreno Pernambuco-Alagoas de idade paleoproterozóica; 2) a Bacia Pernambuco, com idade variando do Cretáceo Inferior ao Neógeno (Figura 3.7).
Figura 3.7 – Caracterização dos ambientes geológicos do município do Ipojuca
Fonte: Coutinho (2014); Gonçalves (2014).
Lima Filho (1998) sugeriu uma nova litoestratigrafia para a Bacia Pernambuco, sendo, esta, composta pelas Formações Cabo, Estiva e Algodoais. Há cerca de cem milhões de anos, a bacia foi palco de um intenso magmatismo, conhecido como Suíte Ipojuca. Sobrepondo-se às unidades mencionadas, ocorrem ainda a Formação Barreiras (Paleógeno), terraços pleistocênicos, holocênicos e sedimentos (Neógeno).
Tomando-se como base a divisão em ambientes geológicos acima exposta, Gonçalves (2014) identificou no município do Ipojuca as seguintes unidades geológicas (Figura 3.8) que serão descritas a seguir, destacando, também, características geotécnicas e potencialidades a ocorrência de processos do meio físico.
Figura 3.8 – Mapa geológico na escala 1:25.000 do município do Ipojuca
Fonte: Coutinho (2014)
a) Embasamento cristalino
Nas áreas formadas por rochas cristalinas e pelos materiais oriundos da decomposição destas, a declividade é bastante acentuada. Apresentam-se bastante intemperizadas e cobertas por espessa camada de solo argiloso de cor avermelhada. Nessas áreas a cobertura de solo pode atingir espessuras em torno dos 5 m nos tipos formados por plútons, e mais de 15 m nos tipos oriundos de gnaisses e migmatitos. A granulometria dos solos gerados por meio das litologias graníticas é mais silto-argilosa, ao passo que nos solos originados de gnaisses e migmatitos é basicamente argilosa. É comum a existência de blocos de rocha com dimensões métricas envoltos nas camadas do solo residual, principalmente nos solos originados de rochas gnáissicas e migmatíticas.
Por apresentar tais características, são consideradas áreas com alta suscetibilidade a deslizamentos e ocorrência de processos erosivos (ravinas e voçorocas). Nas áreas onde apresentam blocos rochosos envolvidos nos solos residuais e, quando aflorados em uma crista de talude, são suscetíveis a processos de queda de blocos (PFALTZGRAFF, 1998; COUTINHO, 2014).
Complexo Gnáissico-Migmatítico – Unidade Px
Ocupa 50% do embasamento cristalino, constituindo-se na unidade mais abrangente do município. Na região ao sul da área urbana do município de Escada encontram-se ortognaisses e milonitos de composição granodiorítica. Na zona mais central do município, os ortognaisses assumem uma composição mais granítica, foliação mais horizontalizada e pouco visível na rocha. Nessa região também se encontram migmatitos com leucossomas (partes claras-litologias de natureza ácida) com textura pegmatóide e dobras pitgmáticas.
Biotita-Granito – Unidade Ny3
A Unidade Px ocupa a maior parte do embasamento cristalino. Está distribuída em dois corpos: um ao sul de Escada e outro se estendendo dos Distritos de Ipojuca e Camela. Compõe rochas com textura fenerítica com cristais predominantemente anédricos e equigranulares, coloração variando de cinza a creme. Constantemente cortada por veios de textura pegmatóide exibindo biotitas em placas e algumas granadas centimétricas, possível indício de um granito tipo S, especificamente no afloramento do riacho na entrada da cidade de Camela.
Biotita-Granito Porfirítico – Unidade Ny2
Essa unidade encontra-se na porção oeste do município do Ipojuca, nas áreas com cotas mais elevadas, geralmente, sob capeamento de 2 a 3 metros, na forma de blocos e pequenos matacões dentro do perfil de intemperismo. Às vezes, com marcante esfoliação esferoidal.
Quartzo Sienito – Unidade Ny5
Unidade que aparece restrita a um pequeno corpo na área central do município. São rochas de textura fanerítica, granulação média, inequigranular e coloração cinza claro. É cortada por veios pegmatíticos com notável presença de lamelas de biotita com até 3 cm de comprimento e raras granadas milimétricas.
b) Bacia Pernambuco
Formação Cabo (Kc)
De acordo com Gonçalves (apud COUTINHO, 2014), essa formação localiza-se na porção leste do município. Na fácies proximal (notadamente suportada pelos blocos, mais blocos do que matriz) é um conglomerado polimítico (blocos de diferentes tipos de rocha) com blocos de granitoides, gnaisses e migmatitos oriundos do embasamento cristalino e matriz arcoseana (arenito com mais de 25% de feldspatos) avermelhada. Os blocos são semiarredondados a arredondados (indicando transporte em longo trajeto), variando de 10 cm a 2 m de diâmetro. Na fácies medial (suportada pela matriz, mais matriz do que blocos), torna-se um conglomerado de matriz arcoseana com blocos menores, não passando dos 40 cm de diâmetro.
A Formação Cabo (Kc), por ser suportada por blocos, tem baixa coesão e alta permeabilidade, facilitando a percolação da água, posterior, levando à desestabilização da rocha e consequentemente maior suscetibilidade ao deslizamento. Concomitante a esses fatores está o problema dos cortes desordenados nos morros, pertencentes a essa formação, que geram maior desestabilidade (GONÇALVES apud COUTINHO, 2014).
Formação Ipojuca – Vulcanismo Bimodal
1) Basaltos – Kibs. Rocha afanítica de coloração marrom/roxa/preto, encontrada na forma de derrames basálticos (em forma de soleiras), em geral bastante alterados, com esfoliação basáltica bem visível e com poucas vesículas. Apresenta-se também na forma de
soleiras de espessura bem variável, depositadas entre e sobre as rochas da Formação Cabo e necks vulcânicos de riolitos/traquitos.
2) Traquitos/Riolitos – Kitq/Kirl. Afloram em necks vulcânicos próximos ao Engenho