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2.4 Programming with Regular Expressions
2.4.2 Strings and Regular Expressions in Perl
Ramos-Cerqueira e Crepaldi (2000) relatam que nas últimas décadas, com o aumento da expectativa de vida, e conseqüentemente da prevalência de doenças crônicas, houve a emergência do conceito de qualidade de vida relacionada à saúde como um componente importante no cuidado médico.
No Brasil, este tema passou a ser importante nas pesquisas da área da saúde na última década, quando as publicações sobre o assunto aumentaram consideravelmente comparadas com os dez anos anteriores (DANTAS et al., 2003).
A partir de meados dos anos 90, os estudos passaram a investigar associações entre variáveis psicológicas no que se diz respeito a enfrentamento e suporte social e a percepção de qualidade de vida, buscando identificar fatores que propiciam o ajustamento á condição de enfermidade crônica e enfrentamento ativo diante da disponibilidade de tratamento (SEIDL et al., 2005).
Sabe-se que diversas expressões são utilizadas como sinônimo para descrever o conceito de saúde, tais como o estado de saúde, estado funcional, qualidade de vida e qualidade de vida relacionada à saúde.
Para compreender o conceito de qualidade de vida relacionada à saúde, é importante recordar que a Organização Mundial da Saúde definiu saúde como “um completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doença ou enfermidade”
No sentido de ampliar este conceito, é importante considerar as cinco dimensões do estado de saúde identificadas por Bergner (1996): características genéticas herdadas, condições bioquímicas, fisiológicas e anatômicas (comprometimento dos sistemas e doenças, sinais e sintomas), estado funcional, (abrange a realização de atividades cotidianas, como o cuidado pessoal, as atividades físicas e o trabalho), condição mental (envolve os sentimentos positivos e negativos) e o potencial de saúde (incluindo a longevidade e o prognóstico).
Dizer, portanto que o conceito de saúde tem relações ou deve estar mais próximo da noção de qualidade de vida, que saúde não é mera ausência de doença é de grande importância, porque manifesta o mal-estar com o reducionismo biomédico (MINAYO et al., 2002).
Desta forma, a nova concepção de saúde a identifica com bem-estar e qualidade de vida, e não simplesmente com ausência de doença. Assim, Buss (2000) reflete que a saúde deixa de ser um estado estático, biologicamente definido,
para ser compreendida como um estado dinâmico, socialmente produzido e a intervenção visa não apenas diminuir o risco de doença, mas aumentar as chances de saúde e de vida, acarretando uma intervenção sobre os determinantes do processo saúde doença.
A relação entre saúde e qualidade de vida existe desde o nascimento da medicina social, pois este termo inclui dimensões importantes da existência longe da preocupação médica convencional, como por exemplo, a realização e satisfação espiritual. Neste contexto, o interesse tem sido em focalizar os aspectos em que a qualidade de vida sofre influência de tratamentos, doenças ou traumas (DANTAS et al., 2003).
Para Fleck et al. (2000), este termo quando empregado na literatura médica, vem sendo associado a diversos significados, como condições de saúde e funcionamento social. Portanto, a qualidade de vida relacionada à saúde e estado subjetivo de saúde são conceitos relacionados à avaliação subjetiva do paciente e ao impacto do estado de saúde na capacidade de se viver plenamente (FLECK et al., 2000).
Muitos consideram um conceito mais amplo de qualidade de vida, não se limitando à dimensão curativa, ou seja, as condições de saúde e intervenções médicas, mas também valorizam as condições relacionadas à percepção do indivíduo, seus sentimentos e comportamentos, sua capacidade funcional e vida diária (BULLINGER et al., 1993).
A qualidade de vida sofre influência de vários fatores relacionados a: estratégias de adaptação psicossocial, traços de personalidade do indivíduo, sua história e expectativas em relação à vida, seu autoconceito, auto-eficiência e suporte social que recebe das pessoas que lhe são significativas (SALGADO; SOUZA, 2001). Assim, seu conceito reflete na perspectiva do sujeito que avalia como vê e sente a interferência da doença na sua vida pessoal, familiar e profissional.
A qualidade de vida relacionada à saúde engloba diversas dimensões do estado de saúde diretamente percebidas pela pessoa, como por exemplo: o funcionamento físico, mental, cognitivo, social e participativo, energia, percepções de saúde geral, sintomas, atividade sexual, padrões de sono e outros.
Neste conceito, Lara-Munõz et al. (1995) refere que a qualidade de vida passa ao âmbito da saúde quando se considera que a doença e as intervenções realizadas pelos profissionais influenciam tanto sobre a quantidade (sobrevivência),
como sobre a qualidade de vida do indivíduo. Esta por sua vez, enfoca aspectos multidimensionais, porém voltados aos aspectos de saúde do indivíduo e à interferência que eles podem ter na capacidade de viver bem (SANTOS et al., 2002).
Do ano de 2002, citamos quatro estudos referentes ao conceito qualidade de vida e saúde: Badley revela que este conceito é a extensão de como a pessoa avalia sua vida, sendo esta boa ou má, e que a saúde é um dos domínios da qualidade de vida e Jacobson apud Santos et al. foca nos efeitos da doença, seus sintomas, conseqüências e tratamentos na vida do portador e pressupõe que logo após o diagnóstico, para o portador, a saúde passa a ser considerada como um dos aspectos mais importantes de sua vida. Neste contexto, Lima descreve que o conceito surgiu como uma tentativa de se valorizar as percepções do paciente a respeito de vários aspectos de sua vida, e não meramente uma avaliação do seu estado de saúde. Para completar este raciocínio, Kerbauy considera que o fato mais importante que ocorreu nos últimos anos não foi o conceito de fator de risco para a saúde e qualidade de vida, mas por que as pessoas praticam comportamentos inadequados para a saúde, que interferem significativamente na qualidade de vida.
Buss (2002) reflete que proporcionar saúde significa, além de evitar doenças e prolongar a vida, assegurar meios e situações que ampliem a qualidade de vida “vivida”, ou seja, ampliem a capacidade de autonomia e o padrão de bem-estar, que, por sua vez, são valores socialmente definidos, importando em escolhas. Assim, as intervenções em saúde referem-se não apenas aos agravos e fatores de risco, mas aos aspectos relativos às representações sociais de saúde e doença.
O avanço terapêutico e tecnológico faz com que a sobrevida de pessoas doentes, particularmente portadores de doenças crônico-degenerativas venha aumentando significativamente, mas freqüentemente permanecem complicações ou seqüelas com as quais estes pacientes sobrevivem por vários anos. Assim, os pacientes crônicos convivem com as doenças por longos períodos de tempo, senão por toda a vida. Há então uma preocupação crescente de que maneira tais doenças com seus sintomas, incapacidades, limitações e tratamentos influenciam na qualidade de vida de seus portadores.
Desse modo, Costa Neto e Araújo (2005) afirmam que o interesse pela qualidade de vida na saúde é conseqüência do desenvolvimento tecnológico que permite maior tempo de sobrevivência aos seus portadores. Isto exige ajustes não somente nas políticas de gestão de disponibilidade de recursos, mas também nas
decisões clínicas, além da necessidade da indústria farmacêutica obedecer determinadas regras para o lançamento de drogas no mercado.
O desenvolvimento de uma doença crônica modifica a maneira como o indivíduo se percebe, modifica sua vida social e econômica e seus planos de futuro. Em geral, a percepção de bem-estar de uma pessoa portadora de uma doença crônica sofre mais influência dos mecanismos de auto-avaliação do que significa estar doente, do que do próprio estado físico. Estes mecanismos de avaliação e estratégias de adaptação psicológica são fundamentais na manutenção de níveis aceitáveis de bem-estar diante do distúrbio crônico (SALGADO; SOUZA, 2001).
A principal questão é se a cura é o único objetivo da medicina ou se devemos considerar as necessidades e a qualidade de vida das pessoas, bem como os parâmetros éticos e a limitação de recursos do sistema de saúde (SCHRAMM et al., 2000), pois, apesar dos progressos da medicina, vem-se tornando claro que a maioria das doenças não é passível de cura e, mesmo que tratamentos eficientes estejam disponíveis, o fator econômico impede sua aplicação universal (RAMOS- CERQUEIRA; CREPALDI, 2000).
Ainda os mesmos autores referem que nesse contexto, muito se avançou em tratamentos capazes, sobretudo, de prolongar a vida. Porém, percebeu-se que aumentar quantitativamente a sobrevida dos pacientes nem sempre produzia um impacto qualitativo que garantisse uma recuperação significativa do seu estado físico, emocional e social. Assim, medir esse impacto passou a ser importante na seleção de tratamentos mais efetivos e, portanto, na distribuição de recursos e implementação de programas de saúde.
Para Laurenti (2003), o fato de sobreviver às vezes por longos períodos não significa “viver bem”, pois quase sempre há limitações com prejuízos da participação de várias atividades. De outra maneira, Amar et al. (2002) consideram que embora seja presumível a doença em estágio avançado pode apresentar mais sintomas, causar maior disfunção e conseqüentemente se relacionar com pior qualidade de vida, isto pode ser verdadeiro para um indivíduo, mas não reflete a realidade de um grupo heterogêneo de pacientes.
Assim, qualidade de vida relacionada à saúde, refere-se ao modo como a saúde, a doença e o tratamento médico influenciam a percepção individual do funcionamento global e bem-estar. Constitui uma medida útil para avaliar a gravidade de uma doença e a interferência de sue tratamento sobre os hábitos de
vida dos portadores, também quantifica os benefícios de uma intervenção sobre a saúde, além de permitir o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas,como o câncer, no qual o prejuízo à saúde persiste mesmo com tratamentos adequados.
Hoje, qualidade de vida é tema de pesquisa imprescindível na área da saúde, visto que seus resultados contribuem para aprovar e definir tratamentos e avaliar custo-benefício do cuidado prestado, mas conforme refere Buss (2000), demonstra que este constructo afeta a saúde e que esta influencia fortemente na qualidade de vida não é o único desafio, pois restam muitas questões a serem resolvidas e respondidas neste campo de investigação, inclusive no que diz respeito às intervenções de saúde, para que possam, mais eficazmente, influenciar de forma favorável à qualidade de vida.