TERM: STRING VARIABLE
STRINGS AND SUBSTRINGS
Os programas de formação continuada de professores oferecidos pelo Ministério da Educação e Cultura/MEC: o Projeto UCA e o ProInfo Integrado, descritos a seguir, serviram de fonte de geração de dados para observar as práticas multiletradas do professor mediado pelas tecnologias digitais.
1.4.1 O Programa „Um Computador por Aluno‟2
Em janeiro de 2005, no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suiça), o pesquisador americano Nicholas Negroponte, co-fundador do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), apresentou ao governo brasileiro o projeto One Laptop per Child –OLPC (Um Laptop para Criança) que, ao garantir a todas as crianças o direito ao seu próprio computador com custo mínimo, asseguraria a ideia da universalização das tecnologias da informação e comunicação (TIC).
O governo federal aderiu ao projeto com o propósito de não apenas adotar a ideia de um computador por aluno (UCA), mas possibilitar a distribuição de um laptop educacional
2
Nessa sessão, utilizamos a informações extraídas das seguintes fontes: CÂMARA DOS DEPUTADOS. Um Computador por Aluno: a experiência brasileira. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2008. GOMES, Apuena Vieira. Um computador por Aluno – a trajetória até a UFRN. Disponível em: http://slideplayer.com.br/slide/1660801/. Acesso: fev de 2012
conectado à internet com a instalação de variados recursos educacionais abertos, favorecendo a constituição de comunidades de aprendizagem bem como o trabalho colaborativo, de autoria e coautoria entre professores e alunos.
O projeto idealizado por Nicholas Negroponte e Seymour Papert - ambos voltados à área de criação de software de programação desenvolvido, especificamente, para as crianças, têm como lema pedagógico a aprendizagem que leve o aluno “aprender a aprender” utilizando o computador como ferramenta educativa para que ele explore, experimente e crie. Suas ideias têm como base cinco premissas:
1) A posse do laptop é do aluno – a fim de garantir que ele (e sua família) possa levar o laptop para casa e se beneficiar de um maior tempo de uso3;
2) Foco nas crianças de 6 a 12 anos, ou seja, a faixa etária da primeira etapa da educação básica em muitos países;
3) Saturação digital – alcançada por meio da total disseminação do laptop numa determinada escala, que pode ser um país, um município etc., em que cada criança tem o seu;
4) Conectividade – o XO foi desenhado para utilizar a rede mesh16, na qual os laptops se conectam uns aos outros numa rede sem fio; se um estiver conectado à Internet, os outros também estarão;
5) Software livre e aberto – oportunidade para que cada país use a ferramenta, adaptando-a às necessidades específicas, sob o argumento de que a transparência é indutora do desenvolvimento autóctone de soluções tecnológicas. Essas características visam, ainda, permitir alterações conforme as demandas de conteúdo, aplicativos e recursos que vão surgir com o crescimento e a fluência digital das crianças.
Na versão brasileira, coube à Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (SEED/MEC) a operacionalização do desenvolvimento do Projeto UCA comungando dos mesmos princípios do Programa Nacional de Tecnologia Educacional/ProInfo em promover o uso pedagógico das tecnologias nas escolas públicas como meta de inclusão digital. Princípios esses em sintonia com o Plano de Desenvolvimento da Educação/PDE.
Com base nesses princípios, o Projeto UCA tem como objetivo:
3
A Escola Municipal Herly Parente, por medida de segurança, optou por não deixar o aluno levar o laptop para a casa.
Mudar o paradigma educacional (ajudar a introduzir mudanças pedagógicas na Educação);
Promover a inclusão digital não só dos alunos, mas de todo o contexto escolar e familiar deste aluno;
Incrementar o sistema de TIC (produção do Laptop pela indústria nacional). O Laptop carinhosamente chamado „uquinha‟ teve como configuração inicial o sistema operacional do Linux Metasysm - posteriormente mudado para a versão Ubuntuca - com pacotes de programas educativos, games, planilha, ferramenta de texto, webbrowser, comunicador instantâneo, criação edição de áudio, vídeo e foto. Sua configuração técnica apresenta as seguintes características: Tela de 7 polegas, capacidade de armazenamento de 4 Gb, 512 MB de memória, bateria com autonomia de 3h e pesando 1,5 kg.
Fonte: Acervo da pesquisa
Essas características favoreceram a mobilidade do computador nos diversos espaços da escola. Antes o computador como desktop tinha como lugar fixo de acesso o Laboratório de Infomática Educativa/LIE, apresentando configuração de „1:muitos‟ (um computador para muitos alunos), de uso esporádico e com limitada integração de recurso e conectividade local. Diferentemente do uquinha, que além de apresentar configuração 1:1, permitindo que os alunos tenham seu próprio laptop, possui conectividade imersiva capaz de criar comunidade de aprendizagem na escola e entre escolas e com uso integrado dos recursos educacionais.
O projeto teve início em 2007, na fase pré-piloto, em cinco escolas dos Estados brasileiros (Porto Alegre/RS, São Paulo/SP, Pirai/RJ, Palmas/TO e Brasília/DF), denominada Fase I - com o objetivo de avaliar o uso dos laptops pelos alunos em sala de aula. A Fase II, que teve início em 2009, denominada de Projeto Piloto, envolve a participação de 27 estados
com inclusão de 10 escolas por estado. Os critérios exigidos de implementação do projeto envolvem os seguintes itens: a escola deve possuir aproximadamente 500 alunos e professores, rede elétrica, estar próxima aos Núcleos de Tecnologias Educacionais e sua distribuição contemplar uma escola na capital e uma na zona rural.
Nessa Fase II, a proposta de operacionalização da formação se estruturou da seguinte forma: IES Globais, responsáveis pela formação das IES locais, fornecendo apoio técnico e pedagógico para organização das IES Locais. As IES Locais são responsáveis pela realização do curso de formação com os formadores (que são professores do NTE e NTM – responsáveis pela formação na escola) e professores das escolas (GOMES et al 2011).
Em 2011, a Secretaria de Educação a Distância (SEDIS) /UFRN- como IES Local atrelada ao UFC e, em parceria com as Secretarias do Estado e da Undime e dos Núcleos de Tecnologias Educacionais - foi responsável pela elaboração do projeto de formação e realização de encontros para se trabalhar os módulos do curso do Projeto UCA destinado a formação das dez escolas contempladas pelo estado do Rio Grande do Norte: cinco delas, fazendo parte das escolas do estado (Natal, Ceará-Mirim, Extremoz, Parnamirim, Jardim do Seridó) e cinco das escolas do município (Natal, Ipanguaçu, Açu, São Paulo do Potengi e Santa Cruz), sendo, também, responsável pelos recursos materiais e pedagógicos, acompanhamento técnico e pedagógico e avaliação das ações na escola, com foco nos seguintes pilares:
Figura 03- Pilares do Projeto UCA
Fonte: Diagrama Formação Projeto UCA/RN, (GOMES (2012)4
No item „Formação‟, na Figura 3, a composição curricular do curso é de 180h na modalidade semipresencial, distribuídos pelos seguintes módulos: Módulo 1 – Apropriação
4
GOMES, Apuena Vieira. Um Computador por Aluno – a trajetória até UFRN. Um Computador por Aluno (UCA) FormAção Brasil - FormAção Continuada. UFRNDisponível em: http://slideplayer.com.br/slide/1660801/. Acesso: 12/08/2013. Suporte Técnico e Pedagógico Formação Recursos / Materiais Pedagógicos Avaliação, Pesquisa, Acompanhamento UCA
Tecnológica (40h) ; Módulo 2 – Web 2.0 (30h); Módulo 3a. Formação dos Professores (40h); Módulo 3b. Formação dos Gestores (40h); Módulo 4. Elaboração de Projetos (40h).
Organizamos, na formação, um cronograma de atividades da seguinte forma:
Tabela 02: Cronograma de atividades de Projeto UCA