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andrea trigueiro

[email protected] Universidade Federal de Pernambuco-UFPE

Resumo

Este artigo analisa os desdobramentos do projeto Megafone Seu Hemetério, que nos últimos três anos saiu da graduação em Jornalismo para desenvolver-se na Rádio Comunitária Seu Hemetério, no bairro da Bomba do Hemetério-Recife/PE e se consolidou como experiência de Educação para os Direitos Humanos, com práticas educomunicativas na cibercultura e transmídia no ambiente da Comunicação Comunitária. O método de ensino- aprendizagem surgiu da vivência com alunos de Jornalismo da Uninassau. Atualmente, o projeto envolve educomunicadores, estudantes e comunicadores comunitários. Para compreender este processo, são analisados a produção e os conteúdos veiculados e lançados na internet especialmente através das mídias sociais. São utilizadas teorias de Paulo Freire, Ismar de Oliveira Soares, André Lemos, Pierre Lévy, Henry Jenkins e Cicillia Peruzzo. A pesquisa analisa o projeto na ótica da Educomunicação, como experiência relevante com aporte das ferramentas da cibercultura, uma vez que a proposta compreende o erro como parte do processo e estimula a participação, o pensar e agir crítico e a construção de um ecossistema comunicativo. O projeto se desdobrou, em uma experiência de Comunicação Comunitária, valorizando atributos locais, promovendo o empoderamento, o protagonismo social e a educação através de agentes multiplicadores na localidade onde se insere.

Palavras-Chave: Direitos humanos; Educomunicação; democratização da comunicação; cibercultura

intRodução: o PeRcuRsodo megafone

O Projeto Megafone surgiu em 2011 objetivando favorecer o aprendizado de técnicas de Radiojornalismo com conteúdos voltados para os Direitos Humanos no meio acadêmico. Inicialmente foram oferecidos aos alunos debates temáticos de sensibilização para as questões mais urgentes dos movimentos sociais que mili- tam nesta área, quais sejam, direitos de mulheres, crianças, negros, homosexuais, trabalhadores sem terra, entre outros. Com o slogan ”compromisso com os Direitos Humanos nas ondas do Rádio”, o programa Megafone DH estreiou, em 30 de maio daquele ano, no ambiente do Centro Universitário Maurício de Nassau, no Recife/PE. O Megafone DH, era transmitido, também, na programação da Rádio Web Nassau.

Naquele período, a equipe responsável pela produção do programa, formada por 13 alunos de diferentes períodos, disponibilizavam os conteúdos do Megafone DH para três rádios comunitárias, uma em Engenho Maranguape, cidade do Paulista, Rádio Alternativa FM; e outras duas no Recife sendo uma na Bomba do Hemetério, Rádio Atalaia FM; e uma na Comunidade do Zumbi, Rádio Criatividade FM.

Na elaboração do programa, foram realizadas oficinas para definir objetivos e linha editorial além de aprofundar quais seriam as pautas relacionados aos Direitos Humanos veiculadas nos programas. Os participantes passaram a se encontrar semanalmente para produzir o que era veiculados ao vivo e gravado para ser dispo- nibilizado, posteriormente. Na primeira temporada foram 20 programas semanais, encerrando em junho de 2011.

A segunda temporada do Megafone iniciou-se em fevereiro de 2012, com outro grupo de alunos mas com dinâmica de rotinas bastante semelhante ao que foi desenvolvido na primeira. Foram realizados cinco programas. Esta experiência foi vivida pelos 12 alunos do sexto período de Jornalismo, como parte das práticas da disciplina obrigatória Radiojornalismo I. As atividades foram enceradas em junho, com o término do semestre letivo.

No mês de agosto deste ano, o Megafone DH iniciou sua terceira temporada, incorporando novos alunos. Pela primeira vez, foi utilizado o Facebook como espaço de interação. Através de grupos na rede social, depois de reuniões de pauta presenciais, os alunos passavam a semana tocando a produção das matérias e entrevistas além da construção dos textos jornalísticos e scripts dos programas colaborativamente. Deste período, participaram cerca de 10 alunos. As atividades foram até o mês de novembro com 06 edições. No mesmo formato e período, também foi empreendida uma quarta temporada, agregando alunos do sétimo período, durante a disciplina de Radiojornalismo II, com 08 edições e 12 alunos envolvidos. O desenvolvimento das atividades semanais através do Facebook também fez parte das rotinas deste grupo. Ao todo, naqueles dois anos de experiência acadêmica, passaram pelo Megafone, cerca de 50 estudantes, que desenvolveram 40 edições e exercitaram técnicas de Radiojornalismo através de conteúdos focados nos Direitos Humanos com práticas educomunicativas – adiante discutidas.

Com base nesta experiência com o Projeto acadêmico, no início de 2013 a professora responsável Andrea Trigueiro, junto com mais três estudantes que parti- ciparam do processo de construção do programa, decidiu levar o Megafone DH para espaços não-escolares de aprendizado, oportunizando aos moradores da comuni- dade da Bomba do Hemetério, bairro da periferia da Zona Norte do Recife, comunica- dores comunitários1 integrantes do Núcleo de Comunicação Bombando Cidadania, o acesso ao método do Megafone, suas técnicas e conteúdos. O espaço foi escolhido por se tratar de uma localidade na qual estava inserida uma rádio difusora de caixi- nha com participação popular e programação voltada para conteúdos comunitários. A base da escolha, surgiu a partir dos estudos segundo os quais a comunicação comunitária está calcada em “princípios públicos, como não ter fins lucrativos, propi- ciar a participação ativa da população, ter propriedade coletiva e difundir conteúdos com a finalidade de educação, cultura e ampliação da cidadania” (Peruzzo, 2006: 9).

O grupo que produz o programa desta vez é diferenciado e formado por estu- dantes secundaristas e de Jornalismo, donas de casa, professora primária, vigilante, 1 O conceito de comunitário utilizado neste artigo é baseado nos estudos de Cecília Peruzo (2006: 14).

empilhador e pessoas de diversas formações socioeconômicas somando cerca de 12 pessoas. Esta quinta temporada, rebatizada de Megafone Seu Hemetério, ocupa 10 alto-falantes da Rádio, levando Educação para os Direitos Humanos, práticas educo- municativas emancipatórias, acesso às novas tecnologias de informação e comuni- cação, democratizando a comunicação e valorizando a cultura e o desenvolvimento local da Bomba do Hemetério. Além disso, o novo formato promove um intercâmbio entre comunicadores comunitários e alunos de Jornalismo, que devolvem à socie- dade o que receberam da experiência vivenciada na graduação.

Por iniciativa dos novos produtores do Megafone Seu Hemetério, além do uso do grupo do Facebook foi criada uma Fan Page2 para disseminação das informa-

ções veiculadas. O grupo também disponibiliza os programas na íntegra para serem baixados e veiculados em outros espaços comunitários. Até dezembro de 2013, 25 edições foram produzidos. Para 2014, o grupo discute novas propostas com a inser- ção de novos integrantes e rotinas dando-lhe um caráter mais comunitário.

Uma das principais características dessa iniciativa é uma educação em comu- nicação que beneficia a cidadania, valoriza os aspectos comunitários locais com o exercício de direitos. Este artigo objetiva refletir a consolidação do projeto Megafone Seu Hemetério em uma experiência educomunicativa com a utilização de redes sociais como ferramenta didática saindo dos espaços formais de educação para o espaço comunitário.

educomunicação: RefeRenciaisteóRicos

Entre os pesquisadores da Educomunicação há, cada vez mais, a defesa de uma educação que emancipe o ser humano favorecendo seu protagonismo através de processos dialógicos em alternativa ao modelo educacional vigente, no qual obser- vamos a limitada transmissão de informações na relação educador-educando. Esse pensamento foi bastante difundido no Brasil a partir das práticas de Paulo Freire, que acredita na plena comunicação a partir de uma consciência educativa crítica. Ele também defendia uma educação globalizante pela instrumentalização comu- nicativa, e considerava as duas coisas mutuamente complementares (Freire, 1988).

Os educadores Célestin Freinet (França) e Jesús Martín-Barbero (Espanha) também são identificados pelos estudiosos da Educomunicação como fundadores da proposta que alinha a comunicação e a educação. Mas foi o argentino Mário Kaplún autor da iniciativa de referendar o novo campo de pesquisa, a Educomunicação, embora ele entendesse o termo como apenas a leitura crítica da mídia (Soares, 2006).

Com base nas contribuições de Freire/Kaplún, o professor Ismar de Oliveira Soares, deu prosseguimento aos estudos sobre o tema e foi responsável por dar um novo significado à Educomunicação com a pesquisa realizada pelo Núcleo de Comunicação e Educação da USP (NCE), entre 1997 e 1999, que definiu o termo:

Toda experiência de envolvimento dos agentes sociais, suas empresas e organi- zações, na implementação de ações voltadas para o planejamento e desenvol- vimento de ecossistemas comunicativos abertos, democráticos e participativos, tendo como meta a promoção da cidadania mediante o exercício da expressão comunicativa, possibilitada pela mediação tecnológica e pelo acesso e gestão democrática dos recursos da informação (2006: 179).

Nesse sentido, em uma primeira observação das práticas desenvolvidas durante a execução do Megafone Seu Hemetério, percebe-se a facilitação para a existência de um ecossistema favoravelmente comunicativo, aberto, com a participação de atores diversos e com respeito às práticas democráticas, em que todos são ouvidos e têm direito à fala. Também é evidente a abordagem de temáticas voltadas para as práticas cidadãs nas discussões do grupo.

De acordo com Soares (2002), estão entre os princípios da Educomunicação: a) promover o acesso democrático à produção e à difusão de informação; b) facili- tar a percepção crítica da maneira como o mundo é editado nos meios; c) facilitar o ensino/aprendizado por meio do uso criativo dos meios de comunicação; e d) promover a expressão comunicativa dos membros da comunidade em questão. O conceito de Educomunicação, como vem sendo estudado nos dias atuais, também é experimentado no Megafone Seu Hemetério, uma vez que o mesmo está intrinseca- mente ligado ao conceito de ecossistema comunicativo, onde a Educomunicação é representada pelo conjunto de ações que permitem que educadores, comunicadores e outros agentes promovam e ampliem as relações de comunicação entre as pessoas que compõem a comunidade educativa.

Essa nova maneira de ver a comunicação se relaciona com a perspectiva de compartilhamento entre as pessoas. Nesse sentido, essa reflexão se aproxima da visão de Paulo Freire, para quem a comunicação é fundamental nas relações huma- nas. Ele defende que, para haver conhecimento de fato, é necessária, como premissa, uma relação social igualitária e dialogal entre os sujeitos. E é isso que resulta em uma prática social transformadora.

A comunicação que exclui, feita por pequenos grupos em detrimento da maio- ria, contribui para uma “deseducação” e é alvo de críticas de importantes pesquisa- dores contemporâneos. O autor José Manuel Moran (1998) define bem essa relação.

A comunicação caminha na direção da inclusão, da integração. Da inclusão de pessoas diferentes, de formas distintas de ver. Caminha na aproximação de mais pessoas, de mais grupos; no estabelecimento de vínculos, de pontes para apro- ximar-nos das pessoas, sem isolar-nos em grupinhos, “panelinhas”, ou seitas. [...] A rejeição, a falta de afeto, de aceitação nos desestrutura, nos joga para fora de nós mesmos numa busca frenética de qualquer compensação, reconhecimento, aceitação (Moran, 1998: 10-16).

Educomunicação pode então ser entendida como o conjunto das ações ineren- tes ao planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais, tais como escolas, centros culturais, emissoras de rádio e TVs

educativas, centros produtores de materiais educativos analógicos e digitais, centros de coordenação de educação a distância ou e-learning e outros (Soares, 2000).

Assim, é possível entender que os ambientes não-escolares também se confi- guram como espaços educativos uma vez que eles podem favorecer os processos de construção de conhecimentos, embora fora dos padrões didáticos propostos tradi- cionalmente. Também, pode-se afirmar que, ao criar produtos, a exemplo de progra- mas de rádio, se está proporcionando a existência de um ambiente que propicie a implementação de tais práticas educomunicativas.

O que provavelmente faz com que os pesquisadores, comunicólogos e educa- dores se debrucem em torno do tema em questão buscando “definições”, “direciona- mentos” acerca do papel dos meios de comunicação social na sociedade é, talvez, a constatação de que eles podem ser também direcionados como ferramenta indis- pensável à construção de uma organização social mais justa, mais igualitária. Tal cenário é visualizado em produções veiculadas a diversos públicos por meio de um dialogismo participativo, libertário, defendido intensamente pelo educador Paulo Freire como algo intimamente ligado à Educação.

Rotinasde tRaBalhono megafone seu hemetéRio:

uma exPeRiênciaeducomunicativa

O Megafone, como foi dito, surgiu no Recife numa experiência no Centro Universitário Maurício de Nassau, em 2011, e foi criado pela professora Andrea Trigueiro em diálogo com o alunos. O programa é voltado para a Educação para os Direitos Humanos com entrevistas, reportagens e quadros fixos. A realização do Megafone, durante dois anos, foi de responsabilidade dos alunos do Centro Universitário Maurício de Nassau, que utilizavam o estúdio da instituição para gravar e editar. De forma coletiva e através da alternância de funções, os editores, produtores e repórteres firmavam parcerias com a sociedade civil para a elaboração do programa.

Do Megafone DH (2011/2012) para o Megafone Seu Hemetério (2013), a estrutura do programa sofreu pequenas alterações: três colunas foram adicionadas: Educar para os Direitos Humanos, Prioridade Absuluta, qua trata especificamento dos direitos da Infância e outra chamada Análise crítica de mídia. Ademais, mantive- ram-se os quadros fixos: Um Mundo, Muitas Vozes; Papo Franco; Rádio Solidário; e Se Liga!. No quadro Papo Franco são entrevistadas pessoas que representam insti- tuições que militam na área dos Direitos Humanos. O Rádio Solidário apresenta notícias sobre organizações que precisam de trabalhos voluntários ou doações de materiais para desenvolverem suas ações. O “Se Liga!” traz informações sobre cursos, concursos, seminários, conferências e outros eventos ligados ao tema. O quadro Um Mundo, Muitas Vozes parte de uma enquete e tem como objetivo saber a opinião das pessoas sobre temas polêmicos que estão na pauta da mídia.

Dentre os principais temas abordados pelo Megafone DH, mantidos no Megafone Seu Hemetério, estão: os direitos da infância e juventude, violação de

direitos humanos, violência contra a mulher, violência contra o idoso, valorização dos direitos humanos na mídia, racismo e luta pela terra. O Megafone Seu Hemetério busca fundamentar-se em princípios como a comunicação como um direito humano, que não é só o direito ao acesso à informação e ao exercício da liberdade de expres- são, mas a uma comunicação bilateral, que dissemine conhecimento, que conscien- tize, que garanta a pluralidade de ideias, como também o direito à participação na produção e na mediação de discursos sociais e acesso aos meios de produção e disseminação dos bens simbólicos.

Por causa da construção e disseminação desses princípios norteadores, em um projeto de consolidação dessas bases, as pessoas envolvidas na produção do programa se reúnem semanalmente depois da exibição de cada programa para discutir os temas que serão mostrados na edição da semana seguinte e quais deles serão entrevistas, matérias ou quadros fixos. Os temas são escolhidos a partir das sugestões trazidas durante a reunião com base em e-mails, postagens no grupo do Facebook e sugestões recebidas no dia-a-dia, além de assuntos que estão nos veículos de comunicação.

Em média, cada reunião envolve dez pessoas que se dividem em funções como: apresentador, responsável por reunir e editar todo o material que “fecha” o programa, faz o script e apresenta; produtor, que viabiliza as entrevistas de estúdio; repórter, que realiza externamente matérias e quadros fixos, além de outras funções mais internas como operador de áudio e noticiarista.

A dinâmica de produção do grupo é apresentar as sugestões, discuti-las, eleger as que a equipe aprova e, por último, estabelecer como cada assunto escolhido será tratado no programa: nota, quadro, matéria ou entrevista a depender do seu grau de importância e interesse. Com base nessas reuniões semanais, são produzidas pautas para o programa com matérias diferentes e entrevistas de estúdio, além dos quadros fixos. Posteriormente, são redigidos os scripts com o roteiro de cada programa – cada um é feito pelo apresentador e revisado pelo grupo por meio do grupo do Facebook onde são postados os textos para a análise dos demais integrantes e, ao final, anexado o arquivo em MP3 com o áudio já editado.

Atualmente, as discussões do grupo têm sido realizadas por meio do Facebook. Um grupo fechado foi criado onde os produtores podem tirar dúvidas numa troca que, além de desenvolver os textos que farão parte do script favorece o desenvolvimento individual e de grupo. A contribuição do Facebook é auxiliar no desenvolvimento das produções durante toda a semana, até que a nova edição esteja concluída.

Esse método de trabalho alternativo que surgiu no âmbito do comunidade da Bomba do hemetério a partir de suas características peculiares com a apropria- ção de novas tecnologias comunicacionais pode ser compreendiado como “expres- são das lutas populares por melhores condições de vida que [...] representam um espaço para participação democrática do ‘povo’” (Peruzzo, 2006: 4). Tal movimento é percebido no conteúdo das pautas voltadas para temáticas comuns ao meio popu- lar tais como os direitos de quem frequenta o Posto de Saúde da Família, terapias

comunitárias, manifestações culturais próprias do local tais como o grupos folclóri- cos, entre outros.

megafone seu hemetéRioea utilizaçãodasfeRRamentasdaciBeRcultuRa

Assim como as práticas educomunicativas têm o requisito de um ecossistema comunicativo aberto, o ambiente das mídias sociais demanda um formato de produ- ção descentralizada, reduzindo hierarquias. Ambos os conceitos, educomunicação e mídias sociais, apontam para uma conjuntura social que tem tomado corpo nos últimos anos, como consequência da cibercultura, fenômeno descrito como:

a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais. Vivemos já a ciber- cultura. Ela não é o futuro que vai chegar, mas o nosso presente (homebanking, cartões inteligentes, celulares, palms, pages, voto eletrônico, imposto de renda via rede, entre outros) [...] A cibercultura representa a cultura contemporânea sendo consequência direta da evolução da cultura técnica moderna (Lemos, 2003: 1).

Essa ambiência cibercultural – que imprime a lógica de redes em todos os seus sistemas e conjuntos de relações (Castells, 2001: 78), apesar das inevitáveis perdas que processos de mudança, especialmente os ligados à penetrabilidade das novas tecnologias da informação, causam – é aliada estratégica dos proces- sos educomunicativos e fortalece as dinâmicas do Megafone Seu Hemetério. Isso porque, ao se imbricar no contexto das redes sociais online, traz à tona ferramentas que possibilitam os vínculos de colaboração horizontal e canais de participação, elementos presentes e fundamentais para a fluidez das experiências e práticas educomunicativas.

No caso específico do objeto de estudo relatado neste artigo, o Megafone Seu Hemetério, a ferramenta tecnológica da cibercultura fundamental para corroborar com uma prática pedagógica emancipatória por meio desse campo de intervenção que alia comunicação e educação é o Facebook, espaço que agrega todos os envol- vidos e que tem um índice de uso maior até mesmo do que o email.

Além das discussões no grupo fechado, são disponibilizados na rede social conteúdos relacionados aos temas dos programas nos perfis pessoais e na Fan Page do Núcleo de Comunicação Bombando Cidadania, além dos programas gravados na íntegra, para que os internautas possam efetuar o download e ouvir o programa no horário e local mais convenientes.

Posto isso, nota-se um esforço da equipe em lançar a ideia do programa para outros suportes de mídia em simbiose com as novas tendências da comunicação cada vez mais centradas em um consumo sob demanda e não mais de massa, de fluxo. É oferecer ao ouvinte/telespectador/leitor quando, onde e a que horas ele vai consumir o programa.

A convergência midiática é analisada por Henry Jenkins (2008) como um conceito importante para entender as transformações tecnológicas, mercadológi- cas, culturais e sociais do cenário contemporâneo dos meios de comunicação. O autor estuda o conteúdo que circula por múltiplos suportes e mercados midiáticos,

considerando o comportamento do público, que utiliza diversos canais em busca de novas experiências de entretenimento. Jenkins ressalta outros dois importantes princípios: o da inteligência coletiva e o da cultura participativa.

A inteligência coletiva está relacionada à nova forma de consumo, que se