• Aucun résultat trouvé

3.2 Ovaldroid, un framework probabiliste pour la d´ etection de vuln´ erabilit´ es

3.2.2 Strat´ egie d’analyse et d’externalisation

Analisando as mudanças acontecidas na Diocese de Goiás fica claro que uma de suas características foi a espiritualidade que animava aqueles que a esta jornada se entregaram. Embora esta seja uma das acusações mais comuns ouvidas não só contra a pastoral exercida na Diocese de Goiás como também a toda a pastoral das CEBs. Evidencia-se nas CEBs uma mística muito forte, isto é, uma força interior que impulsionava e ainda

impulsiona e anima a caminhada de pessoas e comunidades, uma força misteriosa que sedimenta e firma compromissos mais profundos e permanentes e ajuda a superar dificuldades e desânimos momentâneos. Conforme Lesbaupin (1999, p. 97):

“Há uma mística na base da dinâmica das comunidades. A fé é a fonte profunda que motiva a busca por melhores condições de vida, por justiça, por fraternidade: ela é que dá impulso para as lutas, as mobilizações, as ações coletivas. Por isso, apesar das opressões cotidianas, das dificuldades que a organização social capitalista impõe à vida dos setores populares, é a esperança que predomina.. Apesar de tudo eles acreditam que chegarão lá”.

Esta mística existia de uma forma muito forte nos Grupos de Evangelho, nos agentes de pastoral, nos religiosos (as), padres e bispo. Quando se diz que existia de uma forma muito forte não significa que não exista mais, ela existe, porém não mais com a mesma força, ou também porque os tempos são outros, a realidade é outra, dificultando assim uma comparação. Mas a verdade é que este foi um dos segredos da enorme riqueza da experiência vivida por pessoas, grupos e comunidades, um de seus pontos fortes. É difícil identificar claramente os principais elementos desta mística, mas poderíamos dizer que a leitura do Evangelho, tentando vivê-lo nos desafios concretos da realidade era um deles. A ação cristã no meio do mundo certamente foi outra. Segundo Capponi (1999, p. 19) este foi um tempo em que se viveu uma nova espiritualidade que nasceu do Concílio Vaticano II:

“Brotou uma nova espiritualidade. O caminho da santidade e da vida cristã se tornou revolucionário: ser santo não significou mais ser conformista (obediente e calado dentro da Igreja; disposto a sofrer com paciência as injustiças do mundo à espera do céu; solidário com as autoridades e a lei sem questionamento). Ao contrário, passou a significar ser um cristão responsável dentro de uma comunidade (Igreja) que busca a fidelidade ao Evangelho e, portanto tem que se avaliar, discutir, se converter e assumir a tarefa de transformar o mundo, ser fermento na massa, sal da terra, animar o mundo no caminho da justiça. No centro da espiritualidade do Concílio estava o Mistério Pascal, da morte e ressurreição de Jesus, que os discípulos, pelo Batismo, são chamados a viver no dia a dia (Jo 17, 1-22)”.

Fica claro aqui que se estava diante de dois conceitos de Igreja e conseqüentemente diante de dois conceitos de espiritualidade. Havia o grupo ligado à Igreja tradicional, à religião da tradição e que não abria mão de suas convicções. Este grupo entendia que espiritualidade significava muito mais a participação em rituais, neste caso a espiritualidade praticamente se identificava com oração. Como a Igreja do Evangelho deu menos importância à oração mecanicista, tradicional, repetitiva e desligada da vida do dia-a-

dia, ela foi sendo acusada de não dar importância à espiritualidade ou à oração. E assim se dizia, “vejam como nós temos razão, eles são comunistas mesmo”. Outros como Adriana23 (anexo 13) representante do movimento carismático católico, referindo-se ao modelo de Igreja do tempo de Dom Tomás diz: “ele ficou apenas apegado aos movimentos sociais, não tendo trabalhado a espiritualidade na Diocese. Foi uma luta árdua que ele enfrentou, porém, faltou a seiva, a fé, a espiritualidade que anima e dá sentido ao viver”. Pe. Francisco Cavazzuti falando sobre espiritualidade libertadora para a juventude do Regional Centro-Oeste, durante a VI Assembléia dizia que (1990, p. 02):

“vocês me perguntam sobre espiritualidade libertadora e eu vou dizer o que eu entendo. Para vocês praticarem uma espiritualidade libertadora vocês precisam ter numa mão a Bíblia e na outra o jornal. Eu não posso mais ler então eu escuto o radinho e alguém lê a Bíblia para mim. Fazendo assim nós ficamos sabendo o que está acontecendo no mundo e a nossa espiritualidade, a nossa força interior é desafiada a transformar esta realidade com os valores do Evangelho, com os valores do Reino de Deus. Isto é, fazer valer os direitos de todos, fazer acontecer a justiça e a igualdade na sociedade que vivemos”.

O que aparece sempre em todos os depoimentos de leigos e dos agentes de pastoral, que foram os protagonistas desta caminhada, é que a Palavra de Deus sempre foi a luz, sempre foi a força, quando se fala da vida da comunidade aparece a Palavra de Deus, assim também na política e na espiritualidade. Segundo Baldissera (1987, p. 76): “a comunidade animada pela Palavra de Deus é, pois, comunidade de fé, por isso mesmo comunidade profética que questiona as raízes e os modelos da sociedade consumista, egoísta, opressora, e conduz ao comprometimento na luta pela transformação dessa sociedade”.

Analisando a questão da espiritualidade na caminhada da Igreja de Goiás fica claro que até a Assembléia de 1988 não há preocupação explícita com a espiritualidade, isto é estava implícito que a espiritualidade era algo ligado à vida e à luta de libertação do povo. Havia uma mística muito forte em torno desta luta que se acreditava ser uma luta da vontade de Deus que queria ver seu povo liberto de todos os males. A espiritualidade adotada era a que vinha das conclusões de Medellín (1977, p. 118) onde se recomenda que:

“se fomente uma genuína espiritualidade dos leigos a partir de sua própria experiência de compromisso no mundo, ajudando-os a se entregarem a Deus no serviço aos homens e ensinando-lhes a descobrir o sentido da oração e da liturgia

como expressão e alimento dessa dupla e recíproca entrega”.

23 Adriana Fonseca é dona de casa e produtora rural, participa no Movimento de Renovação Carismática Católica

No final dos anos 80 as CEBs entram em crise. Na Diocese aparece muito claro isso, há um constante questionamento e avaliação de sua metodologia, o entusiasmo primeiro vai desaparecendo e os conflitos se acentuam e por outro lado vão surgindo e se firmando outros modelos de Igreja. Esses modelos vão surgindo e se firmando cada vez mais em todo o Brasil e como não podia deixar de ser também na Diocese de Goiás. Na XIV Assembléia diocesana (1988, p. 1) se destaca uma preocupação pela espiritualidade. Já na introdução de suas conclusões consta que a Diocese de Goiás: “compromete-se a renovar sua espiritualidade, na oração ao Pai, na maior coerência do seu testemunho e no serviço desinteressado aos irmãos”. Mais adiante (p. 02) onde constam as CEBs como uma das prioridades da ação pastoral, vem expresso: “Promover sempre mais momentos de oração, especialmente nas formas populares”. Pessoa (1999 b, p. 174-175) referindo-se a esta Assembléia afirma que ela destoa totalmente das anteriores e que representa um visível retrocesso. Com relação à espiritualidade afirma, que: “Mais um pouco e a Assembléia teria recomendado a reza do terço, as procissões e as benzeções”. Chega mesmo a afirmar que analisando as conclusões desta Assembléia se chega à conclusão de que: “a Igreja do Evangelho são páginas viradas”.

Nas conclusões desta Assembléia há uma tendência a ampliar as alianças, se fala já de se trabalhar com pequenos proprietários, com a pastoral familiar, que antes era tida como uma preocupação ‘pequeno-burguesa’, há uma preocupação com as manifestações religiosas do povo, afirmando que (p. 01) “as comunidades devem procurar viver e alimentar a fé nas expressões religiosas do nosso povo”. Isto tudo indica ao nosso ver um amadurecimento, um entendimento maior do espaço onde se encontram os marginalizados, não restringindo mais ao lavrador apenas. A opção tomada pela Assembléia mostra bem claro que o sujeito da evangelização está no campo e periferias e que (p. 1): “de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo, nossa Igreja renova a opção pelo povo empobrecido e marginalizado. Isto adquire, hoje, um sentido novo no campo e na cidade”.

A preocupação que aparece em encontros e Assembléias diocesanas está muito ligada ao crescimento e ameaça que a Renovação Carismática Católica representa para o modelo de Igreja das CEBs. A XV Assembléia realizada em 1991 é um retrato desta preocupação. Primeiro em suas conclusões (p. 01) constata que: “aumenta a procura da Igreja como lugar de espiritualidade frente ao desânimo do povo oprimido”. Para enfrentar esta e outras constatações, a Assembléia decide que seja assumido (p. 01):“o compromisso de aprofundar a vocação missionária da nossa Igreja vivenciando uma espiritualidade eclesial

centrada em Jesus Cristo, na Palavra de Deus, no Batismo, e voltada para a valorização da vida e da cultura popular”.

No final das conclusões (p. 03) consta uma orientação sobre a Renovação Carismática Católica, onde se afirma que a mesma não é assumida pela Diocese em sua ação pastoral como uma de suas prioridades, mas que se recomenda o diálogo e para concluir ressalta que: “a Diocese procurará aprofundar uma espiritualidade que abra oportunidades para uma vivência de oração comunitária e pessoal na linha da pastoral libertadora que anima a Igreja latino-americana”.

3.2.2 – A AÇÃO POLÍTICA DAS CEBs

A educação se faz muito mais pela prática do que por palavras e é assim na família, na Igreja e na sociedade. Os membros das comunidades foram percebendo e sentindo na vida da comunidade, na vida da Igreja, como Diocese, que as relações de poder foram se transformando e assim verificam que é possível mudar as relações também no âmbito social. As CEBs vão construindo uma educação de base e esta educação de base que não é apenas alfabetização e aquisição de conhecimentos, põe em movimento potencialidades que vão transformando a realidade. Os olhos vão se abrindo para o mundo à sua volta e a comunidade através de seus cantos vai fortalecendo essa educação e a consciência da situação que vive e que pode ser mudada. O símbolo da sociedade capitalista é a pirâmide e com este título surge uma música que muito ajudou as pessoas da comunidade a tomarem consciência de sua posição social e de como isso é anticristão. Essa realidade é expressa pelo cântico “A Pirâmide” de Gilmar Torres (O Povo canta sua vida nº 417, p.199):

1. Na terra dos homens pensada em pirâmide,/há poucos em cima e muitos na base/ Na terra dos homens pensada em pirâmide/ os poucos em cima esmagam a base.

Ó povo dos pobres, povo dominado,/Que fazes aí, com ar tão parado?/O mundo dos homens tem de ser mudado!/Levante-te povo, não fiques parado!

2. Na terra dos homens pensada em pirâmide,/viver não se pode pelo menos na base /O povo dos pobres que vive na base/Vai fazer cair a velha pirâmide.

3. E a terra dos homens, já sem a pirâmide,/pode organizar-se em fraternidade/Ninguém é esmagado na nova cidade/ Todos dão as mãos em viva unidade.

Aqui se manifesta uma consciência de classe, o povo da base constata que é oprimido e que há uma esperança de construir uma sociedade diferente. Este canto,

poderíamos dizer, é um verdadeiro hino nacional das CEBs e foi muito utilizado na Diocese de Goiás. Segundo Baldissera (1987, p. 199-200) o cântico:

“fala genericamente, da sociedade, denominando-a de ‘terra dos homens’, que está organizada em forma de ‘pirâmide’ onde os ‘poucos de cima’ estão esmagando o ‘povo dos pobres’, o povo dominado. O texto prossegue manifestando a esperança de

que os que vivem na base vão fazer uma sociedade organizada em ‘fraternidade’ na

nova cidade onde ninguém será esmagado e todos dar-se-ão as mãos na unidade”.

O canto expressa a educação para a participação política como forma de poder. Em primeiro lugar faz uma análise da realidade, onde constata a opressão, a dominação, a desigualdade de oportunidades, poder e riqueza nas mãos de alguns poucos. Segundo Nóbrega (1988, p. 58): “A construção do poder se faz pela organização dos oprimidos, a análise da realidade sob o crivo do juízo crítico, o recurso ao diálogo, à não violência, à resistência e a reivindicação”.

Esta é uma análise marxista da realidade e está bem expressa aí, na luta de classes e até mesmo na convocação para esta luta que é uma busca de libertação da classe oprimida. Maduro (1983, p. 178) afirma que: “sob certas condições, uma religião pode funcionar como canal de organização autônoma das classes subalternas, sobretudo se existe apenas um sistema religioso comum às classes subalternas, diverso e oposto ao sistema religioso das classes dominantes”.

Os Grupos de Evangelho foram o instrumento escolhido pela Diocese para fazer acontecer o modelo de Igreja sonhado e elaborado através das Assembléias, embora isto venha expresso que não é o único e nem deverá ser. Mas no início da caminhada este instrumento foi o mais importante, através dele acontece a formação evangélica e política e surgem lideranças que posteriormente se transformaram em lideranças sindicais e políticas ou de outros movimentos sociais como o da luta pela terra. A partir da VI Assembléia aparece constantemente a valorização do grupo do Evangelho e a necessidade de organizá-lo e incentivá-lo. Na VI Assembléia (1973, p. 1) assim consta: “A Diocese, em toda a sua ação pastoral, decide dar menos tempo ao trabalho de tipo sacramental, para consagrar-se mais à evangelização e para organizar grupos que sejam fonte de comunidades de gente decidida, comprometida na transformação da realidade”. A VII Assembléia (1974, p. 11):

“assume as opções da V e VI Assembléias, na linha de uma eficiente evangelização, sobretudo dos marginalizados, considerando como tarefa principal a formação de

comunidades que, considerando o Evangelho na vida e revelando-o pelo testemunho, são verdadeiros agentes de evangelização”.

A mesma Assembléia (1974, p. 12) insiste que a ação destes grupos não pode ser uma ação qualquer, mas que sua ação tendo como fundamento o Evangelho deve ser uma ação transformadora na Igreja e na sociedade: “Em toda a Diocese seja promovida uma ação libertadora baseada no Evangelho, para alcançar a união dos oprimidos em vista de sua própria libertação. Para isto, aceite-se a colaboração de todas as pessoas de boa vontade que vivem no meio do povo”. A VIII Assembléia (1975, p. 2) em suas conclusões alerta que os grupos de Evangelho não podem ser o único instrumento para a conscientização e organização do povo oprimido, mas que continua ser o principal instrumento: “Vamos continuar a formar grupos de Evangelho, como acontece desde a V Assembléia, porque queremos construir verdadeiras comunidades cristãs”. E mais adiante acrescenta que essa ferramenta deve ser aperfeiçoada e reconquistadas outras:

“Teremos sempre a preocupação de aperfeiçoar as ferramentas de libertação que já temos e usamos, no nosso trabalho. Por outro lado, vamos procurar conquistar aquelas que saíram de nossas mãos. Procuraremos também trabalhar com as ferramentas que não são da Igreja mas pertencem ao povo, sempre que ajudem na caminhada da libertação. Uma boa ferramenta para nós será a ligação cada vez maior com todos que trabalham no rumo que seguimos”.

Conforme Capponi (1999, p. 49-51), os Grupos de Evangelho se multiplicaram a partir de 1972 com a opção pelos pobres, eles eram formados por pessoas simples tanto da roça como da cidade, mas se difundiram muito mais na zona rural. Este fato representou uma grande conotação política, foi um verdadeiro mudar de lugar social. A Igreja que antes girava em torno do centro, se preocupava com bênçãos e inaugurações, belos casamentos e celebrações bonitas, agora se desloca para junto dos pobres. Os padres passaram a rezar menos missas e se dedicar mais aos estudos bíblicos, e aí nesses grupos iam ajudando os pobres a estudar a própria realidade à luz do Evangelho Segundo Pierucci e Prandi (1996, p. 70): “o princípio teológico das CEBs é a forte relação entre fé e vida, na qual a Bíblia é tida como a história do povo de Deus que continua até os dias atuais”. A oração, a espiritualidade desligada da realidade vão cedendo lugar a outras idéias. Conforme Pierucci e Prandi: (1996, p. 29): “nas CEBs, a ênfase é política, está centrada na idéia de coletivo, de interesses comuns do grupo”. Os Grupos do Evangelho eram uma experiência concreta de comunhão, de

busca de mudança social, oração, penitência e o perdão dos pecados, aí se vivia, de certa forma aquilo que as primeiras comunidades cristãs viveram (At 2,42-47). No início estes grupos não são considerados comunidades, a partir da VI Assembléia (1973) começam a ser considerados “sementes de comunidade”.

A publicação diocesana ‘As Boas Notícias’ (1975, p. 31), ressalta muito a importância dessas pequenas comunidades como um fermento na massa. Ao mesmo tempo destaca pequenas ações concretas de transformação dessas comunidades nascentes:

“Os Grupos do Evangelho, unidos uns com os outros na Igreja Diocesana, têm o seu compromisso principal com a libertação dos oprimidos e são inimigos declarados de toda injustiça e exploração. Criticam as organizações injustas da sociedade que causam a miséria e os sofrimentos do povo.

Quem está no grupo do Evangelho tem a responsabilidade de evangelizar. Principalmente pela maneira de viver e a capacidade de ganhar a amizade dos humildes. Não entramos no trabalho da Igreja nem procuramos formar uma comunidade para nos servir a nós mesmos, mas para dar a nossa vida pelos irmãos. Esta vontade de servir é que manda. Já temos sinais disto, como o caso de um companheiro que já estava pronto para mudar pro Norte: o pessoal do grupo mostrou a falta que ia fazer no trabalho do Evangelho e ele desistiu. Para poder ficar, contou com o apoio dos companheiros do seu grupo e de outros ‘ patrimônios’.

Para conseguir a libertação, os grupos de Evangelho procurarão apoiar todo trabalho e toda oportunidade que ofereçam aos fracos uma possibilidade de crescimento”.

Os grupos de Evangelho por um período representavam a grande esperança, tudo girava em torno do grupo, parecia que ali se encontrava a solução para todos os problemas e esta era a única ferramenta disponível. Refletia-se muito a realidade sócio-política, mas faltava uma proposta mais concreta de ação no mundo, era preciso partir para outros movimentos, para outras ferramentas para que assim acontecesse a sonhada transformação social. Os grupos nessa época entram em crise. Talvez aí tenha faltado a elaboração de um modelo mais acabado de sociedade que se queria construir. A Igreja instruía, baseada nos valores do Evangelho e jogava os leigos no meio do mundo como cordeiros no meio de lobos. Segundo Freire (1985, p. 19):

“A luta da libertação implica necessariamente a recriação do modelo econômico. Sem isso não dá, vira o socialismo que a gente conhece. O problema da produção é central na mudança e na luta. O projeto deve nascer da força do povo. Isso feito, vale mais do que 400 cursos de alfabetização. Se forem feitos projetos nascidos da força popular, as pessoas engajadas chegam e dizem: ‘agora eu preciso ler! Eu preciso fazer nota da produção’. E o cara aprende a ler em um mês porque está enraizado na

A partir de 1972, em todas as Assembléias diocesanas as CEBs ou Grupos do Evangelho aparecem como uma, ou melhor ainda como a sua prioridade principal. O enfoque, em cada Assembléia, muda um pouco, se adapta à nova realidade, mas sempre se mantém a perspectiva do oprimido, da luta pela libertação, as transformações sociais e eclesiais. Na XV Assembléia (1991, p. 2) as CEBs aparecem como a primeira prioridade e assim o é expresso:

“As CEBs são o melhor lugar para viver e anunciar o Evangelho, assumindo os valores evangélicos na cultura e fé do povo. Nas CEBs as pessoas se encontram na alegria e na fraternidade para orar e meditar a Palavra de Deus e para celebrar o mistério pascal manifestado na vida e nas lutas do povo. Rompendo pela prática a antiga estrutura paroquial, possibilitando o surgimento de novos ministérios.

Documents relatifs