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La stratégie à long terme

2. Mise en œuvre du programme d’actions

2.5. La stratégie à long terme

Quando se fala em pesquisa científica, logo surgem questionamentos sobre a relação sujeito/objeto. No entanto, o sujeito geralmente não é o foco deste tipo de trabalho; este, na maioria das vezes, fica em segundo plano, não ocupando o lugar central nas pesquisas. Para Freire (2001, p.38) “a vocação do homem é a de ser sujeito” e é interessante refletir que apenas o homem, enquanto espécie,possui características que o tornam capaz de se distanciar de um objeto para admirá-lo, e afirma que (p. 29):

Objetivando ou admirando – admirar se toma aqui no sentido filosófico – os homens são capazes de agir conscientemente sobre a realidade objetivada. É precisamente isto, a práxis humana, a unidade indissolúvel entre minha ação e minha reflexão sobre o mundo.

Segundo Konder (1992, p.115) “A práxis é a atividade concreta pela qual os sujeitos humanos se afirmam no mundo, modificando a realidade objetiva e, para poderem alterá-la, transformando-se a si mesmos”. Para Ciavatta (2005, p.85), o que se busca é a garantia de que adolescentes, jovens e adultos trabalhadores tenham acesso à formação humana, com direitos assegurados para que tenham a capacidade de fazer a leitura do mundo e atuar como cidadãos, com plena capacidade política.

Paulo Freire (1983, p. 17) explica que,

somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de “distanciar-se” dele para ficar com ele; capaz de admirá-lo para, objetivando-o, transformá-lo e, transformando-o, saber-se transformado pela sua própria criação; um ser que é e está sendo no tempo que é o seu, um ser histórico, somente este é capaz, por tudo isto, de comprometer-se.

Diante disso, já não é aceitável a tentativa de tentar tornar a ciência neutra, esta não é uma atitude possível, pois todos os atos humanos possuem uma intencionalidade, mesmo que implícita. As pesquisas que envolvem investigação com seres humanos devem considerar os sujeitos nelas envolvidos, estes não podem ocupar o papel de coadjuvantes em situações que acabam interferindo de várias formas em suas vidas. Para Morin (2004, p.128) “o reconhecimento do sujeito requer uma reorganização conceptual, capaz de romper com o paradigma determinista clássico, bastante utilizado nas ciências humanas”.

Ainda segundo Morin (2004, p.117), quando a ciência disseminou o princípio determinista e redutor nas ciências humanas, o sujeito foi expulso, “[...] quando se procura considerar a sociedade e o sujeito de forma determinista, então o sujeito desaparece”. O

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sujeito foi expulso da Psicologia, da História, da Sociologia e as concepções de Althusser, Lacan, Levy-Strauss desejavam liquidar o sujeito humano.

Quais são, na realidade, as características que compõem esse ser? Quem é esse sujeito do qual estou falando? Para responder a esta questão, recorro ao pensamento de Charlot (2000), para quem o sujeito é um ser humano em um mundo histórico, que possui desejos capazes de influenciar sua vida. É, também, um ser social, que estabelece relações sociais e ocupa uma posição social. E para melhor compreender o lugar desse ser, Morin (2004, p.117), explica que:

De resto, o “Eu” [...] é o pronome que qualquer um pode dizer, mas ninguém pode dizê-lo em meu lugar. O “Eu” é o ato de ocupação de um espaço que se torna centro do mundo. [...] a identidade do sujeito comporta um princípio de distinção, de diferenciação e de reunificação. [...] Este princípio comporta a capacidade.

Enquanto que, para Charlot (2000, 2001, 2005) e Freire (1983, 1996, 2001, 2007), o sujeito é um ser social, envolvido em relações sociais. Na visão sistêmica proposta por Maturana (2009, p.69) “as relações humanas que não se baseiam na aceitação do outro como um legítimo outro na convivência não são relações sociais”. Para esse autor, as relações de trabalho, hierárquicas, fundadas na exigência, obediência e concessão de poder, se configuram como relações de negação mútua e, por isso, não são sociais.

Além disso, o sujeito é “um ser singular, exemplar único da espécie humana, que tem uma história, interpreta o mundo, dá um sentido a esse mundo, à posição que ocupa nele, às suas relações com os outros, à sua própria história, à sua singularidade”. Prossegue Morin (2004, p.127-128) afirmando:

[...] é preciso que, potencialmente, todo sujeito não é apenas ator, mas autor, capaz de cognição/escolha/decisão. A sociedade não está entregue somente, sequer principalmente, a determinismos materiais; ela é um mecanismo de confronto/cooperação entre indivíduos sujeitos, entre os “nós” e os “Eus”. Afinal “O que somos? O que é o humano?”, segundo Maturana (2009, p.14) o ser humano não é racional, não difere dos outros animais por esta característica. O autor explica que existe um entrelaçamento entre razão e emoção, que não pode ser percebido, quando nos consideramos seres racionais. Nesse sentido “o humano se constitui no entrelaçamento do emocional com o racional”.

Entretanto, o sujeito continua confrontado, em uma sociedade complexa e em processo constante de transformações. Um ser em busca de sua identidade, de seu lugar, ocupando posições sociais que facilmente desaparecem ou perdem o sentido. Confrontado com a

necessidade de aprender continuamente, em busca de um conhecimento, que comparo ao horizonte descrito no filme O sorriso de Monalisa como “[...] apenas uma linha imaginária, que recua quando você se aproxima”.

Imerso em uma sociedade sem valores sólidos, que não tem limites, e sem saber qual o real objetivo de sua formação, pois seu contexto ainda é uma sociedade sem identidade definida, que assume a depender do contexto diversos nomes: sociedade da aprendizagem, da informação, do conhecimento, moderna, pós-moderna, mas que, na verdade, continua sendo capitalista e excludente.

Segundo Freire (1996, p.20),

[...] mais do que um ser no mundo, o ser humano se tornou uma Presença no mundo, com o mundo e com os outros. Presença que, reconhecendo a outra como um “não-eu” se reconhece como “si própria”. Presença que se pensa a si mesma, que se sabe presença, que intervém, que transforma, que fala do que faz, mas também do que sonha, que constata, compara, avalia, valora, que decide, que rompe.

O sujeito é todo ser vivo, e este é, ao mesmo biológico, individual e social. Nesse sentido, “ser sujeito é se auto-afirmar atuando-se do seu mundo, o que é literalmente expresso na noção de egocentrismo”. O indivíduo humano, mesmo na sua autonomia, é 100% biológico e 100% cultural. Apresenta-se como o ponto de um holograma que contém o todo (da espécie, da sociedade) mesmo sendo irredutivelmente singular (MORIN, 2007, p.19), e conclui que

o ser humano é complexo e traz em si, de modo bipolarizado, caracteres antagonistas: sapiens e demens (sábio e louco), faber e ludens (trabalhador e lúdico), empiricus e imaginarius (empírico e imaginário), economicus e consumans (econômico e consumista), prosaicus e poeticus (prosaico e poético) (MORIN, 2007, p.58).

E, se o humano é uma unidade complexa e multidimensional, e agrega características biológicas, psicológicas, afetivas, sociais e racionais, necessita, portanto, de uma educação que dê conta de todas essas dimensões, que seja capaz de romper com o paradigma da disciplinaridade e da fragmentação e promover a “inteligência geral”, “apta a referir-se ao complexo, ao contexto, de modo multidimensional e dentro da concepção global” (MORIN, 2007, p.38).

Uma educação que dê suporte para que o sujeito se reconheça e se valorize, pois segundo Josso (2004, p.30),

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cada pessoa procura, na vida, uma arte de viver que seja a sua arte de viver, procura um lugar que seja o seu lugar, e isto, por meio destas dialéticas a que já fizemos menção: autonomização / conformação; responsabilização / dependência; interioridade / exterioridade.

Baseando-se nos três mestres do pensamento propostos por Rousseau, Gadotti (2004, p.18), nos conduz ao entendimento dos sujeitos e suas relações, “o eu (autoformação), os outros (heteroformação) e as coisas (ecoformação)”, e nos apresenta três categorias existenciais: autonomia, solidariedade e iluminação, que auxiliam nessa compreensão, embora não tenham sido propostas por Rousseau. Além disso, esclarece que “autonomia, compreensão da existência a partir de si mesmo; a solidariedade, uma nova natureza a partir dos outros; iluminação, o sentido da existência humana no conjunto das coisas, do universo”.

Explica que nascemos totalmente dependentes, e nossa primeira aventura é a busca por autonomia. Nesse sentido, autonomia é “ser para si”, embora continuemos sendo sujeito do outro e, para que essa aventura continue, precisamos do outro, afinal não podemos viver sozinhos. “Solidariedade significa “ser para o outro”, ou melhor, encontrar-se como outro, descobrir-se no outro”, a solidariedade é condição para que a humanidade sobreviva, sem ela a autonomia se torna puro egoísmo. A iluminação, diante disso, significa integração, dissolução no mundo, sentido, busca de sentido para a vida. Diante disso, “a nossa natureza pessoal (autonomia), os outros (solidariedade) e as coisas (iluminação), representam também etapas da vida, momentos constitutivos da descoberta do nosso ser no mundo” (GADOTTI, 2004).

Para Castoriadis (1982, p.128),

o sujeito em questão não é pois o momento abstrato da subjetividade filosófica, ele é o sujeito efetivo totalmente penetrado pelo mundo e pelos outros. O Eu da autonomia não é o Si absoluto, mônada que limpa e lustra sua superfície êxtero-interna a fim de eliminar as impurezas trazidas pelo contato com o outro; é a instância ativa e lúcida que reorganiza constantemente os conteúdos utilizando-se desses mesmos conteúdos, que produz com um material e em função de necessidades e de ideias elas próprias compostas do que ela já encontrou antes e do que ela própria produziu.

Para Castoriadis (1982, p.130) a questão da autonomia tem identificação “com o problema da relação do sujeito e do outro – ou dos outros; que o outro ou os outros não aparecem como obstáculos exteriores ou maldição [...] mas como constitutivos do sujeito”. O autor explica que a

autonomia não é eliminação pura e simples do discurso do outro, e sim elaboração desse discurso, onde o outro não é material indiferente porém

conta para o conteúdo do que ele diz, que uma ação intersubjetiva é possível e que não está fadada a permanecer inútil ou a violar por sua simples existência o que estabelece como seu princípio (p.129).

Esclarecidas algumas questões sobre quem é o sujeito do qual estou falando, surge a necessidade de definir que educação e que escola para esse sujeito.

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