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Who Stole Eight and Nine?

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Na nova família da Geração Internet – adolescentes e jovens que não conheceram o mundo sem computador, chats e telefone celular, nascidos entre 1989 e 2010 – os pais não apenas falam, mas também ouvem e são abertos em relação a novas ideias, que incluem o que eles ou os filhos descobriram na Internet (TAPSCOTT, 2010).

A maioria dos adolescentes possuem afinidade natural com a tecnologia e têm uma habilidade para tudo o que é digital, pois cresceram com ela, diferente de seus pais que precisam aprender as novas tecnologias digitais (ABREU, 2013). Especialmente porque se trata da faixa etária que apresenta crescimento na utilização da Internet e dos dispositivos móveis nos últimos anos, conforme indicadores apresentados anteriormente.

Entretanto, conforme Miquelin (2009), esta afinidade com a tecnologia pode não ser suficiente para promover o aprendizado, assim como alerta Postman (1994), elas criam uma falsa impressão de sabedoria, com relatos de que os adolescentes, por exemplo, sabem mexer no celular e/ou no computador, e que os mesmos aprenderam mexendo.

Em relação ao uso da Internet, infere-se que os pais não censuram o acesso, mas se preocupam e então negociam, explicam e tentam construir uma visão comum em relação aos benefícios e aos riscos que os adolescentes podem encontrar na Internet.

Nesse sentido, um estudo com 798 pais suecos (KEE; SAMSUDIN, 2014) revela que a preocupação dos pais sobre o uso da Internet pelo seu filho adolescente é média, sendo que os pais que se preocupam mais são aqueles que consideram que

as vantagens da Internet superam suas desvantagens, e que a Internet é importante para o modo de vida dos adolescentes e para o seu desenvolvimento.

Kee e Samsudin (2014) ainda destacam que os pais estão preocupados, porque eles estão conscientes de que o adolescente muitas vezes acaba em situações que, por um motivo ou outro, podem ser consideradas problemáticas, como por exemplo, o cyberbullying. Ou ainda, porque os pais podem não estar muito bem informados sobre as atividades de tempo livre dos adolescentes, o que contribui para sentimentos de preocupação.

Os adolescentes são a geração da colaboração e do relacionamento, seja em redes sociais, trocando mensagens de texto ou compartilhando arquivos para a escola, trabalho ou simplesmente por diversão. Nesse aspecto, eles anseiam que cada mensagem instantânea deve gerar uma resposta instantânea, 24 horas por dia, sete dias por semana; e querem o novo smartphone, não porque o antigo está em desuso, mas porque o novo traz mais funcionalidades (KEE; SAMSUDIN, 2014).

Retomando a questão do relacionamento, segundo Cambra e Herrero (2014) a socialização dos jovens já não pode ser concebida sem o uso de

smartphones, e, em geral, seria importuno sem a presença de smartphones. Assim,

no que diz respeito às vantagens oferecidas pelos smartphones, os autores consideram o favorecimento ao processo de socialização dos jovens, bem como em sua alta disponibilidade para uso em qualquer lugar ou tempo (ibid., 2014). Já em relação às desvantagens do uso do smartphone, os autores (ibid., 2014) citam a perda de privacidade ou privacidade familiar; ocorrendo ao mesmo tempo uma mudança nas formas de interação e relação social, que às vezes é percebido como prejudicial – como por exemplo: isolamento do ambiente, deterioração das relações familiares, formas prejudiciais de expressão oral e escrita e até mesmo transformação das atividades de lazer (ibid., 2014).

Caplan e High (2011) advertem acerca de outros problemas passíveis para algumas pessoas, principalmente àquelas com problemas psicossociais, estas tendem a preferir a interação social mediada pela Internet e exibem maior probabilidade na alteração do humor, além de apresentar maior dificuldade para controlar seu uso. Além de que, a comunicação mediada pelo computador limita as informações que as pessoas obtêm a partir de estímulos não verbais, pois não possui recursos adequados para uma interação relacional efetiva (ibid., 2011).

Na pesquisa de Kee e Samsudin (2014), observa-se que a maioria do tempo gasto pelos adolescentes se dá usando o Facebook ou aplicativos de mensagens instantâneas para conversar com seus amigos em grupos. O conteúdo da discussão é sobre as atividades diárias realizadas na escola (ibid., 2014). Além disso, a pesquisa (ibid., 2014) observou que algumas tendências mudaram do serviço pago, especialmente no que tange o uso dos serviços de mensagens curtas (em inglês, short

message service - SMS) utilizadas para conversar com os amigos, migrando para

aplicativos gratuitos, como as salas de bate-papo do Facebook e do WhatsApp. Já para realizar chamada de telefone usando o serviço da linha telefônica, é utilizado apenas para fins de emergência (ibid., 2014).

Há também outro estudo realizado por Lin et al. (2013), o qual utilizou a sala de aula como cenário, abrangendo 1.875 adolescentes do leste da Ásia. O estudo mostrou que o uso da Internet nos smartphones são altamente populares entre os adolescentes incluídos na amostra, e que a porcentagem de uso alcança quase 90% desses adolescentes.

Esse estudo ainda estabeleceu três dimensões em relação ao uso da Internet nos dispositivos móveis, que são: a) dimensão baseada em tarefas (incluindo tarefas da escola, assistir TV, compras, leitura de notícias, votação em enquetes); b) dimensão com base em recreação (incluindo bate-papo, jogos, ouvir música e telefonia); c) informações e dimensão baseada em comunicação (incluindo e-mail, busca de informações, blogs ou aplicativos BBS) (LIN et al., 2013). Deste modo, o estudo identificou que os adolescentes usam o dispositivo móvel para recreação e entretenimento, especialmente para jogar e ouvir música, seguida por algumas atividades como bate-papo e e-mail (ibid., 2013).

Portanto, acredita-se que a realidade dos adolescentes aqui no Brasil possa ser parecida com a dos estudos apresentados. Ou seja, que o uso indiscriminado ou excessivo dos smartphones e da Internet podem estar afetando a socialização dos adolescentes, bem como o relacionamento destes com sua família. Além disso, Lin et al. a partir das três dimensões, concluíram que os adolescentes utilizam seus smartphones maiormente para o lazer. Entende-se por lazer o ato de se praticar alguma atividade prazerosa durante um determinado tempo do dia. Nesse sentido, esta pesquisa também busca identificar qual é a realidade dos adolescentes nos colégios pesquisados.

Agora, devido os adolescentes estarem utilizando a Internet cada vez em um maior tempo, principalmente em mídias sociais, algumas problemáticas podem aparecer.

Nesse sentido, Tapscott (2010) cita que os adolescentes estão abrindo mão da privacidade, e é um problema sério e ainda não resolvido na Internet Deste modo, Barros (2013, p. 180) exibe o posicionamento da atual geração de pais e de professores em relação à criação da Internet e em relação à vida dos adolescentes e jovens da geração digital, são elas:

- Acomodação. As facilidades oferecidas pela internet e pela tecnologia tendem a tornar as pessoas mais acomodadas e sedentárias.

- Apostas online. Facilita o vício em jogos de azar, já que o jogo está disponível 24 horas por dia.

- Cyberbullying. A falsa sensação de anonimato estimula a prática de ofensas, agressões e humilhações por meio da rede.

- Divulgação de boatos, mentiras e apologias. Não existe controle sobre aquilo que é publicado, portanto, a incitação e a apologia a crimes são comuns.

- Exposição à pornografia. A “indústria da pornografia” é uma das mais lucrativas do novo milênio e é uma das responsáveis pela deturpação da natureza humana.

- Exposição da imagem e dos dados pessoais. A exposição do mundo privado e a valorização do “eu” fornecem, a quem se interessar muitas informações a respeito de uma pessoa.

- Invasões virtuais. Os chamados “vândalos” da era digital têm alto conhecimento de tecnologia e facilmente invadem as redes de bancos, empresas e órgãos públicos.

- Pedofilia. Os predadores se utilizam da internet para estabelecer contato com as crianças e cometer o crime de pornografia infantil. - Questões da saúde. A postura, a audição e a visão de uma pessoa

são afetadas diretamente pela intensidade e forma de acesso à internet.

- Spam. Mensagens não autorizadas são enviadas para as caixas postais particulares e exigem uma nova forma de administração do tempo.

- Vício. O tempo que uma pessoa fica conectada à internet tem aumentado cada vez mais. Muitas vezes as vidas pessoal e profissional são deixadas de lado por conta do vício no uso da internet.

- Violação do direito autoral. As indústrias de música e de filmes estão tendo de repensar suas formas de distribuição de conteúdo por conta da facilidade no acesso a arquivos protegidos por direitos autorais.

- Vírus. O download indiscriminado de conteúdos e a falta de conhecimento a respeito da proteção têm feito com que os vírus sejam disseminados de forma intensa.

Esse posicionamento dos pais e dos professores apontado por Barros (2013) foi avaliado nos adolescentes participantes desta pesquisa.

Ao mesmo tempo, Tapscott (2010, p. 374-375) indica alguns conselhos aos jovens da Geração Internet:

- fazer faculdade para ser bem-sucedido em uma economia do conhecimento; - ser paciente no trabalho principalmente quando vir tecnologia ultrapassada e

formas burocráticas de fazer as coisas;

- não comprar produtos ruins, fazendo com que as empresas ajam com integridade; - reintroduzir o jantar em família, conversando sobre valores e estabelecendo um contrato social a fim de proteger a segurança e privacidade online, garantindo uma vida equilibrada;

- não descartar a experiência ao entrar em instituições adultas, mesmo que tenha muito a ensinar, tem também a aprender, preparando para ser um empresário, ativista, professor ou qualquer outra escolha;

- almejar ter uma vida importante e com princípios, pensando no mundo que os filhos vão herdar, fazendo o que puder para torná-lo melhor;

- não desistir mesmo que os adultos critiquem a sua geração, pois tem um mundo melhor ao seu alcance, então esforce-se e faça acontecer.

E, por fim, algumas questões gerais que podem ser abordadas aos adolescentes, segundo Tapscott (2010), são:

- O que você preferiria fazer: passar um tempo com sua família ou com seus amigos?

- Quantas horas por semana você gasta jogando videogames? - Ouviram músicas no último mês?

- Você prefere viver sem tevê ou sem Internet?

- Possui ou pode usar um telefone para uso pessoal?

- Enviaram mensagens de texto ou e-mail usando celulares no mês anterior? - Adiciona ou modifica conteúdo online regularmente?

- O que você preferiria fazer: trabalhar para uma ou duas empresas ou para várias? - Como você classificaria o seu próprio conhecimento sobre o uso de tecnologia?

Você, de seu chefe, colegas de trabalho e você em comparação com seu chefe. Infere-se que se ampliou a visão do adolescente a partir dos estudos apresentados, seja do ponto de vista dos pais ou dos professores em relação ao uso cada vez mais indiscriminado da Internet Nesse sentido, estes elementos foram norteadores para duas questões da pesquisa, a fim de traçar os benefícios e os riscos

provenientes da utilização dos dispositivos móveis, além de identificar a visão dos professores e dos pais em relação ao uso da Internet pelos adolescentes.

Nesta conjuntura, parte-se para a possível influência dos dispositivos móveis na educação, sobretudo nas escolas nesta nova era digital, bem como os prováveis indicativos de dependência e dos riscos relativos ao seu uso.

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