A logística é um conceito conhecido e empregado pelos militares desde os tempos remotos. Como exemplificado na Segunda Guerra Mundial e, mais recentemente, na Guerra do Golfo, a capacidade de suprir adequadamente as tropas, que avançavam pelos campos inimigos, com suprimentos e equipamentos sempre foi um fator determinante para o sucesso das campanhas militares.
Nas empresas brasileiras sua utilização e o reconhecimento do seu potencial de criar vantagens competitivas sobre os concorrentes é bem mais recente. O desconhecimento, o baixo nível de entendimento de seus princípios, a maior atenção dispensada a outras áreas, consideradas mais importantes, e a falta de pessoal qualificado podem explicar este fato.
As definições são várias, mas todas têm um ponto comum que é a importância da sua aplicação de forma a integrar todos os componentes de um sistema logístico. O CLM (2001) a define como: “logística é a parte dos processos da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla o efetivo fluxo e estocagem de bens, serviços e informações correlatas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender as necessidades do cliente.”
Reforçando sua importância e missão, Ballou (1993, p. 24) diz que:
A logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final , assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.
A logística, na sua totalidade, engloba os processos de suprimento, que faz a ligação com os fornecedores, o de apoio à produção, relativo ao processo de transformação realizado, e o de distribuição de produtos acabados. Esses processos têm como objetivo disponibilizar os produtos acabados aos clientes no local, no momento, na quantidade e na qualidade adequados e, ainda, ao menor custo logístico total. Ao alcançar estes objetivos, uma empresa poderá se diferenciar de seus concorrentes.
A comunicação e a cooperação entre as áreas envolvidas são aspectos fundamentais para a eficiência do sistema logístico. “Isto leva a crer que futuramente a produção e a logística se aproximarão cada vez mais não só em conceito, mas também na prática” (HONG, 1999).
O emprego da logística de forma integrada pode proporcionar vantagens competitivas, através da melhoria do serviço aos clientes, agregando valor aos produtos e reduzindo os custos. Este é o objetivo almejado, pois, os clientes estão mais exigentes e a concorrência cada vez mais acirrada. “Pode-se afirmar que o gerenciamento logístico tem potencial para auxiliar a organização a alcançar tanto a vantagem em custo/produtividade como a vantagem em valor” (CHRISTOPHER, 1997, p. 9).
3.1.1 Os Fluxos Logísticos
Para o funcionamento do sistema logístico, existem três fluxos simultâneos e complementares. O primeiro é o fluxo de materiais que leva, pelas decisões de movimentar, produzir e estocar, os produtos dos fornecedores aos clientes e consumidores. O segundo é o fluxo de informações, iniciado nos consumidores finais, pois, estes são os que demandam os produtos, fornecendo as bases para a tomada de decisão de quando realizar as atividades do primeiro (BALLOU, 2001).
Para poder alcançar os objetivos, anteriormente mencionados, deve existir sincronismo entre estes dois fluxos. Essa sincronia vai permitir a troca de estoques físicos, que são geradores de custos, por informações. Ou seja, ao se trocar uma proteção física, uma grande disponibilidade de produtos, pela gestão e compartilhamento da informação é possível decidir, com maior garantia, o momento certo de executar cada um dos passos. Isso, além de propiciar uma maior
visibilidade, levará á uma utilização mais eficiente dos recursos para melhor atender a demanda.
O gerenciamento destes fluxos, objeto de atenção da logística, deve ser realizado de forma a coordenar e integrar todas as atividades envolvidas. Isto contribuirá para que a empresa consiga os benefícios de otimização de recursos, redução de estoques, diminuição de custos e, assim, melhorar sua competitividade e lucratividade (BOWERSOX e CLOSS, 2001).
O terceiro fluxo é o financeiro. Ou seja, aquele em que os pagamentos realizados pelos clientes finais são repassados ao fabricante e deste para os fornecedores. Como o consumidor, geralmente, só pagará após receber os produtos, significa dizer que uma boa gestão logística, ao encurtar os tempos de aquisição, produção e distribuição, irá beneficiar, também, a gestão financeira da empresa, pois ao diminuir o hiato entre as saídas e entradas de caixas irá propiciar um fluxo de caixa mais favorável (FERRAES NETO, 2000).
3.1.2 Evolução da Logística
É necessário conhecer os trabalhos de Novaes (2001) e Wood e Zuffo (1998) sobre a evolução do conceito de logística e de sua aplicação pelas empresas. O quadro 3 resume esses trabalhos.
Quadro 3 – Evolução do Conceito de Logística
WOOD E ZUFFO NOVAES
Fase Foco Fase Foco
Fragmentação Total Operacional Custos isolados
Atuação Segmentada Operacional
Otimizar subsistemas isolados Integração de
Aquisição com Aquisição
Operacional Trade-off’s
Integração Rígida Operacioanal/Tático
Racionalização dos estoques da empresa
Logística Integrada Tático Custo Total
Integração Flexível Tático
Adaptação às condições externas e busca pelo estoque zero Supply Chain Mangement (SCM) Estratégico Sistema Total Integração Estratégica (SCM) Estratégica
Integração plena ao longo da cadeia para aumentar competitividade SCM e Resposta Eficiente ao Consumidor (ECR) Estratégico Excelência Logística para aumentar competitividade
Percebem-se semelhanças na análise desses autores. A logística evoluiu de um estágio inicial, no qual suas atividades eram divididas pelas áreas funcionais da empresa e realizadas de forma desconexa, passou pela integração das atividades internas, e acabou migrando para a percepção de que todos os envolvidos, tanto fornecedores como clientes, devem estar integrados para a obtenção de um desempenho excelente. Ao longo desse caminho, transformou-se num assunto estratégico para as empresas pelo seu potencial de proporcionar vantagem competitiva sobre os seus concorrentes.
Alguns fatores, como a mudança no perfil do consumidor, a pressão por custos menores, o aumento da competitividade, a redução do ciclo de vida dos produtos e a globalização, foram impulsionadores desta evolução, pois, as empresas tiveram que responder, de forma rápida e adequada, as novas exigências do ambiente em que operam (HONG, 1999).
Conforme Wood e Zuffo (1998), as empresas ao utilizarem a logística foram modificando sua definição e ampliando o seu escopo e isto levou à evolução do seu conceito. Ao mesmo tempo, aumentava suas contribuições para performance da organização, deixava de ser vista de maneira puramente técnica e relegada ao nível operacional e ganhava um tratamento estratégico.
Uma outra visão interessante é a da expansão de suas fronteiras, segundo Christopher (1997), num primeiro momento cada uma das funções da empresa realizava suas atividades de forma independente e desconexa, depois há o reconhecimento da necessidade da integração destas e por último são rompidas as fronteiras da empresa e todos os elos da cadeia de abastecimento são integrados. Isto mostra uma evolução que aconteceu de dentro para fora e acabou por criar uma cadeia entre fornecedores e clientes.
A percepção de que o desempenho logístico só atingirá sua melhor performance através da completa integração, tanto interna quanto externa, traz o desafio de se mudar a relação entre os componentes do sistema. Devem ser estabelecidas parcerias e priorizar os interesses e os ganhos comuns.
O emprego da logística de forma estratégica e integrada pode proporcionar vantagens competitivas pela melhoria dos produtos e serviços e redução dos custos. Portanto é possível afirmar que “a logística é um assunto vital para a competitividade das empresas nos dias atuais, podendo ser um fator determinante do sucesso ou fracasso das empresas” (HONG,1999).