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Os contaminantes microbiológicos são caracterizados como um material particulado de origem biológica, também chamado de bioaerosol, compreendendo bactérias, fungos, ácaros, vírus e outros com tamanhos entre 0,01 a 100 µm. Possuem significativa importância no papel da poluição do ar de interiores devido à positiva associação entre a prevalência de sintomas adversos a saúde com esses contaminantes no ar interno (BARDANA, 2003; JUSSILA et al., 2002).

Os fungos representam um grupo ubíquo e diversificado de organismos cujo propósito principal é degradar a matéria orgânica sendo, por isso, de fundamental importância no ciclo de energia do planeta. Antigamente eram classificados como vegetais e somente a partir de 1969 ganharam um reino próprio, o reino Fungi. Suas principais características são: organismos eucarióticos – com núcleo isolado individualmente – e se distinguem dos outros eucariotos pela parede celular rígida composta de quitina e glicano, heterotróficos e podem se reproduzir de forma sexuada ou assexuada, podendo ser unicelulares ou multicelulares (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2014).

Quando presentes no ambiente interno em níveis aumentados em comparação ao ambiente externo, os fungos podem ser responsáveis por distúrbios irritativos e doenças infecciosas ou alérgicas através dos seus esporos, fragmentos ou Compostos Orgânicos Voláteis

Microbiológicos - COVM. As principais doenças causadas pelos fungos são: a asma alérgica, a rinite alérgica, a sinusite alérgica, micoses broncopulmores e pneumonites. Há também uma positiva relação entre os níveis medidos de fungos no ar e sintomas inespecíficos como: nariz entupido, garganta seca e pele seca, sugerindo uma relação com sintomas da Síndrome do Edifício Doente (HARRISON et al., 1992).

Nas últimas décadas, houve um melhor entendimento da participação dos fungos nos sintomas da SED, atribuindo aos mesmos um papel como bioindicadores da qualidade do ar interno (CABRAL, 2010). Entretanto, ainda existem controvérsias sobre o que seria um nível aceitável de fungos no interior de edificações, já que em função da quantidade de substrato disponível, das condições meteorológicas, geográficas, estações do ano, tipologias construtivas, materiais de construção e das atividades desenvolvidas, podemos observar uma ampla variação espacial e temporal dentro de um mesmo ambiente (BASILICO et al., 2007). Por isso percebe-se que têm crescido o número de estudos que investigam os níveis de bioaerosois em meios internos em diferentes regiões do planeta (SALONEN et al., 2007; DUNCAN et al., 2010; HAAS et al., 2014).

Os monitoramentos em ambientes internos mostram, em geral, que a concentração de fungos é influenciada pelo ambiente externo, embora os níveis internos sejam sempre maiores que os medidos externamente. O número de unidades formadoras de colônias revela-se maior quando as portas e janelas estão fechadas, mostrando à forte influência de prováveis fontes internas provindas em sua maior parte de atividades humanas e materiais de construção (KALOGERAKIS et al., 2005).

Fontes como plantas, animais de estimação, restos de comida, assim como atividades dos ocupantes do ambiente tais como, conversar, espirrar, tossir, caminhar, lavar e usar o vaso sanitário podem favorecer o aumento de contaminantes microbiológicos. A presença de humanos é considerada o maior parâmetro de elevação na contagem de bioaerosóis em edificações (SALONEN et al., 2007).

O uso de diferentes tipos de sistemas de ventilação influencia na dispersão aérea de fungos sendo, em geral, encontrados menores níveis de concentração em edifícios naturalmente ventilados do que em edifícios selados (HARRISON et al., 1992).

Não só a contagem de fungos deve ser levada em consideração, destacando-se a importância da identificação destes, uma vez que algumas espécies ao serem inaladas podem ser

patogênicas. Mais de oitenta gêneros de fungos foram associados com sintomas de alergias do trato respiratório. Cladosporium, Alternaria, Aspergillus e Fusarium são os gêneros alergênicos mais comuns (KALOGERAKIS et al., 2005) sendo que a Alternaria estaria particularmente associada a quadros de asma (CABRAL, 2010).

Fungos são capazes de crescer em meios naturais ou em materiais sintéticos, especialmente se estiverem úmidos. Material inorgânico, como poeira, pode ser um bom substrato para alguns tipos de fungos, especialmente o Aspergillus fumigatos e Aspergillus versicolor. A madeira é altamente vulnerável ao ataque de fungos do tipo Cladosporium e Penicillium, sendo reportadas infestações de materiais de construção à base desse material, principalmente se a mesma foi seca em estufas. Mobiliário e produtos de compensados industrializados são suscetíveis à infestação de Aspergillus, Trichoderma e Penicillium (KALOGERAKIS et al., 2005).

Outros materiais de construção, como placas de gesso, favorecem o crescimento de

Stachybotrys chartarum. Revestimentos tais como, papéis de parede, amplamente usados nas

superfícies internas são ótimos substratos para a maior parte dos fungos que colonizam interiores principalmente o Penicillium. Fibras de vidro para isolamento são ideais para o crescimento de Aspergillus versicolor, Alternaria, Cladosporium e algumas espécies de

Penicillium. Nas superfícies com pinturas deterioradas tem-se o predomínio do Aureobasidium pullutants e nas superfícies com tinta acrílica observa-se o favorecimento da Alternaria, Cladosporium e Aspergillus (KALOGERAKIS et al., 2005).

Desta forma, o Aspergillus e o Penicillium são gêneros de fungos geralmente considerados de ampla origem em meios internos, formando menos de 4% de seus esporos no ar exterior (FLANNIGAN, 1997; HAAS et al., 2014).

Em se tratando de ambientes com uma boa qualidade do ar interno, ou seja, que não se tem a predominância de fontes internas, o Cladosporium é sempre o fungo dominante seguido do

Penicillium, Aspergillus, Alternaria, leveduras e Mycelia sterilia, uma vez que, o primeiro é o

fungo predominante universal, representando cerca de 50% do total fúngico existente na atmosfera. Desta forma, pode-se haver uma variação na ordem entre esses cinco gêneros, mas sempre predominando o Cladosporium em relação aos outros (CABRAL, 2010).

Os fungos, portanto são importantes bioindicadores da QAI, os quais em edifícios doentes predominam os gêneros do Penicillium e Aspergillus indicando a existência de um número significativo de fontes internas (CABRAL, 2010; HAAS et al., 2014).

Umidade, nutrientes, oxigênio, luz e temperatura são os fatores mais importantes que influenciam no crescimento de fungos sendo entre 18°C e 32°C a faixa de temperatura ideal para o crescimento para a maior parte das colônias. Entretanto, a quantidade de água, temperatura e outros fatores requeridos podem variar de acordo com a espécie.

A faixa de temperatura para a existência de fungos pode variar de -6°C a 60°C e há aqueles que requerem quantidades significativas de água, tais como Acremonium, Chaetomium,

Trichoderma, Fusarium, Rhodotorula, Stachybotrys. Já as outras espécies, que são xerófilas e

preferem condições secas, são: a Eurotium e a Wallenia. Há ainda os fungos xerotolerantes, ou seja, suportam algumas situações atípicas produzindo esporos capazes de tolerar condições secas, tais como, Aspergillus sydowi, Aspergillus versicolor e Penicillium (BARDANA, 2003).

Em climas extremos como no Ártico, os níveis de fungos encontrados em exteriores foram muito pequenos principalmente devido às baixas temperaturas, baixa umidade e à falta de nutrientes (SALONEN et al., 2007). Entretanto alguns gêneros de fungos como o Penicillium e o Aspergillus são encontrados em ambientes internos em regiões frias, provindos originalmente de fontes internas e devido à facilidade de adaptação da espécie (BASILICO et

al., 2007; CONNELL et al., 2006).

É estimada cerca de um milhão e quinhentos mil espécies fúngicas, sendo que pelo menos 600 espécies são de conhecido contato com os humanos e menos de 50 são frequentemente identificadas e relacionadas nos estudos epidemiológicos em meios internos (KHAN; KARUPPAYIL, 2012).