Approche thématique
11. Statistiques en Algérie :
As florestas representam alguns dos mais diversos ecossistemas da Terra, e, adicionalmente aos benefícios que provocam ao clima, elas proporcionam meios de subsistência para uma grande proporção da população – especialmente nos países em desenvolvimento.
Na Avaliação sobre os Recursos Florestais em 2010 da FAO (2010), foram compiladas informações sobre o atual estado e as mudanças ao longo do tempo (1990, 2000, 2005 e 2010) de diversas variáveis relacionadas aos recursos florestais, como a biomassa florestal e o estoque de carbono contido na biomassa lenhosa, na madeira morta, serrapilheira e nos solos das florestas.
Dados dessa Avaliação (FAO, 2010) indicam que as maiores perdas florestais no mundo ocorrem em florestas tropicais, enquanto que a maior parte dos ganhos florestais, por meio de planos de gestão, acontecem em florestas de climas temperados e zonas boreais. De acordo com a Avaliação (idem), as florestas cobrem 31% da área total global, o que corresponde a pouco mais de 4 bilhões de hectares (figura 2.1). Neste percentual global de florestas, estão fixados cerca de 85% do carbono orgânico (HOUGHTON, 1994), e, como já citado, este estoque de carbono é representado em maiores proporções do que o carbono existente na atmosfera.
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Figura 2.1 Florestas no mundo. As áreas escuras representam áreas com mais de 10% de cobertura arbórea. Fonte: FAO, 2010.
As florestas são manejadas para uma infinidade de usos e valores. E estão sendo cada vez mais conservadas e gerenciadas para valores e múltiplos usos – muitas vezes em combinação (gráfico 2.2). Segundo a FAO (2010), cerca de 949
milhões de hectares, ou 24% de todas as florestas,
são designados para uso múltiplo, ou seja, gerenciados para qualquer combinação de produção de bens, proteção do solo e da água, conservação da biodiversidade e prestação de serviços sociais.
Gráfico 2.2 Funções designadas às florestas, 2010 Fonte: FAO, 2010. Adaptado pela autora.
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Para compreender as emissões de GEE relativas à mudança do uso da terra e florestas, é necessário o estudo da biomassa florestal, uma vez que este estudo fornecerá os dados da fixação do carbono em florestas. O estudo da biomassa florestal é também base para a quantificação da ciclagem de nutrientes e base de informação para estudos de sequestro de carbono. De acordo com Sanqueta (2002), a variável biomassa precisa ser estimada e determinada de forma fidedigna para que a quantificação do estoque de carbono nos ecossistemas florestais seja consistente.
A biomassa é a massa de matéria de origem biológica, viva ou morta, animal ou vegetal. A biomassa florestal compreende toda a biomassa existente na floresta, ou apenas na sua fração arbórea, e é uma importante medida para analisar a produtividade do ecossistema e também para avaliar o potencial de energia e o papel das florestas no ciclo do carbono. Biomassa florestal viva acima do solo corresponde à parte visível da árvore, ou seja, o conjunto caule, galhos, folhas, etc.; a biomassa acima do solo morta é composta pela serrapilheira e troncos caídos; já a biomassa abaixo do solo corresponde às raízes das árvores, e, com a biomassa acima do solo viva, forma o chamado “reservatório de biomassa viva” (CGEE, 2008).
Estimativas feitas pela avaliação sobre os recursos florestais em 2010 da FAO
(2010) revelam que em todo o mundo as florestas
armazenam 289 gigatoneladas (Gt) de carbono em sua biomassa, tanto na biomas,sa acima do solo quanto na biomassa abaixo dele.
A biomassa florestal deve ser quantificada para avaliar os teores de carbono dos componentes da vegetação, para isso, cada componente deve ter sua biomassa quantificada. Autores como Salati; Higuchi e Carvalho Júnior (1994) explicam que a quantificação da biomassa florestal pode ser feita a partir de métodos diretos e indiretos. Nos métodos diretos (ou determinação), as árvores são cortadas e seus componentes são pesados e separados, sendo feita em seguida a extrapolação da avaliação amostrada para a área total de interesse.
De acordo com Sanquetta (2002), os métodos diretos se enquadram em duas grandes categorias: o método da árvore individual e o método da parcela. Alguns autores, como Brown et al. (1989) desconfiam das estimativas geradas pelas parcelas, uma vez que essas podem ser poucas e tendenciosamente escolhidas, podendo ser, assim, estimativas subestimadas. Já nos métodos indiretos (ou estimativas), a biomassa aérea é correlacionada com alguma variável de fácil
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obtenção, e que não requeira a destruição do material vegetal. As estimativas podem ser feitas por meio de relações quantitativas ou matemáticas, como razões ou regressões de dados provenientes de inventários florestais (DAP, altura e volume); por meio de dados de sensoriamento remoto (imagens de satélite); e utilizando-se uma base de dados em um Sistema de Informação Geográfica – SIG.
Para estimar o estoque de carbono em uma área florestal, Higuchi et al. (2004) apontam que se pode multiplicar a biomassa florestal pela concentração de carbono, e esta concentração varia de 46% a 52% em florestas tropicais. Conforme citam Scheneider et al. (2004), o teor deste elemento tem sido considerado constante, não apresentando grandes variações entre as espécies já estudadas.
Enquanto a gestão sustentável, o plantio e a reabilitação das florestas podem conservar ou aumentar os estoques de carbono florestal, o desmatamento, a degradação e o manejo florestal ineficiente reduzem estes estoques. Na avaliação da FAO (2010) é revelado que os estoques de carbono na biomassa florestal reduziram no mundo todo, em uma estimativa de 0,5 Gt anualmente, durante o período de 2005-2010, principalmente devido a redução da área florestal global (gráfico 2.3). Com a perda da cobertura florestal, perde-se a maior fonte de carbono do solo, a serrapilheira e as raízes, o que, com o uso agropecuário tradicional, leva à emissão de aproximadamente 30% do carbono estocado em aproximadamente 10 anos, conforme cita Houghton (1994).
A avaliação da FAO (2010) estimou o total de estoque de carbono nas florestas para o ano de 2010 em 652 bilhões de toneladas, considerando o carbono contido na biomassa (44%), na madeira morta e serapilheira (11%) e nos solos (45%). Isso corresponde a 161,8 toneladas de carbono por hectare. A avaliação foi realizada a partir dos dados de 174 países, representando 93% da área florestal total, e para os países restantes, a FAO estimou o estoque de carbono na biomassa florestal a partir da multiplicação das médias sub-regionais dos estoques de carbono por hectare pela área florestal. Conforme citado, os estoques de carbono globais estão diminuindo, como resultado da perda de área florestal, mas os estoques de carbono por hectare mantiveram-se constantes no período de 1990- 2010.
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Gráfico 2.3 Tendências nos estoques de carbono na biomassa florestal, 1990-2010. Fonte: FAO, 2010.
O estudo (idem) revela que são esperados para o final de 2011 os resultados de uma pesquisa mundial de sensoriamento remoto das florestas, feita pela FAO, com o objetivo de fornecer informações aperfeiçoadas sobre as mudanças ao longo do tempo nas áreas das principais formações florestais, uma vez que os países utilizam diferentes frequências, sistemas de classificação, e métodos de avaliação no monitoramento de suas florestas – dificultando a obtenção de dados consistentes sobre as principais formações florestais que se estendem por fronteiras nacionais.
Neste contexto, vale destacar o recente estudo, de Saatchi et al. (2011) sobre um mapa de referência de estoques de carbono florestal da biomassa em mais de 2,5 bilhões de hectares de florestas em três continentes, abrangendo todas as florestas tropicais, a partir de 2000. Este estudo poderá contribuir na avaliação dos projeto REDD em escalas nacionais.
O mapa de referência ilustra os padrões regionais e fornece estimativas metodologicamente comparáveis de estoques de carbono para 75 países em desenvolvimento, onde as avaliações anteriores foram pobres ou incompletas. Este mapa, segundo os autores, pode auxiliar nos esforços dos países, fornecendo escalas relativamente boas e estimativas de carbono florestal espacialmente explícitas e consistentes, que podem ser usadas com imagens prontamente disponíveis de sensoriamento remoto, e assim, produzir estimativas mais robustas de emissões históricas.
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O referido mapa pode também ser usado para ajudar os países em desenvolvimento a avaliar as emissões de carbono que são suscetíveis de serem evitadas, auxiliar na implementação de diferentes políticas e programas destinados a reduzir o desmatamento e degradação florestal em escalas regional e de projeto. O mapa, preconizam os autores (idem), vai ajudar os governos dos países em desenvolvimento, os agropecuaristas, os decisores políticos e a sociedade civil a se tornarem mais informados sobre o provável resultado das suas políticas e programas na redução de emissões nacionais de gases de efeito estufa do setor de uso da terra. A figura 2.2 expõe o mapa de referência do estoque de carbono e a incerteza do mapa.
No estudo (idem), os autores mapearam o estoque total de carbono em biomassa viva (acima e abaixo do solo), utilizando uma combinação de dados na posição 4,079, em parcelas de inventários, pela detecção de luz por satélite (Light
Detection and Ranging – LIDAR), amostras de estruturas da floresta para estimar o
armazenamento de carbono, além de imagens ópticas e microondas (1km de resolução) para extrapolar sobre a paisagem.
O estoque total de carbono de biomassa das florestas na região do estudo é estimada em 247 Gt C,com 193 Gt C armazenados acima do solo e 54 Gt C armazenado nas raízes abaixo do solo. As florestas na América Latina são as mais extensas, e contém aproximadamente 49% do total de carbono na biomassa, seguido de 25% na África Subsaariana e 26% no Sudeste Asiático. Entre os países analisados, o Brasil, a República Democrática do Congo e a Indonésia têm a maior área de floresta, bem como os estoques mais elevados de carbono (62, 24, e 24 Gt C, respectivamente, em cobertura arbórea de 10%). Nota- se que a aplicação de um limite maior de cobertura de árvores (30%) elimina grandes áreas de savana na África a partir do domínio de floresta, e reduz o estoque de carbono.
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Figura 2.1. Mapa de referência do estoque de carbono e incerteza: (A) estoque de carbono florestal definido Figura 2.2 Mapa de referência do estoque de carbono e incerteza: (A) estoque de carbono florestal definido como 50% da AGB (densidade da biomassa acima do solo) + BGB (biomassa abaixo do solo), é mapeado em 1-km resolução de pixels e cores na base de um intervalo de 12-25 Mg C ha -1 para mostrar os padrões espaciais; (B) A incerteza do mapa de referência é estimada usando propagação de erros através de uma abordagem de modelagem espacial. A incerteza é dada em termos aproximados de percentual, e isso inclui todos os erros associados com a previsão de modelagem espacial, estimativa de altura Lorey (altura de área basal ponderada de todas as árvores > 10 cm de diâmetro) a partir do Geoscience Laser Altimeter System (GLAS), estimativa de AGB de altura Lorey, erros de variações do nível do pixel, e os erros associados à estimativa BGB
Fonte: Saatchi et al., 2011.
Conforme citado anteriormente, as estimativas espaciais do carbono florestal permanecem incertas em regiões tropicais, e, de acordo com o estudo (idem), a maior proporção desta incerteza é dada nas estimativas de biomassa acima do solo, que responde por 70-90% do carbono florestal na biomassa; e na sua variabilidade espacial, que depende de fatores como clima, perturbação humana e natural, recuperação florestal, tipo de solo e variações topográficas. Saatchi et al. (2011) salientam que a redução da incerteza em estimativas de
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emissões requer estimativas temporalmente limitadas do teor de carbono florestal em uma escala espacial boa o bastante para capturar a variabilidade sobre a paisagem e que seja quantificada na escala de perturbação que afeta a floresta.
De acordo com os autores (idem), tal informação iria melhorar as estimativas do estoque de carbono dos projetos a nível nacional bem como auxiliar no desenvolvimento de informação de base necessária para atividades de redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD) destinadas a reduzir as emissões de GEE do setor de uso da terra.
No estudo, é destacada a importância do sensoriamento remoto para estimar a distribuição da biomassa, devido à grande extensão geográfica das florestas, ao seu difícil acesso, e a utilidade limitada de inventários de campo (devida a variabilidade natural espacial da biomassa florestal).
No estudo, novas abordagens de sensoriamento remoto utilizando a tecnologia LIDAR e RADAR (Detecção e Telemetria pelo Rádio) foram bem sucedidas em fornecer estimativas de alta resolução da densidade de carbono florestal para pequenas áreas. No entanto, os sensores espaciais precisavam usar essas abordagens para a esforços de mapeamento em larga escala e os esforços de monitoramento não estarão disponíveis antes do final desta década. Até então, segundo os autores, o mapeamento rentável dos estoques de carbono para a avaliação de projetos e em escala nacional, irá depender de uma combinação de imagens de satélite e amostras de inventários terrestres da densidade de carbono florestal.
Os autores (idem) enfatizam que todos os países participantes em um futuro mecanismo de políticas para reduzir as emissões por desmatamento e degradação florestal precisarão desenvolver estimativas em escalas nacionais a regionais das emissões históricas (entre 2000-2010), que serão o ponto de partida para a geração de níveis de referência de emissões. Informações detalhadas sobre a abordagem metodológica para açõesde mapeamento de carbono e informações sobre erros e incertezas, estão contidas na seção Materiais e Métodos SI, do estudo.
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2.3 AS EMISSÕES BRASILEIRAS DO SETOR USO DA TERRA, MUDANÇA DO