Em 1910, a Bromberg & Cia estendeu os seus negócios à Argentina, com a sede da empresa ficando estabelecida na capital portenha. A cidade apresentou, neste período, um notável crescimento, ocasionado pela economia em ascensão. Pensada nos moldes das grandes metrópoles europeias, Buenos Aires tornou-se, desde cedo, referência em modernidade. O período de crescimento econômico foi marcado, especialmente, pelas atividades comerciais da Argentina com os países da Europa, através das exportações e dos investimentos, os quais inseriram o país à economia mundial.
Os empreendedores logo perceberam que a cidade estava se tornando um importante polo econômico na América do Sul, devido não só a seu porto, mas também a sua crescente população. E isso foi visto, obviamente, pela equipe diretiva da Bromberg, a qual já havia visitado o país, naquele período: “Buenos Aires aumentara rapidamente, chegando a contar em 1912 muito mais de um milhão de habitantes, de modo que alli a firma veio a encontrar um rico campo de trabalho” (BROMBERG & Co., 1913, p. 81). Uma ampla sede da Bromberg foi erguida na capital argentina, conforme imagem a seguir (fig. 27), imagem a seguir, viabilizando a expansão comercial não só do maquinário alemão para aquela região, mas também de obras de engenharia e outras instalações, como depósitos, armazéns e trapiches, bem ao estilo da empresa, o que se confirma em matéria publicada no jornal (O Brazil, 1913, p. 1):
A casa de Buenos Aires está alojada num majestoso palacete, e consta de secção de ferragens, de machinas e de engenharia. Esta secção abrange as construcções de obras de arte, como sejam estradas de ferro, usinas, canaes, pontes, fabricas, etc.; a secção de instalações de eletricidade para iluminação publicas, tracção, acionamento de fabricas, moinhos, engenhos, serrarias, etc. Conta também grandes depósitos, armazéns, trapiches, etc.
Figura 27: Sede da firma Bromberg em Buenos Aires
Fonte: BROMBERG & Co., Hamburgo, 1913, p. 83.
Dois anos mais tarde, a casa de Buenos Aires abriu outra filial na Argentina. O local escolhido para a nova sede foi a cidade de Rosário de Santa Fé. Leon Kotin foi o gerente da requintada loja que se localizou em um dos melhores bairros de Rosário, chegando a possuir quinze empregados. A infraestrutura era completa, pois possuía depósitos, armazéns, trapiches, sala de exposições e de vendas, além de contar com um setor de engenharia: “Em Rosario de Santa Fé também a casa toma a si o encargo de construcções e installações de engenharia e eletro-technica, além da grande secção das machinas e a de ferragens” (O BRAZIL, 1913, p. 1).
Figura 28: Salão de exposição e venda de máquinas na filial de Rosário de Santa Fé
Fonte: BROMBERG & Co., Hamburgo, 1913, p. 87.
A direção da casa de Buenos Aires ficou a cargo dos alemães Hohl e Wetzler. Mais tarde, a filial recebeu como sócio o engenheiro Fritz Cremer. Todos com larga experiência na atividade. Fez-se necessária a presença de uma equipe com know-how devido ao tamanho do empreendimento. A equipe de colaboradores era composta de sessenta e três empregados, entre eles, dois procuradores, quarenta e três empregados no comércio e dezoito técnicos.
Os Srs. Bromberg dirigiram-se então também a Argentina e alli estabeleceram uma filial em Buenos Aires, que levou a firma Bromberg & Cia., entrando nella mais tarde como sócio o engenheiro Sr. Fritz Cremer. Sob a direção previdente e circumspecta do Sr. Carlos Hohl, engenheiro, e do Sr. Otto Wetzler, comerciante, este estabelecimento muito depressa ampliou de tal maneira as suas transações que tornou-se necessário abrir uma segunda filial argentina em Rosario de Santa Fé (BROMBERG & Co., 1913, p. 14).
Desta forma, a Bromberg & Cia. agilizou a instalação de filiais, locais onde também eram vendidos os locomóveis, fundamentais à lavoura daquele país e marca registrada da empresa. Os negócios rapidamente prosperaram, viabilizando, desta forma, um aumento significativo do capital da empresa. Novos investimentos foram feitos, como, por exemplo, aquisição de imóveis, os quais estavam localizados em locais valorizados da cidade: “Em Buenos Aires a firma está instalada em quatro prédios. As suas lojas estão situadas n‟uma das melhores ruas commerciaes d‟essa moderna cidade industrial e mercantil, na Calle Defensa
esquina Calle Moreno” (BROMBERG & Co., 1913, p. 81). A escolha dos locais para instalação das lojas sempre privilegiava pontos centrais das grandes cidades, o que facilitava o sucesso do empreendimento e a maior obtenção de lucro. A Bromberg empreendeu vultosas obras na Argentina, transformando-se assim em uma referência também em engenharia e construção:
São inummeras as obras de grande custo que a Firma tem levado a cabo naquele paiz. Citaremos, de passagem, a installação de irrigação de Las Conchas, um trabalho notável na engenharia moderna; installação de uma grande padaria a vapor, na capital; installação de duas enormes baterias de caldeirões gigantescos a vapor nas cosinhas de dois hospitais também na capital, e diversas outras que seria longo enumerar (O BRAZIL, 1913, p. 1).
O governo argentino encarregou a filial da Bromberg de construir instalações de irrigação aproveitando as águas dos rios Las Conchas e Espinillo, situados na Província de Entre Rios, ao norte da capital portenha. A firma investiu nas obras de canalização daqueles leitos de rios, cujo objetivo era o de suprir as necessidades hídricas de uma grande área destinada à lavoura. A seguir, algumas especificações técnicas das obras: “As estações de bombas destas duas instalações têm duas bombas de 15000 litros por minuto cada uma, sendo a altura de elevação de 30 metros” (BROMBERG & Co., 1913, p. 133).
Figura 29: Obras de irrigação da Bromberg & Cia. em Buenos Aires
Havia, nas espaçosas lojas argentinas, áreas distintas para os escritórios, exposições de máquinas e depósitos de equipamentos. “Os estabelecimentos argentinos dispõem de uma área total de 697 m2 para os seus escriptorios, de 1066 m2 para as exposições de machinas e de 3135 m2 para depósitos” (BROMBERG & Co., 1913, p. 82).
É importante ressaltar que a prosperidade observada nos empreendimentos comerciais dessa família filia-se não só à capacidade gestora, mas também ao fato de esses alemães possuírem recursos financeiros. E esse capital, via de regra, era investido para a ampliação e diversificação dos negócios no Brasil e no exterior.
A extensão dos negócios chegou até o continente Asiático. Porém, por lá, o sucesso não foi o esperado pelos administradores, pois, segundo Walther Bromberg (2018), a instalação de uma filial no Oriente teria sido um dos motivos da falência da firma:
Houve uma filial na Ásia. Pelo que eu consegui através de conversas de um e outro. Foi na realidade o motivo da falência da firma Bromberg aqui em Porto Alegre, porque como eles tinham esse contrato de fidelidade entre a filial de Porto Alegre e a de Hamburgo dava o direito a firma de Hamburgo a pegar o lucro gerado aqui em Porto Alegre para aplicar em outros negócios de interesse deles. Em função disso foi aberta uma filial no Oriente – não sei onde – mas que sempre foi deficitária.
O que se apurou, segundo o depoente, é que a filial foi aberta no período em que o diretor da empresa era Bartolomeu M. Bromberg, o filho mais velho de Martin, responsável pelos negócios em Hamburgo. “Deve ter sido alguma visão do BMB que era o dono da empresa lá que viu chance de entrar no mercado na Ásia e que era dominado praticamente por ingleses. Mas nunca conseguiu firmar pé” (BROMBERG, 2018).
Ainda assim, a competência e o espírito empreendedor dos Bromberg e de seus gestores à frente da empresa manteve o sucesso do negócio por mais tempo, ampliando também as demais relações comerciais e fortalecendo as que já mantinham com outras localidades.
Após 50 annos de existência estão hoje representados em todo o Brazil e contrahiram innumeras relações commerciaes com a Argentina, o Peru e Manilha. A casa matriz em Hamburgo está continuamente em correspondência com os amigos e fregueses de além-mar, quer da America do Sul, que da Asia Oriental, enviando-lhes produtos industriaes de toda espécie (BROMBERG & Co., 1913, p. 14).
O lema era diversificar para manter-se no mercado. Assim é que surgem, neste período, investimentos na área da indústria naval no Brasil. As lojas de artigos navais ficaram
sediadas em duas cidades do interior do Estado: Rio Grande e Pelotas. Outra cidade também se tornaria referência em comercializar produtos alemães: Cachoeira do Sul.
No próximo capítulo, se abordará o sucesso das filiais localizadas nas cidades de Rio Grande, Cachoeira do Sul e Pelotas.