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Standardise, Singularise : Lukewarm Graphic Design

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Autonomização do aluno

Observações:

O livro Studio D A1 oferece ao aluno elementos que propõem a sua autoavaliação. Ao final de cada unidade é disposto um quadro esquemático no qual estão dispostos os principais conteúdos trabalhados na unidade. Este quadro abarca todos os tópicos constantes no índice, possibilitando ao aluno uma revisão e verificação da gramática, pronúncia, expressões comunicativas, etc. Além disso, o livro inclui como um de seus anexos o Modelltest Start Deutsch, no qual o aluno realiza uma prova sobre os conteúdos estudados em todo o livro didático, viabilizando uma análise dos conteúdos que aprendeu. 04 Recursos textuais, auditivos e visuais. Autonomização do aluno +/- Observações:

Os recursos visuais, textuais e auditivos empregados pelo Studio D A1, são, em geral, não autênticos, pois se utilizam de situações simuladas e criadas para tentar trabalhar um determinado conteúdo e contexto com o aluno. Em relação ao recurso textual, pode-se, porém, ser considerado o fato de que os textos expositivos do livro didático tentam de diversas formas expor ao aluno aspectos inerentes aos países de língua alemã. O mesmo fato pode ser observado nos recursos visuais. No caso dos recursos auditivos, ainda deve ser explicitado que o CD de áudio não contempla as atividades do livro texto, apenas a do livro de exercício, gerando uma possível dependência do aluno com o professor e dificultando o seu aprendizado.

05 Motivação por outros materiais ou fontes de estudo Autonomização do aluno + Observações:

Através das dicas de aprendizagens os alunos são constantemente sugeridos a acessarem sites alemães correlacionados de algum modo com os assuntos trabalhados. Os sites oferecem tanto opções de leitura e de conhecimento sobre a cultura alvo, como sugerem fontes de estudo.

06 Expansão do conhecimento linguístico para o contexto social

Autonomização do aluno

-

Observações:

A sensação que o livro didático passa é a de que seu principal objetivo é o aprendizado do conhecimento linguístico puro sem muita inter-relação com os demais âmbitos educacionais e de influência. As atividades são, em sua maioria, voltadas para sujeitos desconhecidos e lugares externos ao conhecimento do aluno. Pouco se fala e se pontua sobre os acontecimentos sociais que envolvem o aprendizado de uma língua estrangeira, bem como pouco se fomenta o ensino-aprendizagem intercultural, o que dificulta que o aluno consiga expandir o seu conhecimento para o contexto social.

07 Metodologia volta para ação

Autonomização do aluno

+/-

Observações:

Apesar de ser norteado pelo Quadro Europeu Comum de Referência, o livro didático pouco se utiliza da metodologia voltada para a ação, na qual o aluno deixa de ser visto como mero sujeito da sala de aula para ser compreendido como ser social. O livro solicita muito pouco a participação do aluno em relação às suas experiências e conhecimentos pessoais e de mundo. As atividades são, em sua maioria, feitas focando em um sujeito externo ao aluno.

pelo aluno de forma independente

do aluno Observações:

O livro didático proporciona muitos elementos de auxílio ao uso independente do material didático pelo aluno como, por exemplo, o uso de legendas, as dicas de aprendizagem, os lembretes e seus anexos. No entanto, deve ser enfatizado que, tanto o recurso auditivo quanto o audiovisual, são impeditivos para uma maior independência, pois o livro não os insere ou o faz de maneira incompleta como ocorre com o CD de áudio.

09 Papel do professor Autonomização

do aluno

-

Observações:

O livro didático aparenta ser formulado ainda em uma concepção que visualiza o professor como norteador e detentor do ensino, pois em geral as atividades e exposição do conteúdo são sempre realizadas pelo professor. Estas parecem ser elaboradas de modo que não haja uma troca de informação entre o professor e alunos de forma recíproca. Contudo, isso não significa que no uso prático deste livro didático o professor não possa modificar esse posicionamento e atuar de modo a fomentar a autonomização do aluno.

10 Capacidade de reflexão, tomada de decisão e análise por parte dos alunos

Autonomização do aluno

+/-

Observações:

O livro didático possibilita e estimula que o aluno reflita sobre seu processo de ensino-aprendizagem e avalie o seu aprendizado. No entanto, em apenas algumas atividades das unidades de revisão verificamos exercícios que coloquem nas mãos dos alunos a responsabilidade pela tomada de decisões sobre como o estudo irá ser desenvolvido.

Com base nas análises realizadas, verificou-se que os principais problemas encontrados para a autonomização do aluno são: 1) a falta expansão do conhecimento linguístico para o contexto social, 2) a ausência do desenvolvimento da capacidade de reflexão, de tomada de decisão e de análise por parte dos alunos, 3) o papel do professor concebido pelo livro didático, 4) a ausência de uma metodologia voltada para a ação e 5) a inocorrência de motivação por outros materiais ou fontes de estudo.

Em nenhum dos livros analisados foi considerada a expansão do conhecimento linguístico para o contexto social. Todos os livros foram omissos em relação à questão. Este preceito, no entanto, é de importante influência para a autonomização do aluno, pois recai em características inerentes ao aluno como ser social. O aluno como ser social deve ser capaz de agir em diferentes âmbitos e para tal precisa ter a consciência de que ele é o responsável pelas atitudes e decisões que toma tanto no campo linguístico quanto no social. O aluno deve ser instruído a perceber que é parte fundamental do processo de aprendizagem e que deve, então, desenvolver a sua capacidade de autonomia para que, desse modo, possa selecionar quais competências e estratégias melhor lhe servem para a aquisição da língua e para seu uso nos diversos contextos que encontrará. Além disso, a sua capacidade intercultural para se engajar em um processo de aprendizagem mais consciente e tolerante para com as diversidades e diferenças culturais encontradas no seu contexto social. Sem elementos que fomentem a consciência do aluno como ser social, a reflexão crítica deste ficará defasada, impossibilitando, dentre outras perdas, a dificuldade de se alcançar a sua autonomia.

Essa postura pode ser compreendida, na perspectiva do Quadro Europeu Comum, a partir do momento em que os livros didáticos analisados não assumiram ou adotaram parcialmente uma metodologia voltada para a ação. Uma metodologia voltada para a ação toma como base a concepção do aluno como ser social, que precisa ser capaz de atuar em diferentes contextos e locais. O ponto de partida para a adoção de uma metodologia voltada para a ação é a compreensão de que as experiências dos alunos e os seus conhecimentos precisam ser utilizados no processo de ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira. No entanto, nos livros didáticos analisados pouco se fez em relação a adoção de tal metodologia: dois dos livros didáticos, o Berliner Platz 1 e o Passwort Deutsch 1, não fazem menção a esta, e nos livros Studio D A1 e Schritte Plus 1 e 2, essa postura é abordada de forma tímida, pois não é encontrada em todos os elementos e atividades destes livros.

Neste sentido, percebe-se que os livros não se preocuparam em desenvolver a capacidade de reflexão, tomada de decisão e análise por parte dos alunos. Em geral, os livros

não estimulam os alunos a se questionarem sobre o que estão aprendendo, por que estão aprendendo e como utilizarão o que estão estudando. As atividades já são pré-prontas e rígidas, não permitem ao aluno modificá-las ou tentar inserir novos contextos que sejam mais adequados. São poucos os casos nos quais os alunos precisam pensar criticamente sobre o que lhes estava sendo pedido. Via de regra, apenas necessitam completar a atividade ou reconstruir um diálogo já trabalhado maciçamente em sala de aula.

Outro fator que influencia para a não visualização de uma expansão do conhecimento linguístico para o contexto social é a ausência de textos autênticos nos livros didáticos. Os recursos textuais, os visuais e os auditivos apresentados nos livros didáticos são recursos criados com fim educacional, o que dificulta a contextualização dos conteúdos por parte dos alunos, tendo em vista que apresentam situações fictícias, não se pautando em um mundo real. O papel do professor concebido pelos livros didáticos também foi outro preceito que não foi favorável à autonomização em nenhum dos livros averiguados. A autonomização do aluno tem como uma de suas principais características o fato de o aluno se tornar cada vez mais responsável pelo seu aprendizado, tendo participação pro e reativa perante as aulas e as atividades. Contudo, os livros didáticos analisados postam o professor como o detentor do conteúdo, ele será o norteador do ensino, tendo em vista que as atividades propostas são sempre no sentido professor – aluno, e pouquíssimas são as que requerem as experiências e os conhecimentos dos alunos como base para o desenvolvimento destas. Concebe-se nesta pesquisa o papel do professor como aquele que é formulado pelo livro didático, não sendo averiguado a real atuação de um professor com este livro. Desse modo, visualiza-se que, a depender da postura a ser adotada pelo professor em sala de aula, esse aspecto negativo do livro didático pode ser afastado, deixando então de afetar negativamente a autonomização do aluno.

Finalizando as considerações a respeito dos problemas encontrados, tem-se a não motivação do aluno pela busca de outros materiais e fontes de estudos. Como meio de estimular a autonomização dos alunos, o livro didático precisa demonstrar ao aluno que não pode ser usado como fonte exclusiva de conteúdo, do aprendizado. O aluno deve despertar para a questão de que existem diversos outros materiais e fontes que podem ser utilizados para implementar o seu processo de aprendizagem. Contudo, os livros analisados quase nada fazem em relação a esta necessidade: dois dos livros verificados, o Passwort Deutsch 1 e o Berliner Platz 1, não apresentam aos alunos nenhuma outra fonte de estudo, enquanto, os livros Schritte Plus 1 e 2 e o livro Studio D A1, o fazem, de forma discreta, muitas vezes direcionando os alunos para materiais das próprias editoras.

Contudo, independentementedos pontos negativos constatados, verificou-se nesta pesquisa que os livros didáticos voltados para o ensino de língua alemã como língua estrangeira, estão traçando um caminho definitivamente favorável para a autonomização do aluno, pois foi constatada uma preocupação dos livros didáticos nos seguintes quesitos: 1) organização dos livros didáticos, 2) apresentação dos conteúdos e objetivos, 3) com meios que possibilitem que o aluno se autoavalie e 4) a produção de livros didáticos que viabilizem um uso independente por parte dos alunos.

Todos os livros didáticos, mesmo que com algumas ressalvas, demonstraram a preocupação com a organização do seu material. A organização dos livros demonstrou o uso dos preceitos utilizados na produção de um material didático, principalmente no que concerne à fase do desenvolvimento e à fase da avaliação, pois todos os livros apresentaram os seus conteúdos e objetivos aos alunos e, via de regra, inseriram ao longo de suas unidades meios que possibilitam que eles se autoavaliem. Em relação aos conteúdos e aos objetivos trabalhados, vale ressaltar que estes livros didáticos pautam-se em temas próximos ao aluno, como família, comida, roupa, trabalho, entre outros, isto é, assuntos que facilitam a compreensão do conteúdo por parte do aluno e auxiliam em seu aprendizado.

O modo como algumas atividades foram inseridas e propostas nos livros didáticos, ainda que de forma reduzida, também pode ser utilizado para exemplificar a preocupação iminente das editoras em desenvolverem o senso critico de seus alunos. Estas atividades, como as estipuladas no Portfolio do Schritte Plus 1 e nas unidades de revisão do Studio D A1, necessitam que o aluno assuma um posicionamento de reflexão sobre o seu aprendizado, atuando de maneira pro e reativa em relação as atividades e ao assunto estudado.

Além disso, os livros didáticos utilizam elementos que viabilizam um uso mais independente do material por parte do aluno. A presença deste aspecto nos livros didáticos é de grande importância para a autonomização do aluno, pois o livro didático é o responsável por indicar e basear o estudo deste fora da sala de aula. Ele é um meio de dar continuidade às discussões e aos estudos realizados em sala; contribuindo para a reflexão crítica do aluno perante o que lhe foi e está sendo apresentado. Sendo assim, o aluno precisa ter em suas mãos um material que o permita revisar os conteúdos estudados e realizar as atividades propostas sem dificuldades.

Conclui-se nesta pesquisa que os livros didáticos estudados possuem algumas características que podem vir a fomentar a autonomização do aluno. Esta postura adotada pelas editoras é de suma relevância, pois demonstra indícios de preocupação com as mudanças que o ensino de línguas estrangeiras tem sofrido e a inserção de novos conceitos no

modo como o livro didático precisa ser produzido. Pontua-se, entretanto, que a autonomização ainda não é verificada de forma concreta nestes materiais. Estes livros ainda não assimilam de modo pleno a necessidade do desenvolvimento de alunos responsáveis e críticos.

As adequações e adaptações do livro didático às atuais necessidades do ensino de línguas estrangeiras ocorrem pelo fato de este ser o responsável pelo elo entre a sala de aula e o estudo em casa. O livro didático precisa, para que a autonomizção do aluno seja alcançada, ser elaborado e utilizado pautando-se nas necessidades dos alunos, tendo como norte um ensino que deriva do aluno e não o contrário. Este material didático deve ainda ser preocupado em apresentar ao aluno conteúdos que estão ligados com o mundo real para que assim o aluno possa utilizar de forma útil e concreta o assunto discutido em sala de aula. O livro deve ser um instrumento que consiga fomentar no aluno a busca por novos assuntos, novos vocabulários, novas construções, entre outros, pois como evidenciou o Padre Antonio Vieira (1608-1697), "o livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive".

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