• Aucun résultat trouvé

Standard Parameter Sets and Algorithm Identifiers

A partir das informações coletadas na pesquisa de campo, iniciamos a análise dos dados. O programa SPSS foi utilizado para tratamento dos dados estatísticos resultantes das questões fechadas decorrentes dos questionários mistos. Tendo convertido os dados em contagens de frequência, efetuamos cruzamentos de dados em questões específicas, visando estabelecer relações entre as informações provenientes deste instrumento.

De acordo com Richardson (1985), “os questionários cumprem pelo menos duas funções: descrever as características e medir determinadas variáveis de um grupo social.” (RICHARDSON, 1985, p. 142); neste sentido, o questionário misto nos permitiu mensurar objetivamente algumas das questões aventadas nesta pesquisa, como a percepção subjetiva dos conhecimentos adquiridos a partir de sua participação no curso de formação continuada,

os aspectos relacionados à consecução dos objetivos pretendidos pela atividade formativa e os possíveis desdobramentos em sua prática docente.

Além destas, este instrumento igualmente nos possibilitou traçar um sumário perfil dos 71 professores entrevistados; assim, verificamos que desse universo, 48 são do sexo feminino, compreendendo 68% do tamanho da amostra, e 23 são do sexo masculino, o que corresponde em valores percentuais a 32%.

Quanto ao nível de sua atuação na unidade escolar, todos os professores entrevistados declararam atuar no Ensino Médio. No que concerne à modalidade da educação, as múltiplas respostas obtidas informam que um mesmo professor atua em mais de uma modalidade; assim, obtivemos o total de 104 repostas, nas quais se verificam os seguintes dados percentuais: 63,5% atuam no ensino regular, 26% na Educação de Jovens e Adultos (EJA), 2,9% na educação profissional, 2,9% no ensino técnico e 1,9% na educação especial. Os 2,9% dos professores que assinalaram a alternativa “outros”, afirmaram também atuar no Ensino Fundamental II ou disseram tratar-se de sua participação em projetos de educação não-formal ou de projetos extracurriculares desenvolvidos na unidade escolar

Do universo total da amostra, 77,5% afirmaram estar lotados na mesma unidade escolar há mais de cinco anos; importante destacar que todos os professores entrevistados possuem formação em nível superior, segundo dados fornecidos pela Superintendência de Recursos Humanos da Secretaria da Educação (SUDEPE / SEC).

Segundo dados obtidos por meio do questionário misto, foi possível perceber que do universo total dos sujeitos respondentes, todos atuam nas Unidades Escolares de lotação em suas respectivas áreas de formação, ou seja, não há desvio de função; destes, 4% ocupam cargos de gestão (diretor e vice-diretor), e 10% estão lotados em projetos especiais da Secretaria de Educação. No gráfico 1 discriminamos o percentual de professores graduados por curso:

Gráfico 1: Graduação dos professores certificados na Capacitação de Educadores da Rede Básica em Educação em Direitos Humanos – REDH BRASIL/MEC, por curso, no período de agosto-outubro de 2011.

1% 1% 1% 1% 11% 31% 6% 4% 13% 13% 6% 7% 4% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% EDUCAÇÃO FISICA DESENHO E PLASTICA FISICA TEATRO CIÊNCIAS BIOLOGICAS LETRAS VERNÁCULAS CIÊNCIAS NATURAIS PEDAGOGIA HISTÓRIA GEOGRAFIA MATEMATICA CIENCIAS SOCIAS QUIMICA

Fonte: Secretaria de Educação do Estado da Bahia.

Um dado que nos chamou atenção na análise dos questionários, foi o percentual significativo de alternativas assinaladas pelos professores como “não sabe / não lembra”. A alta incidência destas respostas revela uma ausência de memória que nos parece ser decorrente da inexecução de ações de direitos humanos nas unidades escolares; não obstante esta primeira impressão deva ser cotejada com outros indicadores que nos permitam afirmar com segurança se é este o caso, já podemos antecipar que o efeito multiplicador pretendido pelo curso Capacitação de Educadores da Rede Básica em Educação em Direitos Humanos – REDH BRASIL/MEC, não foi majoritariamente empreendido pelos professores nele certificados nas unidades escolares em que estão lotados.

A metodologia adotada nesta investigação para consecução dos objetivos propostos buscou articular “[...] a coleta de dados através de entrevistas individuais com a técnica para o seu tratamento conhecida como ‘análise de conteúdo.’” (SÁ, 1998, p. 86), que no entendimento de Sá (1998), se constitui como a combinação metodológica mais frequentemente utilizada na realização de pesquisas em representações sociais.

Deste modo, os dados obtidos por meio das entrevistas semiestruturadas foram examinados sob o enfoque metodológico da Análise de Conteúdo, que segundo a definição de Bardin, se caracteriza como

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. (BARDIN, 1977, p. 42).

Neste sentido, procedemos à análise dos dados com o propósito de elucidar a diversidade de concepções que emergiram do campo empírico, cotejando-as com o referencial teórico que embasa esta parte da pesquisa, tais como: Bardin (1977), Spink (2004), Moscovici (2009), Sá (2004), Candau (2008b), Sacavino (2003) e Laville e Dionne (1999).

Para tanto, o modelo analítico elaborado para este fim, percorreu os estágios preconizados pela análise de conteúdo, cujas premissas, tal como as concebeu Bardin (1977) são compostas pela 1) pré-análise, pela 2) exploração do material e pelo 3) tratamento dos resultados e suas interpretações (BARDIN, 1977, p. 95). Destacamos que nas entrevistas, o método de contagem das frequências de respostas foi manual.

A fase de pré-análise compreendeu a organização das entrevistas gravadas e transcritas. Importa salientar que a transcrição das entrevistas preservou o conteúdo dos depoimentos, tal como enunciado pelos sujeitos participantes (ipsis verbis).

Por questões éticas, e para manutenção do sigilo da identidade dos sujeitos desta pesquisa, foi atribuído um código para cada uma das entrevistas, sem distinção do gênero dos participantes, que designamos pelo acrônimo P1 e P259.

A análise temática do conteúdo expresso no material coletado em campo teve por escopo identificar os “núcleos de sentidos” (BARDIN, 1977, p. 105) que nortearam a definição dos recortes de conteúdos. Segundo Bardin, “O tema é geralmente utilizado como

59

unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc. As respostas a questões abertas, as entrevistas [...] podem ser, e são frequentemente, analisados tendo o tema por base.” (BARDIN, 1977, p. 106).

Tendo em vista os objetivos traçados para o desenvolvimento desta pesquisa, definimos o recorte do conteúdo por temas, procedendo à classificação e agrupamento dos dados orientando-nos por esta unidade de registro (BARDIN, 1977). Ainda de acordo com Bardin, além da unidade de registro, a análise de conteúdo pressupõe que sua decomposição alcance o contexto no qual se insere o conteúdo analisado; este procedimento analítico será por esta autora definido como unidade de contexto (BARDIN, 1977). Ambas as unidades (registro e contexto) foram devidamente incorporadas à análise dos conteúdos que emergiram da pesquisa de campo, com vistas a uma melhor compreensão acerca dos depoimentos coletados.

Na fase de exploração do material, procedemos à sua decomposição para posterior definição das categorias analíticas, sob as quais foram agrupados os conteúdos por similaridade de sentido (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 219), pois, “[...] A categorização tem como primeiro objetivo [...] fornecer, por condensação, uma representação simplificada dos dados brutos.” (BARDIN, 1977, p. 119).

Laville e Dionne (1999) classificam em três tipos as categorias: a) modelo aberto, no qual as categorias são criadas no decurso da pesquisa; b) modelo fechado, no qual as categorias são concebidas a priori, a partir de um referencial teórico e c) modelo misto, no qual a criação das categorias precede a análise empírica, mas podem ser alteradas no decorrer de sua realização (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 219).

Nesta investigação adotamos o modelo misto, pois, não obstante algumas categorias tenham sido previamente estabelecidas, não descartamos a possibilidade de introduzirmos alterações no decorrer da análise. Sobre este modelo, afirmam Laville e Dionne que,

A construção de uma grade mista começa, pois, com a definição de categorias a priori fundadas nos conhecimentos teóricos do pesquisador e no seu quadro operatório. Mas essa grade não tem mais o caráter imutável [...], pois, em suas análises e interpretações, o pesquisador não quer se limitar à verificação da presença

de elementos predeterminados; espera poder levar em consideração todos os elementos que se mostram significativos, mesmo que isso o obrigue a ampliar o campo das categorias, a modificar uma ou outra, a eliminá-las, aperfeiçoar ou precisar as rubricas [...]. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 222, grifo do autor).

Na fase de tratamento dos resultados, realizamos o cruzamento entre as informações coletadas em campo (tanto nos questionários mistos, como nas entrevistas semiestruturadas), a análise dos dados e a literatura especializada, a partir da técnica de triangulação, que segundo definição de Minayo (1999), “[...] é um termo usado nas abordagens qualitativas para indicar o uso concomitante de várias técnicas de abordagens e de várias modalidades de análise, de vários informantes e pontos de vista de observação, visando à verificação e validação da pesquisa.” (MINAYO, 1999, p. 102).

Consoante a esta definição, afirma Spink (2004) que a técnica de triangulação, ao articular em seu bojo o uso de distintos métodos e técnicas de pesquisa, termina por evidenciar um conjunto de aspectos acerca do problema em questão, que enriquece a análise dos dados, favorecendo o seu aprofundamento.

Assim, para cumprimento dos propósitos desta investigação, adotamos a técnica de triangulação de dados para identificação e compreensão das representações sociais dos professores, a partir do referencial teórico-metodológico preconizado por esta teoria. Nesta perspectiva, destacamos que desde a sua perspectiva metodológica, a teoria das representações sociais permite abordar o fenômeno em pauta como produto ou processo.

Segundo Spink, a primeira abordagem objetiva apreender os elementos que constituem as representações relativas ao “pensamento constituído ou campo estruturado” (SPINK, 2004, p. 90), decompondo as características do conteúdo veiculado nas representações (imagens, crenças, opiniões e informações), remetendo-as ao contexto de sua produção, para compreender os fatores que influíram na elaboração das representações sociais daí provenientes (pensamento constituído ou campo estruturado).

Por outro lado, enquanto processo, as representações sociais manifestam-se enquanto “pensamento constituinte ou núcleos estruturantes” (SPINK, 2004, p. 91); esta abordagem refere-se à ascendência da determinação social na constituição e transformação das

representações, ou ao seu modo de funcionamento e nível de eficácia no âmbito da interação social, constituindo-se enquanto fatores que presidem a orientação da análise.

Entretanto, embora metodologicamente útil, “[...] a distinção entre produto e processo corre o risco de introduzir no debate mais uma falsa dicotomia: produto e processos constitutivos, conhecimento e suas funções sociais estão inevitavelmente imbricados.” (SPINK, 2004, p. 92).

Ainda segundo Spink, as investigações realizadas no âmbito de estudos das representações, tendem a articular abordagens para acessar as representações sociais; nesta perspectiva, em nossa investigação analisamos tanto “[...] o conhecimento que as constitui e as atividades através das quais elas são produzidas, circuladas e aplicadas; acessando, assim, o conhecimento subjetivo [...] e as interações sociais, ou seja, a produção e os efeitos das Representações Sociais.” (SPINK, 2004, p. 106).

Nesta perspectiva, importa salientar que o curso de formação continuada Capacitação de Educadores da Rede Básica em Educação em Direitos Humanos – REDH BRASIL/MEC, ofertado pelo MEC no ano de 2008, foi deflagrado como uma ação estratégica, inscrita no Eixo Educação Básica do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), para introdução da cultura de direitos humanos nas escolas60.

Seguindo a metodologia descrita, nossa expectativa é que, ao término desta investigação, possamos contribuir para a formulação de ações no âmbito da formação continuada de professores em direitos humanos que favoreçam sua incorporação na prática docente, como condição para a consolidação de uma educação voltada para os ideais e valores da cidadania e para atendimento dos pressupostos contidos no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH).

60 Conforme a descrição do projeto da Capacitação de Educadores da Rede Básica em Educação em Direitos Humanos

Documents relatifs