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2.   Dissemination Plan

2.1.1.   Stakeholder analysis

Como já percebemos até aqui, a TRS é muito ampla e possui vários conceitos próprios que precisam ser clareados para que possamos compreendê-la. Nesse sentido, estão os processos de ancoragem e objetivação, responsáveis pela familiarização do desconhecido e pela criação de imagens concretas e nomeação daquilo que vivemos, mas não conseguimos nomear. Ancorar e objetivar são mecanismos imbricados um no outro e que acontecem de forma natural. Por isso, precisamos conhecer não apenas os seus significados, mas também o que eles representam para a teoria das representações sociais.

Para explicar ancoragem e objetivação, Moscovici (2015) nos ensina que esses dois processos são relacionados dialeticamente e têm uma função de transformar aquilo que é desconhecido em algo familiar e, portanto, capaz de nos despertar para a reflexão e a compreensão. Não conseguimos mobilizar, ou compreender, aquilo a que não damos nome, ou para o qual não construímos imagens. Dessa forma, é necessário tomar posse dos sentidos para,

8 a) Proposta por Denise Jodelet (2001), continuadora da tradição de Moscovici, denominada abordagem dos conteúdos, ou processual; b) Proposta por Willem Doise (1990), centra-se na forma como as representações sócias são criadas e articuladas na sociedade, denominada abordagem cognitiva; c) Proposta por Jean Claude Abric (1998) dá ênfase à dimensão cognitivo-estrutural, e por isso é denominada abordagem estrutural. Além das três propostas há ainda a abordagem dialógica, societal, cultural, dimensional, discursiva e desenvolvimentista.

em seguida, entendê-los. Nessa direção, antes de clarear os processos já citados, Moscovici (2015, p. 60-61) explica que:

[...] Não é fácil transformar palavras não familiares, ideias ou seres, em palavras usuais, próximas e atuais. É necessário, para dar-lhes uma feição familiar, pôr em funcionamento os dois mecanismos de um processo de pensamento baseado na memória e em conclusões passadas [...] as coisas que o olho da mente percebe parecem estar distantes de nossos olhos físicos e um ente imaginário começa a assumir a realidade de algo visto algo tangível. Esses mecanismos transformam o não familiar em familiar, primeiramente transferindo-o a nossa própria esfera particular, onde nós somos capazes de compará-lo e interpretá-lo; e depois reproduzindo-o entre as coisas que nós podemos ver e tocar, e, consequentemente controlar. Sendo que as representações são criadas por esses dois mecanismos, é essencial que nos compreendamos como funcionam.

O primeiro processo ancoragem – consiste em uma atividade de nomeação, ou seja, classificar, categorizar e comparar. Moscovici (2015) e Sá (1995, p. 38) explicam que aqui há o “enraizamento [...] social da representação e de seu objeto”. Em outras palavras, podemos dizer que ancorar, como o próprio nome sugere, significa dar concretude e construir sentidos para aquilo que, até então, é desconhecido. Moscovici (2015) atribui à ancoragem a capacidade de dar nomes as coisas que nos são estranhas, ou ameaçadoras.

Portanto, ancorar é classificar/denominar as coisas, possibilitando um nome, conceituação e cognoscibilidade. Não compreendemos aquilo que não nomeamos, pois as coisas inominadas pressupõem a não existência. Tudo que existe tem nome e só compreendemos sua existência a partir disso, ou seja, dos nossos conhecimentos preexistentes.

Assim, na ancoragem, damos nomes ou fazemos associações com o que já conhecemos e nomeamos. O fenômeno novo, portanto ainda desconhecido, passa a iniciar a sua construção de sentido quando o aproximamos do que nosso nível de apreensão já conhece. Para Moscovici (2015, p. 63), quando categorizamos alguém ou alguma coisa, escolhemos “um dos paradigmas estocados em nossa memória” e estabelecemos uma relação que pode ser tanto positiva, quanto negativa, fato denominado de atitude.

É nessa relação que compreendemos aquilo que, até então, estava no domínio do desconhecido e inominável. A partir daí, segundo Moscovici (2015), somos capazes de descrever, distinguir e convencionar os fenômenos. Uma vez que nomeamos e, portanto, já temos um parâmetro para o fenômeno novo, a objetivação se faz necessária, pois é nela que construímos as imagens, conseguindo atribuir os significados às representações sociais. Logo,

objetivar, para Serge Moscovici (2015, p. 71), “é descobrir a qualidade icônica de uma ideia, ou ser impreciso; é reproduzir um conceito em uma imagem”.

Esse processo de dar forma aos conceitos elaborados na fase da ancoragem só é possível, porque já os nomeamos e, portanto, já fizemos relação deles com outras palavras, coisas ou objetos. Alves-Mazzotti (2008, p. 28) nos ensina que objetivar é:

[...] uma operação imaginante e estruturante que dá corpo aos esquemas conceituais, reabsorvendo o excesso de significações, procedimento necessário ao fluxo das comunicações. Distingue três fases nesse processo: a construção seletiva, a esquematização estruturante e a naturalização.

Os três processos mencionados por Alves-Mazzotti (2008) fazem referência ao aprimoramento que Denise Jodelet realizou em seu texto Representações Sociais: fenômeno, conceito e teoria, de 1990. Nele, a autora esclarece as três fases, sendo que a primeira, construção seletiva, é responsável pela seleção de dados de um certo objeto, ou seja, a apropriação e o descarte de informações sobre ele. Já na esquematização, há a representação visual do conceito estabelecido na fase de ancoragem, e, por isso, uma reprodução de forma visível é elaborada. Por fim, a naturalização, ou seja, a compreensão e a familiaridade com o objeto representado.

Dessa maneira, quando objetivamos, trazemos os pensamentos ao domínio do concreto visível possibilitando que ele passe do estranho para o familiar, do inominável desconhecido para o palpável compreendido. Há o que Moscovici (2015) denomina de superação do não familiar, e, por isso, torna-nos capazes de compreender os objetos, coisas e fenômenos, bem como naturalizá-los em nosso cotidiano. Ao sintetizar suas explicações sobre ancoragem e objetivação, Moscovici (2015, p. 78) conclui que ambos:

São, pois, maneiras de lidar com a memória. A primeira mantém a memória em movimento e a memória é dirigida para dentro, está sempre colocando e tirando objetos, pessoas e acontecimentos, que ela classifica de acordo com um tipo e os rotula com um nome. A segunda, sendo mais ou menos direcionada para fora (para outros), tira daí conceitos e imagens para juntá-los e reproduzi-los no mundo exterior, para fazer as coisas conhecidas a partir do que já é conhecido. Seria oportuno citar Mead aqui outra vez: “A inteligência peculiar da espécie humana reside nesse complexo controle, conseguido pelo passado” (MEAD, 1934)

Assim, podemos dizer que além de gerar as representações sociais, a ancoragem e a objetivação, são capazes de nos fazer apropriar delas, conhecendo e naturalizando suas

significações. Para Moscovici (2015) esses processos fazem com que os sujeitos não apenas conheçam, mas também se familiarizem com o desconhecido.

2.4 A teoria do núcleo central como possibilidade de compreensão das representações

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