,.
fenomenos informacionais
O conceito de informação
é
de natureza contextual, demodo que diferentes delimitações do contexto implicam mudan ças no prÓprio conceito. Pode aplicar-se a fenômenos organi-
A A . , , ;
cos e inorganicos , a fenomenos biologicos e físicos , ou limi-
n
49
Existe, porém, um conjunto de processos e fenômenos
, . ,
enquadraveis como ob j eto de u.ma disciplina ou area interdis-
,
.
ciplinar, que s e constituem no espaço tematico que abrange
a produção social de conhecimentos, da geração
à
utilização,numa área delimitada por ,duas dimensões desse processo : a
cognitiva e a · comunicacional. Nes se dominio, a assim deno minada ' Ciência da Informação • , recorta s eu ob j eto s e j a na totalidade do dominio ( informação lÓgico-s emântica), s e ja
em relação
à
comunicação do cument�ria organizada, s e ja emrelação a·os pro ces sos de comunicaqão cientifi co-tecnolÓgica.
O conceito de informação, neste contexto, e sob qual quer restrição do dominio, deverá estabelecer alguma articu lação entre conhecimento e mensagem. Trata-se, em qualquer caso, de informação s em�tica( B ).
O qu� carateriza a informação lÓgico-s emântica
é
suanatureza intersubjetiva, e sua independência relativa do
( , . , ,., {
veiculo s emiotico ou canal. E uma informaçao traduzivel,
( . ,
transferivel, comunicavel. Pode passar d e um canal a outro
(da forma oral a es crita, da tabela.à fras e). Assenta-s e,
aliás, em algo que
é
comun a todos os individuas ou grupode individuos : estruturas e operações lÓgicas e semânticas,
,
,..
-codigos e· repertorios . _Por isso . todos eles sao, potencial- mente, polos reversiveis de emissão e recepção de mensagens e ações de comunicação . Ao mesmo tempo, a· informação s emân-
, ,
tico-so cial e inseparavel de um canal ou suporte, uma exter-
, . ,.,
nalidade que mediatiza a propria interaçao humana.
A - I , • (
Sua estrutura semantica, nao e, porem, vis ivel, expressa.
Como indica Mikailov, nu.m mesmo fragmento de um texto,
podemos achar diferentes tipos de informação . Ou, numa mesma informação s emântica, podemos estabele cer diferentes configu. raçõ es de informação cientifica, econômica, etc .
1 � .
50
. É induvitável que, quando a· área da Comunicação Cienti fico-tecnolÓgica entra no circuito das tecnologias de automa ção, num meio predisposto pelos •sucessos' da Engenharia da Comunicação, existe pouca preocupação pela •redução• do pla-
no conceitual, e surjem, pelo contrário, grandes expectativas de •·cientificidade •,. pela aplicação do modelo causalista-quan ti tativo . Lembremos, a respeito, O$ trabalhos de Goffman(g ) �
A teoria matemática da informação, partia da conside ração de unidades elementares homogeneas, que na comunicação humana podem ser delimitadas ao nivel signo, como unidades mor fologicamente diferenciadas ( fonemas, palavras). São estas
unidades que podem ser objeto de tratame�to quantitativo e ho mologadas por processos -fisico-mecânicos.
• ' A • De tato, o texto emitido adquer uma certa consis�encia, uma espécie de •ser em si ' . ·A relação texto-signo oferece inva
riantes morfológicas. Ainda a relação texto-signo-mensagem oferece invariantes ' estruturais' , seja na superficie ' , se ja
"' "' f
como reduçao das variaçoes possiveis para reconstituir uma
•estrutura profunda'. Nessas invarianças, encontraria seu pon to de apoio a informação ' lÓgico-semântica • : o que admite uma
, .
unica leitura, o que pode ser trasladado de um texto a um ou- tro texto.
Ao mesmo tempo, quando nos ocupamos da informação se
mântica especializada, encontramos traços que ul trap·assam aque-
"' - '
les esquemas. Na ordem de relaçoes emissor-texto-destinatario,
a delimitação de unidades infonnacionais admite múltiplas po
ssibilidades(lo). Intervém, nessa delimitação, os pr�pÓsitos
dos sujeitos participantes, seus arcabouços conceituais, cÓ-
'
digos e repertorios, valores e interesses.
, � , , ,
Esse obstaculo semantico-pragmatico e, porem, o li-
miar duma nova ordem de problemas que emerge ao tomá.r como campo de trabalho teÓrico-tecnolÓgico � tipo de informação lÓgico-semântica : a cientifica e a tecnolÓgica .
1
51
A comunicação cientifica tem por finalidade tra.nsmi tir
,
um obj eto de tal nature za, que s o s e completa co:no conhec imen-
to quando
é
proc essado na comu.�icação : quandoé
intersub j etivo- ,
ou cons ensual. Mas, ao mesmo t empo, a comunica.çao s o s e comple-·
,
ta, alcança s eu ob j e tivo, quanà.o o transmitido e pro cess8.do
cognitivamente, quando o receptor o elabora num novo conheci-
- , ,
niento. A comunicaçao cie'ntifica e , nes te s entido, o contexto onde a informação lÓgico-s emântica realiza a rnáxima intersub
j etividade ( s egundo, por exemplo, Mikailov(ll ) ou Zima.�(l2 )) �
Da informação s emântica informação cientifica
A informação s emântico-social ou lÓgico-s emântica
- ,
nao pertence ao plano dos ob j etos observaveis nem coincide
com o plano ma.nifesto da comunicação. Não
é
o documento nemo conteúdo do documento, ainda que este j a � documento, num
canal,. num t exto.
A ' extensão' em termos de sinais ou signos ( ' bits ' ? ) , as estruturas linguísticas, as estruturas lÓgicas co-existem, faz.em possivel ou ' co-det erminam-' aq_uilo que denominamos in formação lÓgico,-s emântica, mas não como determinR.ção suficien
t e .
Utilizaremos um exemplo, tomado da ' Autobiografia ' de
Einstein(l3 ) : Dada uma expressão - ' a ' ( � ' Lei do campo de gravi
tação na Teoria de Newton •) e uma expressão ' b ' ( =Formulação
do c2..mpo gravitacio�al na- Teoria da Relatividade ) , podemos
afirmar que a informação que poss a resul tar de ' a ' ou ' b ' nao
é
igual. ao valor de verdade , ligado a uma Única leitura legitima do texto. Se a pergunta fosse : " ' b ' substitui ' a ' ?'-' , e o perguntar fos s e adeq_uado no plano do conhecimento fisico,
a informação s eria um caso das respqstas alternativas ' s e ' ,
' não w .. Se a pergunta for : " Quais são as dif_erentes expressões do ' campo gravitacional' na histbrio. da Ciência Fisi ca?111 o
52
;
o valor informacional se deslo caria para o plano his torico-
historiográfico, e cons is ti"ria -na � orna de ' a ' e 'b ' . A ques tão informacionalp logo , não está ligada de modo linear e
imediato ao texto, ou a indi cações epistemolÓgi cas ' formais ' ,
que definam uma leitura privile.giada, s obre outras possíveis.
A informação mantem relações com o padrão dos enunciados, mas não
é
idêntica, por, exemplo,à
estrutura de uma equação...,
-
;nao linear, ou de uma conexao logica.
Voltemos, aliás, ao fato que, além dos exemplos mais
simples, ·o discurso cientifico não é totalmente ' formalizável '
-num sistema axiomático da lÓgi ca formal bivalente.
Seria simples pro curar exemplo s que mostrassem como a
informação não
é
' controlável' pelas ' conexões ' da linguagemnatural. _ Citamos , por exemplo, os trabalhos de Farradane( l 4 )
, ,.
sobre operadores sintaticos .e semanticos.
A informaç2.o , enfim, não se reduz ao signo, nem
à
es-' '
trutura da mensagem, .nem a forma do pensamento , nem a forma
da linguagem.
,� (
Ao mesmo tempo , s e nao reduzivel ao s inal-signo,
..., . ( (
nao seria intersubj et iva e transferivel s em um vei culo de
impacto nos re ce:9tores sensoriais do suj eito cogaitivo .
Por outro lado , como ' suporte ' de atividades semiotico-coe;ni-
-
,, �
tivas, devemos supor condiçoes basicas de constituiçao do
signi fi cante , de modo �ue admita os diferentes niveis de sig
ni ficação , ou, finalmente, devemos supor no s ignificante a
capacidade de deixar articular-se, num mesmo texto, diferen-
tes unidades signifi cativas$ E, se nao reduzive,.., ( l a invaria-. . ,
veis estruturais (lÓgic�s, sintáticas , sem;nti cas ) , não se ria intersubj etiva e tr2nsferivel sem matri zes operacionais
, , ,
e combinatorias compartilhadas , sem codigos e repertorios
de ampla base social.
Como :podemos abranger essa oposi ção de aspectos va riáveis e invariáveis?
-,
53
No centro de nossa questão não fica, logo, uma rela-
-
çao de dois termos,
INFORMAÇÃO : TEXTO
(PRODUTO SEMIÓTICO-COGNITIVO)
A relação texto : infonnação se sustenta sob o fundo de uma relação social, a relação entre sujietos intencionais ,
' ,
situados no tempo e no espaço, atraves de um texto :
INFORMAÇÃO : SUJEITO SOCIAL : TEXTO (PRODUÇÃO SEMIÓTICO-COGNITIVA )
Qual
é
a causa dessa indiferença com a questão gené tica, com o processo, para trabalhar sobre o produto, que caracterizou, de inicio··,à
Ciência da Informação?(lS ).Restrição do 'ponto de vista informacional'
O enfoque informacional surge ligado a uma concep-
.... .,
çao estatico-positivista do conhecimento e aparece, ainda
hoje, no topo de uma linha de 'reificação • do conhecimento. Reificação que para nós se exibe naquele predominio do pro duto sobre a produção.
Assim, por baixo da •reificação • da informação co mo • mat�ria' ou 'substância', está a própria reificação do conhecimento, que implica ao mesmo tempo a negação de um pa pel ativo e participante do sujeito cognitivo.
Sendo o sujeito uassivo e a relação cognitiva espe cular, o conhecimento passa a ser tratado como equivalente
a aquilo conhecido , a •representação •. Em muitas teorias do conhecimento, assim como na fala habitual , a representação
é
considerada como o 'efeito • de uma relação causal, ondealgo externo opera como estimuJ�o. Rssa colocação horizontal
causalista do at-o cognitivo. permite substi·tuir sem
54
, r"
do sujeito so intervem para deformar ou alterar.
,
Claro que , se conhecer e representar, e a representa-
,w , I · I
çao e essa especie de •fantasma• do m1mdo, diferenciavel de-
le e do sujeito pelo carácter mediador e pela ligação a
um
ca nal. precisamos só de um passo a mais para conceder au.tono-..
mia a essa •terceira obj etividade ' entre o mundo e o suj eito :
o produto exteriorizado da relação entre ambos. Informação,
"' ,
neste caminho do pensamento contemporaneo e um conceito ins- trumental para explorar esse • corpus• intermediário, que pa-
. , ,
rece crescer alem das expectativas , como o estranho cadaver
de Amadeo, na obra de Ionesco.
Certamente , não_ podemos superar o reducionismo da
informação-substância, s e não atingL�os aqueles modelos está
ticos e .li�eares das relações cognitivas .
A inv�rsão da ênfase do produto
à
produção cognitiva,em situações problemáticas concretas , deve afetar a área in-
fonnacional, Assim, junto as questoes acerca da •tempora-'
-
lidade' da informação l j � colocadas parcialmente em termos
I n.
)
,...
de 'vida media ' , 'obsolecencia', • reciclagem • , etc. , ·poderao surgir outras, referidas a ' pontos' simultâneos no tempo , mas opostos ou alternativo.§!_ num mapa espacializado de neces-
sidades e ·produtos infonnacionais(l 6).
·Informação e Meta-informação
No fundo, a questão da oposição produto-processo tem sua chave na noção do sujeito, s eja ou não explicitada nas diferentes formulações.
Quando nos situamos na hegemonia do 'produto ' , assim como, no ponto de partida s e coloca a Ciência como ' Sistemas de conhecimentos ou de teorias ', o sujeito deverá ser ��uzido,
, .
5 5