Resumo – Com o objetivo de avaliar o desempenho, consumo e digestibilidade
dos nutrientes, foram utilizados 32 ovinos da raça Morada Nova, castrados, confinados, recebendo dietas contendo 20, 40, 60 e 80% de concentrado. Os animais tinham 8,11 ± 1,15 meses de idade, peso inicial de 19,67 ± 2,97 kg e peso ao abate de 30,0 kg. Utilizou-se um delineamento experimental em blocos casualizados, com quatro tratamentos e oito repetições. Houve efeito linear decrescente (P<0,05) para dias de confinamento, que variou de 123,37 a 52,50, para as dietas com 20 e 80% de concentrado, respectivamente. O consumo de matéria seca diário elevou-se linearmente (P<0,05) com a redução da proporção volumoso:concentrado, variando de 0,925 a 1,124 kg. O ganho de peso diário, a conversão e eficiência alimentar melhoraram (P<0,05) com aumento do concentrado na dieta. Os consumos de matéria orgânica, proteína bruta, extrato etéreo, nutriente digestíveis totais, energia metabolizável, carboidratos totais e carboidratos não fibrosos elevaram-se (P<0,05) com a inclusão do concentrado, enquanto que os consumos de fibra em detergente neutro e ácido decresceram (P<0,05). Os coeficientes de digestibilidade da matéria seca, matéria orgânica e carboidratos totais foram crescentes (P<0,05). A digestibilidade do extrato etéreo e carboidratos não fibrosos sofreram efeito quadrático (P<0,05) e da proteína bruta e das fibras em detergente neutro e ácido não foram influenciados (P>0,05) pelo aumento de concentrado na dieta. Níveis de concentrado acima de 60% melhoraram o desempenho dos ovinos Morada Nova em confinamento, elevando os ganhos de peso e antecipando a idade ao abate. Dietas acima de 40% de concentrado melhoraram os índices de digestibilidade, porém a do extrato etéreo diminuiu a partir do nível de 61,45%, enquanto que para os carboidratos não fibrosos a partir de 73,15% de concentrado. A raça Morada Nova apresentou potencial para produzir carne em confinamento.
Effect of concentrate levels on performance and nutrients digestibility in Morada Nova hair sheep in feedlot
Abstract – Were evaluate performance, nutrients intake and digestibility in thirty
two males castrate Morada Nova hair sheep breed, in feedlot, feeding with differents levels of concentrate in the diet 20, 40, 60 and 80%. The initial age 8,11 ± 1,15 months
,
live weight was 19,67 ± 2,97 kg and slaughter weight of 30,0 kg. A blocks randomized design, with eight replicates, was used. There was linear decreasing (P<0,05) for feedlot days varying from 123,37 to 52,50 days, for 20 and 80% concentrate levels, respectively. The dry matter intake increasing linearly (P<0,05) with reduction of the roughage:concentrate ratio, varying from 0,925 to 1,124 kg. The daily weight gain and feed conversion and efficiency to improvement with increasing concentrate levels. The organic matter intake, crude protein, ether extract, total digestibles nutrients, metabolizable energy, total carbohidrates and nonfibrous carbohydrates increasing (P<0,05) with concentrate levels, while neutral detergent fiber intake and acid decreasing (P<0,05). The apparent digestibility coefficients of dry matter, organic matter and total carbohidrates were increasing. The ether extract and nonfibrous carbohydrates to demonstrate quadract effect (P<0,05) and of the crude protein and detergent neutral and acid fibers and was not affected (P<0,05) by inclusion concentrate in the diet. The concentrate level above 60% of concentrate increasing performance of the Morada Nova hair sheep in feedlot, with elevation of daily weight gain and decreasing of time for reach slaughter. Diets above 40% of concentrate increasing the digestibility index, however ether extract digestibility decreasing to start 61,45%, while nonfibrous carbohydrates to start 73,15% of the concentrate level in the diet. The Morada Nova breed showed potential for meat production in feedlot.
Introdução
O confinamento de ovinos tem sido estimulado para atender as exigências do mercado consumidor por carcaças de melhor qualidade, bem como manter a regularidade da oferta de carne durante todo o ano, contribuindo para elevar as taxas de desfrute dos rebanhos.
A prática de confinamento também reduz as perdas de animais jovens por deficiências nutricionais e infestações parasitárias, proporciona um retorno mais rápido do capital investido, diminui a idade ao abate e a pressão de pastejo na caatinga, disponibilizando forragens para outras categorias animais (Siqueira, 2000; Vasconcelos, 2000; Barros et al. 2003). Deve-se estar atento no entanto, para fatores como o plano nutricional, a idade, sexo, peso de abate e o genótipo, que estão diretamente relacionados com o desempenho e com os aspectos quali-quantitativos das carcaças dos ovinos produzidos (Field et al.1990, Snowder et al.1994 e Quintero et al.2002).
Em relação ao aspecto nutricional, Notter et al. (1991) e Haddad & Husein (2004) reportaram que, para obtenção de ganhos que compensem economicamente a prática do confinamento, a dieta deverá ser de alta energia e adequados níveis de proteína (Manso et al.1998; Titi et al. 2000) com vistas a reduzir o tempo de permanência dos animais na fase de terminação, elevar as taxas de ganho de peso, a eficiência alimentar e, conseqüentemente, diminuir os custos de produção. No entanto, dada a necessidade de se aumentar a densidade energética das dietas, ocorre a maximização do uso de concentrados, o que pode acarretar maior possibilidade de distúrbios metabólicos (Alves et al.2003a), sobretudo alterações no pH ruminal (Phy & Provenza, 1998; Santra et al. 2003). A utilização de volumosos também se torna importante nas dietas de animais confinados, pois a fibra é essencial para estimular a mastigação e ruminação (Coelho da Silva & Leão, 1979; Van Soest, 1994). Dietas que não estimulam adequadamente a
mastigação reduzem a produção de saliva, resultando em diminuição do pH ruminal, podendo comprometer a digestibilidade da fibra (Grant & Mertens, 1992).
Ressalta-se que a formulação de rações para ovinos confinados no Brasil é baseada em grande parte por tabelas publicadas pelo NRC (1985), as quais foram elaboradas sob condições ambientais, técnicas e econômicas dos Estados Unidos e da Europa, onde se destaca a engorda de ovinos com dietas compostas por altos teores de grãos. Esse comitê sugere para um animal de 20 kg de peso vivo, com ganho de peso diário de 250, uma dieta com 2,9 Mcal de energia metabolizável/kg matéria seca, devendo ter em média 85% de concentrado, para atender essa demanda energética. Pelo sistema AFRC (1993), as exigências energéticas para essa faixa de ganho de peso de são de 10,4 MJ de EM/dia (2,48 Mcal/dia).
Zeola (2002) verificou que a dieta com 60% de concentrado proporcionou maior ganho de peso, em torno de 172 g/dia, com conversão alimentar de 4,72, em ovinos Morada Nova, confinados.
Estudando o desempenho de ovinos mestiços de Suffolk, mantidos em creep
feeding, recebendo dietas com 2,6, 2,8 e 3,0 Mcal de EM/kg de MS, Garcia et al. (2003)
concluíram que os cordeiros que receberam dieta de 3,0 Mcal de energia metabolizável, apresentaram os melhores ganhos (408,5 g/dia) e foram abatidos aos 61,8 dias de idade. Com ovinos Pelibuey, no México, Fimbres et al. (2002b) verificaram que o incremento no nível de feno na dieta (0, 10, 20 e 30%) foi associado com os menores ganhos de peso (0,250, 0,207; 0,203 e 0,174 kg/dia), respectivamente.
Barros et al. (1994), avaliando o desempenho de cordeiros confinados recebendo volumoso à vontade e concentrado limitado a 2,5% do peso vivo do animal/dia, verificaram ganhos de 120,1; 135,0; 143,7; 132,2 e 119,9 g/dia, respectivamente, para
os cordeiros F1 produtos do cruzamento de ovinos das raças Hampshire Down, Suffolk, Texel, Ile-de-France e Santa Inês com ovelhas sem padrão racial definido (SPRD).
Alves et al. (2003a), utilizando dietas com 2,42, 2,66 e 2,83 Mcal de EM/kg MS, constataram que não houve efeito significativo do nível de energia metabolizável na dieta sobre o consumo de matéria seca, ganho de peso diário e conversão alimentar de ovinos Santa Inês em confinamento, no entanto, recomendam a utilização de 2,83 Mcal de EM/kg de MS por ter proporcionado menor período de confinamento (76,67 dias) e, conseqüentemente, maior margem bruta de lucro. Resultados similares também foram encontrados por Barros et al. (2003) avaliando o desempenho de cordeiros Santa Inês x SPRD e Somalis x SRPD, alimentados com níveis de 15, 30, 45 e 60% de concentrado e não observaram efeito sobre o ganho de peso dos animais. Com relação ao genótipo, os ovinos Somalis x SPRD apresentaram ganhos de 171,6 g/dia, enquanto os Santa Inês x SRPD alcançaram 134,7 g/dia.
O trabalho teve o objetivo de avaliar o efeito de níveis crescentes de concentrado sobre o desempenho e digestibilidade dos nutrientes em ovinos Morada Nova confinados.
Material e Métodos
O experimento foi conduzido no galpão de confinamento do Setor de Caprino-
ovinocultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, localizada em Recife-PE, situada na microrregião fisiográfica do Litoral Mata, pertencente à Região Metropolitana do Recife.
Foram utilizados 32 borregos da raça Morada Nova, variedade vermelha, machos castrados, com idade média de 8,11 ± 1,15 meses de idade, com peso inicial de 19,67 ± 2,97 kg e peso ao abate (PVA) de 30,0 kg, confinados em baias individuais com
dimensões de 1,0 x 2,8 m, as quais tinham 0,80 m do piso cimentado (local do cocho) e 2,0 m em piso de chão batido, providas de comedouros e bebedouros, onde receberam as dietas experimentais. Os animais foram pesados, identificados, tratados contra ecto e endoparasitas e vacinados contra clostridioses. As pesagens ocorreram a cada sete dias, partindo do início do experimento até alcançarem o peso de abate. As análises de composição bromatológica dos alimentos, das sobras e fezes dos animais foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
As determinações de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE) e lignina em detergente ácido (LDA) foram efetuadas segundo metodologia descrita por Silva & Queiroz (2002). Para determinação das frações da parede celular, fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA), utilizou-se a metodologia descrita por Van Soest et al. (1991) e recomendada pelo fabricante do aparelho ANKOM Technology®, com modificação em relação aos sacos, quando utilizou-se sacos de polipropileno (Tecido-não-tecido, gramatura 100 g/m2). Os
teores de compostos nitrogenados insolúveis em detergente (NIDN) e em detergente ácido (NIDA) foram estimados nos resíduos obtidos da FDN e FDA, através do procedimento de micro Kjeldahl, sendo a FDN e a FDA corrigidas para nitrogênio indigestível em detergente neutro e ácido (Tabela 1).
Tabela 1. Composição bromatológica dos ingredientes Table 1. Bromatologic composition of the ingredients
Ingredientes (Ingredients) MS (DM) MO (OM) MM (MM) PB (CP) EE (EE) FDN (NDF) FDNCP (NDFCP) FDA (ADF) CNF (NFC) NDT (TDN) Feno de capim
Tifton (Tifton hay) 89,07 91,86 8,14 8,45 1,72 79,02 75,77 41,08 5,91 49,78
2 Milho moído (Cracked corn) 87,76 98,31 1,69 10,55 4,04 21,12 12,67 4,97 62,92 86,022 Farelo de soja (Soybean meal) 88,72 92,24 7,76 52,21 1,62 17,35 16,90 10,96 21,41 79,182 Óleo vegetal (Vegetable oil) 100 - - - 99,91 - - - - 184,01
1 Valores da tabela de composição do NRC (2001) 2 Estimado pela equação de Weiss (1999)
As dietas experimentais tinham em média de 17% de proteína bruta (PB), constituídas por feno moído de capim Tifton-85 (Cynodon dactylon) e diferentes níveis de concentrado 20, 40, 60 e 80%, o qual era constituído de milho e farelo de soja e óleo vegetal. Além desses ingredientes, utilizou-se mistura mineral, calcário calcítico e bicarbonato de sódio (Tabela 2). A ração de maior nível de concentrado foi formulada de acordo com o NRC (1985) para atender aos requerimentos de animais com 20 kg de PV e ganho diário de 250 g/animal/dia
Os ovinos passaram por um período de 20 dias de adaptação, durante o qual receberam a mesma dieta (50% volumoso e 50% concentrado), para que fosse estimada a quantidade de alimento ingerida. Após esse período, os animais foram sorteados nos tratamentos experimentais, quando foi estabelecido o início do experimento.
O fornecimento das dietas experimentais foi feito uma vez ao dia, na forma de ração completa, com água permanente à disposição dos animais. O alimento ofertado e as sobras foram pesados diariamente, para cálculo do consumo voluntário e estabelecimento de 10% de sobras, fazendo-se reajustes da quantidade oferecida quando necessário.
Decorridos 28 dias iniciais do período experimental, procedeu-se o ensaio de digestibilidade, que teve a duração de sete dias e durante esse intervalo, foram feitas coletas de amostras de alimentos (feno, milho e farelo de soja), sobras e fezes, que foram pesadas, identificadas e armazenadas a -15 ºC, para análises posteriores. No final desse ensaio, as sobras foram homogeneizadas e constituíram uma amostra composta por animal.
Tabela 2 – Composições percentual e bromatológica das dietas experimentais com diferentes níveis de concentrado, com base na matéria seca (MS)
Table 2 –Percentual and chemical compositions (%) of the experimental diets with differ concentrate levels, with dry matter basis (DM)
Ingredientes, % na MS (Ingredients, % in the DM)
Níveis de concentrado, %
(Concentrate levels, %)
20 40 60 80
Feno de capim Tifton (Tifton hay) 78,90 60,00 40,0 20,0
Grão de milho moído (Grounded Corn) 0,00 18,50 36,0 54,0
Farelo de soja (Soybean meal) 17,70 18,20 20,0 21,0
Óleo vegetal (Vegetable oil) 2,50 2,50 2,50 2,50
Bicarbonato de sódio (Sodium bicarbonate) 0,00 0,00 0,00 0,50
Cloreto de sódio 0,20 0,10 0,00 0,00
Calcário calcítico (Limestone) 0,20 0,50 0,50 0,80
Mistura mineral1
(Mineral mix) 0,50 0,20 1,00 1,20
Composição (Composition)
Matéria seca, MS (Dry matter, DM), % 89,38 89,12 88,96 88,84
Proteína bruta, PB (Crude protein, CP),% 15,91 16,50 17,62 18,35
Extrato etéreo, EE (Ether extract,EE), % 4,14 4,57 4,96 5,36
Fibra em detergente neutro, FDN (Neutral detergent fiber, NDF), % 65,41 54,47 42,68 30,85
FDNcorrigida para proteína, FDNCP(NDF corrected of crude protein), % 62,77 50,88 38,25 25,54
Fibra em detergente ácido, FDA (Neutral detergent acid, ADF), % 34,53 27,56 20,41 13,20
Carboidratos totais, CHOT, (Total carbohydrates, TCHO) , % 71,25 71,49 70,49 69,60
Carboidratos não fibrosos, CNF (Nonfiber carbohydrates,NFC) , % 8,45 19,08 29,30 39,65
Matéria mineral, MM (Mineral matter, MM), % 8,69 7,41 6,91 6,67
Nutrientes digestíveis totais, NDT (Total digestible nutrients, TDN) , % 57,89 64,79 71,31 77,63
Energia metabolizável, Mcal de EM/kg de MS
(Metabolizable energy, Mcal of EM/kg DM)
2,10 2,34 2,56 2,81
1Níveis de garantia (nutrientes/kg): cálcio 130 g; fósforo 70 g; magnésio 1.320 mg; ferro 2.200 mg; cobalto 140 mg;
manganês 3,690 mg; zinco 4.700 mg; iodo 61 mg; selênio 45 mg; enxofre 12 g; sódio 170 g; cloro 276 g; flúor
máximo 700 mg; solubilidade mínima de P2O5 em ácido cítrico à 2% = 90%.
As amostras de fezes foram retiradas diretamente da ampola retal dos ovinos, duas vezes ao dia (7h:30min e às 16 horas). Ao final do período de coleta, essas amostras também foram homogeneizadas (constituindo uma amostra composta por animal) e pré- secas em estufa com circulação forçada à 65 ºC por 72 horas. Todas as amostras de alimentos, sobras e fezes, foram moídas em moinho de faca tipo “Willey”, com peneira de crivo de 1,0 mm, para posteriores análises laboratoriais.
Para estimativa da produção de matéria seca fecal (PMSF), utilizou-se a fibra em detergente ácido indigestível (FDAi) como indicador interno. Para determinar as concentrações de FDAi nos alimentos, sobras e fezes foram incubados 1,0 grama de cada ingrediente concentrado e 0,5g para o feno, sobras e fezes, no rúmen de um búfalo adulto, por um período de 144 horas, em sacos tipo ANKOM® Filter bags F57, segundo
metodologia descrita por Berchielle et al. (2000), exceto quanto à incubação que foi in
situ. O material remanescente da incubação foi submetido à extração com detergente
ácido, cujo resíduo foi considerado a FDAi.
Para estimativa dos carboidratos totais (CHOT), foi usada a equação proposta por Sniffen et al. (1992), CHOT= 100 – (%PB + %EE + %MM) e, para estimativa dos carboidratos-não-fibrosos (CNF), a equação preconizada por Hall et al. (1999) CNF=%CHT - %FDNCcp, sendo a FDN corrigida para proteína. Para o cálculo dos nutrientes digestíveis totais (NDT), utilizou-se à equação proposta por Weiss (1999): NDT= (PBD + CNFD + FDNcpD + (EED * 2,25)) - 7, onde PBD; CNFD; FDNcpD; e EED significam, respectivamente, consumos de PB, CNF, FDN e EE digestíveis, sendo a FDN corrigida para proteína.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com quatro tratamentos e oito repetições, sendo os blocos formados pelos animais, de acordo com o peso inicial.
Além da análise de variância, foi realizada análise de regressão, em função dos níveis de concentrado na dieta. Os critérios utilizados para a escolha das equações foram o comportamento biológico, o coeficiente de determinação (r2) e a significância, para os parâmetros de regressão, obtida pelo teste “t – Student”, para os níveis de 1 e 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram realizadas com auxílio computacional do programa SAEG (2001).
Resultados e Discussão
Verifica-se (Tabela 3) que não houve efeito significativo do nível de concentrado sobre o peso ao abate, bem como para o ganho de peso total durante o confinamento, em função de se ter estabelecido um peso fixo ao abate em 30,0 kg.
Todavia, o tempo de permanência dos animais no confinamento (123,37, 86,62, 75,25 e 52,50 dias) decresceu linearmente (P<0,05) à medida que foi oferecida maior quantidade de concentrado na dieta, antecipando o peso de abate em 70,87 dias, para o último tratamento. Mesmo com o ganho de peso total durante o confinamento semelhante entre os tratamentos (± 11,0 kg), deve-se considerar que menores períodos de confinamento reduzem a idade ao abate e favorecem as carcaças em termos quali- quantitativos, além de representar menores custos de produção e proporcionar maior rotatividade de animais no confinamento/ano, amortizando mais rapidamente as despesas com as instalações e alimentação. Isto corrobora com Susin (2001), quando concluiu que a dieta de custo mínimo em confinamentos é aquela de alto concentrado. Haddad & Hussein (2004) verificaram que ovinos Awassi, alimentados com dietas contendo 40 e 85% de concentrado, ganharam 11,3 e 16,5 kg, respectivamente, aos 63 dias de confinamento.
Alves et al. (2003a) verificaram que ovinos Santa Inês alcançaram o peso de abate (31,0 kg) aos 97,83, 96,50 e 76,67 dias de confinados, recebendo dietas com 2,42, 2,66 e 2,83 Mcal EM/kg de MS, respectivamente. Alimentando cordeiros mestiços de Texel, com dietas contendo 40% de concentrado, Pires et al. (2000) verificaram que os animais passaram 45,75 e 73,58 dias para alcançarem peso de abate de 28,0 e 33,0 kg, respectivamente. Além do efeito do plano nutricional sobre o tempo de terminação dos ovinos no confinamento, outros fatores, como o genótipo, também pode influenciar essa variável. Santra & Karim (2001) observaram que ovinos Malpura, ¾ Awassi x Malpura e Awassi x (Awassi x Malpura), recebendo 60% de concentrado na dieta permaneceram em torno de 79, 64 e 54 dias em confinamento, evidenciando que o aumento de genes da raça Awassi melhorou o desempenho dos animais.
Na mesma Tabela, observa-se que o consumo de matéria seca total (kg) decresceu (P<0,05) de 111,50 para 56,74 kg, quando foram utilizadas dietas com 20 e 80% de concentrado, respectivamente, ou seja, em torno de 0,879 kg de matéria seca foram economizados por dia a cada unidade percentual de concentrado incluído na dieta. Por outro lado, os consumos de matéria seca (CMS) expressos em kg/dia; consumo de MS (%); gramas por quilo de peso vivo (g MS/kg peso vivo/dia) e gramas por unidade de peso metabólico (gMS/PV0,75), foram crescentes (P<0,05), em relação aos níveis de concentrado.
Tabela 3 – Desempenho de ovinos Morada Nova em função dos níveis de concentrado na dieta
Table 3 – Performance of Morada Nova sheep hair in function of concentrate levels in diet
Variáveis (Variables) Níveis de concentrado (%) Concentrate levels (%)
CV
(%) Equação de Regressão Regression equation r2
20 40 60 80 PV inicial, kg (Initial LW),kg 20,37 19,42 19,0 19,92 - - - PV abate, kg (Slaughter LW), kg 30,92 30,68 30,42 30,84 3,28 Ŷ= 30,71 ns - Dias de confinamento (Feedlot days) 123,37 86,62 75,25 52,50 34,58 Ŷ=140,438 – 1,12*C1 0,96 Consumo MS total,kg (Total DM intake), kg 111,50 82,22 70,62 56,74 25,83 Ŷ=124,245 – 0,879408*C 0,95 Consumo MS, kg/dia (Intake DM), kg/dia 0,925 0,964 1,003 1,124 13,14 Ŷ=0,84478 + 0,00319125*C 0,91 Consumo MS, % (Intake MS), % 3,63 3,83 4,01 4,45 9,74 Ŷ= 3,32047 + 0,0132902*C 0,95 g MS/kg peso vivo/dia (g DM/ kgLW/ day) 36,32 38,35 40,13 44,58 9,74 Ŷ=33,2047 + 0,132902*C 0,95 g MS/kg PV0,75/dia (g DM/LW0,75/day) 81,55 85,84 89,69 99,88 10,18 Ŷ=74,5332 + 0,294191*C 0,94
Ganho de peso total, kg
(Total weight gain), kg 10,54 11,25 11,42 10,91 9,66 Ŷ= 11,0
ns -
Ganho de peso diário, kg
(Daily weight gain), kg
0,089 0,134 0,168 0,224 28,59 Ŷ=0,044331 + 0,0021982*C CA (kg MS/ kg GPD) (FC kg DM/DWG) 10,51 7,32 6,03 5,09 22,59 Ŷ= 11,9866 – 0,090517*C 0,92 Eficiência alimentar, % (Feed efficiency), % 9,86 14,46 17,16 20,35 22,59 Ŷ= 6,91733 + 0,170812*C 0,99
1Nível de concentrado (Concentrate level)
* Significativo aos níveis de 1 e 5% de probabilidade pelo teste “t”
* Significant the 1 and 5% levels of the probability by “t” test
ns – não significativo
ns – No significant
O consumo de matéria seca (CMS) foi de 0,925; 0,964; 1,003 e 1,124 kg/dia para os ovinos que receberam dietas contendo 20, 40, 60 e 80% de concentrado. Verificando
a Tabela 2, percebe-se que os teores de fibra em detergente neutro (FDN) das dietas eram de 65,41, 54,47, 42,68 e 30,85% e os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (Tabela 4) foram crescentes (62,47, 73,23, 73,35, 80,22%), para os respectivos níveis de concentrado. Pela Figura 1, observa-se que os maiores valores de CMS/dia foram obtidos pelos animais que receberam dieta contendo em torno de 30,85% de FDN (80% de concentrado), portanto mais digestível e, provavelmente, com maior taxa de passagem, enquanto houve redução do consumo à medida que os níveis de FDN (54,47%) aumentaram com o nível mais baixo de concentrado. Valdés et al. (2000) verificaram que a taxa de passagem da digesta pelo rúmen (k1, por hora) e pelo
ceco e cólon proximal (k2, por hora) de ovelhas vazias e não lactantes, consumindo
dietas com 20, 40, 60 e 80% de concentrado, decresceu linearmente, com valores para k1 de 0,0515; 0,0528; 0,0467 e 0,0317; e 0,1005; 0,0758; 0,0668 e 0,0589 para k2,
respectivamente, enquanto que as maiores proporções de concentrado aumentaram o tempo de retenção médio de partículas no intestino delgado.
- 0,200 0,400 0,600 0,800 1,000 1,200 1,400 20 30 40 50 60 70 %FDN na dieta %NDF diet C ons um o ( kg/dia ) In tak e ( k g /day )
Figura 1. Consumo de matéria seca em função dos níveis de fibra em detergente neutro das dietas
Zeola (2002) também verificou que a ingestão de matéria seca foi crescente em função do nível de concentrado por ovinos Morada Nova, sendo que a dieta com 60% proporcionou maior ingestão (0,720 kg/dia) em comparação às dietas com 45% (0,614 kg/dia) e 30% (0,539 kg/dia).
Alves et al. (2003a) comentaram que as dietas contendo alto teor de FDN (58,30%), com 2,42 Mcal de EM/kg MS promoveram baixo consumo de matéria seca por ovinos Santa Inês, enquanto a dieta com 29,96% de FDN (2,8 Mcal/kg de MS) também teve baixo consumo, atribuindo ao atendimento das exigências nutricionais em níveis mais baixos de consumo e possíveis problemas relativos ao pH e ambiente ruminal.
Para o consumo de matéria seca por unidade de peso metabólico, foram encontrados valores de 81,55, 85,84, 89,69 e 99,88 g/dia, em função dos níveis de concentrado. O NRC (1985) preconiza que o consumo de matéria seca por unidade de peso metabólico (g MS/PV0,75), para animais com 20 kg de peso vivo seria em torno de 105,7 g/dia, com dietas de 2,9 Mcal de EM/kg MS. Pelo AFRC (1993) esse consumo seria de 95,0 g/dia, para a mesma faixa de peso vivo do animal e plano nutricional.
Barros et al. (1994) relataram valores médios de 77,3, 79,2, 82,8 e 70,3 g MS/PV0,75, para ovinos recebendo dietas com 15, 30, 45 e 60% de concentrado, com efeitos quadrático para o genótipo Somalis x SPRD, enquanto que o consumo dos ovinos Santa Inês x SPRD (média de 74,63 gMS/kg PV0,75), não foi influenciado pela
relação volumoso:concentrado.