8 A imagem do esquema do olho humano (p.458) foi retirada de José M. Amabis e Gilberto R. Martho. Fundamentos da Biologia Moderna, 2ª edição revisada. São Paulo, Moderna, 1999.
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10 Superinteressante, maio de 2006.
A foto ao lado faz parte da exposição “Metabiótica” do artista, fotógrafo e grafiteiro, Alexandre Órion, que vagueia:
O objeto fotográfico é o ambiente no qual não se distingue o limite
entre o elo e o duelo das linguagens [pintura e fotografia]. Há algo além das duas óticas: uma fenda tênue e
infinita que nos conduz à inexistência. Fonte:
O Retrato de Dorian Gray
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supostamente matarei.
Dra. Hineman – Mesmo assim uma sucessão de fatos irá levá-lo ao assassinato dele. Anderton – Não se eu ficar longe dele.
Dra. Hineman – Como evitar quem não conhece? Anderton – Você não me ajudará?
Dra. Hineman – Não posso. Ninguém pode. Os Pré-Cogs nunca estão errados. Mas, às
vezes, discordam um do outro.
Anderton – O que?
Dra. Hineman – Na maioria
das vezes, os três vêem um fato da mesma maneira. Mas, de vez em quando, um deles vê diferentemente dos outros.
Anderton – Deus do céu. Por
que eu não sabia?
Dra. Hineman – Porque esses
relatórios minoritários são destruídos assim que aparecem.
Anderton – Por que?
Dra. Hineman – Para o Pré-
Crime funcionar não pode haver o menor indício de falibilidade. Quem iria querer um sistema que incute dúvidas? Pode ser lógico, mas ainda assim duvidoso.
Anderton – Quer dizer que prendi pessoas inocentes?
Dra. Hineman – Digo que, de vez em quando, os acusados pelo Pré-Crime poderiam ter
um destino alternativo. (Diálogos de Minority Report)
Será que ocultando (ou desconhecendo) o relatório da minoria, não estaríamos, em muitos momentos, tentando salvar o currículo de uma queda para as profundidades, tentando elevá-lo cada vez mais próximo da idealidade curricular, buscando, quem sabe, salvar-nos das incoerências, imoralidades, caoticidade e multiplicidades do mundo das profundidades? Onde estariam os minority reports de nossas produções curriculares? 11
11 Foto de um garoto judeu que observa através de vidro a aproximação de tropas israelenses a sinagoga no assentamento de Gush Katif (Reuters). Fonte:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/albumdodia/050818_album.jhtm?fotoabre=7 (visitado em 18/08/2005).
O Retrato de Dorian Gray
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Suspensão do tempo cronológico, do incessante movimento aparente da realidade que se diz concreta. Dissolvermo-nos no momento efêmero da eternidade do grafiteiro desenhado que se apaga com a pintura do muro que se permite ficar na fotografia que sugere a dispersão na superfície potencializando o terrível efeito do simulacro (...) que apreendeu uma disparidade constituinte na coisa que ele destitui do lugar e de modelo (Deleuze, 2006, p. 106).12
Professor, super heróis, alunos. Seres-objetos de um modelo de sala de aula? Ou multiplicidades de sentidos produzidos, ora desviante, ora organizador, ora superfície dos escritos da lousa?
Ora que desmonta a hora na or-ação da superfície da palma da mão!
12 A figura refere-se à capa do Journal of Curriculum Theorizing, v. 17, n.3, 2001, que tem como editora de arte Mary Aswell Doll. Esse foi o primeiro conjunto de imagens do arquivo por mim montado em Power Point a enfocar especificamente minha proposta de discussão do projeto de doutorado: esse slide e a música do Zé Ramalho.
E ter que ♪ demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer ♪
Êêê..ôô... vida de gado Povo marcado, ê Povo feliz.
♫ ♪ ♫ ♪♫ ♪♫ ♪♫
Admirável gado novo
Zé Ramalho
Admirável
currículo
novo
E len is e C ris tin a P ire s d e A n dr ad e Or ie nta dor : P ro f. A nton io Ca rlos R . A m or imO Retrato de Dorian Gray
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Igualdade da “escola de super-heróis” às outras escolas pela permanência da lousa que, como já disse Nilda Alves (2003), seria um dos mais marcantes e presentes dentre os artefatos culturais a habitar o cotidiano escolar. A autora apresenta uma figura do século XVI intitulada “Jesus Cristo vai à escola” na qual oSUPER HERÓI Para salvar pessoas:
aprenda a desatar nós
Cinto de utilidades
Devem ser recarregados com
uma semana de
antecedência
- Característica fundamental: NUNCA MORRER
- Identidade secreta DEVE SER ÓBVIO
- SE VOCÊ VOA:
- nunca entre nos prédios pelas portas
O Retrato de Dorian Gray
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menino leva à mão esquerda um (...) artefato que durante séculos vai identificar as principais atividades da escola moderna: nela as crianças vão aprender a ler, escrever e contar, fórmula tão conhecida e aprendida em Comenius (1984) (p. 68).Diferença que eu supunha estar nas singularidades dos alunos super-heróis que, mesmo super, estariam a aprender acerca de seu mundo – divertidamente apresentado na lousa pelos escritos em giz.
Imaginei a lousa como atriz principal ao mostrar-se para os/as professores/as através do slide, não pela sua centralidade, mas pela minha admiração. No entanto, nos três primeiros encontros, as professoras sequer comentavam sobre a lousa, muito menos notavam minha ansiedade em falar dos escritos em giz. Somente na última reunião Virgem possibilitou um diálogo sobre meu querido ser-objeto marcado pelas palavras do professor de super-heróis. Ensinar o que para super-heróis?
Quase-tese – O que está escrito na lousa ai embaixo, claro!
A ausência da lousa nas falas das professoras poderia indicar que não a viram? Poder-se-ia afirmar a concretude da lousa mesmo nesta ausência? Se todos e todas a viram, por que não disseram nada? Se não a viram ela continua a existir? Se viram e nada disseram, a apagaram?
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professores/as que cotidianamente estão com ela, escrevendo sobre seu quadro, esparramando giz sobre sua superfície. Provavelmente sua existência parecia tão óbvia que foi desnecessário comentá-la, como se não precisasse de narrativas para se fazer concreta. Parecia não existir devido à sua visibilidade “óbvia” ou comportaria uma existência que carrega uma invisibilidade decorrente do extremo conhecimento que professores e professoras possuem sobre ela?Será que os/as professores/as de tanto conhecerem, sentirem a lousa, acabaram por apagá-la da memória narrativa? (...) não estaria aí, nessa evanescência, nessa desaparição, uma estratégia do próprio objeto? (Baudrillard, 2001, p.148). Ou então uma possibilidade de entendimento da produção dos efeitos de superfície na sua repetição produzindo diferença pura?
(...) Não basta multiplicar as perspectivas para fazer perspectivismo. É preciso que a cada perspectiva ou ponto de vista corresponda uma obra autônoma, dotada de um sentido suficiente: o que conta é a divergência das séries, o descentramento dos círculos, o “monstro”. O conjunto dos círculos e das séries é, pois, um caos informal, a-fundado, que só tem por “lei” sua própria repetição, sua reprodução no desenvolvimento do que diverge e descentra (Deleuze, 2006, p. 106).
Lousa. Silêncio. Professores e professoras. Seria possível apresentar um retrato fiel de uma sala de aula e suas lousas? Seria possível escrever sobre isso? Escritura de uma concretude (in)dizível mas presente ou de uma realidade ausente mas concreta?
Percorramos outras possibilidades com esse mesmo slide quando Aldebarã concorda com Antares que, cantarolando Vida de gado, povo marcado..., remete o verso ao povo brasileiro. Aldebarã compõe uma outra seqüência para a música:
Marcado para seguir as regras. Para Antares a marca do slide é a relação da música com o povo brasileiro, povo remetido sempre à mesmice, mais ainda quando se é professor/a.